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Capitão
Sky e o Mundo de Amanhã    
(Sky
Captain and the World of Tomorrow - EUA - 2004)
por
João Solimeo
"Capitão Sky e o Mundo de Amanhã" é uma viagem no
tempo e na fantasia cinematográfica, um mergulho em um mundo deliciosamente "retrô"
povoado por robôs voadores gigantes, aviões pilotados por ases destemidos,
repórteres corajosas que fazem de tudo por uma história, gênios da tecnologia
"avançada" dos anos trinta e, claro, um vilão assustador e misterioso.
O
interessante (e contraditório) é que um filme tão voltado ao passado do cinema
só tenha sido possível graças às mais modernas técnicas dos efeitos especiais
digitais. O escritor e diretor Kerry Conran fez um filme teste de seis minutos
em computação gráfica que atraiu o produtor Jon Avnet, que resolveu produzir o
filme, contando ainda com a o apoio do ator Jude Law (de
A.I. e Gattaca). O filme foi todo gravado com os atores atuando em frente a
uma tela azul que, na pós-produção, foi substituída por imagens em computação
gráfica. Jude Law interpreta Joe Sullivan, o Capitão Sky, um piloto mercenário
que é chamado para socorrer a humanidade quando todo o planeta é atacado por
robôs gigantes vindos não se sabe de onde. Polly Perkins (Gwyneth Paltrow), uma
repórter e antiga namorada de Joe estava investigando a história do estranho
desaparecimento de vários cientistas quando o acontece o ataque. Eles descobrem
que devem procurar um "Dr. Totenkopf", um cientista maluco que há anos vinha
fazendo experimentos com seres humanos e preparando um plano para destruir o
mundo.
Em um filme como este o roteiro é o que menos
importa, e o diretor/roteirista consegue nos prender a atenção com um dos
visuais mais maravilhosos já vistos nas telas do cinema. A cor do filme foi toda
elaborada para ter um ar nostálgico, quase em preto e branco, e ficando mais
proeminente conforme a aventura progride. E que aventura: somos levados de Nova
York para as montanhas do Tibete. De lá seguimos para o reino mítico de "Shangrilá",
onde nossos heróis são ajudados por monges misteriosos. Conhecemos Franky
(Angelina Jolie, em grande participação especial) a bordo de maravilhosas
plataformas voadoras. Joe, Polly e Franky partem para o esconderijo secreto de
Totenkopf, uma ilha perdida no meio do oceano. Há uma curiosa mistura de gêneros
em várias partes do filme. O início lembra os filmes "noir", com os homens
vestindo sobretudo e as mulheres chapéus, em uma cidade escura e chuvosa.
Partimos para o gênero da aventura a bordo do avião do Capitão Sky, que apesar
de monomotor consegue nos levar de Nova York ao Tibete sem escalas. Há uma mina
perdida no meio das montanhas cujo design é de cair o queixo. Partimos para o
gênero da fantasia na ilha de Totenkopf, habitada por seres modificados
geneticamente, que parecem dinossauros. O visual lembra clássicos como o
primeiro King Kong, de 1933.
Há citações cinematográficas por todo o filme,
aliás. A repórter Polly encontra um dos cientistas dentro de um cinema que está
passando "O Mágico de Oz". Quando os robôs estão atacando Nova York, o som que
seus raios laser produzem é o mesmo do feito pelos discos voadores do clássico
"Guerra dos Mundos", de Byron Haskin, de 1953. O número escrito na porta do
laboratório de um cientista é 1138, que é uma referência a George Lucas (de
Guerra nas Estrelas) e seu primeiro filme, a ficção científica "THX: 1138", e
assim por diante. E há uma homenagem que me deixa dividido. O filme conta com a
"participação especial" do grande ator britânico Laurence Olivier. O detalhe é
que Olivier está morto há mais de dez anos. O diretor usou antigas imagens dele
e, com a ajuda do computador, montou novas cenas. A homenagem é interessante,
mas qual o limite ético para esses casos? Com a tecnologia digital avançando a
cada dia, o que vai acontecer quando (e não "se") for possível escalar um
Humphrey Bogart digital para estrelar um novo filme policial?
"Capitão Sky", infelizmente, não foi bem nas
bilheterias. Mas para quem é fã de filmes de aventura, e de cinema como um todo,
é imperdível.
João Solimeo
novembro de 2004
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