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segunda-feira, 1 de abril de 2024

Matador de Aluguel (Road House, 2024)

Matador de Aluguel (Road House, 2024). Dir: Doug Liman. Amazon Prime Video. Em sua crítica ao original "Matador de Aluguel", de 1989, Roger Ebert disse que o filme estava no limite entre o "filme ruim" e o "filme tão ruim que era bom". O mesmo pode ser aplicado aqui, embora este tenda mais a ser só ruim mesmo. Difícil competir com o "charme" anos 80 do original, interpretado por Patrick Swayze, Sam Elliott e Ben Gazzara. Gosto de Jake Gyllenhaal, mas ultimamente ele tem feito alguns filmes bem inferiores ao seu talento (como "Ambulância", por exemplo).

Gyllenhaal é Dalton, um ex-lutador de UFC que é famoso e carrega um trauma do passado. Ele é contratado por uma mulher da Flórida para ser o segurança de um bar que tem música ao vivo e brigas constantes. Para complicar, um chefão criminoso local quer fechar o lugar para instalar um hotel de luxo. Jake Gyllenhaal está todo "sarado", cheio de músculos definidos e um sorriso sádico no rosto. Quando uns capangas aparecem para aterrorizar o bar, ele não só quebra os ossos de cada um como se oferece para levá-los ao hospital. Lá ele conhece uma médica bonita, Ellie (a portuguesa Daniela Melchior), por quem se interessa.

O resto do filme é feito por cenas que intercalam a calma dos dias com as porradas das brigas noturnas. O filme se torna cada vez mais parecido com um desenho animado, principalmente com a chegada de um brutamontes chamado Knox (Conor McGregor), que geme e urra como um cachorro em Tom & Jerry. "Matador de Aluguel" tenta humanizar a trama com a amizade entre Dalton e uma garota que trabalha em uma livraria local, que até parece parte de outro filme. Há diversas referências óbvias (até ditas pelos personagens) a Westerns e o mito do herói solitário que aparece em uma cidade, se livra dos capangas e desaparece no pôr-do-sol. É ruim, mas se for encarado como passatempo, pode ser divertido. Disponível na Amazon Prime Video. 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

American Fiction (2023)

American Fiction (2023). Dir: Cord Jefferson. Ótima sátira, com doses de drama, a respeito de um escritor negro de Los Angeles chamado Monk (Jeffrey Wright). Monk é um escritor que não vende muito. "Seus livros não são 'negros' o suficiente", diz seu editor. "Eu sou negro, então meu livro é um 'livro negro'", ele retruca. Aparentemente, não é assim que o mercado vê. Uma escritora jovem, Sintara (Issa Rae), está fazendo sucesso com um livro, que, na opinião de Monk, está cheio de estereótipos do que os brancos imaginam ser a "luta negra". Em uma brincadeira, ele resolve então escrever um "livro negro" para satisfazer o mercado, cheio de clichês e gramática errada. Para sua surpresa, o livro se torna um sucesso.
Há um lado dramático que mostra a família de Monk, composta por uma irmã médica (Tracee Ellis Ross) e um irmão cirurgião plástico (Sterling K. Brown). Eles têm recursos, moram em Boston e têm uma casa na praia. Monk se vê cuidando da mãe com Alzheimer e tendo que lidar com a família, da qual se distanciou. Há também espaço para um romance com Coraline (Erika Alexander), uma vizinha. O filme mostra o contraste entre essa família negra de classe média alta, lidando com seus problemas, e os negros retratados pela mídia, geralmente como criminosos ou vítimas a serem salvas pelos brancos.
A mistura entre drama e sátira nem sempre funciona. Há algumas questões levantadas pelo roteiro que poderiam ser melhor trabalhadas (a escritora negra jovem, por exemplo, porque ela escreveu aquele livro? Foi só pelo dinheiro?), e o final, bastante satírico, deixa algumas pontas soltas. "American Fiction" está indicado a vários Oscars importantes, como melhor filme, ator (Jeffrey Wright), ator coadjuvante (Sterling K. Brown), trilha sonora (Laura Karpman) e roteiro adaptado (Cord Jefferson). A produção é da Amazon, mas ele ainda não está disponível no streaming.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Intruso (Foe, 2023)

Intruso (Foe, 2023). Dir: Garth Davis. Amazon Prime Video. Filme que decepciona porque tinha várias coisas a favor; o elenco é composto por Saoirse Ronan e Paul Mescal, que são muito bons e se entregam por inteiro. A premissa de ficção-científica é interessante. Em 2065, o mundo está passando por secas terríveis e parte da população é convocada a trabalhar em estações espaciais. Hen e Junior (Ronan e Mescal) são donos de uma fazenda no meio oeste americano. Um dia chega um representante da empresa OuterMore, Terrance (Aaron Pierre) e informa o casal que Junior foi convocado a trabalhar no Espaço. Hen, a esposa, não foi chamada e deve aguardar o retorno do marido. Terrance avisa que um substituto vivo, um clone controlado por AI, iria ficar no lugar de Junior enquanto ele estivesse no espaço. O representante da empresa também diz que tem tem que observar o casal, então ele se muda para a casa deles e se torna uma presença complicadora.

