Mostrando postagens com marcador nicolas cage. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nicolas cage. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

O Homem dos Sonhos (Dream Scenario, 2023)

O Homem dos Sonhos (Dream Scenario, 2023). Dir: Kristoffer Borgli. Filme bastante curioso que lembra os tempos em que o roteirista Charlie Kaufman era novidade e escrevia filmes como "Quero ser John Malkovich", "Adaptação" ou "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças". Nicolas Cage é Paul Matthews, um pacato professor de biologia evolutiva. Barba comprida, careca, óculos, usando sempre as mesmas roupas, ele é um tipo bastante comum.

Um dia um fenômeno estranho acontece e as pessoas começam a ver Paul em seus sonhos. No começo, são pessoas próximas, como família e amigos. Depois, o fenômeno se espalha pelo mundo inteiro. Paul fica assustado, a princípio, com a fama repentina mas, ei, as pessoas estão finalmente prestando atenção nele, achando-o "interessante". Logo ele está dando entrevistas e uma empresa quer associá-lo a vários produtos. O problema é que, de repente, os sonhos das pessoas com ele se tornam pesadelos terríveis e violentos. Amigos não querem mais vê-lo. A própria família está assustada.

"O Homem dos Sonhos" é uma sátira bem interessante sobre a fama e seus efeitos no mundo de hoje. Paul se considera um acadêmico sério e sonha em escrever um livro sobre a evolução das formigas, mas o mundo quer usá-lo para vender refrigerante. Quando ele está no alto da onda, no entanto, ele é "cancelado" pelas mesmas pessoas que o veneravam. Nicolas Cage, famoso por suas interpretações exageradas, está ótimo aqui como uma pessoa comum que, por um momento, acha que tirou a sorte grande. Há várias sequências interessantes e, em vários momentos, você não sabe se está vendo o mundo real ou se estamos dentro do sonho de alguém. A produção foi rodada em filme 16mm, com cores saturadas que lembram filmes antigos de família ou documentários. É curto, uma hora e quarenta de duração, e o final é interessante, embora poderia ter rendido mais.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

A Sacada (The Trust, 2016)

A Sacada (The Trust, 2016). Dir: Alex Brewer e Benjamin Brewer. Netflix. Filme de assalto que vale só por Nicolas Cage (sendo Nicolas Cage) e o Frodo Elijah Wood como dois policiais corruptos. Passado em Las Vegas, o filme dá a impressão que a polícia local é pura fachada. Elijah Wood usa drogas, pega prostitutas e não liga para o trabalho. Nicolas Cage é um policial que cansou de tentar trabalhar direito e resolve ir atrás de uma bolada. Jerry Lewis, em seu último papel, faz uma ponta como o pai de Cage.

O roteiro é cheio de humor negro e vale mais pela viagem do que pelo destino. Nicolas Cage parece estar se divertindo e faz suas caretas e exageros de sempre, em contraste com Elijah Wood, que leva tudo a sério demais. Os dois planejam roubar um cofre em que eles nem sabem o que tem dentro, mas parece valer a pena. É interessante, embora seja um filme um tanto excêntrico, o que pode decepcionar muita gente. Tá na Netflix.
 

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Presságio

"Presságio" começa como um bom filme de ficção-científica e mistério. Infelizmente, ele termina como uma mistura de terror, suspense, filme religioso, new age, catástrofe e quase todos os outros gêneros possíveis. Em 1959, uma escola resolve enterrar uma "cápsula do tempo" contendo desenhos feitos pelas crianças sobre o futuro. A cápsula seria desenterrada apenas 50 anos depois. Uma das alunas, ao invés de fazer um desenho, escreve uma série de números aparentemente desconexos, para espanto da professora. Cinquenta anos depois, a cápsula é desenterrada e a série de números vai parar nas mãos de um garoto chamado Caleb (Chandler Canterbury). O pai dele é um professor de astrofísica chamado John Koestler (Nicolas Cage) do famoso MIT (Massachussets Institute of Technology) que perdeu a esposa recentemente. Pai e filho vivem sozinhos em uma daquelas casas de cinema afastadas da cidade, isoladas e prontas para serem palco de fatos assustadores. A lista com os números cai nas mãos de John que, em uma noite passada em claro, descobre toda sorte de "coincidências" entre os números da lista e tragédias que ocorreram nos últimos cinquenta anos. Lá estão as datas, as coordenadas e o número de vítimas de fatos como o atentado terrorista ao World Trade Center ou o incêndio que vitimou a esposa de Koestler. Mais assutador ainda, a lista marca três datas que ainda não ocorreram. Será que John pode fazer alguma coisa para evitar as mortes que vão acontecer?

O filme é um apanhado de boas idéias jogadas em um roteiro cada vez mais absurdo. Há uma discussão interessante entre determinismo (que diz que o Universo tem um motivo para existir e que tudo segue leis pré-estabelecidas) versus a idéia de que tudo é uma coincidência, de que o fato de que estamos aqui é resultado aleatório de reações químicas e mutações. Há um eco evidente com o filme "Sinais", de M. Night Shyamalan, em que o personagem de Mel Gibson também havia perdido a fé depois da morte da esposa em um acidente. Nicolas Cage vai atrás da filha da garota que havia escrito os números há cinquenta anos e descobre que ela morreu louca, em uma overdose. O roteiro então começa a atirar para todos os lados. A ficção-científica dá lugar a filme de suspense/terror sobrenatural, com o aparecimento de alguns "seres sussurrantes" que começam a rondar Caleb, o filho de John, com profecias que podem significar o Apocalípse bíblico. Há também momentos de filme catástrofe em que a competência técnica da equipe de efeitos especiais se destaca; "Presságio" pode ser um filme irregular, mas sem dúvida tem duas da melhores cenas de desastre jamais feitas. Na primeira, um único plano-sequência mostra um espetacular desastre aéreo que acontece literalmente na frente do personagem de Nicolas Cage, que corre até os destroços para procurar por sobreviventes. A segunda acontece no metrô de Nova York e também é muito bem feita.

O resto do filme, infelizmente, não se sustenta. O diretor é Alex Proyas, que tem um bom senso estético e fez o interessante "Dark City", filme de ficção científica muito superior a este, mas também cometeu bobagens como "Eu, Robô", com Will Smith. "Presságio" peca pela falta de direção e por citações nada sutis e menos elegantes que os originais que o influenciaram, como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", de Steven Spielberg, um sem número de filmes catástrofe e vários de M. Night Shyamalan.