terça-feira, 1 de julho de 2008

Navegando no deserto

Eu tinha uns seis anos de idade. Meu pai estava viajando a trabalho e eu e o resto da família estávamos passando uns dias na casa do meu avô. Era de noite, a televisão estava ligada e eu observava uma cena passada no deserto. A TV, provavelmente em preto e branco (que cor são as memórias?) mostrava um homem no deserto. O homem então olha para o horizonte e vê uma miragem. Ou ele acha que é uma miragem.... de que outra forma explicar que, em meio às dunas do deserto, um navio esteja navegando? Pouco depois minha mãe me disse que era hora de dormir, mas fiquei com aquela imagem do navio no deserto na cabeça por muito tempo.

CORTE

Anos depois eu estava no Cine Paulista, em São Paulo, tremendo de frio por causa do ar condicionado e, para meu espanto, aquela memória da infância estava se repetindo na tela. Era o ano de 1989 ou 1990, creio, e os cinemas estavam reprisando o clássico "Lawrence da Arábia", de 1962, em versão restaurada. Nunca havia visto o filme inteiro, e apesar da tela do Paulista não ser nenhuma super tela, era bom poder apreciar o clássico de David Lean no cinema. Revi o filme (de quase quatro horas de duração) umas quatro ou cinco vezes nos cinemas, depois em VHS e finalmente em DVD. Lawrence foi talvez o maior dos épicos, influenciador de vários cineastas que fizeram sucesso depois, como Steven Spielberg e Martin Scorsese. Várias marcas de Lawrence podem ser vistas no cinema de Spielberg, como as grandes paisagens, os travellings acompanhando os personagens e a presença do Sol na tela, em filmes como Caçadores da Arca Perdida, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Império do Sol, entre outros. Spielberg declarou que o filme é um dos que sempre assiste antes de começar qualquer nova produção. Ele e Scorsese financiaram o restaurador Robert A. Harris no trabalho arqueológico de procurar as cópias restantes do filme mundo afora para remontar a versão original de 1962, que estava praticamente perdida.

O filme deu a Peter O´Toole seu primeiro papel no cinema e ele está estupendo. No resto do elenco atores do calibre de Alec Guinness, Anthony Quinn, Claude Rains, Arthur Kennedy, entre outros, e praticamente nenhuma mulher. A maravilhosa trilha sonora foi composta por Maurice Jarre, que se tornaria colaborador frequente de David Lean. No video abaixo pode-se ver uma apresentação de Jarre regendo a trilha do filme em homenagem a Lean, que morreu em 1991. São várias as cenas antológicas: o corte do fósforo que O´Toole assopra para a cena do deserto, a primeira cena de Omar Sharif surgindo no horizonte, a sequência da tomada de Aqaba, o sol nascendo na tela exatamente no momento em que um ator a cruza, a já citada cena do navio em pleno deserto. Obra prima.

3 comentários:

F. Fachini disse...

aCREDITO QUE VOU COMEÇAR A LER MAIS CRITICA DE CINEMA...
JOÃO, ESSE TEXTO TÁ ÓTIMO, PRINCIPALMENTE SE A HISTÓRIA QUE VOCÊ CONTOU FOR VERDADE....rsrsrsr
ESSE VÍDEO DO YOUTUBE É DO FILME?..ACHEI MUITO INTERESSANTE, ORQUESTRA E CINEMA INTERCALANDO IMAGENS,,,,
FALOWW
PARABENS

João Solimeo disse...

Tudo bom?

Este video é de um concerto do compositor Maurice Jarre em homenagem ao diretor David Lean. Os dois trabalharam juntos em vários filmes. Lean morreu em 1991.

A história é verdadeira sim, ou tão verdadeira quanto são nossas memórias, hehe. Lawrence da Arábia está disponível em DVD e deve ser visto em uma TV GRANDE, de preferência.

Visite sempre.

Anônimo disse...

Epico, clássico. O que mais falar ?
Vi várias vezes na TV e uma vez em VHS, na versão restaurada. Mas adoraria ver este clássico nos cinemas algum dia.