A ideia é interessante (e muito parecida com um episódio recente de Black Mirror). O problema é que o filme investe pesado no melodrama e há cenas intermináveis em que Ronan e Mescal discutem, brigam, depois retomam em cenas quentes de sexo. Há cenas visualmente belas em que o casal, pequenas figuras em meio a uma vastidão vazia, percorrem as paisagens em volta da fazenda. Há discussões sobre a vida e a morte, sobre o passado, sobre o futuro, tudo regado por uma trilha instrumental melancólica.

Tudo muito bem se o filme se assumisse "cerebral" e misterioso, mas há uma cena desastrosa em que tudo é explicado nos mínimos detalhes, quebrando o mistério com uma "revelação" que não era tão difícil de imaginar. Fica difícil também entender a lógica por trás da empresa. Por que eles se dariam a todo este trabalho e custos apenas para recrutar um simples operário espacial? Por que enviar pessoas comuns ao espaço se, em seu lugar, poderiam ir clones perfeitos? Enfim, um filme difícil de terminar. Há várias boas ideias e as interpretações são ótimas, mas mal aproveitadas. Disponível na Amazon Prime Video.

 

sábado, 24 de junho de 2023

Era uma vez um gênio (3000 years of longing, 2022)

Era uma vez um gênio (3000 years of longing, 2022). Dir: George Miller. Amazon Prime Video. A classificação para este filme na Amazon está como "Infantil - Romance - Excitante - Estranho". Bom, a censura é 16 anos e, definitivamente, este não é um filme infantil. Estranho, sem dúvida. "Era uma vez um gênio" pode ser chamado de um conto de fadas adulto, feito por um dos diretores mais ecléticos de todos os tempos (George Miller dirigiu filmes tão diferentes quanto "Mad Max: Estrada da Fúria" e "Happy Feet").

Tilda Swinton é Alithea, uma acadêmica especializada em narrativas que vai participar de uma conferência em Istambul. Em um lojinha local ela encontra uma garrafa de vidro distorcida, que ela leva ao hotel. Ao limpar a garrafa na pia do banheiro, a tampa se solta e sai um gênio gigante interpretado por Idris Elba (com orelhas pontudas). Sim, pode até parecer o começo de uma história infantil, mas está longe disso.

O gênio, com de costume, oferece satisfazer três desejos da personagem de Swinton, mas a experiência dela diz que, geralmente, essas histórias não acabam bem. Ao invés de fazer os desejos, Alithea passa então a escutar a história de vida do gênio, que começa literalmente com a Rainha de Sabá. George Miller recria as histórias de Elba com atores e muitos efeitos especiais, que nem sempre funcionam direito. Grande parte do filme é passada dentro deste quarto de hotel, enquanto Alithea tenta decidir seus desejos e o gênio vai contando suas histórias. É bastante estranho, a bem da verdade.

Há muito simbolismo e mais de um toque de que a intelectual vivida por Swinton talvez não esteja bem da cabeça. Há ecos de uma tragédia no passado, envolvendo uma criança chamada Enzo. Na terceira parte, em Londres, quadros na parece e caixas no porão dão mais dicas sobre a vida de Alithea, mas nada fica muito claro. Se você embarcar no romance "infantil, excitante e estranho" da descrição, é um filme interessante, mas difícil, de encarar até o final. A direção de fotografia é do grande John Seale ("Estrada da Fúria", "O Paciente Inglês", "O ano em que vivemos em perigo") e a trilha sonora de Tom Holkenborg é bonita. Disponível na Amazon Prime. 

domingo, 28 de maio de 2023

Vidas sem Rumo (The Outsiders, 1983)

Vidas sem Rumo (The Outsiders, 1983). Dir: Francis Ford Coppola. Amazon Prime Video. O filme é de 1983, mas parece algum bom melodrama dos anos 1950. O filme de Coppola, visto hoje, parece meio teatral e até piegas, mas o que mais chama a atenção é o elenco: Patrick Swayze, Matt Dillon, C. Thomas Howell, Ralph Machio, Rob Lowe, Diane Lane, Emilio Estevez, Tom Cruise... todos muito novos, vários estreando nas telas.

O filme se passa nos anos 1960 e tem ecos de "Juventude Transviada" (Rebel without a Cause, 1955) e "West Side Story" (1961); jovens de diferentes classes sociais lutam por espaço e relevância em Tulsa, Oklahoma. Os jovens pobres Ponyboy (C. Thomas Howell) e Johnny (Ralph Macchio) são atacados por um grupo de jovens de classe alta; Johnny acaba puxando um canivete e matando um dos jovens ricos. Dallas (Matt Dillon) ajuda os rapazes e os esconde no interior, em uma igreja abandonada.

