Cassino Royale 
(Casino Royale - EUA - 2006)

por João Solimeo

Pois é, temos um novo James Bond. Confesso que não estava esperando muito de Daniel Craig, o ator escolhido para incorporar o agente secreto. Ainda mais porque considerava Pierce Brosnan, que encarnava James Bond desde 1995 (quando fez Gonden Eye), perfeito para o papel. Ultimamente a franquia "Bond" não estava dando os resultados esperados e os produtores atribuiram a queda nas bilheterias à idade de Brosnan, e começaram a procurar um substituto mais jovem. A disputa foi acirrada e muitos nomes foram aventados, como Jude Law, Christian Bale, Ewan McGregor, o cantor Robbie Williams e Clive Owen (o mais cotado), entre outros.

Foi então que anunciaram o nome do inglês Daniel Craig que, aparentemente, não tinha nenhuma das características próprias ao personagem. Craig é loiro, troncudo e não tem o padrão de beleza de Pierce Brosnan. Falou-se até que Craig poderia interpretar um ótimo vilão na franquia, mas não o agente com permissão para matar. Estavam errados.

Cassino Royale leva James Bond de volta a suas origens, quando ainda era um espião inseguro, temperamental e com problemas em separar os sentimentos pessoais da missão. O filme começa com o "batismo" de Bond como um agente "duplo zero", que significa que ele é um assassino. Há uma sequência espetacular de perseguição em que vemos Bond perseguindo um fabricante de bombas em Madagascar que desafia as leis da gravidade. Bond pula de guindastes, prédios, desliza por andaimes, escadas, pula por janelas e escapa de dezenas de inimigos como por milagre. As sequências de ação são bem montadas e, coisa rara hoje em dia, o espectador não se perde em meio a tanta correria e tiroteio. Apesar de quase sobre humano em seus saltos, ao mesmo tempo Craig dá a Bond um lado bastante realista ao mostrar que ele é uma pessoa que sua, sangra e sente dor.

Green...Eva GreenApós a correria em Madagascar, Bond parte no encalço de um terrorista chamado de "Le Chiffre" (Mads Milkkensen), um vilão tipicamente "bondiano" que tem um olho que chora lágrimas de sangue quando fica nervoso e, de quebra, é um grande jogador de poker. A propósito, um jogo vai ocorrer em Montenegro e James Bond vai ter que enfrentar Le Chiffre em uma rodada milionário bancado pela coroa britânica, representada pela bela Verper Lynd (Eva Green). Vesper, ao contrário das mulheres descartáveis a quem Bond está acostumado, é inteligente, segura de si e capaz de travar duelos verbais com o agente que são bem escritos e interpretados. Eva Green está muito bem e há uma cena em que a vemos diante do espelho, sem maquiagem, e vemos como ela é naturalmente linda.

Há uma longa sequência passada no cassino do título e o filme, a bem da verdade, perde um pouco o ritmo. O (previsível) romance entre Bond e Vesper não rende o que deveria. Após os ótimos diálogos e a química inicial, Bond e Vesper são vistos em cenas que deveriam ser românticas mas que soam artificiais e clichê, como os dois deitados na areia da praia ou velejando felizes mundo afora. Todo mundo sabe que aquilo não vai durar, mas o filme se arrasta desnecessariamente antes de voltar ao ritmo inicial.

Apesar desses detalhes, Cassino Royale é um bom filme. Dirigido por Martin Campbell, ele é também uma espécie de volta, nesses tempos de imagens digitais e computação gráfica, a um estilo de filmagem mais tradicional e eficiente. O filme conta com várias sequências de ação espetaculares, mas é tudo feito dentro de bom senso e sem as traquinagens tecnológicas geralmente associadas a 007. O novo Bond é mais frio, violento e realista que os antecessores e lembra mais o estilo criado pelo eterno Sean Connery. Pierce Brosnan era um ótimo James Bond e seu estilo vai deixar saudades. Mas Daniel Craig, pelo jeito, veio para ficar.

João Solimeo
25/12/2006

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