sexta-feira, 7 de novembro de 2008

007 - Quantum of Solace

Bond, James Bond. Eu sempre me perguntei a lógica por trás desta frase. Por que um agente secreto sairia declarando seu nome verdadeiro o tempo todo, para todo mundo? Brincadeiras a parte, o espião mais famoso do cinema sobreviveu a seis atores diferentes, vinte e dois filmes oficiais e quarenta e seis anos de história. A ultima encarnação de Bond voltou na forma do ator Daniel Craig, escolha que desagradou muita gente. Loiro, durão e com cara de poucos amigos, Craig estava longe do charme normalmente associado ao personagem, ainda mais quando comparado a seu antecessor, Pierce Brosnan. Mas Craig atendia às demandas dos filmes de ação do século XXI, pós Jason Bourne. A trilogia estrelada por Matt Damon impôs um ritmo e um realismo impressionantes ao gênero dos filmes de ação, o que forçou uma reformulação do próprio James Bond. Foram-se o charme, o ar refinado e os brinquedos tecnológicos, dando lugar a um James Bond muito mais frio, preciso e indestrutível.

Após "Cassino Royale" (2006), o filme de estréia de Daniel Craig, Bond retorna com "Quantum of Solace", a primeira continuação da história do personagem. "Solace" continua a trama desfiada em "Royale", filme em que o primeiro amor de Bond, a bela Vésper Lynd (Eva Green) o traiu e morreu. Bond diz que não está buscando por vingança contra a organização responsável pela morte dela, mas nem sua chefe, M (a grande Judy Dench), acredita nisso. O filme já começa à toda velocidade, com uma perseguição de carros, na Itália, que dá lugar à um grande festival medieval em Siena. Após M quase ser morta por um agente duplo, segue-se outra perseguição ainda mais impressionante, em que Bond persegue o vilão pelos telhados, em uma seqüência que me lembrou muito cenas de "O Ultimato Bourne". Lá estão os pulos impossíveis de um telhado para outro, os vôos entre as janelas dos sobrados, a luta corpo a corpo, tudo.
A trama envolve um vilão chamado Dominic Greene (Mathieu Amalric) que tem uma "empresa" que, segundo ele, promove golpes de estado em países da América do Sul em troca de favores especiais. Tudo isso com o olhar complacente da CIA e, aparentemente, da MI-6 de 007. Greene se esconde por trás de uma fachada ecológica para conseguir apoio para depor o presidente da Bolívia e substituí-lo por um ditador próprio. Bond, seguindo pistas deixadas pelo traidor da MI-6, chega até Greene no Haiti, onde ele conhece a bela Camille (a estonteante Olga Kurylenko). Ela tem planos próprios, que envolvem matar o ditador Boliviano por vingança (ele teria matado a família dela). Assim, além dos olhos bonitos, Bond vê em Camille uma parceira na vingança. Há uma tentativa de humanizar o personagem, que sofre a perda de Vésper e que, agindo por vingança, estaria fora de controle. Mesmo assim, Bond continua o personagem "macho" de sempre, desfrutando de carros possantes, alto estilo de vida e belas mulheres.

"Quantum of Solace" não tem muito a dizer, é verdade. Mas é sem dúvida um filme de ação espetacular, feito em um estilo "cinemão", em largo cinemascope. É visível que rios de dinheiro foram gastos na produção bem cuidada e nos aspectos técnicos. Quanto ao ser humano 007, ele continua o velho Bond, James Bond.


3 comentários:

Ronin disse...

Grande João. Excelente o seu blog, cara. Nem sabia que entendia tanto de cinema. Quando ao novo 007, pelo visto, o filme segue a mesma premissa que o anterior. Legal essa história de vingança, até então, nunca vi essa "continuidade" em nenhum filme do agente bom de papo.
Quando sair em DVD eu vejo :P
Abraço.

João Solimeo disse...

Tudo bom? Obrigado pelos elogios.

De fato, é a primeira vez na série James Bond que há uma continuidade direta com o filme anterior. Faz parte da nova direção que estão dando para o personagem. Se puder ver no cinema, recomendo. É filme pra ver na telona.
Abs.

Anônimo disse...

Eu vi o filme e achei exagerado. Sei que 007 é exagerado por natureza, mas mesmo assim, acho que esse passou do ponto. O penúltimo é bem mais legal.
Abraço