O filme foi restaurado em 2021 e a imagem da cópia da Amazon está linda. Há uma bela cena em que Howell e Macchio assistem a um nascer do Sol que é muito poética. Como disse, o roteiro às vezes é um tanto piegas e teatral, com personagens citando poesia e a câmera de Coppola exagerando nos closes e nas fusões de imagens. Mas é um filme bonito, que lançou muitos jovens atores e marcou época. Coppola lançaria outro filme em 1983 com Dillon, Diane Lane e Mickeu Rourke, o estilizado "O Selvagem da Motocicleta" (Rumble Fish), feito com praticamente a mesma equipe. Disponível na Amazon Prime Video.

domingo, 21 de maio de 2023

Quedida Alice (Alice, darling. 2022)

Quedida Alice (Alice, darling. 2022). Dir: Mary Nighy. Amazon Prime Video. Anna Kendrick construiu a carreira em filmes de comédia ou musicais; ela sempre esteve bem neles, mas nunca a havia visto em algo que exigisse algo a mais dela. Até este filme.

Kendrick interpreta Alice, uma mulher de uns 30 anos que está em um relacionamento sério com um artista chamado Simon (Charlie Carrick). Ela também tem duas melhores amigas, Sophie (Wunmi Mosaku) e Tess (Kaniehtiio Horn) que querem que ela vá passar uns dias com elas em uma cabana no campo. Alice aceita o convite e vai com as amigas, mas claramente há alguma coisa errada. Ela está sempre nervosa e, de vez em quando, arranca tufos do cabelo com as mãos. A edição insere pequenos trechos em que vemos o rosto de Simon, o namorado dela, a criticando de alguma forma ou ameaçando sutilmente. As amigas também percebem que algo está errado, mas não sabem como intervir.

É um filme bastante sutil e feminino. A presença de Anna Kendrick e a história de três amigas indo passear até passam a ideia de que estamos vendo alguma comédia bobinha, mas este é um drama e tanto. Kendrick está muito bem como uma mulher tão fragilizada que parece que vai quebrar a qualquer momento. Os sinais do relacionamento tóxico em que ela se encontra se revelam sutilmente, no modo como ela está sempre se arrumando ou fica assustada com qualquer vibração do celular. Há uma subtrama que trata de uma moça desaparecida que, de certo modo, espelha a situação de Alice. O filme vai aquecendo a trama em "banho maria", elevando a tensão até ficar bastante desconfortável. Anna Kendrick revela que pode fazer mais do que comédias românticas. Disponível na Amazon Prime Video. 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Air, A História por Trás do Logo (Air, 2023)

Air, A História por Trás do Logo (Air, 2023). Dir: Ben Affleck. Amazon Prime Video. Pouco mais de um mês depois de estrear nos cinemas, o filme de Ben Affleck sobre um tênis chega à Amazon Prime Video. É leve, interpretado por um bom elenco encabeçado por Matt Damon (com participação especial de Viola Davis), mas que não é muito mais do que um comercial de longa metragem.
A tal "história por trás do logo", no subtítulo ridículo brasileiro, é na verdade a história por trás de uma campanha de marketing que transformou um tênis em um dos produtos mais lucrativos da história. Estamos claramente nos anos 80 (como nos mostram um monte de referências a "Um Tira da Pesada", "Ghostbusters", Cindy Lauper e videogames) e a Nike é a empresa "patinho feio" do mundo dos tênis. A alemã Adidas reina suprema e a Converse patrocina as maiores estrelas da NBA. Mas um diretor da divisão de basquete da Nike, Sonny Vaccaro (Matt Damon), resolve investir todas as fichas da empresa em um astro novato, Michael Jordan. O modo como Jordan é tratado pelo filme é quase religioso, como comentou o crítico inglês Mark Kermode. Tanto que Jordan nunca é mostrado de frente (assim como Jesus em Ben-Hur). Ao invés disso, um dublê o interpreta entrando e saindo de reuniões sem mostrar o rosto ou dizer uma palavra, enquanto que a mãe (a grande Viola Davis) e o pai (Julius Tennon) negociam seu contrato com as grandes empresas.
O filme deve ser mais interessante para grandes fãs de Jordan ou, talvez, para estudantes de publicidade. Com o perdão do trocadilho, "Air" é leve como o ar, inofensivo como uma brisa. Mas é tranquilo de se assistir em casa, do sofá. Disponível na Amazon Prime Video.

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Irmãos de Honra (Devotion, 2022)

 Irmãos de Honra (Devotion, 2022). Dir: J.D. Dillard. Amazon Prime Video. Filme super comportado que nem dá para ser chamado de "filme de guerra". É passado um pouco antes da Guerra da Coréia, chamada de "a guerra esquecida", nos anos 1950. Em um ano em que foi lançado "Top Gun: Maverick", "Irmãos de Honra" parece um filme da Sessão da Tarde.

O que não significa que seja ruim. As poucas cenas de batalhas aéreas (e terrestres) são bastante bem feitas. O ritmo lento parece vir de um cinema à moda antiga; é longo, duas horas e vinte minutos, para contar uma história de camaradagem entre aviadores que, de novo, parece velha em ano de reprise de Top Gun. Um dos atores, inclusive, está nos dois filmes, Glen Powell, que interpreta o tenente Tom Hudner. O parceiro é vivido por Jonathan Majors, que interpreta o primeiro aviador negro da Marinha americana, Jesse Brown.

