
O Sol de Cada Manhã   
(The Weather Man - EUA - 2005)
por
João Solimeo
Os "Homens do Tempo"
são vistos por Hollywood como figuras solitárias e excêntricas. Talvez porque o
trabalho de apresentar a previsão do tempo caiba a pessoas que, geralmente, não
são os responsáveis pela previsão em si (trabalho de um meteorologista escondido
em algum laboratório qualquer). Cabe ao apresentador ser simpático, fotogênico e saber
apontar para uma tela. Foi assim com Steve Martin em "L.A. Story", em que ele
fazia um trabalho praticamente inútil, já que a variação do clima em Los Angeles
é muito pequena. Em "Feitiço do Tempo", Bill Murray fez um homem do tempo que
estava tão entediado com o trabalho e com a vida que se viu amaldiçoado a
acordar toda manhã em uma mesma paisagem gelada, que se repetia todos os dias.
Em "O Sol de Cada Manhã" (título bobo brasileiro para "O Homem do Tempo", no
original), Nicolas Cage é uma mistura do "pop star do tempo" de Steve Martin com
o rabugento entediado de Bill Murray.
Cage é David Spritz,
o homem do tempo de uma televisão local em Chicago. Ele acorda toda manhã
forçando um sorriso no espelho e praticando os movimentos que fará em frente à
tela na emissora. Ele mora sozinho em um apartamento frio no centro; sua
ex-esposa ficou com a casa no subúrbio e com um casal de filhos adolescentes,
ambos passando por problemas (a filha está acima do peso e o filho está
envolvido com maconha). Seu pai, Robert (Michael Caine) é um escritor bem
sucedido que ganhou o prêmio Pulitzer aos 33 anos de idade. Apesar de ter uma
renda acima da média e de ser uma espécie de celebridade, David se sente um
fracassado e está o tempo todo tentando consertar o que está errado em sua vida.
O problema é que, geralmente, suas tentativas acabam trazendo mais problemas
ainda. Sua filha rompe os ligamentos da perna quando ele a leva para patinar,
por exemplo, e uma brincadeira com uma bola de neve com a ex-esposa tem
resultados desastrosos. Mas David continua tentando.
Para
complicar, seu pai descobre que está com um câncer terminal, mas Michael Caine
interpreta Robert Spritzel como um homem tão centrado e senhor de si que parece
que é David quem está realmente doente. De certa forma, ele está. As pessoas
costumam jogar coisas nele enquanto ele anda pela rua. Ele não gosta do trabalho
e acha que uma grande oportunidade de trabalho em Nova York poderá resolver seus
problemas e trazer sua família de volta. Ele e a esposa vão a uma terapia de
grupo e tudo parece estar indo bem até que, inevitavelmente, David acaba fazendo
a coisa errada.
Dirigido por Gore
Verbinski (de "Piratas do Caribe", um filme completamente diferente deste) e
escrito por Steven Conrad, "The Weather Man" é um pouco parecido com David. Não
é daquele tipo de filme fácil do qual se goste imediatamente. (Como diz o
personagem de Michael Caine, "fácil" não deveria fazer parte do vocabulário de
um adulto). O personagem de Cage não inspira muita simpatia, mas ele é um cara
normal, cheio de defeitos e a tendência para fazer a coisa errada. O filme é
sempre interessante e desafiador. Há um momento em que David está olhando para a
antiga casa, quente e aconchegante, e se pergunta por que é que não há pessoas
felizes morando lá. Nicolas Cage fez filmes comerciais como "Con Air" ou bombas
como "60 Segundos", nos quais
parece um canastrão. Mas é bom ver como ele surpreende em filmes mais
desafiadores como "O Senhor das
Armas" ou este aqui.
O DVD conta com um
bom número de documentários de bastidores e entrevistas. Há uma parte
interessante em que vemos o compositor Hans Zimmer trabalhando, e o guitarrista
é o diretor Gore Verbinski.
João Solimeo
31/05/2006
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