quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tecnologia ajuda jovens cineastas

por João Solimeo




Câmeras fotográficas não servem apenas para tirar fotos. A capacidade de se gravar vídeos em alta definição representou um avanço considerável para os produtores de imagens em movimento. Rodrigo Zanotto, 32 anos, natural de São José dos Campos e morador de Campinas, foi diretor de fotografia e operador de câmera em vários trabalhos. É dono de uma Canon 5D Mark II, uma das mais avançadas e cobiçadas máquinas fotográficas do mercado, a “menina dos olhos” dos novos cineastas. A 5D tem a capacidade de gravar vídeos em alta definição e “full frame” (semelhante à película cinematográfica de 35 mm) e está sendo usada por profissionais de cinema e televisão do mundo todo, mesmo nos Estados Unidos. Zanotto foi diretor de fotografia do curta-metragem vencedor do prêmio do júri popular no último Festival de Cinema de Paulínia, Meu avô e eu, de Caue Nunes. “Os aspectos positivos da 5D, além do preço bem em conta (por volta de US$ 3.500 o kit básico), são a similaridade com câmeras de cinema, a profundidade de campo, o tamanho do frame e as texturas da imagem”, diz Zanotto.


Túlio Ferreira, 28 anos, de Valinhos, também trabalha com audiovisual. Atualmente morando em São Paulo e professor na Escola de Cinema, começou aqui na região a trabalhar com curtas-metragens, videoclipes e institucionais. O envolvimento de Túlio com o audiovisual começou no mercado de gravações de eventos como casamentos, formaturas e festas de aniversário, mas seu amor pelo cinema fez com que se aventurasse por caminhos maiores. Para ele, fazer cinema só é um hobby para as pessoas que encararam a atividade dessa maneira. “Se cinema é sua paixão”, diz ele, “e você não consegue se imaginar fazendo outra coisa, então podemos conversar”. Certa vez, durante uma palestra do diretor Claudio Assis (diretor de Amarelo Manga e Baixio das Bestas), Túlio perguntou se é possível viver de cinema no Brasil, ao que o diretor respondeu, meio furioso: “Claro que dá! É só você correr atrás!". Túlio está trabalhando como editor em um longa-metragem independente chamado Alguém Qualquer, produzido inteiramente com uma Canon 7D (modelo inferior à 5D, citada anteriormente, mas também de ótima qualidade). “O digital veio para ficar e a película cinematográfica [filme] existirá apenas para os saudosistas” – diz Ferreira - “Os custos despencam a cada dia. Gravamos um longa-metragem com uma câmera fotográfica, com imagens maravilhosas, transferidas na hora para o computador, analisadas e até montadas quase que em tempo real. Isso é esplêndido! Portanto, o digital é o melhor amigo do cineasta independente”.




Caue Nunes, 34 anos, jornalista formado pela PUC-Campinas, é um dos produtores regionais mais bem sucedidos dos últimos anos. Seu trabalho foi reconhecido em duas edições consecutivas do Festival de Paulínia, ganhando prêmios por seu documentário Quem será Katlyn? (2009), sobre a vida de uma travesti e por Meu avô e eu (2010), descrito por Nunes como “uma ficção sobre um jovem que reflete sobre sua situação enquanto passa por uma entrevista de emprego”. Este último filme teve direção de fotografia de Rodrigo Zanotto e foi gravado com uma Canon 5D. Mesmo assim, Caue é mais reservado e realista quanto ao uso do equipamento em produções cinematográficas. “Tem vantagens como o uso de lentes de câmera fotográfica, o que dá uma estética mais cinematográfica, e o CCD [sensor eletrônico que capta as imagens] tem o mesmo formato das câmeras de película de 35mm. Mas há desvantagens: o som precisa ser gravado em outro equipamento, e como as câmeras são muito pequenas, os movimentos são mais difíceis e instáveis”. Caue Nunes também levanta outro problema, o da exibição. Não basta produzir um filme, é necessário exibi-lo. “Os equipamentos profissionais ainda são caros e de difícil manuseio. Câmeras, lentes, filtros, luzes, finalização. Tudo isso ainda é muito caro. Hoje as salas de cinema têm um padrão técnico mínimo, se você estiver fora do padrão corre o risco do filme ficar na gaveta”. Nunes, que começou a produzir em 1999 em uma oficina de cinema em Campinas, conta que o fato de vencer um prêmio em Paulínia mostra que o trabalho é reconhecido pelo público. Para seu segundo curta, Nunes contou com uma pequena verba em dinheiro do FICC (Fundo de Investimentos Culturais de Campinas) e serviços de equipamento e finalização do prêmio recebido em Paulínia. Seu último trabalho, o curta chamado 3 x 4, tem sido muito bem recebido. “Na verdade, está sendo meu curta com a melhor carreira” – diz Nunes, “foi para o Gramado Cine Vídeo, Festival Amadis Du Film, na França, e agora está no circuito de festivais da Inffinito [empresa distribuidora de filmes] e será exibido em Londres, Nova York, Vancouver, Montevidéu e Buenos Aires. Vou mandar para Paulínia, espero que entre. Fora isso, tenho outros projetos de curtas e um longa-metragem que é um falso documentário”.
O próximo Festival de Cinema de Paulínia ocorre entre os dias 7 e 14 de julho, e certamente contará com várias produções feitas por aqui.

3 comentários:

Anônimo disse...

A matéria está bem feita, mas faltaram os créditos abaixo da fotos e itálico ou aspas nos nomes dos filmes que são mencionados.

João Solimeo disse...

Olá. O nome dos filmes já está em itálico. Quanto às fotos, os créditos são os seguintes: Foto de Caue Nunes de Tatiana Ribeiro. Foto da Canon 5D mark II de Canon.com . Fotos de Rodrigo Zanotto e Tulio Ferreira: arquivo pessoal. Infelizmente não domino o Blogspot o suficiente para fazer uma diagramação melhor. Obrigado pela visita.

Anônimo disse...

Têm razão, desulpe. Boa sorte.