Acompanhamos um grupo de aviadores enquanto eles treinam com um caça novo (o Corsair), aprendem a pousar em um porta-aviões, são enviados à Europa, passeiam por Cannes (em uma sequência de meia hora que, sinceramente, poderia ter sido cortada, mesmo eles tendo encontrado Elizabeth Taylor), e finalmente chegando à fronteira entre a Coréia e a China. Há momentos de camaradagem, há cenas de racismo enfrentado pelo aviador negro, há boas sequências aéreas. Nada de memorável. Disponível na Amazon Prime Video. 

sábado, 17 de dezembro de 2022

Undone (2019)

 
Undone (2019). Dir: Hisko Hulsing. Amazon Prime Video. Alma (Rosa Salazar) é uma mulher de 28 anos que sofre um acidente de carro. No hospital, ela começa a ter visões do pai, Jacob (Bob Odenkirk), que morreu quando ela era criança. Jacob a leva a uma série de "viagens" entre o passado e o presente, na tentativa de descobrir como ele morreu, e porquê. Ou... talvez tudo esteja acontecendo apenas na cabeça de Alma.

"Undone" é uma série incrível. Confesso que não a conhecia e assisti aos oito episódios da primeira temporada quase que de uma vez só. São episódios curtos (por volta de 25 minutos), muito bem escritos e feitos com várias técnicas de animação. A trama é tão "maluca", com viagens no tempo, alucinações, transformações, etc, que a animação funciona melhor do que se a série tivesse sido feita de forma "realista". A técnica mais usada é a da rotoscopia, que consiste em gravar atores "de verdade" interpretando seus papéis e, depois, os animadores desenham "por cima" das imagens. A técnica é antiga e já foi usada desde animações tradicionais da Disney a filmes mais experimentais como "Waking Life" (2001) e "O Homem Duplo" (2006), de Richard Linklater. Em "Undone" a técnica é tão detalhada que podemos claramente ver as expressões dos atores e, depois de um tempo, você esquece que está vendo uma "animação".

Criada por Kate Purdy e Raphael Bob-Waksberg, a trama de "Undone" levanta ideias metafísicas que são, o tempo todo, questionadas e comparadas com questões de saúde mental. A avó de Alma foi considerada "louca" e internada, mas quem sabe ela simplesmente via as coisas de outra forma? Os roteiros também misturam elementos dos povos antigos da América; a família de Alma é descendente de mexicanos e há um forte senso religioso tanto no catolicismo da mãe quanto nos aparentes "poderes" de Alma (que estariam ligados a seus ancestrais).

Ou, talvez, tudo não passe de uma "loucura" na cabeça de Alma. É uma viagem. Disponível na Amazon Prime Video (inclusive a segunda temporada, que vou ver em seguida).

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

The Looming Tower (2018)

 
The Looming Tower (2018). Criada por Dan Futterman, Alex Gibney e Lawrence Wright. Amazon Prime Video. Minissérie muito boa em dez capítulos que mostra os eventos que levaram aos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Há um bocado de informação nos episódios, mas a conclusão a que se chega é que milhares de pessoas morreram nos atentados mais pela incompetência americana do que pela organização da al-Qaeda, grupo terrorista liderado por Osama Bin-Laden.

Jeff Daniels interpreta um agente do FBI chamado John O´Neill; a história dele é tão bizarra que achei que ele tivesse sido inventado, mas ele realmente existiu. O´Neill tinha bom faro para descobrir terroristas mas não era muito com com a política interna americana. Arrogante e bonachão, ele tinha brigas constantes com um diretor da CIA responsável por uma unidade chamada "Alec Station", que investigava Osama Bin-Laden. Interpretado por Peter Sarsgaard, este diretor da CIA acreditava que o FBI não tinha direito às informações obtidas pela agência, que ele guardada a sete chaves. A minissérie mostra como a inteligência americana tinha conhecimento dos terroristas responsáveis pelo 11 de setembro meses ou mesmo anos antes dos atentados, mas escolheu não divulgar suas descobertas.

Outro personagem importante é o agente Ali Soufan (Tahar Rahim), uma americano-libanês que era dos poucos agentes do FBI que, na época, sabiam falar árabe. A série trata das ações da al-Qaeda que levaram a atentados no Quênia (a explosão da embaixada americana) e no Iêmen (quando explodiram um navio de guerra americano). Todos estes eventos, aparentemente isolados, eram peças de um quebra cabeças desconhecido pelos americanos, acostumados a guerrear com nações, e não com grupos independentes. A série mostra também como os americanos perdiam tempo e espaço da mídia se preocupando com histórias "escandalosas" como o o caso do Presidente Clinton com Monica Lewinsky enquanto que FBI e CIA tentavam descobrir ameaças ao país.

