Mostrando postagens com marcador vanessa giácomo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vanessa giácomo. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de junho de 2009

Jean Charles

"Jean Charles" poderia ter sido vários tipos de filme. Poderia ter sido um filme-denúncia ao estilo de Oliver Stone, acusando abertamente a polícia londrina pelo assassinato do brasileiro, com imagens chocantes e teorias conspiratórias. Poderia ter sido um filme sobre um herói brasileiro, que não desiste nunca e que foi buscar a felicidade no estrangeiro e foi brutalmente assassinado sem motivo. "Jean Charles", dirigido por Henrique Goldman, não é nada disto. É um filme honesto, direto, contado em tom quase documental a vida de Jean Charles de Menezes (o onipresente Selton Mello), um eletricista mineiro que, confundido com um terrorista pela Scotland Yard em 2005, foi morto com 8 tiros no metrô de Londres. É um filme simples, mas muito bem feito, produzido em co-produção com a Inglaterra.

Rodado em Londres, o filme mostra a chegada à cidade da prima de Jean Charles, Vivian (Vanessa Giácomo) que, como milhares de brasileiros, está à procura de uma vida melhor e da chance de poder enviar dinheiro ao Brasil para a mãe doente. Interessante que Goldman tenha decidido contar a história de Jean Charles do ponto de vista dela. Jean é mostrado como um rapaz ambicioso, que sabe falar inglês e que consegue conquistar as pessoas com sua franqueza e entusiasmo. Selton Mello, felizmente, o interpreta sem os trejeitos que ele usa quando quer ser engraçado, e está bastante natural. A câmera de Goldman acompanha os personagens pelas ruas de Londres também de forma natural, que lembra um documentário. Há centenas de brasileiros trabalhando de forma legal e ilegal na cidade, e muitos são mostrados fazendo todo tipo de serviço; são cabeleireiros, taxistas, vendedores de roupas, camelôs e, no caso de Jean Charles, trabalham na construção civil. Jean era um eletricista que também fazia bicos como encanador, pintor ou qualquer tipo de serviço. O filme mostra como ele se dá bem passando a perna no patrão, aceitando fazer "por baixo dos panos" um serviço para um oriental. Também vemos ele se dar mal quando tenta arrumar vistos permanentes para dois colegas brasileiros.

Entre uma cena e outra, o "fantasma" do terrorismo ronda a cidade. A Inglaterra, seguindo os Estados Unidos, enviou tropas para o Iraque e está sofrendo com ameaças de várias formas. A mídia lança uma série de reportagens que refletem, e de certa forma fomentam, a paranóia e o medo contra os supostos terroristas que estariam na cidade. Em julho de 2005, Jean Charles foi seguido ao metrô por agentes que o confundiram com um suposto terrorista que estava sob investigação. Até hoje não se sabe com exatidão o que aconteceu. O fato é que um brasileiro desarmado, com um jornal na mão, foi baleado 8 vezes pela Scotland Yard. A cena em que suas primas Vivian, Patrícia e seu amigo Alex (Luís Miranda, excelente) recebem a notícia é tão bem feita que, repito, parece que estamos assistindo a cenas reais.

Estive nas filmagens de algumas cenas do enterro de Jean Charles, realizadas em Paulínia, São Paulo, em outubro de 2008. Uma produtora me colocou como figurante e posso dizer que, por quase um segundo inteiro, minha mão segurando um gravador aparece no filme. Seria bom se todos os brasileiros que estão lotando os cinemas para ver "A Mulher Invisível" também fossem dar uma chance a "Jean Charles". Os letreiros finais informam que até hoje ninguém foi culpado pela morte do brasileiro. O filme não tenta dar uma explicação, mas serve para nos lembrar como, em época de guerra e paranóia, todos somos vítimas.


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nas filmagens de "Jean Charles"

Neste final de semana visitei o set de filmagem do filme "Jean Charles" (título provisório), que tem parte de sua cenas filmadas na cidade de Paulínia, interior de São Paulo. Soube que estavam procurando por centenas de figurantes para uma cena passada no velório de Jean Charles, filmado em uma igreja do bairro Betel, Paulínia, sábado passado. Segundo informações obtidas com a produção, por volta de 500 figurantes compareceram às filmagens, que começaram no sábado (11/10) e vão até quinta feira agora. Estavam presentes no set os atores Daniel Oliveira, Vanessa Giácomo e Luiz Miranda. Dirigido por Henrique Goldman, o filme trata do caso trágico do imigrante brasileiro morto pela polícia em 2005, na Inglaterra, ao ser confundido com um terrorista. Selton Mello (sempre ele) interpreta o papel principal, mas ele não estava presente a estas filmagens. Suas cenas já foram filmadas na Inglaterra. O filme é uma co-produção entre a Inglaterra e o Brasil e, de fato, parte da equipe presente a Paulínia sábado era britânica. Segundo o site imdb.com, Stephen Frears ("Alta Fidelidade", "Ligações Perigosas") é um dos co-produtores.

Havia realmente centenas de figurantes dentro da igreja quando cheguei. De frente para o altar, um caixão cenográfico representava o corpo do brasileiro morto. Acompanhei a filmagem de algumas cenas e, em uma delas, fui um jornalista figurante que, munido de um gravador, tenta obter um depoimento da mãe de Jean Charles, quando esta se debruça sobre o caixão, chorando. A imprensa, representada tanto por figurantes quanto por jornalistas reais presentes à filmagem, cercou os personagens vividos por Daniel Oliveira e pelos pais de Jean Charles. O diretor gritou "ação" e foi um grande empurra-empurra. Foi também filmada a cena em que o padre faz um sermão em homenagem ao morto. A direção de fotografia era bem simples e, aparentemente, semi-documental. Não havia refletores ou rebatedores; tudo estava sendo filmado com luz natural. Os planos eram todos feitos em tripé, de forma bem tradicional. Havia uma segunda unidade gravando tudo em digital, não sei se estas imagens também serão incorporadas ao filme ou se era apenas uma equipe de making of.