
Especial:
Steven Spielberg
por
João Solimeo
O mais famoso e bem sucedido diretor de
cinema de todos os tempos, Steven Spielberg nasceu em 18 de dezembro de 1946 na
cidade de Cincinatti, no estado de Ohio, EUA. O destino quis que seu pai
comprasse para a família uma câmera de cinema caseira de 8 mm quando Steven
tinha 13 anos. Ele logo se transformou não só no câmera oficial da família como,
com muita imaginação e técnica, começou a fazer seus primeiros filmes, usando
suas irmãs ou colegas da escola como atores. Produziu filmes de guerra, ação e,
aos 16 anos, um longa de ficção científica chamado “Firelight”, que se
transformaria, mais tarde, em “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”.
Sua entrada para o mundo do cinema
profissional é lendária. Visitando os famosos estúdios da Universal, em Los
Angeles, o então adolescente Spielberg fugiu do grupo de turistas e foi mostrar
seus pequenos filmes em super-8 para os executivos do estúdio. Eles ficaram tão
impressionados com os filmes do rapaz que lhe deram um passe de 5 dias para que
pudesse visitar o estúdio regularmente. Os cinco dias se transformaram em um
mês, tempo que Spielberg usou, munido de um terno e uma pastinha de executivo
(vazia), para se passar por um empregado do estúdio e visitar os vários
departamentos de produção da Universal. Aos 22 anos produziu um filme em 16 mm
chamado “Amblin”, que lhe rendeu um contrato de sete anos com a Universal para
dirigir filmes para a televisão. Seu filme “Encurralado” (1971), originalmente
feito para a TV, fez tanto sucesso que foi lançado comercialmente nos cinemas,
rendendo milhões de dólares. E sua carreira só cresceu daí para frente.
Com
“Tubarão”, em 1975, Spielberg inaugurou a era dos “blockbusters” (os
arrasa-quarteirões) fazendo o primeiro filme na História a render mais de 100
milhões de dólares. A produção foi muito conturbada, com freqüente troca de
roteiristas e com os produtores ameaçando fechar o filme a todo instante.
Spielberg transformou um dos problemas da produção, um tubarão mecânico que
teimava em não funcionar, em um trunfo para o filme: usando técnicas de suspense
aprendidas com o mestre Alfred Hitchcock, Spielberg preferiu não mostrar o
tubarão pela maior parte do filme, o que criou uma tensão ainda maior nos
espectadores que lotavam os cinemas na metade da década de 70. A trilha de John
Williams, com o famoso tema de duas notas do tubarão, ainda hoje é usada quando
se deseja criar suspense e terror.
O sucesso de “Tubarão” permitiu que
Spielberg pudesse fazer projetos mais pessoais, como “Contatos Imediatos do
Terceiro Grau” que, em 1977, estreou nos cinemas junto com “Guerra nas
Estrelas”, do amigo George Lucas. O roteiro de “Contatos Imediatos”, do próprio
Spielberg, era tão intrigante que ele conseguiu convencer um dos grandes
diretores do cinema francês, François Truffaut, a interpretar um papel no filme.
A
mistura de apelo comercial com histórias pessoais fez de Spielberg uma
verdadeira mina de ouro no cinema americano. Um filme que originalmente foi
concebido como algo “pequeno” e pessoal, a história de “E.T. – O
Extra-Terrestre”, em 1982, se transformou na maior bilheteria de todos os tempos
e transformou o pequeno e feio extraterrestre em uma mania internacional. Um ano
antes Spielberg, junto com o colega George Lucas, já havia batido recordes com
“Caçadores da Arca Perdida”, em que foi lançado o herói Indiana Jones. O
arqueólogo aventureiro voltaria em “O Templo da Perdição” (1984) e em “A Última Cruzada” (1989).
Se por um lado o público amava o jovem
diretor, Spielberg tinha freqüentes problemas com a crítica, que o considerava
comercial demais. Spielberg respondeu com “A Cor Púrpura” (1985) e com o genial
“Império do Sol” (1987), filmes mais “artísticos” que afastaram parte de seu
público e, apesar de tecnicamente perfeitos, ainda não conseguiram impressionar
os críticos. A consagração de público e crítica (e o primeiro Oscar) viria com
“A Lista de Schindler” (1993), em que pela primeira vez Spielberg mostrava suas
raízes judaicas em uma comovente história passada durante a II Guerra Mundial. O
drama, em preto e branco e com mais de três horas de duração, retratou o
holocausto provocado pelos nazistas como nunca antes havia sido mostrado no
cinema americano.
De
lá para cá, Spielberg tem misturado bons filmes comerciais como “Prenda-me se
for capaz” e “Minority Report” com filmes mais ambiciosos como “O Resgate do
Soldado Ryan” (pelo qual levou o segundo Oscar de diretor) e “Inteligência
Artificial”, filme que seria feito por Stanley Kubrick e que foi um fracasso nas
bilheterias. Este ano Spielberg pretende lançar “Guerra dos Mundos”, uma ficção
científica com Tom Cruise, e tem vários projetos em andamento, inclusive um
prometido e aguardado “Indiana Jones IV”.
Gênio precoce, campeão de bilheteria,
roteirista, diretor, produtor e verdadeiro revolucionário, Steven Spielberg já
entrou para a História do cinema e ainda promete, pelos próximos anos, nos
trazer grandes filmes. Mal posso esperar.
João Solimeo
março de 2005
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