A chegada do Presidente Bush só complicou as coisas. A administração não dava importância aos avisos das agências e, pós 11 de setembro, estava mais interessada em culpar o Iraque de Saddan Hussein. É uma super produção filmada em vários países. Por vezes, as birras entre FBI e a CIA parecem exageradas, mas o capítulo 9 mostra um trecho real da investigação feita depois do atentado e vemos como a série reproduziu fielmente o depoimento absurdo de um diretor da CIA. A série é baseada em um livro de Lawrence Wright. Disponível na Amazon Prime Video.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (The Lord of the Rings: The Rings of Power, 2022)

 
O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (The Lord of the Rings: The Rings of Power, 2022). Amazon Prime Video. Já havia comentado sobre esta série no Facebook, elogiando o belo visual e a escala gigante do projeto. Isso ainda é verdade mas, confesso, não foi fácil chegar ao final dos longos oito episódios desta primeira temporada. "Os Anéis do Poder" é supostamente a série de TV mais cara de todos os tempos, com um orçamento próximo de 1 bilhão de dólares. Ela foi claramente pensada para ser o "novo Game of Thrones", série da HBO que foi um sucesso gigantesco até um final atrapalhado que deixou os fãs chateados. Curioso que a mesma HBO tenha lançado, praticamente ao mesmo tempo, uma série derivada de "Game of Thrones", "A Casa do Dragão", que é mais popular que a série dos "Anéis" da Amazon.


Afinal, "Os Anéis do Poder" é boa ou ruim? Diria que não é nem uma coisa nem outra; o que é uma pena. Minha experiência, ao ver a série, foi um misto de admiração pela bela direção de arte, os figurinos, a fotografia cinematográfica e o "jeitão" de cinema. Por outro lado, confesso que nunca consegui chegar ao final de um episódio começado tarde da noite... eu dormia mesmo, rs. Terminados os 8 episódios, não consigo me lembrar de nada que tenha realmente me marcado, ou de algum personagem que me despertou muita curiosidade. Os vários "núcleos" de personagens não são muito bem amarrados. Meu favorito, talvez, seja o "núcleo" dos anões em Khazad-dûm, e a relação entre Durin (Owain Arthur) e Elrond (Robert Aramayo).

Já a Galadriel interpretada por Morfydd Clark está longe da nobreza de Cate Blanchett, que interpretou a mesma personagem nos filmes de Peter Jackson. Clark é bonita, mas a personagem é muito mal escrita; para uma elfa com séculos de vida, Galadriel se comporta como uma criança sem paciência em diversos momentos da trama. Ela está em pé de guerra com todos à sua volta, o tempo todo, e o roteiro frequentemente derrapa (ou enrola) quando tem que lidar com ela. Há um núcleo "Hobbit" (sim, sei que não são hobbits) que é mais interessante. Gostei da personagem de Nori (Markella Kavenagh), uma "pé-peludo" que encontra um personagem misterioso na forma de um gigante que (literalmente) caiu dos céus (interpretado por Daniel Weyman).

Talvez a série fosse melhor se não se levasse tão a sério; tudo é muito lento e "pomposo". Diversos episódios têm mais de uma hora de duração. Os personagens não têm diálogos uns com os outros, mas sim longos discursos acompanhados por uma música melosa. Cansa. A Amazon já está produzindo a segunda temporada e li que os criadores planejam fazer cinco temporadas no total. Vamos ver se eles (e o público) têm fôlego para isso. Disponível na Amazon Prime Video.

sábado, 8 de outubro de 2022

Bosch: Legacy (2022)

Bosch: Legacy (2022). Amazon Prime Video. "Bosch" é uma boa (e pouco falada) série policial da Amazon. Teve sete temporadas entre 2014 e 2021. Estava ficando "órfão" da série quando vi que lançaram "Bosch: Legacy", que é basicamente uma oitava temporada de "Bosch", com elenco reduzido e várias mudanças.


SPOILERS DE BOSCH SPOILERS DE BOSCH SPOILERS DE BOSCH

A nova série foca na carreira de Harry Bosch pós polícia de Los Angeles. Trabalhando agora como detetive particular, Bosch é basicamente o mesmo cara; a nova posição, porém, traz vantagens e desvantagens. Como detetive, ele não tem mais o respaldo e auxílio da Polícia de Los Angeles, então está mais limitado; por outro lado, o fato de não ser mais policial o deixa mais livre para atitudes "questionáveis".

São dez episódios com praticamente a mesma equipe de criação/produção. O autor Michael Connelly, a produção de Eric Overmeyer e vários nomes conhecidos aparecem nos créditos da nova abertura da série (saudade da trilha da antiga, rs). Além de Bosch, voltam ao elenco os personagens da filha dele, Maddie (Madison Lintz), que agora também é policial, e da advogada Honey Chandler (Mimi Rogers). Aqui e ali aparecem algumas figuras conhecidas (não vou estragar as surpresas). Os roteiros são bons, mas confesso que sinto falta dos outros personagens e cenários. Tudo é "menor" nesta continuação/spin-off. Até a icônica casa em que Bosch morava (usada em "Fogo contra Fogo", de Michael Mann) acabou saindo de cena. As várias tramas lidam com um milionário que deseja encontrar um herdeiro, um tiroteio da polícia que termina mal, o desejo de justiça/vingança de Chandler contra o homem que tentou matá-la na outra temporada e a história de um estuprador que está atacando uma vizinhança.

