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sábado, 23 de março de 2024

O Problema dos 3 Corpos (Three Body Problem, 2024)

 
O Problema dos 3 Corpos (Three Body Problem, 2024). Netflix. Série em 8 capítulos dos criadores de "Game of Thrones", D. B. Weiss e David Benioff, que tentam provar seu valor depois do final desastroso daquela série. "Três corpos" ainda precisa satisfazer os fãs dos livros originais do chinês Cixin Liu, que ganhou vários prêmios e foi comparado a mestres da ficção-científica como Arthur C. Clarke. Exagero. Eu li o primeiro livro da trilogia e, a bem da verdade, não gostei. Longo, frio e confuso, "O Problema dos Três Corpos" tem personagens desinteressantes e uma trama sem pé nem cabeça.

A adaptação de Benioff e Weiss (auxiliados por Alexander Woo) é bem mais palatável. Os absurdos científicos e a confusão da trama ainda estão ali, mas tudo acontece bem mais rápido e de forma mais interessante. Um único personagem do livro é transformado em cinco estudantes de Oxford, na série. Eles têm uma relação estreita que fica ainda mais próxima quando uma professora deles comete suicídio. Por todo o mundo, aceleradores de partícula têm apresentado resultados "impossíveis" e vários cientistas estão se matando. Vários deles relatam que viam estranhos números "flutuando" em frente a seus olhos, em uma contagem regressiva. Um detetive dedicado chamado Da Shi (Benedict Wong) está investigando as mortes.

Assim como no livro, há várias outras tramas. Nos anos 1960, uma jovem chinesa é enviada pelos revolucionários comunistas para um laboratório misterioso, com uma antena gigante em cima. Eles estão tentando entrar em contato com alguma civilização distante. No presente, fanáticos liderados por um bilionário inglês (Jonathan Pryce) aguardam a chegada de seus "senhores", seres que viriam salvar o planeta. Será? Outro grupo, liderado por Liam Cunningham, acha que os alienígenas não têm boas intenções e planejam defender a Humanidade.

É um bocado de tramas para seguir. Os roteiros, porém, conseguiram enxugar partes enormes do livro e, lá pelo capítulo cinco (de oito), eles chegam ao final do primeiro livro. Não sei quantas temporadas estão planejadas mas, nesse ritmo, talvez acabem a trilogia na segunda temporada.

O elenco é bom e tem alguns ex-membros de "Game of Thrones" como Jonathan Pryce, Liam Cunningham e John Bradley. Apesar de muito papo (pseudo) científico, a série é bem violenta quando necessário (há um capítulo bastante sangrento, digno de "Game of Thrones"). Há alguns relacionamentos e dramas um pouco "novelescos" entre os personagens principais, contrastando bastante com a frieza do livro. Se eu gostei? Gostei, talvez pelo fato de não ter gostado do livro. Fico curioso sobre os que não leram. Tá na Netflix. 

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Duna: Parte 2 (Dune: Part 2, 2024)

 
Duna: Parte 2 (Dune: Part 2, 2024). Dir: Denis Villeneuve. Três anos depois da primeira parte, chega aos cinemas a continuação do épico de Denis Villeneuve, Duna. O primeiro filme, apesar de muito bom, tinha o problema de parar no meio da trama. Este começa praticamente na cena seguinte do filme anterior e imagino o dia em que vai ser possível assistir tudo, de uma vez, em um filmão de mais de quatro horas.

O roteiro traz algumas adaptações e mudanças na trama do livro que são interessantes. Stilgar (Javier Bardem), é mostrado como um fanático religioso, diferentemente do livro. Chani (Zendaya), ao contrário, é vista como uma pessoa cética que acha que profecias servem apenas para prender seu povo. Esses temas, presentes nos livros de Frank Herbert, são colocados mais em evidência no roteiro de Villeneuve e Jon Spaihts. Paul Atreides (Timothée Chalamet) não acredita que ele seja o "Lisan al Gaib", o profeta que o povo Fremen acredita que veio para salvá-los. Já Lady Jessica (Rebeca Ferguson), sua mãe, acha que ele deve abraçar as profecias para ganhar mais poder.

