Moonfall: Ameaça Lunar (Moonfall, 2021). Dir: Roland Emmerich. Amazon Prime Video. O diretor alemão Roland Emmerich adora um "filme catástrofe", e fez alguns dos melhores (e piores) dos últimos 25 anos. Os roteiros são geralmente bem absurdos mas, perto deste "Moonfall", "Independence Day" pode ser considerado um documentário. A boa notícia é que, se você conseguir passar pela primeira hora do filme, bastante ruim, até que ele fica melhor mais para o final.
Imagine que a Lua saia da sua órbita e comece a cair em direção à Terra. Pior, imagine que a Lua, na verdade, não seja um satélite natural, mas uma superestrutura criada por uma civilização avançada. Imagine que Halle Berry e Patrick Wilson interpretem astronautas que vão tentar salvar a Terra. Os dois são ajudados por John Bradley (de "Game of Thrones") que faz aquele personagem que, em outros filmes de Emmerich, já foi interpretado por James Spader (em "Stargate"), Matthew Broderick (em "Godizilla") e Jeff Goldblum (em "Independence Day"): o cientista que descobre que algo terrível vai acontecer, mas ninguém acredita nele.
A trama segue os clichês habituais de filmes catástrofes, como cenas de cidades sendo destruídas por tsunamis e terremotos, pessoas fugindo a pé de grandes ondas e diálogos ridículos como "eu te amo mais do que todas as estrelas do céu". O nível dos atores coadjuvantes é bastante ruim, assim como a maioria das cenas de efeitos especiais. "Moonfall" é ruim? Sim. É divertido? Com certeza. Disponível na Amazon Prime Video.
Os "Razzie Awards" (ou "Framboesa de Ouro", como são chamados aqui) são uma espécie de anti-Oscar, "premiando" os piores do cinema durante o ano. Foram criados pelo publicitário John Wilson em 1980 e se tornaram uma tradição na temporada de premiações.
Adam Sandler e seu "Gente Grande 2" lideram as indicações deste ano, com oito nomeações.
A cerimônia acontece sempre um dia antes da entrega do Oscar e há quem leve o prêmio na esportiva. Sandra Bullock e Halle Berry, por exemplo, já compareceram à cerimônia para receberem seus prêmios.
Confira abaixo a lista dos indicados:
Pior Filme
Depois
da Terra Gente
Grande 2 O
Cavaleiro Solitário A Madea Christmas Para Maiores
Pior Diretor
M. Night Shyamalan - Depois da
Terra Dennis
Dugan - Gente Grande 2 Os 13
diretores de Para Maiores Tyler
Perry - Relação de Risco e A Madea Christmas Gore
Verbinski - O Cavaleiro Solitário
Pior Ator
Johnny Depp - O Cavaleiro Solitário
Ashton Kutcher - Jobs
Adam Sandler - Gente Grande 2
Jaden Smith - Depois da Terra Sylvester Stallone - Alvo Duplo, Rota de Fuga e Ajuste de Contas
Pior Atriz
Halle Berry - Chamada de Emergência e Para Maiores Selena Gomez - Resgate em Alta Velocidade Lindsay Lohan - The Canyons Tyler Perry - A Madea Christmas Naomi Watts - Diana e Para Maiores
Pior Atriz Coadjuvante
Lady
Gaga - Machete Kills Salma
Hayek - Gente Grande 2 Katherine
Heigl - O Casamento do Ano Kim
Kardashian - Relação de Risco Lindsay
Lohan - Comédia InAPPropriada e Todo Mundo em Pânico 5
Pior Ator Coadjuvante
Chris
Brown - A Batalha do Ano Larry the Cable Guy - A Madea Christmas Taylor
Lautner - Gente Grande 2 Nick
Swardson - Inatividade Paranormal e Gente Grande 2
Pior Roteiro
A Madea Christmas Depois da Terra Gente Grande 2
Para Maiores
O Cavaleiro Solitário
Pior Remake, Cópia ou Sequência
Gente
Grande 2 Se
Beber, Não Case - Parte 3 Todo Mundo
em Pânico 5 O
Cavaleiro Solitário Os
Smurfs 2
Pior Combinação em Tela
O elenco de Gente Grande 2 O elenco de Para Maiores Lindsay
Lohan e Charlie Sheen em Todo Mundo em Pânico 5 Tyler
Perry e Larry the Cable Guy ou Tyler Perry, sua peruca e vestido em A Madea
Christmas Jaden
Smith e Will Smith em Depois da Terra
O título brasileiro para "Cloud Atlas" não poderia ser mais apropriado (ou irônico). Feito a seis mãos, "A Viagem" é um épico que mistura gêneros, épocas e até mesmo raças para contar uma história geral a partir de seis tramas individuais. A direção, produção e roteiro é dos irmãos Andy e Lana Wachowski, criadores da série "Matrix", e do alemão Tom Tykwer, baseados em um livro escrito por David Mitchell. O filme é quase impossível de resumir. São várias histórias e diversos personagens interpretados por um mesmo grupo de atores, Tom Hanks (Tão Forte e Tão Perto), Halle Berry, Jim Sturgess, Jim Broadbent, Hugo Weaving (O Hobbit), Ben Whishaw (Skyfall), Doona Bae, Keith David e James Darcy, entre outros.