A temporada termina com várias pontas abertas, o que significa que vem uma segunda por aí. "Legacy" não tem a mesma qualidade do velho "Bosch", mas serve para matar a saudade. Disponível na Amazon Prime Video.

sábado, 17 de setembro de 2022

Boa noite, mamãe! (Goodnight Mommy, 2022)

Boa noite, mamãe! (Goodnight Mommy, 2022). Dir: Matt Sobel. Amazon Prime Video. Filme de suspense que é a versão americana de uma produção austríaca de 2014 (que eu não vi). Não posso comparar esta versão com a original, mas este filme estrelado por Naomi Watts é apenas razoável.

Dois garotos gêmeos, Elias e Lukas (Cameron Crovetti e Nicholas Crovetti) são levados pelo pai até uma casa de campo isolada (daquele tipo que só existe em filmes de terror). Lá eles se encontram com a mãe (Naomi Watss), que não viam há algum tempo. A mãe está com a cabeça coberta por bandagens; só os olhos, nariz e a boca podem ser vistos. Há um clima tenso entre a mãe e os garotos; ela estabelece regras (não brincar em um celeiro próximo, manter as janelas fechadas) e é fria com Elias quando este lhe dá um desenho que fez. Os garotos, por sua vez, começam a achar que aquela mulher, com o rosto coberto, talvez não seja realmente a mãe deles.

Como disse, não vi o filme original, mas algo me diz que a versão europeia é mais interessante. O clima inicial de suspense acaba substituído por uma série de situações bizarras em que não sabemos o que é real ou imaginação das crianças. A trama esconde um segredo que, sinceramente, não é muito difícil de descobrir. Naomi Watss, que andava meio subida das telas, passa grande parte do filme com o rosto coberto. Não é um filme ruim, mas também não é grande coisa (fiquei com vontade de ver o original). Disponível na Amazon Prime Video.

domingo, 14 de agosto de 2022

Treze Vidas: O Resgate (Thirteen Lives, 2022)

Treze Vidas: O Resgate (Thirteen Lives, 2022). Dir: Ron Howard. Amazon Prime Video. Eu me lembrava, de modo geral, desta história real ocorrida na Tailândia uns anos atrás. Um grupo de 12 crianças e seu treinador de futebol foram explorar um caverna profunda e acabaram presos quando ela foi alagada por fortes chuvas. O resgate destas treze pessoas mobilizou gente do mundo todo e o louvável nesta versão de Ron Howard é que ficamos interessados na trama mesmo sabendo (até certo ponto) como foi que tudo terminou. Howard já havia conseguido algo parecido quando filmou o acidente da Apollo 13 (a coincidência do número).


No caso de "Treze Vidas", havia a grande chance de que ele acabasse se tornando um daqueles filmes feitos para a TV (que eu chamo de "filmes de Supercine"). Howard conseguiu se safar disso ao juntar um bom elenco internacional e em trazer realismo na reconstrução do acidente e dos cenários. O filme foi feito na Tailândia (cenas externas) e na Austrália (para o trabalho de estúdio). Colin Farrell e Viggo Mortensen interpretam dois mergulhadores voluntários ingleses que vão até a Tailândia tentar ajudar no resgate dos meninos. Mortensen está muito bem, como sempre, interpretando um sujeito de poucas (e amargas) palavras. Quando ele e Farrell encontram os meninos em uma bolha de ar a 2,5 km de distância da entrada da caverna, todos comemoram, mas Mortensen diz: "Nós encontramos os garotos vivos, agora vamos vê-los morrer".

Joel Edgerton é trazido para a equipe de mergulho por causa de uma especialidade que poderia ajudar no resgate das crianças; confesso que não me lembrava como é que eles haviam conseguido transportar 13 pessoas por 2,5 km de túneis submarinos, mas a solução foi engenhosa. O filme talvez seja um pouco longo (duas horas e meia de duração), mas o roteiro usa bem o tempo para explicar detalhadamente as condições da caverna e as dificuldades que todos tiveram que enfrentar para efetuar o resgate. As cenas submarinas, em túneis apertados e cobertos por águas lamacentas, são um desafio para os claustrofóbicos. Disponível na Amazon Prime Video. 

sábado, 30 de julho de 2022

Sem Limites (Sin Limites, 2022)

Sem Limites (Sin Limites, 2022). Dir: Simon West. Amazon Prime Video. Minissérie histórica de seis capítulos que fala sobre a expedição de Fernão de Magalhães em busca de um novo caminho para as "Índias Ocidentais". Magalhães é interpretado por Rodrigo Santoro, que tem feito boa carreira internacional. A produção é espanhola e britânica e dirigida pelo inglês Simon West (que tem no currículo vários filmes de ação como "Con Air" e "Tomb Raider", que não são grande coisa). Santoro interpreta em espanhol e em português (de Portugal) e está bem no papel. Ele é acompanhado pelo espanhol Álvaro Morte (de Casa de Papel), que interpreta o piloto Juan Sebastian Elcano.