Todos estes temas, fanatismo, misticismo, dependência química e expansão da mente convivem em um cenário de ficção-científica, com suas naves espaciais, lasers, explosões e batalhas épicas entre casas rivais do Império. O estilo grandioso de Villeneuve, acompanhado pela música de Hans Zimmer e incríveis efeitos especiais, por vezes, beiram o exagero. Uma vez que se "abrace" o estilo, no entanto, o resultado é impressionante. Eu, que já li o livro original várias vezes, fico impressionado como a visão de Villeneuve é parecida com o que eu havia imaginado. Já foi anunciado que um terceiro filme, baseado em "O Messias de Duna" (o segundo livro), será feito por Villeneuve e equipe (o que explica porque Anya Taylor-Joy aparece só por alguns segundos neste filme... sua personagem será explorado no próximo capítulo).

O resto do elenco conta com Josh Brolin, Austin Butler, Léa Seydoux, Charlote Rampling, Florence Pugh, entre outros. O grande Christopher Walken, que eu adoro, infelizmente foi uma escolha errada para encarnar o Imperador. Walken é ótimo, mas está fora de lugar aqui. Não sei como estes filmes são encarados por quem não leu os livros (estou curioso), mas achei um épico grandioso. Nos cinemas.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Intruso (Foe, 2023)

Intruso (Foe, 2023). Dir: Garth Davis. Amazon Prime Video. Filme que decepciona porque tinha várias coisas a favor; o elenco é composto por Saoirse Ronan e Paul Mescal, que são muito bons e se entregam por inteiro. A premissa de ficção-científica é interessante. Em 2065, o mundo está passando por secas terríveis e parte da população é convocada a trabalhar em estações espaciais. Hen e Junior (Ronan e Mescal) são donos de uma fazenda no meio oeste americano. Um dia chega um representante da empresa OuterMore, Terrance (Aaron Pierre) e informa o casal que Junior foi convocado a trabalhar no Espaço. Hen, a esposa, não foi chamada e deve aguardar o retorno do marido. Terrance avisa que um substituto vivo, um clone controlado por AI, iria ficar no lugar de Junior enquanto ele estivesse no espaço. O representante da empresa também diz que tem tem que observar o casal, então ele se muda para a casa deles e se torna uma presença complicadora.

A ideia é interessante (e muito parecida com um episódio recente de Black Mirror). O problema é que o filme investe pesado no melodrama e há cenas intermináveis em que Ronan e Mescal discutem, brigam, depois retomam em cenas quentes de sexo. Há cenas visualmente belas em que o casal, pequenas figuras em meio a uma vastidão vazia, percorrem as paisagens em volta da fazenda. Há discussões sobre a vida e a morte, sobre o passado, sobre o futuro, tudo regado por uma trilha instrumental melancólica.

Tudo muito bem se o filme se assumisse "cerebral" e misterioso, mas há uma cena desastrosa em que tudo é explicado nos mínimos detalhes, quebrando o mistério com uma "revelação" que não era tão difícil de imaginar. Fica difícil também entender a lógica por trás da empresa. Por que eles se dariam a todo este trabalho e custos apenas para recrutar um simples operário espacial? Por que enviar pessoas comuns ao espaço se, em seu lugar, poderiam ir clones perfeitos? Enfim, um filme difícil de terminar. Há várias boas ideias e as interpretações são ótimas, mas mal aproveitadas. Disponível na Amazon Prime Video.

 

Poder sem limites (Chronicle, 2012)

Poder sem limites (Chronicle, 2012). Dir: Josh Trank. Netflix. Já havia ouvido falar nesta ficção-científica mas nunca havia tido a oportunidade de vê-la, até agora. "Chronicle" foi o filme de estreia de Josh Trank, na época com 26 anos. Um tempo depois ele teria a reputação destruída por sua direção de "Quarteto Fantástico" (2015), mas essa é outra história.

"Poder sem limites" foi feito com um orçamento bem inferior ao que se gasta em um filme da Marvel (uns 200 milhões de dólares), por "apenas" 15 milhões. É daqueles filmes feitos com "found footage" (imagens encontradas), ou seja, o que você vê na tela é porque algum personagem está filmando. Andrew (Dane DeHaan, de "O Espetacular Homem-Aranha 2") é um jovem tímido que sofre bullying na escola. Um dia ele resolve que vai carregar uma câmera por aí para registrar tudo, o que nem sempre faz sentido mas, assim, o filme é sobre o ponto de vista da câmera dele. Ao ir a uma festa da escola, Andrew, o primo Matt (Alex Russell) e um amigo, Steve (um jovem Michael B. Jordan), encontram um buraco estranho no meio da floresta. Eles descem no buraco e encontram "alguma coisa" lá.

