Firewall - Segurança em Risco

(Firewall - EUA - 2006)

por João Solimeo

Harrison Ford precisa de um novo agente. O antigo astro de filmes como a série Indiana Jones ou "O Fugitivo" não emplaca um sucesso há mais de dez anos, e sua escolha de projetos está deixando a desejar. Não é a toa que o que mais se escuta de Ford ultimamente são rumores de um possível (e constantemente adiado) Indiana Jones 4. Talvez só o arqueólogo possa trazer de volta o sucesso e fama a que Ford estava acostumado.

Firewall é tão ruim que chega a ser engraçado. O roteiro é tão absurdo que se fica imaginando como é que ele conseguiu chegar às telas, e com tal elenco, composto por ótimos atores, todos desperdiçados. Harrison Ford é Jack Stanfield, um especialista em segurança eletrônica em um banco de Seattle. Ele é casado com a bela Beth (Virginia Madsen, de Sydeways), tem dois filhos, uma bela casa e um carrão providenciado pelo patrocinador. O banco está passando por uma fusão com outra firma e há um clima de insegurança e paranóia no ar. Ford, com mais de 60 anos, não vende direito a imagem de um especialista em informática, e seu linguajar técnico em uma cena inicial soa forçado. Há ótimos coadjuvantes como Alan Larkin como o chefe de Ford, Robert Foster como seu amigo e Robert Patrick representando a outra firma, mas eles não tem muito o que fazer no filme.

E então aparece Paul Bettany, bom ator britânico (de "Mestre dos Mares" e "Wimbledon"), que se apresenta como um investidor mas que, na verdade, é um ladrão de bancos que seqüestra a família de Ford com facilidade. Seus cúmplices se fingem de entregadores de pizza; é de se imaginar que um especialista em segurança como Ford teria uma proteção melhor em sua própria casa. E então nós imaginamos que vamos ver um filme previsível de seqüestro, negociações e roubo, mas ele é tão furado que consegue complicar até os mais simples clichês. Um dos filhos de Ford, por exemplo, é abençoado pelo roteiro com uma alergia a amendoins. O grupo fortemente armado, que poderia facilmente chantagear Ford encostando um revólver na cabeça de sua esposa, acaba usando do artifício de dar uma bolacha com amendoim para o garoto, que entra em crise, e só então Ford aceita negociar com eles. O roteiro é tão absurdo em suas reviravoltas que há até uma clássica (no mau sentido) cena em que o personagem principal tem uma conversa com um coadjuvante só para explicar o que está acontecendo.

E quando Harrison Ford, que já foi Han Solo, Indiana Jones e Dr. Richard Kinble, acaba dependendo do cachorro da família para saber o que fazer, sabemos que o filme se perdeu completamente.

João Solimeo
10/03/2006

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