O roteiro toma algumas liberdades com a História, mas a série vale a pena pelo ar de aventura de quando o mundo ainda era inexplorado (pelos Europeus, pelo menos). Magalhães é visto, no início, sendo desprezado pela corte portuguesa, o que o força a procurar patrocínio na vizinha Espanha. Seu plano é encontrar uma ligação entre o Oceano Atlântico e o "grande mar" que havia do outro lado das Américas (que ele viria a batizar de Oceano Pacífico). Ele parte com cinco naus e quase 250 pessoas para encontrar o tal "estreito" que, hoje, leva seu nome.

Há cenas de batalhas navais com os Portugueses, problemas com a tripulação, calmarias e lutas com os "selvagens" que eles encontram pelo caminho. A produção é bastante boa, dá para ver que gastaram bastante dinheiro aqui com cenários, navios, figurino e locações (apesar de algumas cenas com fundo verde). Magalhães pode não ser tão "famoso" quanto Cristóvão Colombo, mas seu nome se tornou sinônimo de explorações, sendo usado pela NASA e comunidade científica para nomear espaçonaves e crateras na Lua e em Marte. Claro que, homem da sua época, ele ajudou na difusão do colonialismo e submissão de povos indígenas, o que é mostrado pela trama, o que não desmerece suas descobertas. Disponível na Amazon Prime Video.

domingo, 17 de julho de 2022

Casa Gucci (House of Gucci, 2021)

 
Casa Gucci (House of Gucci, 2021). Dir: Ridley Scott. Amazon Prime Video. Tragicomédia de Ridley Scott baseada em uma história real, este filme foi bastante criticado pelo exagero nas interpretações, pelos sotaques italianos em atores americanos e ingleses e pela ridícula interpretação de Jared Leto. Tudo isso, de fato, existe em "Casa Gucci", mas o filme está longe de ser ruim. Pelo contrário, diria que são essas coisas que fazem o filme mais interessante.

Ridley Scott é um mestre visual. Ao adaptar a história real de uma empresa ícone da moda, envolvendo intrigas familiares, personagens histéricos, traições e crimes, Scott resolveu apresentá-la como uma ópera cômica, uma farsa. Veja como Lady Gaga está ótima como Patrizia Reggiani, a filha do dono de uma empresa de caminhões, que se apaixona pelo refinado Maurizio Gucci (Adam Driver, ótimo). Patrizia é um furacão, sempre vestida com roupas provocantes e a certeza de que veio ao mundo para vencer. Scott recria o final dos anos 70 em Milão, Itália, com belíssima fotografia, direção de arte e sucessos da época na trilha sonora. O elenco é uma surpresa atrás da outra, Jeremy Irons como o pai de Maurizio, Al Pacino como um tio. Salma Hayek é uma trambiqueira que "vê o futuro" de Patrizia e alimenta seus sonhos. Jared Leto está irreconhecível como Paolo, um designer de moda incompetente que sonha em criar uma linha de roupas para a Gucci. Leto está tão exagerado e ridículo que, estranhamente, até funciona para seu personagem.

O maior problema com "Casa Gucci" é a duração, longa demais. Não há razão para esta estranha comédia de erros ter duas horas e trinta e oito minutos de duração. Os exageros, que no começo são divertidos e bem vindos, com o (longo) tempo se tornam irritantes e fora de lugar. A paródia acaba se tornando uma tragédia e a graça termina. O filme, porém, nunca perde a beleza visual e o apuro técnico. Teria sido muito melhor com quarenta minutos a menos. Disponível na Amazon Prime Video.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Louca Obsessão (Misery, 1990)

 
Louca Obsessão (Misery, 1990). Dir: Rob Reiner. Amazon Prime Video. A notícia da morte de James Caan me fez procurar este filme, que achei na Prime Video. É um bom suspense de Rob Reiner baseado em um livro de Stephen King (os dois já haviam colaborado no ótimo "Conta Comigo", de 1986). James Caan é Paul Sheldon, um escritor que ficou famoso por uma série de livros sobre uma personagem chamada Misery; só que ele estava cansado da personagem e resolveu "matá-la" em seu livro mais recente. Dirigindo durante uma nevasca, Sheldon sofre um acidente e é resgatado, vejam só, por sua "fã número um", Annie, interpretada por Katy Bates.

A não ser por pequenos papéis secundários, o filme é quase todo dos dois atores. A mulher leva o escritor para a casa dela e o mantém em cárcere privado. Ela quer que ele escreva outro livro ressuscitando a personagem de Misery. Katy Bates ganhou um Oscar pelo papel de Annie, o tipo de fã que é o pesadelo de todo escritor. O filme é de 1990 mas é curioso como ela se parece com a maioria dos fãs "tóxicos" que existem hoje na internet, falando mal de seus ídolos e ficando bravos quando suas franquias favoritas não seguem seus desejos.

