
Superman - O Retorno   
(Superman Returns - EUA - 2006)
por
João Solimeo
Assistir "Superman
- O Retorno" é uma experiência estranha. Por um lado, você sabe que está
assistindo a um filme novo; por outro, ele soa o tempo todo como algo familiar, como se
você estivesse vendo alguma reprise. O responsável é o diretor
Bryan Singer, que abandonou a série "X-Men" para tomar as rédeas da volta do
Homem de Aço às telas do cinema. Singer é fã declarado dos filmes dirigidos por
Richard Donner (Superman - O Filme, de 1978) e Richard Fleischer (Superman II,
de 1979) que, para muita gente, ainda representam o ideal em termos de filmes de
superheróis.
Assim, "Superman - O
Retorno" já se inicia com uma nostálgica viagem no tempo ao som da fantástica
trilha original criada por John Williams na década de 1970, enquanto escutamos a
voz de Marlon Brando, que interpretou o pai de Superman na época e que volta,
agora de forma "virtual", ao papel no filme de Singer. São tantas referências
que fica difícil, na verdade, saber se o filme é bom por si só. Como será que os
adolescentes de hoje, que não cresceram vendo Christopher Reeve voando com o
famoso "S" no peito, encaram esta refilmagem/homenagem? O filme não foi tão bem
nas bilheterias quanto o esperado, e talvez o problema seja justamente essa
falta de identificação.
A trama trata do
retorno de Superman à Terra, depois de ter passado cinco anos em uma viagem
espacial à procura de suas origens no extinto planeta Krypton. Muita coisa mudou desde
que ele partiu e, a bem da verdade, o roteiro não faz muito sentido. O mundo,
aparentemente, não sentiu muita falta do Homem de Aço e todos continuaram com
suas vidas sem muitos problemas. Neste curto espaço de tempo a antiga "namorada"
de Superman, Louis Lane (Kate Bosworth) já encontrou um noivo, teve um filho com
ele e ganhou um prêmio Pulitzer com um artigo intitulado "Por que o mundo não
precisa do Superman". Aparentemente, o retorno do herói trás junto toda uma
série de justificativas para sua existência, e logo no primeiro dia de volta ao
trabalho ele tem que salvar Louis Lane de um espetacular desastre aéreo. É de se espantar que
ela tenha conseguido se manter viva enquanto ele esteve fora. A seqüência é
espetacular e termina de forma irônica, com Superman pousando o que sobrou de um
avião em um estádio de beisebol lotado. "Espero que esse pequeno contratempo não
os tenha deixado com medo de voar" - diz o herói - "estatisticamente o avião é
um dos meios mais seguros de viajar". O bom moço está, definitivamente,
de volta.
Continuando o tema da nostalgia do início deste artigo, o retorno do herói se dá em vários
sentidos. Bryan Singer, assim como fez Richard Donner há quase trinta anos,
apostou em um desconhecido para o papel principal, o ator Brandon Routh, que
é uma espécie de "clone" de Christopher Reeve. Reeve infelizmente faleceu
há dois anos devido a complicações do grave acidente que o deixou tetraplégico
nos anos 1990, mas quando Routh aparece nas telas tem-se a sensação, por um
momento, de que não só Superman retornou, mas também Christopher Reeve.
O
vilão Lex Luthor é interpretado por Kevin Spacey, que faz uma
imitação de Gene Hackman, que criou um Luthor engraçado e inteligente nos filmes
originais. Ele não se vê como um vilão, mas como alguém que quer, nas palavras
dele, trazer o poder dos deuses para os seres humanos. "Você não é um deus", diz a
assistente a Luthor. Ao que ele responde: "Deuses são caras egoístas que
voam por aí com capas vermelhas sem dividir seus poderes como a humanidade". Claro
que ele tem um plano impossível de dominar o mundo e de destruir Superman ao
mesmo tempo.
O filme tem vários
bons momentos, mas o roteiro carece da falta de uma direção mais segura. Além
das auto-referências, contei também pelo menos duas menções aos filmes "Matrix",
em que Keanu Reeves fazia de "Neo" uma espécie de Superman virtual. E o filme
ainda guarda uma "surpresa" da qual não vou falar, mas que poderia ter sido
melhor explorada. Ou, provavelmente, estão guardando para a continuação que
Bryan Singer já está produzindo.
João Solimeo
20/07/2006
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