
Grandes diretores:
Hayao Miyazaki
por
João Solimeo
Está marcado para dia 15 de julho a
estréia do filme animado “O Castelo Animado” (Howl’s Moving Castle, Japão,
2004), do diretor, escritor e animador japonês Hayao Miyazaki. Não se trata de
apenas mais um desenho animado lançado nas férias para a garotada. Hayao
Miyazaki, embora ainda pouco conhecido no ocidente, é uma verdadeira lenda do
desenho japonês. No Japão, seus filmes batem recordes de bilheteria e
são vistos por todas as faixas etárias, de crianças a idosos.
Nascido
em Tóquio em 1941, Miyazaki começou a trabalhar como animador em 1963. Em 1978
ele escreveu e dirigiu sua primeira série de televisão para a rede japonesa NHK,
chamada “Conan, o Garoto do Futuro” (Mirai Shounen Conan). A série, de 26
episódios, já mostrava muitos dos temas que iriam aparecer na carreira de
Miyazaki: a preocupação ecológica, uma história passada em um mundo “paralelo”,
um casal jovem ligado por um forte laço de amizade e cenas de batalhas aéreas.
Em 1984, junto com seu sócio Isao Takahata, ele lança o animado “Naushika do
Vale do Vento” (“Kaze no Tani no Naushika”), uma obra prima da animação japonesa
baseada no seu mangá de mesmo nome. O sucesso de Naushika levou à criação do
Estúdio Ghibli. Em 1986 ele escreve e dirige “Láputa – Castelo no Céu” (Tenkuu
no Shiro Lapyuta), um grande animado de aventuras que conta a história de um
garoto e uma garota que vão em busca de uma cidade mítica chamada “Láputa”
(baseada nos livros de Jonathan Swift, “As Viagens de Gúliver”). Em 1988
Miyazaki fez seu filme mais voltado ao
público
infantil, “Meu Vizinho Totorô” (Tonari no Totoro), uma fantasia sobre duas irmãs
que tem um amigo (imaginário?) mítico que mora em um bosque encantado. O
trabalho de cores e de animação é maravilhoso e Miyazaki começou a chamar a
atenção no Ocidente. Curiosamente, a exibição de “Totorô”, no Japão, foi
acompanhada por uma animação dirigida pelo sócio de Miyazaki, Isao Takahata,
chamada “Cemitério de Vaga-Lumes” (Hotaru no Haka). “Cemitério de Vaga-lumes” é
o desenho animado mais forte que já vi e conta a trágica história de duas
crianças (um garoto de 14 anos e sua irmã de quatro anos) que passam fome e
vivem a miséria do Japão após os bombardeios americanos na II Guerra Mundial.
Após lançar “Kiki’s Delivery Service” (Majou no Takyuubin – 1989) e Porko Rosso
(Kurenai no Buta – 1992), Miyazaki produziu e lançou a obra prima “Princesa
Mononokê” (Mononoke Hime – 1997), uma superprodução passada no Japão feudal, que
foi lançada no resto do
mundo
(mas não no Brasil). Mas a consagração no Ocidente veio mesmo com o Oscar de
Melhor Filme Animado por “A Viagem de Chihiro” (Sen to Chihiro no Kamikakushi -
2001), uma maravilhosa aventura de uma menina em um mundo mítico (fortemente
baseado nas lendas japonesas) que finalmente foi exibido nos cinemas
brasileiros.
Frequentemente chamado de o “Walt Disney
japonês”, Miyazaki na verdade me parece ter mais ligação com os diretores de
filmes de fantasia e ficção científica como
Steven Spielberg e George Lucas. Ao
contrário de Disney, que era mais um grande produtor do que desenhista, Miyazaki
desenha ele mesmo grande parte dos cenários e da animação de seus filmes. O
Estúdio Ghibli se tornou referência entre os animadores do resto do mundo. John
Lasseter, diretor de Toy Story e um dos donos da PIXAR Animation Studios (que
fez “Os Incríveis”), considera
Miyazaki uma grande fonte de inspiração. Seus desenhos são cheios
de referências
ecológicas
e à tradicional cultura japonesa. Ele não se preocupa em fazer desenhos apenas
para criar mercado e vender produtos para crianças. Muitos de seus desenhos,
aliás, são considerados muito fortes para as crianças ocidentais. Com exceção de
“Totorô”, cenas violentas são freqüentes em seus filmes, mas elas não são
gratuitas. A internet é uma grande fonte para quem quiser saber mais sobre seus
filmes (visite Nausicaa.net,
ou este
outro site, para ver algumas imagens),
e a Fundação Japão, em São Paulo, mantém um acervo (em japonês), com
praticamente toda sua obra. Para o interessado, é todo um novo mundo que se
abre.
Quanto a Miyazaki, ele prometeu que iria
se aposentar desde “Princesa Mononokê”. Para nossa sorte, parece que ele mudou
de idéia.
João Solimeo
junho de 2005
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