Em uma época em que os cinemas estão cheios de remakes, continuações e/ou adaptações de quadrinhos, é louvável que um filme original como este tenha sido feito. O problema com "A Viagem" é que ele promete muito mais do que efetivamente cumpre. A campanha publicitária para a produção, que foi um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, foi enorme e um trailer de aproximadamente seis minutos foi exibido por vários meses no Brasil, enaltecendo o lado "inspirador" e de "autoajuda" do filme, com direito a um narrador tentando explicar a história ao dizer que "tudo está conectado".
As tramas lidam, basicamente, com situações que mostram uma classe superior explorando uma classe inferior. No século 19, Jim Sturgess é um advogado que faz amizade com um escravo fugitivo que entrou como clandestino em um navio. Nos anos 1930, Ben Whishaw é um músico homossexual que começa a trabalhar para um grande (mas decadente) compositor interpretado por Jim Broadbent. Nos anos 1970, Halle Berry é uma jornalista que está investigando uma empresa corrupta que explora a energia nuclear. Em 2012, Jim Broadbent é um editor de livros que é enviado contra própria vontade a uma casa de repouso e tenta escapar. Em um futuro distante, na "Nova Seoul", Coréia, uma garçonete-clone chamada Sonmi-451 é recrutada pela rebelião para ser a líder da resistência contra a "Unanimidade". Um século depois, Tom Hanks vive em um mundo pós-apocalíptico em que sua tribo (que vive em um estado quase pré-histórico) convive com uma raça superior representada por Halle Berry, que quer enviar um sinal para colônias espaciais. Em todas estas histórias há uma relação entre uma casta superior e outra inferior, praticamente escrava, que quer se rebelar. Algumas tramas são muito mais interessantes que outras, em particular as que envolvem Ben Whishaw como músico, a Coréia futurista e principalmente a sociedade pós-apocalíptica vivida por Tom Hanks. Outras tramas são indiferentes ou mesmo desnecessárias; a que se passa na casa de repouso pode ter algumas das poucas cenas engraçadas do filme (que no geral é bastante sério), e Jim Broadbent é sempre um ótimo ator, mas poderia ser facilmente descartada.
O problema com as tramas principais é que todas, apesar de uma edição bem feita que as conecta, criam um suspense e uma expectativa de que "algo" muito relevante vai acontecer no final, prometendo uma "revelação" que não chega. Por mais interessante que seja a história da clone coreana vivida por Doona Bae, fica difícil entender porque a resistência precisa dela; o que é que ela tem a oferecer? Esta trama, aliás, lembra muito o próprio "Matrix" dos irmãos Wachowski e é fácil entender o que os atraiu para este roteiro. Na trama protagonizada por Tom Hanks e Halle Berry, eles sobem uma montanha e o espectador fica esperando que algo espetacular seja encontrado lá em cima, mas não. E quem é aquela figura sombria, vestindo uma cartola e totalmente fora de lugar, que fica assombrando o personagem de Hanks? E para um filme que supostamente quer celebrar a "vida", "A Viagem" apresenta algumas saídas discutíveis para alguns personagens, particularmente um que escolhe o suicídio. Tecnicamente impecável, "A Viagem" tem boa fotografia, edição, efeitos especiais e, claro, maquiagem. Nos créditos, aliás, é possível ver os personagens que cada ator interpretou. "A Viagem" é ambicioso e original mas, com quase três horas de duração, é um espetáculo interessante enquanto está sendo visto, mas que não deixa sua marca ao final.