
X-Men - O Confronto Final   
(X-Men - The Final Stand - EUA - 2006)
por
João Solimeo
Não sou conhecedor dos quadrinhos que
deram origem à trilogia cinematográfica dos X-Men. O que não me impediu de
gostar do primeiro filme e apreciar ainda mais o segundo, ambos dirigidos por
Bryan Singer (que surgiu com o ótimo "Os Suspeitos", em 1995). Pela reação da
maioria dos fãs, Singer conseguiu fazer uma boa transição dos quadrinhos para as
telas e conquistou gordas bilheterias mundo afora, garantindo a sobrevivência da
franquia e causando expectativa para este terceiro filme. Acontece que Singer
foi seduzido pela possibilidade de trazer de volta ao cinema outro herói dos
quadrinhos, talvez o maior deles, Superman, e abandonou o barco dos X-Men para
filmar "Superman Returns".
A tarefa de dirigir o terceiro filme
coube a Brett Ratner, diretor com um ego enorme e filmes razoáveis, mas
dispensáveis, como "A Hora do Rush" e "Ladrão de Diamantes". A diferença pode
ser sentida logo no começo em uma seqüência espetacular, mas irrelevante, em que
Wolverine (Hugh Jackman, perfeito no papel), Tempestade (Halle Berry) e um grupo
de jovens mutantes estão em pleno campo de batalha, em um cenário que lembra
muito o futuro tenebroso mostrado na série "O Exterminador do Futuro". Tudo
acaba se revelando uma simulação, no bom e velho estilo de "Jornada nas
Estrelas", e Ratner então nos leva de volta à escola de mutantes de Charles
Xavier (Patrick Stewart, que já foi capitão da "Enterprise"). O mundo parece ter
se tornado um lugar melhor para os mutantes, e há até um no governo (Kelsey
Grammer), mas as aparências enganam. Uma empresa consegue criar uma droga
genética que promete trazer a "cura" para o DNA mutante, transformando o
indivíduo inoculado em uma pessoa "normal". E apesar da "cura" despertar o
interesse de parte da comunidade mutante, no geral ela é vista como uma ameaça,
principalmente por Magneto (Ian McKellen, extraordinário como sempre), orgulhoso
defensor dos mutantes e que quer tomar o poder à força, ao contrário do ex-amigo
Xavier. O tema da "cura" tem várias referências, mas a mais óbvia é a referência
ao homossexualismo. A droga é até criada em São Francisco, uma das cidades em
que o movimento gay é mais forte.
Ao
mesmo tempo, uma outra linha da trama lida com o ressurgimento de Jean Grey (Famke
Janssen, belíssima), que havia se sacrificado ao final do segundo filme para
salvar os companheiros, para desespero do namorado Ciclope (James Marsden) e de
Logan/Wolverine. Jean é encontrada no mesmo lago em que havia "morrido" e é
trazida de volta para a escola de Xavier. Mas ela não é mais a mesma. Seu
ressurgimento trouxe de volta uma personalidade poderosa que havia dentro dela
chamada Fênix, que era mantida sob controle por Xavier. Há uma cena "quente"
entre ela e Wolverine que sai um pouco dos limites do universo dos quadrinhos,
mas que mostra as novas habilidades da moça, como abrir um cinto com o
pensamento, por exemplo. Brincadeiras à parte, o dilema representado por
Jean/Fênix prometia grandes momentos no filme, mas o roteiro não lida direito
com a promessa. Este, aliás, é um dos defeitos do roteiro. Há vários "embriões"
de grandes idéias por todo canto, mas Ratner parece mais preocupado em criar um
espetáculo visual do que em explorá-los com mais cuidado. O personagem "Anjo"
(Ben Foster), por exemplo, é visto no início do filme como um garoto que tenta
cortar as próprias asas para não ofender o pai, que acabaria sendo o criador da
"cura" dos mutantes. "Anjo" é visto em uma bela cena de vôo (embora com efeitos
abaixo da média), mas praticamente desaparece do filme, não mostrando a que
veio. Há também um garoto mantido preso na empresa que pode anular os poderes de
todos os mutantes que chegam perto dele, e a "cura" é desenvolvida a partir
dele, mas o garoto passa o filme inteiro dentro de uma sala branca, sem muito
que fazer. "Mística" (Rebbecca Romijn) aparece apenas por alguns momentos e
"Noturno" simplesmente não está presente no filme.
A própria Fênix, após uma seqüência
espetacular e surpreendente (que vai chocar muitos fãs), fica um pouco largada à
margem do roteiro, pois seus poderes são grandes demais. Teria sido muito mais
interessante se a dualidade Jean/Fênix tivesse sido melhor explorada,
principalmente em sua relação com Wolverine, que também pode ser gentil por
fora e violento e imprevisível por dentro. A grande estrela do filme acaba
sendo, estranhamente, o vilão Magneto, interpretado muito bem por Ian McKellen,
que deve ter se divertido muito no papel. Os efeitos especiais variam de ótimos
a medíocres e algumas seqüências parecem ter sido feitas às pressas. Há uma cena
fantástica mas, repito, desnecessária, em que Magneto tira uma ponte do lugar
para chegar a uma ilha. Não teria sido mais fácil pegar um barco?
O filme, assim, tem seus altos e
baixos. Não é tão bom quanto o segundo filme, mas não chega a ser uma decepção.
Ele é extremamente violento e provavelmente com o maior número de mortes da
série (provocadas tanto pelos vilões quanto por Wolverine). E se havia alguma
dúvida se haveria um X-Men 4, não saia dos cinemas até os créditos terminarem.
João Solimeo
28/05/2006
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