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sábado, 4 de fevereiro de 2023

The White Lotus - 2ª Temporada (2022)

 

The White Lotus - 2ª Temporada (2022). Dir: Mike White. HBO Max. "The White Lotus" retorna à HBO com sua mistura de paisagens maravilhosas, hotéis de luxo e pessoas podres. Enquanto a primeira temporada se passava no Havaí, esta segunda acontece no "velho mundo", a Europa, em um hotel paradisíaco na costa da Sicília, Itália.

Apenas uma personagem principal retorna da temporada anterior, a milionária sem noção Tanya (Jennifer Coolidge). O resto dos personagens inclui um trio de Los Angeles que está à procura de sua raízes, interpretados por um patriarca mulherengo (o grande F. Murray Abraham), seu filho produtor de cinema (Michael Imperioli, o Christopher da série "The Sopranos") e o neto, Albie (Adam DiMarco). Há também dois casais (Meghann Fahy e Theo James; Aubrey Plaza e Will Sharpe), novos ricos do ramo da tecnologia e finanças que vieram passar uma semana na Itália. Jennifer Coolidge traz junto sua assistente, Portia (Haley Lu Richardson), que quer viver "uma grande aventura" na Itália (ela consegue).

São sete episódios mostrando a relação dessas pessoas entre si, com um complicador: duas jovens prostitutas italianas (Simona Tabasco e Beatrice Grannò) que estão à caça de um(a) estrangeiro(a) rico(a) e se envolvem com vários dos hóspedes do hotel. Os roteiros e direção são de Mike White, que não se cansa de mostrar o lado "sombrio" de cada personagem. Assim como na primeira temporada, há um contraste interessante entre as paisagens belíssimas e a constante falta de noção destes personagens ricos, egocêntricos e perdidos. Aybrey Plaza, que geralmente interpreta personagens soltas e desencanadas, surpreende aqui como uma mulher reprimida que é ótima em achar o problema dos outros, mas não nela mesma. O trio de Los Angeles não consegue quebrar um padrão de comportamento misógino que envolve traições e problemas conjugais. O rapaz mais novo tenta ser diferente e ser "bonzinho", mas todo mundo sabe o que acontece com pessoas "boazinhas".

Há também um núcleo italiano representado, além das jovens prostitutas, pela gerente do hotel, Valentina (Sabrina Impacciatore, ótima), e outros empregados. É tudo muito bem filmado nas paisagens da Sicília, com suas belas praias e palacetes centenários. Há um bocado de cenas de nudez tanto masculina quanto feminina. E, claro, várias referências a "O Poderoso Chefão". Disponível na HBO Max.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Divergente

"Divergente" tem duas horas e vinte minutos de duração, tempo mais do que o suficiente para expor as premissas e desenvolvê-las. Então por que é que tudo tem que ser explicado à exaustão? Será que o público adolescente é assim tão incapaz de entender o que está se passando na tela sem que um narrador fique explicando tudo? Fora o fato de que o filme é baseado em mais uma franquia de livros juvenis, à exemplo de "Jogos Vorazes", o que torna estas explicações redundantes para a maioria da platéia.

Em um futuro não muito distante, Chicago foi devastada pela guerra e está separada do mundo exterior por um muro alto. A sociedade, para sobreviver, se dividiu em cinco facções, Erudição, Amizade, Abnegação, Audácia e Franqueza. Cada uma destas facções preza uma virtude e se dedica a uma atividade, como agricultura, judiciário, serviços sociais, defesa, etc. As crianças nascidas dentro de cada facção passam, aos 16 anos, por um teste que vai determinar se elas continuam na facção da família ou se mudam para outra (Grifinóia, Sonserina... opa, franquia errada). Beatrice Prior (Shailene Woodley, de "Os Descendentes") nasceu na Abnegação, mas seus olhos brilham quando ela vê os musculosos, vibrantes e alegres membros da Audácia correndo na rua. Sinceramente, é meio difícil imaginar qualquer adolescente que não gostaria de fazer parte da Audácia, levando uma vida de aventuras, ao invés de plantar batatas com o pessoal da Amizade. De qualquer forma, depois do teste os jovens ainda passam por uma cerimônia de Escolha, onde os escolhidos de cada facção vão lutar nos Jogos Vorazes...ou melhor...cada adolescente, independente do resultado do teste, escolhe a facção em que deseja passar o resto da vida. Mesmo em um mundo em que todas as pessoas que você conhece moram em uma única cidade e todos se beneficiariam de um contato maior, as leis deste mundo distópico ditam que os adolescentes fiquem privados da companhia da família e amigos para sempre, caso resolvam mudar de facção. (leia mais abaixo)



Beatrice, claro, é diferente dos outros, e seu teste mostra que ela é uma "Divergente", uma pessoa que não se encaixa perfeitamente em nenhuma das facções. Ou seja, ela é uma adolescente normal, mas neste mundo ser "divergente" pode ser um problema, já que os membros da Erudição vêem com maus olhos qualquer um que tenha um comportamento diferente. Ela escolhe a turma da Audácia, muda o nome para "Tris", e tem que lidar com os abusos do cruel líder da facção, Eric (Jai Courtney), e a atenção do misterioso e atraente "Quatro" (Theo James).

O filme é baseado na obra da escritora Veronica Roth e é o primeiro de uma nova série cinematográfica adolescente. A direção é de Neil Burger, que tem no currículo o interessante "O Ilusionista" (2006), mas que aqui se limita ao básico. "Divergente" tem um visual inventivo e efeitos especiais corretos. Os jovens atores, em especial Shailene Woodley, não fazem feio e têm algum carisma. A trilha sonora é tão genérica que os créditos dizem apenas que ela foi "supervisionada" por Hans Zimmer. O ritmo é desnecessariamente lento, resultado da necessidade do roteiro de explicar tudo dezenas de vezes. Kate Winslet faz uma participação especial (gravada em uma semana) em que ela se limita a andar pelo cenário com uma expressão fria e um sinal de "vilão" flutuando sobre a cabeça. Tudo resulta em um confronto final confuso e mal conduzido por Burger e equipe. Woodley tem uma boa cena de perda em que consegue expressar alguma emoção, mas logo tudo é engolido pela correria e explosões previsíveis. Como é uma obra em aberto, o final é genérico, com mais narrações e perguntas a serem respondidas nos próximos filmes, o que enfraquece ainda mais o roteiro. Onde é que estão os bons filmes com começo, meio e fim?

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