quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Planeta dos Macacos: A Origem

Este filme começa de forma tão acelerada que promete ser uma grande aventura. Will Rodman (James Franco), um geneticista, está apresentando uma droga nova para possíveis investidores de uma empresa farmacêutica; ele promete curar o Mal de Alzheimer e os testes preliminares com chimpanzés foram promissores. Em plena apresentação, no entanto, uma das primatas testadas com a droga se solta e, em fúria, causa caos na empresa até ser abatida pela segurança. O chefe de Will ordena que as pesquisas sejam canceladas e todos os chimpanzés mortos. Will descobre que a chimpanzé estava cuidando secretamente de um filhote e, sem coragem de sacrificá-lo, o leva para casa, onde mora com o pai, Charlie (John Lithgow), que sofre, claro, de Mal de Alzheimer. Charlie se apega ao macaquinho e o chama de César, em homenagem a uma peça de William Shakespeare.

É então que o ritmo do filme muda drasticamente. Dirigido por Rupert Wyatt, este é mais um filme com subtítulo "A Origem" a ser lançado nos cinemas (assim como "Wolverine", "X-Men", entre outros). A saga "Planeta dos Macacos" iniciou-se em 1968, com o clássico dirigido por Franklin J. Shaffner. O roteiro, baseado em livro de Pierre Boulee, passou pelas mãos de Rod Serling (criador da série "Além da Imaginação") e o final surpresa marcou época. Houve quatro continuações, séries de televisão, uma série animada e, em 2001, Tim Burton fez um remake que teve recepção morna. O filme de Wyatt entra na moda das "origens" e, apesar de auxiliado por efeitos especiais realmente impressionantes, tem problemas de ritmo e de roteiro. O chimpanzé César é "interpretado" por Andy Serkis, que se tornou um especialista em atuações criadas em "motion capture"; os movimentos do ator são "capturados" pelo computador e transformados em dados para que o personagem em computação gráfica ganhe vida. Serkis, entre diversos trabalhos, já interpretou Gollum, na trilogia "O Senhor dos Anéis" e o gorila gigante de "King Kong", mas as expressões faciais e a linguagem corporal de César são realmente impressionantes.

O roteiro tem vários tropeços. Não fica muito clara a posição do personagem de James Franco depois do fracasso do início do filme. Há diversas passagens temporais em que o escutamos, em uma locução em off, narrar a evolução de César; a inteligência do macaco é superior aos outros da sua espécie graças aos genes que herdou da mãe, que havia testado a droga do Dr. Rodman. O cientista passa a roubar a droga da empresa (a pesquisa não havia sido cancelada?) e a usá-la no próprio pai que, a princípio, também demonstra uma melhora milagrosa. César cresce e se torna um "adolescente" problemático que começa a questionar (através da linguagem dos sinais) sua origem. Um dia ele agride um vizinho e a justiça determina que ele seja trancafiado no abrigo para primatas da cidade de São Francisco, onde sofre "bullying" dos outros macacos e de um cruel humano (interpretado por Tom Felton, o "Draco Malfoy" da série Harry Potter, igualmente maldoso). Há uma longa passagem que mostra a transformação de César de animal dócil para um ser ferido e ressentido. Aos poucos sua inteligência vai formando um plano de vingança que culmina com dezenas de macacos inteligentes soltos pelas ruas de São Francisco, em um final que acaba sendo um anticlímax.

É possível dizer que a interpretação de César, com todo respeito a James Franco, é a melhor do filme. "Planeta dos Macacos: A Origem", a não ser em momentos isolados, não chega a empolgar. A idéia da "cura" e subsequente epidemia lembram diversos outros filmes, principalmente "Eu sou a lenda", com Will Smith. Vale como marco nos efeitos visuais e, para os fãs da série, como mais um capítulo na saga dos macacos

3 comentários:

Franz disse...

Parabéns pelo blog. Excelente. Gostei e virei seguidor.
Franz

João Solimeo disse...

Que bom, seja bem-vindo. Abraço.

Karla P disse...

O longa foi lançado em 5 de agosto de 2011, nos Estados Unidos, tornando-se um sucesso comercial e de crítica. O elenco do filme é Tom Felton, que recentemente apareceu no filme Risen, que é uma espécie de sequela do "Paixão de Cristo". Eu não sou um fã deste gênero de filme, mas eu gostei da perspectiva ateísta com uma estrutura narrativa realizada da maneira mais respeitosa, honesta e real. Vale a pena vê-lo como ele é uma adaptação do que acontece depois que Jesus ressuscita.