A Última Cartada (zero estrelas)
(Smokin`Aces - EUA - 2007)

por João Solimeo 

 

A Última Cartada é uma experiência longa, violenta e desinteressante. O único ponto positivo de um filme como este é nos mostrar como cineastas como Martin Scorsese ou mesmo Tarantino sabem o que estão fazendo. Fica até difícil escrever sobre um filme que não sabe se é uma comédia com toques de drama ou se é um drama sério com momentos que deveriam ser engraçados. O caso é que não há um único momento em que ele possa ser levado à sério (a não ser, talvez, nas cenas estreladas por Ray Liotta). É tudo um embuste e quem se sente enganado, no final, é o espectador.

 

Há pelo menos dois filmes disputando o mesmo espaço e os produtores escalaram atores como Ray Liotta, que fez a obra prima de Scorsese, "Os Bons Companheiros", (que tratava de um mafioso que se torna um delator e informante) e Andy Garcia (que em "Onze Homens e um Segredo" fez o chefão de um Cassino em Las Vegas) para tentar dar mais credibilidade ao filme. "A Última Cartada" pega carona na trama do primeiro e se baseia no cenário do segundo para contar a história de Buddy "Aces" Israel (Jeremy Piven), um mágico que é a última sensação em Las Vegas e que está envolvido com o alto escalão da "Cosa Nostra", a Máfia. A cabeça dele é colocada a prêmio e o FBI está tentando trocar sua proteção por informações e envia dois agentes (Ray Liotta e Ryan Reynolds) buscá-lo em um cassino em Lake Tahoe. Buddy está instalado em uma cobertura e passa o tempo com prostitutas e cocaína enquanto seu advogado negocia com o FBI. Mas a Máfia ofereceu um prêmio de um milhão de dólares para quem matá-lo e um grande número de candidatos se oferece. Há um grupo de ex-policiais encabeçados por Ben Affleck, há uma dupla de matadoras de aluguel, há um assassino especializado em disfarces e até um trio de neonazistas que estariam bem em uma comédia como "Os Irmãos Cara de Pau", mas que estão perdidos no circo que se torna este filme.

 

Ao mesmo tempo há uma subtrama envolvendo um antigo agente do FBI que teria passado por várias cirurgias plásticas para se infiltrar na Máfia, mas que foi descoberto e morto pelo chefão atual, Sparazza. Extremamente violento e com zero de sensibilidade, o filme se resume a uma série de cenas de ação cada vez mais violentas e sem sentido até um final que, estranhamente, tentar dar um ar "sério" e "dramático" a tudo o que veio antes. Fica difícil acreditar na revolta de um dos agentes do FBI lamentando a morte do parceiro em um filme repleto de mortes inconseqüentes e desnecessárias.

 

Escrito e dirigido por Joe Carnahan, A Última Cartada tenta ser uma paródia do estilo de Tarantino, mas consegue ser apenas ruim e desnecessário. 

 

 

João Solimeo
01/05/2007

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