
Carros   
(Cars - EUA - 2006)
por
João Solimeo
"Carros", a mais nova animação
produzida pelos estúdios PIXAR (de "Toy Story", "Procurando Nemo", "Os
Incríveis") é um dos filmes mais bonitos de se ver de todos os tempos. A
quantidade (e qualidade) dos detalhes criados ponto a ponto de computador pelos
magos do estúdio seria inimaginável há alguns anos. O filme é rico em paisagens
naturais dos Estados Unidos cruzados pela famosa "Rota 66", a antiga e romântica
estrada que, antes da chegada das autopistas, levava ao oeste americano. E há
também cenas impressionantes de corrida de automóveis em circuitos criados na
imaginação dos animadores, e enquanto dezenas de carros ultra realistas passam a
toda velocidade pela tela, você nota até os grãos de asfalto que eles levantam.
O filme é fruto da mente e da paixão de
John Lasseter, o responsável por uma verdadeira revolução no modo de se produzir
filmes animados (não dá mais para se chamar um filme como "Carros" de "desenho"
animado). Antigo funcionário da Industrial Light & Magic (a empresa de efeitos
especiais de George Lucas), Lasseter transformou a PIXAR em um dos estúdios mais
criativos e rentáveis do planeta. São dele os dois ótimos filmes "Toy Story" e o
menos inspirado "Vida de Inseto", mas o toque mágico de Lasseter pode ser
sentido nas outras produções do estúdio em filmes como "Monstros S/A",
"Procurando Nemo" e "Os Incríveis". A Disney, que reinou soberana no mundo da
animação por décadas, acabou tendo que se fundir à PIXAR para crescer junto com
ela e, na verdade, sobreviver.
Relâmpago McQueen (voz de Owen Wilson)
é um super carro de corrida que é a mais nova sensação da temporada. O início de
"Carros" é um show do ponto de vista técnico em que acompanhamos uma corrida em
um autódromo recriado com detalhes impressionantes. A platéia, por exemplo, é
formada por literalmente milhares de carros espectadores, todos se movendo e
vibrando com a disputa na pista. McQueen sonha em vencer a "Copa Pistão" para
conseguir um novo patrocinador e todas as mordomias de um campeão, mas a corrida
acaba empatada. Uma nova disputa é marcada na Califórnia e "Relâmpago" parte em
direção a Los Angeles. Acontece que ele se perde no caminho e vai parar em uma
pequena cidade chamada "Radiator Springs", que antigamente era uma cidade
movimentada devido à famosa "Rota 66", que passa por ela. Lá ele encontra uma
série de moradores locais, todos excêntricos, e é condenado pelo juiz Doc Hudson
(voz de Paul Newman) a consertar a estrada que ele praticamente destruiu ao
chegar à cidade.
Fato
raro de acontecer em uma produção PIXAR, o roteiro tem problemas em sustentar
uma idéia tão simples pelas quase duas horas de duração. Lasseter,
aparentemente, tentou recriar a camaradagem competitiva existente entre os
bonecos Woody (Tom Hanks) e Buzz Lightyear (Tim Allen) em "Toy Story", mas isso
não acontece. E há também o início de um romance entre McQueen e uma sexy "Porche"
que rende algumas belas imagens (que parecem comerciais de carro). O problema é
que por vários minutos o filme simplesmente se arrasta, o que é uma pena. Fico
imaginando se a criançada, o público a que o filme se destina, vai se interessar
pela história e pela sua mensagem, que prega a volta a uma vida mais calma e
menos corrida. Os garotos pequenos, nessa era dos "hot wheels", sem dúvida vão
se apaixonar pelos carros de corrida e pelas competições. A boa notícia é que
mesmo com estes problemas de roteiro e de ritmo, o filme tem momentos inspirados
e outros muito engraçados. E há um "charme" inegável em toda a produção. É
interessante notar os detalhes da paisagem e perceber que as montanhas, a
primeira vista tão realistas, têm formas que lembram capôs aerodinâmicos ou
motores. E não se levante quando começarem os créditos. Há cenas muito
engraçadas parodiando os sucessos da PIXAR em formato de carros. Divirta-se
também com o ótimo curta metragem que precede o filme.
João Solimeo
02/07/2006
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