segunda-feira, 13 de abril de 2009

Presságio

"Presságio" começa como um bom filme de ficção-científica e mistério. Infelizmente, ele termina como uma mistura de terror, suspense, filme religioso, new age, catástrofe e quase todos os outros gêneros possíveis. Em 1959, uma escola resolve enterrar uma "cápsula do tempo" contendo desenhos feitos pelas crianças sobre o futuro. A cápsula seria desenterrada apenas 50 anos depois. Uma das alunas, ao invés de fazer um desenho, escreve uma série de números aparentemente desconexos, para espanto da professora. Cinquenta anos depois, a cápsula é desenterrada e a série de números vai parar nas mãos de um garoto chamado Caleb (Chandler Canterbury). O pai dele é um professor de astrofísica chamado John Koestler (Nicolas Cage) do famoso MIT (Massachussets Institute of Technology) que perdeu a esposa recentemente. Pai e filho vivem sozinhos em uma daquelas casas de cinema afastadas da cidade, isoladas e prontas para serem palco de fatos assustadores. A lista com os números cai nas mãos de John que, em uma noite passada em claro, descobre toda sorte de "coincidências" entre os números da lista e tragédias que ocorreram nos últimos cinquenta anos. Lá estão as datas, as coordenadas e o número de vítimas de fatos como o atentado terrorista ao World Trade Center ou o incêndio que vitimou a esposa de Koestler. Mais assutador ainda, a lista marca três datas que ainda não ocorreram. Será que John pode fazer alguma coisa para evitar as mortes que vão acontecer?

O filme é um apanhado de boas idéias jogadas em um roteiro cada vez mais absurdo. Há uma discussão interessante entre determinismo (que diz que o Universo tem um motivo para existir e que tudo segue leis pré-estabelecidas) versus a idéia de que tudo é uma coincidência, de que o fato de que estamos aqui é resultado aleatório de reações químicas e mutações. Há um eco evidente com o filme "Sinais", de M. Night Shyamalan, em que o personagem de Mel Gibson também havia perdido a fé depois da morte da esposa em um acidente. Nicolas Cage vai atrás da filha da garota que havia escrito os números há cinquenta anos e descobre que ela morreu louca, em uma overdose. O roteiro então começa a atirar para todos os lados. A ficção-científica dá lugar a filme de suspense/terror sobrenatural, com o aparecimento de alguns "seres sussurrantes" que começam a rondar Caleb, o filho de John, com profecias que podem significar o Apocalípse bíblico. Há também momentos de filme catástrofe em que a competência técnica da equipe de efeitos especiais se destaca; "Presságio" pode ser um filme irregular, mas sem dúvida tem duas da melhores cenas de desastre jamais feitas. Na primeira, um único plano-sequência mostra um espetacular desastre aéreo que acontece literalmente na frente do personagem de Nicolas Cage, que corre até os destroços para procurar por sobreviventes. A segunda acontece no metrô de Nova York e também é muito bem feita.

O resto do filme, infelizmente, não se sustenta. O diretor é Alex Proyas, que tem um bom senso estético e fez o interessante "Dark City", filme de ficção científica muito superior a este, mas também cometeu bobagens como "Eu, Robô", com Will Smith. "Presságio" peca pela falta de direção e por citações nada sutis e menos elegantes que os originais que o influenciaram, como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", de Steven Spielberg, um sem número de filmes catástrofe e vários de M. Night Shyamalan.


2 comentários:

Ricardo disse...

Trabalho numa agencia e promovemos estreias!

Temos material no momento para pressagio, como ingressos, camisetas.

Dai vc pode sortear no seu site e tal.

Se interessar, entre em contato comigo!

ricardo@bgkgroup.com.br

Bianca Pissardo disse...

difíl eu ver uma crítica boa sua.. sempre tem algum porém... hahah

ta pegando o espírito de jornalista metido a besta mesmo.
é isso ae!
haha

bjs