A Última Cartada é uma experiência longa,
violenta e desinteressante. O único ponto positivo de um filme como
este é nos mostrar como cineastas como Martin Scorsese ou mesmo
Tarantino sabem o que estão fazendo. Fica até difícil escrever sobre
um filme que não sabe se é uma comédia com toques de drama ou se é
um drama sério com momentos que deveriam ser engraçados. O caso é
que não há um único momento em que ele possa ser levado à sério
(a não ser, talvez, nas cenas estreladas por Ray Liotta). É tudo um
embuste e quem se sente enganado, no final, é o
espectador.
Há pelo menos dois filmes disputando o mesmo
espaço e os produtores escalaram atores como Ray Liotta, que
fez a obra prima de Scorsese, "Os Bons Companheiros", (que tratava
de um mafioso que se torna um delator e informante) e Andy Garcia
(que em "Onze
Homens e um Segredo" fez o chefão de um Cassino
em Las Vegas)
para tentar dar mais credibilidade ao filme. "A
Última Cartada" pega carona na trama do primeiro e se baseia no
cenário do segundo para contar a história de Buddy "Aces" Israel
(Jeremy Piven), um mágico que é a última sensação em Las Vegas e
que está envolvido com o alto escalão da "Cosa Nostra", a Máfia. A
cabeça dele é colocada a prêmio e o FBI está tentando trocar sua
proteção por informações e envia dois agentes (Ray Liotta e Ryan
Reynolds) buscá-lo em um cassino em Lake Tahoe.
Buddy está instalado em
uma
cobertura e passa o tempo com prostitutas e cocaína enquanto seu
advogado negocia com o FBI. Mas a Máfia ofereceu um prêmio de um
milhão de dólares para quem matá-lo e um grande número de candidatos
se oferece. Há um grupo de ex-policiais encabeçados por Ben Affleck,
há uma dupla de matadoras de aluguel, há um assassino especializado
em disfarces e até um trio de neonazistas que estariam bem em uma
comédia como "Os Irmãos Cara de Pau", mas que estão perdidos no
circo que se torna este filme.
Ao mesmo tempo há uma subtrama envolvendo um
antigo agente do FBI que teria passado por várias cirurgias
plásticas para se infiltrar na Máfia, mas que foi descoberto e morto
pelo chefão atual, Sparazza. Extremamente violento e com
zero de sensibilidade, o filme se resume a uma série de cenas
de ação cada vez mais violentas e sem sentido até um final que,
estranhamente, tentar dar um ar "sério" e "dramático" a tudo
o que veio antes. Fica difícil acreditar na
revolta de um dos agentes do FBI lamentando a morte do parceiro
em um filme repleto de mortes inconseqüentes e
desnecessárias.
Escrito e dirigido por Joe Carnahan, A Última
Cartada tenta ser uma paródia do estilo de Tarantino, mas consegue
ser apenas ruim e desnecessário.