À procura da felicidade 
(The Pursuit of Happyness -EUA - 2006)

por João Solimeo

 

Quem foi ao cinema nos últimos meses sem dúvida viu o trailer de "À procura da Felicidade", constantemente exibido antes do filme principal. Não era necessário ser nenhum gênio para saber duas coisas: 1- a trama era claramente previsível e 2 - era um filme feito para fazer a platéia chorar. O que não dava para perceber era que, mesmo levando-se em conta "1" e "2", o filme era bem melhor do que prometia ser. Sim, "À Procura da Felicidade" é tão previsível quanto um filme da série "Rocky" (que, curiosamente, está de volta aos cinemas) e tão manipulador nas emoções quanto, mas (assim como Rocky) é um bom filme. O principal mérito está nas interpretações não só de Will Smith e de seu filho (também na vida real) Christopher, mas de todos os coadjuvantes. Thandie Newton, em especial, está surpreendente, apesar do papel um tanto quanto maniqueísta da esposa que só reclama.

 

Chris Gardner (Will Smith) é um vendedor que está passando por dificuldades financeiras. Não só ele, aliás. É o ano de 1981 e, em um anúncio na TV, o próprio presidente Reagan diz que as coisas vão mal. Chris passa o dia andando por São Francisco tentando vender um aparelho médico que aparentemente ninguém quer, mas é tudo o que ele tem para vender. Seu filho pequeno passa o dia em uma creche administrada por imigrantes chineses que nem sabem escrever a palavra "happiness" direito (por isso o "Y" do título original). A esposa Linda (Thandie Newton, de Missão Impossível II) tem que fazer dois turnos em uma lavanderia e já passou do seu limite de frustrações com a vida que está levando. Mas Chris é um "lutador", no sentido mais americano da palavra, que prega que se você batalhar na vida você pode ter sua parte no "sonho americano". Um dia Chris está passando em frente a uma empresa de finanças e tem uma inspiração: ele vai tentar ser um corretor. Com a educação pouco passando do nível do segundo grau, ele tem a seu favor um dom nato para a matemática e uma determinação sem limites. Mas tudo parece conspirar contra ele. A esposa o abandona com o filho pequeno, o aluguel venceu e os dois ficam pulando de hotel mais barato a outro para poder passar a noite, recorrendo finalmente aos abrigos para "sem teto" de São Francisco. Enquanto isso, Chris batalha para freqüentar um duro, e voluntário (sem pagamento), treinamento para estagiários da empresa.

 

É claro que as dificuldades serão muitas. É claro que os dois vão passar por situações de apertar o coração ao som de uma trilha sonora emocionante. Mas o roteiro de Steve Conrad e a direção de Grabriele Muccino conseguem manter o filme quase o tempo todo acima do nível de uma produção daquelas feitas direto para a televisão. A recriação de época é bastante bem feita e a interpretação de Will Smith (indicado ao Oscar de Melhor Ator) conseguem manter a platéia torcendo pelo personagem pelas duas horas de projeção.

 

Sabemos como o filme vai terminar. Mas quando o momento chega a cena é tão bem feita e sutil que a mágica funciona e podemos escutar as lágrimas caindo por todo o cinema.

 

João Solimeo
02/02/2007

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