terça-feira, 11 de março de 2008

Sicko (SOS Saúde)

Domingo fui ver o novo documentário do Michael Moore, "Sicko". Não sou muito fã do estilo espalhafatoso de Moore e da vontade dele de aparecer, mas é fato que, com esse método, ele levanta questões interessantes. O documentário trata do sistema de planos de saúde nos Estados Unidos, comparado com outros países como França, Canadá e Inglaterra. Se ele viesse ao Brasil talvez ele visse que as coisas por aqui também não são grande coisa.

Moore colocou uma mensagem em seu site pedindo que as pessoas enviassem suas histórias sobre os planos de saúde, e em alguns dias tinha milhares de respostas em sua caixa postal. O filme mostra algumas delas. Um americano, por exemplo, perdeu as pontas dos dedos médio e anelar em um acidente. Sua primeira reação foi imaginar quanto iria custar reconstruir os dedos. Ao chegar ao hospital, apresentaram-lhe duas opções: 60 mil dólares pelo dedo médio e 12 mil dólares pelo anelar. Ele preferiu o mais barato. Em comparação, um canadense que perdeu todos os dedos da mão não teve que pagar nada por 24 horas de cirurgia reconstrutiva, pois o país tem um sistema público de saúde. Na França, Moore faz uma "mesa redonda" em um restaurante com americanos que estão morando por lá e fica espantado com as histórias de bom atendimento e prestação de serviços narrados por eles. Na Inglaterra ele provoca risadas dos pacientes quando faz a pergunta: "quanto você teve que pagar por este serviço?".

Mas Moore, como sempre, tem seus exageros. Usando depoimentos de soldados americanos que servem na base de Guantanamo, Cuba, ele alega que os supostos terroristas presos têm um atendimento hospitalar melhor do que o do americano médio. É até possível, mas diante das acusações de torturas e maus tratos causados aos prisioneiros, a tese é discutível. De qualquer forma, Michael Moore aluga alguns barcos e parte em direção à Cuba, levando consigo dezenas de pacientes americanos que não conseguem pagar por seus remédios. Claro que Moore está apenas fazendo um show para a câmera, mas não deixa de ser engraçado vê-lo chegando de lancha perto da base americana e, com um megafone na mão, pedir por atendimento médico. Ele não é atendido. Uma vez em Havana, ele e seus pacientes vão até um hospital socialista onde são atendidos prontamente e descobrem que os remédios custam uma pequena parcela do que teriam que pagar nos Estados Unidos. Há uma sequência extremamente manipuladora e suspeita que mostra uma homenagem feita pelos bombeiros cubanos aos voluntários que ajudaram no resgate de vítimas do 11 de setembro. A cena é emocionante, sim, mas parece feita apenas para tirar lágrimas do americano médio.


O documentário funciona melhor quando se atém aos fatos e trata dos planos de saúde americanos. Moore mostra como, mesmo tendo um plano, as chances de um americano ter alguma doença coberta por ele é pequena. Os planos pagam bônus para os médicos que recusarem o maior número de tratamentos. Há uma imagem chocante que mostra uma ex- funcionária de um plano de saúde fazendo um "mea culpa" diante de um tribunal, confessando que, ao negar tratamento médico, ela foi responsável pela morte de vários pacientes. Moore também dá uma "cutucada" na ex-primeira dama e atual candidata ao governo americano, Hillary Clinton. Quando primeira dama, ela era a favor de um sistema de saúde universal que atendesse a todos os americanos. Pressionada pela indústria farmacêutica, aos poucos ela foi mudando de lado.


O filme é bem feito, bem editado e a narração de Moore é muito bem humorada. Ele está mais discreto do que costumava ser mas, mesmo carregando alguns "vícios" antigos, vale a pena assistir.

4 comentários:

Lana Torres (Citrullus lanatus) disse...

Eu gosto de gente espalhafatosa!

No cinema, sou uma iniciante, ao passo que seu blog me será de grande serventia.
Ainda não vi Sicko, mas confesso ter ficado tentada a fazê-lo!

Boa sorte na empreitada com o blog, John!

Beijo!

João Solimeo disse...

Gosta de gente espalhafatosa? hehe
Então, to "blogando" agora também, hehe. Depois vc precisa me passar umas dicas...
Bjo, brigado pela visita!

Rutz disse...

Fala João!
Gostei do seu blog. Suas opiniões me parecem desapaixonadas.
E isso é bom!!!!
Continuarei visitando...

Sugestão: Pega alguns filmes cult tipo Pasolini, Herzog, Cronemberg, Fellini...

Um abraço Floydiano!

João Solimeo disse...

Hmmmm....desapaixonadas? Mesmo? ehe
Vejo todo tipo de filme, seja "cabeça" ou "pipoca"...o que interessa é ser bom.
Continue visitando, abraço!