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VINDO
A Câmera Escura era uma grande
caixa, no início grande o suficiente para entrar uma pessoa, com um
orifício em uma das paredes, que servia para os pintores do século XVI
fazerem esboços de paisagens. A luz entrava pelo orifício e formava uma
imagem invertida na parede oposta. Pronto! Estava descoberta a "mágica"
que, anos depois, se transformaria na máquina fotográfica e na câmera
cinematográfica.
No escurinho do cinema, a mágica da
câmera escura ainda acontece hoje, séculos depois daquelas primeiras
grandes caixas. Mas a imagem que bate na parede hoje não é simples
reprodução do mundo exterior, mas sim o resultado do trabalho de
dezenas, às vezes centenas de pessoas que criaram todo um mundo
imaginário, que existe apenas no momento da sua projeção (e, mais tarde,
na imaginação das pessoas).
As toscas imagens rascunhadas pelos
pintores deram lugar a filmes cinematográficos ou sistemas digitais de
alta definição que capturam o mundo exterior e, pode-se dizer, o próprio
tempo. Quem assiste hoje a "Um Corpo que Cai", de
Alfred Hitchcock, não está apenas acompanhando uma fictícia
história de amor entre dois personagens, mas também está vendo,
junto, um mundo que não existe mais, a São Francisco dos anos 50, que
foi capturada pelo cinema "para sempre" (ou assim gostaríamos de
acreditar). Por outro lado, quem assiste a "2001 - Uma Odisséia no
Espaço" de Stanley Kubrick, ou "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", de Steven Spielberg, está vendo
realidades que jamais existiram,
mas que a força do cinema transforma em mundos de verdade, habitados por
pessoas de carne e osso.
Este site é dedicado a discutir esta
arte relativamente nova, pouco mais de cem anos, mas que tanto mudou a
história da humanidade. Walter Murch (editor de filmes como Apocalipse
Now), em seu livro "Num Piscar de Olhos", diz: "(o cinema reflete) a
necessidade humana perene - pelo menos tão antiga quanto a linguagem -
de sair de casa e se reunir no escuro, em volta de uma fogueira, com
outros desconhecidos para ouvir histórias".
Sente-se, chegue mais para perto do
fogo e vamos compartilhar histórias.
João Solimeo
outubro de 2004
(João Solimeo é crítico de cinema, editor de
vídeo e cinegrafista.
Estudou cinema na FAAP, em São Paulo, e já trabalhou em curtas metragens como coordenador de produção,
editor e diretor de fotografia.) |