Quem foi ao cinema nos últimos meses sem dúvida
viu o trailer de "À procura da Felicidade", constantemente exibido
antes do filme principal. Não era necessário ser nenhum gênio para
saber duas coisas: 1- a trama era claramente previsível e 2 -
era um filme feito para fazer a platéia chorar. O que não dava para
perceber era que, mesmo levando-se em conta "1" e "2", o filme era
bem melhor do que prometia ser. Sim, "À Procura da Felicidade" é tão
previsível quanto um filme da série "Rocky" (que, curiosamente, está
de volta aos cinemas) e tão manipulador nas emoções quanto, mas
(assim como Rocky) é um bom filme. O principal mérito está nas
interpretações não só de Will Smith e de seu filho (também na
vida real) Christopher, mas de todos os coadjuvantes. Thandie
Newton, em especial, está surpreendente, apesar do papel um tanto
quanto maniqueísta da esposa que só reclama.
Chris Gardner (Will Smith) é um vendedor que
está passando por dificuldades financeiras. Não só ele, aliás. É o
ano de 1981 e, em um anúncio na TV, o próprio presidente Reagan diz
que as coisas vão mal. Chris passa o dia andando por São Francisco
tentando vender um aparelho médico que aparentemente ninguém quer,
mas é tudo o que ele tem para vender. Seu filho pequeno passa o dia
em uma creche administrada por imigrantes chineses que nem sabem
escrever a palavra "happiness" direito (por isso o "Y" do título
original). A esposa Linda (Thandie Newton, de Missão Impossível II)
tem que fazer dois turnos em uma lavanderia e já passou do seu
limite de frustrações com a vida que está levando. Mas Chris é um
"lutador", no sentido mais americano da palavra, que prega que se
você batalhar na vida você pode ter sua parte no "sonho americano".
Um dia Chris está passando em frente a uma empresa de
finanças e tem uma inspiração: ele vai tentar ser um corretor. Com a
educação pouco passando do nível do segundo grau, ele tem a seu
favor um dom nato para a matemática e uma determinação sem limites.
Mas tudo parece conspirar contra ele. A esposa o abandona com o
filho pequeno, o aluguel venceu e os dois ficam pulando
de hotel mais barato a outro para poder passar a
noite, recorrendo finalmente aos abrigos para "sem teto" de São
Francisco. Enquanto isso, Chris batalha para freqüentar um duro, e
voluntário (sem pagamento), treinamento para estagiários da
empresa.
É claro que as dificuldades serão muitas. É
claro que os dois vão passar por situações de apertar o coração ao
som de uma trilha sonora emocionante. Mas o roteiro de Steve
Conrad e a direção de Grabriele Muccino conseguem manter o filme
quase o tempo todo acima do nível de uma produção daquelas feitas
direto para a televisão. A recriação de época é bastante bem feita e
a interpretação de Will Smith (indicado ao Oscar de Melhor Ator)
conseguem manter a platéia torcendo pelo personagem pelas duas
horas de projeção.
Sabemos como o filme vai terminar. Mas quando o
momento chega a cena é tão bem feita e sutil que a mágica
funciona e podemos escutar as lágrimas caindo por todo o
cinema.