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 This Film is Not Yet
Rated    (EUA
- 2006)
por João Solimeo
“This film
is not yet rated” (“Este filme ainda não foi classificado”, em
tradução livre) é um documentário sobre a Motion Pictures
Association of America, ou MPAA, o órgão responsável pela
classificação dos filmes nos EUA. Não há um órgão oficial do governo
que faça esta classificação. A MPAA foi criada pelos grandes
estúdios (e donos da mídia) para lidar do assunto. O diretor Kirby
Dick analisa o órgão do ponto de vista dos realizadores e tenta
descobrir os métodos nem sempre muito claros pelos quais os filmes
são classificados. Nos EUA, ao invés de simplesmente criar uma
classificação por idade, como no Brasil, há uma série de
“categorias” de classificação para os lançamentos. Há o G (General),
que seria o “censura livre”; há PG (Parental Guidance), que diz que
nem tudo pode ser adequado a crianças, e que a “orientação dos pais”
é necessária; há PG-13 para filmes teoricamente mais maduros ou
violentos; há R (Restricted) que indica um filme adulto
(estranhamente, isso não impede que crianças entrem nos cinemas,
desde que acompanhados pelos pais ou responsáveis); e há NC-17 (No
One Under 17) que é proibido para menores de 17 anos.
A
classificação NC-17 foi criada a partir do antigo “X”, que era
aplicado a filmes adultos, mas geralmente associados a filmes
pornográficos. Os problemas de um cineasta ter seu filme
classificado como NC-17 são vários, principalmente se ele for
independente. Os estúdios deixam de apoiá-lo, muitos jornais se
recusam a fazer anúncios e muitas redes de cinema e de vídeo, como a
Blockbuster, se recusam e exibi-lo. O documentário alega que a
classificação “voluntária” da MPAA é, na verdade, uma forma velada
de censura, principalmente porque seus métodos de avaliação são
obscuros e, geralmente, contraditórios. Kinberly Peirce, diretora de
“Garotos não Choram”, por exemplo, diz que a MPAA quis que ela
cortasse uma cena de sexo do seu filme porque o orgasmo da
personagem feminina estaria “longo demais”. A MPAA não tinha
problemas com uma cena de violência em que um personagem levava um
tiro na cabeça, mas o orgasmo era inaceitável. Essa contradição se
vê muito no documentário. Em geral, a MPAA é muito menos severa com
cenas de violência do que com cenas de sexo ou com linguagem pesada.
Darren Aronofsky, diretor do cult “Réquiem para um Sonho”
diz que um filme em que se mostram muitas pessoas sendo mortas, mas
sem sangue, geralmente recebe a classificação PG-13. Mas seu filme
(um roteiro pesado que mostra as conseqüências do uso de drogas, o
que seria apropriado para adolescentes) foi classificado como NC-17,
impedindo os jovens de vê-lo. Filmes violentíssimos como “O Resgate
do Soldado Ryan” ou “A Paixão de Cristo” receberam a classificação
“R”, enquanto filmes com conteúdo sexual (que sequer é explícito)
como “Os Sonhadores”, de Bernardo
Bertolucci ou “Má Educação”, de
Almodóvar, receberam NC-17.
Os
cineastas, se quiserem o “R” devem ou cortar o filme até ficar
“apropriado” ou tentar apelar da decisão. Matt Stone, diretor de
“South Park” e de “Team America”, diz que chegou a colocar material
inadequado a mais em “Team America” de propósito, pois ele sabia que
teria que cortar alguma coisa mesmo. A atriz Maria Bello, de “The
Cooler” (“Quebrando a Banca”), fala de sua raiva ao saber que
queriam cortar suas cenas de sexo do filme porque seus pelos
pubianos aparecerem de relance. Na mesma época, a comédia “Todo
Mundo em Pânico” foi lançado e havia várias cenas de extrema
violência e muito conteúdo sexual, mas o filme não teve problemas
por não ser “sério” e vir de um grande
estúdio.
A apelação
dificilmente resolve alguma coisa, pois as regras absurdas da MPAA
impedem que outros filmes sejam usados como comparação e todos os
membros da junta são mantidos em segredo. O
diretor contrata uma investigadora particular para descobrir o nome
dos classificadores secretos da MPAA e descobre que, ao contrário do
que diz o órgão, eles não são “pais comuns com filhos pequenos”. A
parte do documentário que trata da investigação é interessante mas
chega a arrastar demais o filme, que não precisava ter a duração de
uma hora e trinta e sete minutos. Há uma parte final que mostra os
problemas que o próprio documentário teve para conseguir uma
classificação diferente de NC-17 (afinal, o filme contém várias das
cenas “proibidas” pela própria MPAA, então não era de se esperar
outra coisa). Ele não conseguiu e foi lançado sem classificação de
forma limitada. Não tenho conhecimento do lançamento do filme no
Brasil.
Co-produzido pelo
canal inglês BBC, o documentário levanta várias questões
válidas, mas sofre de certo superficialismo. Certas questões, como
uma explicação melhor sobre o surgimento da MPAA e seu
relacionamento com os estúdios seria bem vinda. E cenas como a do
diretor remexendo no lixo de um dos supostos membros da MPAA são
desnecessárias.
(visto pela
internet) João
Solimeo 25/01/2007
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