James Caan, que morreu hoje, está muito bem como Paul Sheldon, que provavelmente é baseado em alguma história pessoal de Stephen King (ele deve ter alguns fãs bem estranhos). Assim como James Stewart em "Janela Indiscreta", de Hitchcock, Caan passa grande parte do filme preso a uma cadeira de rodas ou deitado em uma cama. O final é bastante violento. O roteiro é do veterano William Goldman, de clássicos como "Butch Cassidy" e "Todos os Homens do Presidente". Disponível na Amazon Prime Video.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Contrato Perigoso (The Contractor, 2022)

 
Contrato Perigoso (The Contractor, 2022). Dir: Tarik Saleh. Amazon Prime Video. Filme que está longe de ser ruim, mas... também não é bom. Vale pela terceira parceria entre Chris Pine e Ben Foster (que já estiveram juntos em "Horas Decisivas" e "A Qualquer Custo", ambos de 2016). Aqui eles são ex soldados de operações especiais dos EUA, super treinados, patriotas até o último fio de cabelo e, no caso de Pine, desempregado; ele foi dispensado do serviço por causa de um joelho ruim. Para sustentar a família ele se junta a uma "empresa de segurança" particular (liderada por Kiefer Sutherland) e é enviado à Alemanha.

A grana é boa mas o serviço é, no mínimo, moralmente suspeito. Pine e equipe vigiam um cientista que estaria trabalhando com armas biológicas, uma "ameaça à segurança nacional" (mas talvez não seja bem isso). Claro que o cocô é jogado no ventilador e o filme se transforma em uma série de cenas de ação e tiroteio bem competentes, estilo Jason Bourne. O problema do filme está em querer ser mais do que um filme de ação. A questão ética e moral levantada pelo roteiro é interessante, mas o filme não sabe direito o que fazer com isso. Chris Pine é bom ator (Ben Foster melhor ainda) e há boas cenas de ação, mas o final parece ter sido escolhido no cara ou coroa. Disponível na Amazon Prime Video.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Moonfall: Ameaça Lunar (Moonfall, 2021)

Moonfall: Ameaça Lunar (Moonfall, 2021). Dir: Roland Emmerich. Amazon Prime Video. O diretor alemão Roland Emmerich adora um "filme catástrofe", e fez alguns dos melhores (e piores) dos últimos 25 anos. Os roteiros são geralmente bem absurdos mas, perto deste "Moonfall", "Independence Day" pode ser considerado um documentário. A boa notícia é que, se você conseguir passar pela primeira hora do filme, bastante ruim, até que ele fica melhor mais para o final.

Imagine que a Lua saia da sua órbita e comece a cair em direção à Terra. Pior, imagine que a Lua, na verdade, não seja um satélite natural, mas uma superestrutura criada por uma civilização avançada. Imagine que Halle Berry e Patrick Wilson interpretem astronautas que vão tentar salvar a Terra. Os dois são ajudados por John Bradley (de "Game of Thrones") que faz aquele personagem que, em outros filmes de Emmerich, já foi interpretado por James Spader (em "Stargate"), Matthew Broderick (em "Godizilla") e Jeff Goldblum (em "Independence Day"): o cientista que descobre que algo terrível vai acontecer, mas ninguém acredita nele.

A trama segue os clichês habituais de filmes catástrofes, como cenas de cidades sendo destruídas por tsunamis e terremotos, pessoas fugindo a pé de grandes ondas e diálogos ridículos como "eu te amo mais do que todas as estrelas do céu". O nível dos atores coadjuvantes é bastante ruim, assim como a maioria das cenas de efeitos especiais. "Moonfall" é ruim? Sim. É divertido? Com certeza. Disponível na Amazon Prime Video.

domingo, 10 de abril de 2022

All the Old Knives (2022)

All the Old Knives (2022). Dir: Janus Metz. Amazon Prime Video. Filme de espionagem romântico (ou vice versa), estrelado por Chris Pine e Thandiwe Newton (e bom elenco, como Laurence Fishburne e Jonathan Price). A trama tem umas reviravoltas questionáveis mas, no geral, é um bom filme. Pine e Newton são dois agentes da CIA em Viena. Um avião é sequestrado por terroristas e todos a bordo são mortos. Oito anos depois, a CIA recebe a informação de que haveria um informante na equipe, e Chris Pine é enviado aos EUA para questionar a ex-amante (Thandiwe Newton). Os dois se encontram para um "jantar romântico" em um restaurante afastado e o filme se desenrola a partir da conversa entre os dois e muitos flashbacks.

O ritmo é bem lento e há várias idas e vindas no tempo. Os atores são vistos com cortes de cabelo diferentes, dependendo da época, mas nem sempre é fácil saber em que ano estamos. Há um bom nível de tensão gerado pelo encontro, uma mistura de saudade e desconfiança. Quem teria traído quem, e por quê? Ou eles são parte de um jogo maior? Como disse, há umas reviravoltas e revelações nos minutos finais que são questionáveis (há uma cena que depende de grandes coincidências para funcionar). Há uma boa "química" entre Pine e Newton e algumas cenas "quentes" entre os dois. Uma linha tênue, porém, separa o filme de espionagem do novelão. Disponível na Amazon Prime Video.