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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Orquestra dos Meninos

Dirigido por Paulo Thiago, "Orquestra dos Meninos" intercala momentos de extrema simplicidade e interpretação quase documental com outros por demais teatrais, quase amadores. Mas, apesar do elenco global entre os papéis principais, há um ar interessante de obra não industrial que que, na maior parte do tempo, é bem vindo.

O roteiro é baseado na história real de um músico pernambucano chamado Mozart Vieira (Murilo Rosa) que, desde criança sonhou em ser músico e conduzir uma orquestra. Influenciado pelo avô, que regia a bandinha local da pequena cidade de São Mariano, no agreste nordestino, Mozart cresce e resolve colocar em prática seus sonhos. Movido por um grande amor à música e muito entusiasmo, ele convence a diretora de uma escola a ceder um espaço para que um pequeno grupo de crianças e adolescentes comece a praticar. Munidos de instrumentos velhos e usados, as crianças começam a aprender Bach, Mozart, Beethoven e Villa-Lobos, e a pegar gosto pela música. Entre as crianças está uma não tão jovem Priscila Fantin, fazendo o que pode para parecer feia e desajeitada, tocando um fagote enorme.

A pequena orquestra de Mozart Vieira começa a fazer tanto sucesso que atrai a atenção de um marketeiro político que a usa para eleger o próximo governador. Em troca, o governador promete construir uma Fundação na cidade e dar instrumentos novos para o grupo de Mozart. Isso acaba atraindo a ira e inveja dos políticos locais, liderados por Moisés (Othon Bastos, com um aviso de "vilão" escrito no rosto desde a primeira cena do filme). Atual prefeito, ele era professor de matemática na mesma escola em que Mozart ensaiava com a orquestra, e vê nele um adversário político. Sem papas na língua, Mozart não quer entrar no jogo de Moisés e acaba conquistando um inimigo perigoso. Um dos garotos da orquestra é seqüestrado, espancado e fica quase cego, e Mozart é acusado de pedofilia e aliciamento de menores.

O filme é melhor quando se concentra na música. Há belas passagens da pequena orquestra interpretando Bach e Villa-Lobos. Mas o roteiro, por vezes, é por demais rasteiro. Há uma personagem feminina, por exemplo, que aparece apenas para gerar ciúme em Priscila Fantin. Um efeito de câmera lenta é usado desnecessariamente, e uma cena de chuva termina com uma declaração de amor não só fora de hora, mas inconseqüente (não vemos resultado nas cenas seguintes). Apesar de certa teatralização, o circo político é plausível e podemos imaginar o que o verdadeiro professor deve ter passado para conquistar o que conseguiu. Nos créditos finais vemos imagens do verdadeiro Mozart Vieira e acompanhamos o destino de muitos de seus músicos, seguidos de uma frase que resume a moral do filme: "o artista só se curva para seu público". Filme irregular, mas bom.