sábado, 25 de março de 2023

Cocaine Bear (2023)

Cocaine Bear (2023). Dir: Elizabeth Banks. Baseado remotamente em uma história real ocorrida nos EUA em 1985, "Cocaine Bear" é dirigido pela atriz Elizabeth Banks e é assumidamente um filme "B". Obviamente não deve ser levado a sério e, visto deste modo, tem alguns momentos divertidos (mas fica a sensação de que poderia ser melhor).

O roteiro, escrito por Jimmy Warden, é baseado na história de um urso que ingeriu mais de 30 quilos de cocaína lançada de um avião em uma região florestal. Na história real, o urso foi econtrado morto e só; o roteiro de Warden imagina o que teria acontecido se o animal, literalmente "cheirado", tivesse encontrado pessoas na floresta. O elenco surpreende, composto por pessoas como Keri Russell, Margo Martingale, Alden Ehrenreich, O'Shea Jackson Jr., Isiah Whitlock Jr. e Ray Liotta, em um de seus últimos trabalhos. Nesta era nostálgica pós Stranger Things, Banks tenta recuperar o ar "anos 80" mostrando crianças andando na floresta, figurino de época, walkmans, uma trilha feita com teclados e muita violência "gore" que lembra o estilo de Sam Raimi ou John Carpenter (mas sem o mesmo talento).

Como disse, poderia ser melhor. Não é engraçado o suficiente para ser uma comédia nem assustador o suficiente para ser terror. O urso, apesar de bem feito, é claramente feito em computação gráfica a maior parte do tempo (a não ser em closes ou em detalhes como garras). No Brasil estreia em 30 de março (sim, eu baixei). 

 
O Estrangulador de Boston (Boston Strangler, 2023). Dir: Matt Ruskin. Star+. Filme policial baseado na história real de uma série de crimes acontecidos em Boston nos anos 1960. Um estrangulador atacava mulheres sozinhas, convencendo-as a entrar no apartamento fingindo ser um zelador ou técnico de manutenção. Os crimes atraíram a atenção de uma repórter do jornal Record American, Loretta McLaughlin (Keira Knightley), que até então só escrevia "matérias femininas". Com a ajuda de outra repórter, Jean Cole (Carrie Coon, sempre competente), Loretta encontrou ligações entre os crimes que haviam escapado à polícia de Boston.

O filme é claramente influenciado pelo trabalho de David Fincher em "Zodíaco" e na série "Mindhunter". As cores são discretas e a fotografia é sombria. Falta ao diretor (Matt Ruskin), porém, o talento e a ousadia de Fincher em deixar o espectador mais desconfortável. Apesar de tenso, "O Estrangulador de Boston" é bem mais tranquilo de se assistir do que "Zodíaco" (e nem vou falar de "Seven"). As ações do estrangulador quase não são vistas, a não ser por breves cenas no início. A falta de identificação com as vítimas (anônimas) também não ajuda muito o roteiro. O que falta em roteiro, porém, é compensado pelo bom elenco; Knightley e Coon são acompanhadas por um bom grupo de coadjuvantes como Chris Cooper (como o diretor de redação) e Alessandro Nivola (como um policial). Disponível na Star+.

domingo, 12 de março de 2023

Entre mulheres (Women Talking, 2022)

Entre mulheres (Women Talking, 2022). Dir: Sarah Polley. O título original, "mulheres falando", pode parecer simples ou trivial. No contexto do filme, no entanto, significa muita coisa. "Entre mulheres" é um dos dez indicados a Melhor Filme no Oscar que acontece esta noite. Curiosamente, ele está indicado apenas a mais uma categoria, roteiro adaptado, da diretora canadense Sarah Polley (que adaptou o livro de 2018 escrito por Miriam Toews). Há duas formas de se ver este filme, como algo baseado em uma história real ocorrida na Bolívia em 2010 (como, de fato, foi), ou como uma alegoria para algo bem mais amplo. A trama: um grupo de mulheres mora em uma colônia religiosa à moda antiga; separadas do mundo, elas não têm acesso à educação, ao voto, a ter ideias próprias. Para piorar, elas são frequentemente assaltadas sexualmente pelos homens da colônia, que lhes dizem que é o ato de "fantasmas", de "Satanás", ou da imaginação fértil das moças. Um dia, porém, um dos homens é pego em flagrante. As mulheres, então, resolvem debater sobre o que devem fazer; há três opções: fazer nada, ficar e lutar ou deixar a colônia. O filme de uma hora e quarenta minutos mostra esta conversa.

Poderia ser tudo bastante teatral (e, em momentos, realmente é), mas a direção de Polley e a interpretação do elenco tornam o filme uma experiência fascinante e tensa. E que elenco; Claire Foy, Rooney Mara, Jessie Buckley, Frances McDormand, entre outras, estão excelentes (nenhuma delas foi indicada ao Oscar, lamentavelmente). Apenas um homem tem um papel de destaque, August, interpretado por Ben Whishaw, que é o professor dos meninos da colônia. Os homens, no entanto, estão na pauta por todo o filme. Os homens ou a própria masculinidade. São simplesmente inimigos a serem derrotados? Monstros? Vítimas de um sistema que pune tanto homens quanto mulheres? Possíveis parceiros? O que as mulheres devem fazer? Deixar para lá? Lutar? Fugir? Curioso como a religião também é tratara no filme. As mulheres se refugiam em uma fé que as conforta, mas será que também não as oprime?

Não é um filme fácil, mas vale bastante pelas questões levantadas e pelas belas interpretações. Destaque também para a trilha sonora da islandesa Hildur Guðnadóttir (que ganhou o Oscar por "Coringa" em 2019). Nos cinemas.

Luther: O Cair da Noite (Luther: The Fallen Sun, 2023)

Luther: O Cair da Noite (Luther: The Fallen Sun, 2023). Dir: Jamie Payne. Netflix. Não vi as cinco temporadas do policial Luther (Idris Elba), produzidas pela BBC. Assim, entrei neste filme produzido pela Netflix sem o contexto necessário, talvez, para apreciá-lo como deveria. Isso posto, "Luther" é longo, escuro, maniqueísta e não faz o menor sentido. Será que os fãs da série aprovaram o longa?

Luther é um policial de Londres que enfrenta um vilão digno de um filme de James Bond, interpretado por Andy Serkis (geralmente associado ao trabalho de voz e "motion capture" de personagens como o "Gollum" de "O Senhor dos Anéis" ou o César de "O Planeta dos Macacos"). Aqui ele interpreta em carne e osso um daqueles vilões completamente inverossímeis, um serial killer sádico que tem uma conta bancária infinita, tempo e uma equipe para praticar crimes da forma mais cruel possível (não contente em matar pessoas, ele grava seus gritos de agonia e os manda para suas mães).

Há diversos clichês de filmes policiais, como o "tira" que cai em desgraça mas ainda comanda a investigação dos bastidores, a mulher durona que não quer ser humilhada (uma chefe de polícia interpretada por Cynthia Erivo), as salas cheias de monitores vigiando as pessoas, etc. No final, descobre-se que há um "porquê" nas ações do vilão, mas nem isso é original (foi feito muito melhor em alguns capítulos da série "Black Mirror"). Tá na Netflix.