Acontece que, dali para frente, eles descobrem que têm "poderes". A princípio, conseguem mover pequenas coisas com a mente. Conforme vão treinando os poderes, eles ficam mais fortes e, claro, mais perigosos. No começo, no entanto, é tudo diversão; eles usam os poderes para levantar as saias das garotas, fazer shows de mágica e, mais para frente, descobrem que podem até voar. Os efeitos especiais são razoáveis, mas passam o recado. O filme fica mais sério e dramático mais para o final. O grande Michael Kelly (Doug Stamper em "House of Cards") interpreta o pai alcoólatra de Andrew, que resolve usar seus poderes para o "mal". É um filme interessante, embora por vezes pareça meio amador. Lembra um pouco aquela série "Heroes", em que adolescentes descobriam superpoderes. Tá na Netflix.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Resistência (The Creator, 2023)

Resistência (The Creator, 2023). Dir: Garreth Edwards. Belíssimo filme de ficção científica que é um sopro de ar fresco em meio a tantas versões de Star Wars ou filmes da Marvel dominando as telas. "Resistência" usa de muitas referências, claro, "Blade Runner", "Akira", "A.I" do Spielberg até mesmo "E.T.", mas é uma história totalmente original.
No futuro, a Terra está em guerra com as IA (Inteligência Artificial). Ou melhor, os Estados Unidos estão em guerra com a IA porque, supostamente, uma explodiu uma bomba atômica em Los Angeles, pulverizando milhões de pessoas em segundos. Os Estados Unidos constroem uma fortaleza voadora chamada NOMAD, que vigia todo o planeta e dispara mísseis sobre os inimigos.
John David Washington é um soldado das forças especiais que é recrutado para encontrar uma arma construída pelas IA na Ásia. Ao mesmo tempo, ele espera poder reencontrar sua esposa, que teria sido morta no começo do filme mas que ele acredita que ainda esteja viva. A tal "arma" que ele encontra tem o formato de uma criança pequena de uns seis anos (Madeleine Yuna Voyles), que ele passa a chamar de "Alphie". A criança, aos poucos, começa a se aproximar dele e a agir como uma criança comum, não como uma arma que poderia destruir os americanos. Fica a dúvida no ar... a criança realmente tem sentimentos ou é só programada para fingir? Como espectador, você fica o tempo todo "mudando de lado", ora torcendo para os americanos, ora torcendo pela Resistência.
O que realmente impressiona é a construção de mundo. Há centenas de efeitos visuais o tempo todo, misturados às paisagens filmadas na Tailândia e países vizinhos. Tudo é tão integrado que você se esquece que está vendo efeitos especiais. Há até monges budistas que são robôs, tudo integrado à narrativa. O roteiro tem algumas parte difíceis de engolir e todo o terceiro ato depende de uma série de conveniências para dar certo, mas não importa. É bastante emocionante.

O filme foi feito com um orçamento baixo, 80 milhões de dólares (contra uns 300 milhões do último Indiana Jones e 200 milhões de Aquaman 2). A recepção foi mista, muita gente esperava mais; para mim, é um filmão a ser visto e revisto. Disponível na Star+. 

domingo, 22 de outubro de 2023

Ninguém vai te salvar (No one will save you, 2023)

Ninguém vai te salvar (No one will save you, 2023). Dir: Brian Duffield. Star+. Bom filme de suspense/terror envolvendo alguns invasores bem familiares. Acho que não é spoiler, mas, AVISO DE SPOILERS. Kaitlyn Dever, sempre excelente, é Brynn. Ela é uma garota que vive sozinha em um casarão enorme, afastado da cidade. Brynn é bem analógica; ela costura roupas, dança ao som de discos de vinil e tem um telefone fixo pendurado na parede. Ela passa o dia arrumando uma cidade em miniatura que mantém sobre uma mesa, e escreve longas cartas, à mão, para a melhor amiga. Quando vai à cidade postar algumas encomendas, porém, ninguém retorna seus acenos ou sorrisos. Há algo errado aqui, mas não sabemos o quê. Chega a noite e, surpresa, um alien invade a casa dela.

Há várias cenas com bons sustos mostrando Brynn tentando sobreviver ao bicho. O visual do ET é aquele tradicional, cabeça e olhos grandes, corpo esquelético, mas este faz uns sons bem assustadores também. Por um momento achei que o filme fosse se passar só durante esta noite, mas ele vai além, com boas surpresas.

Estou tentando me lembrar se há uma troca sequer de diálogos entre dois personagens, mas creio que não (ou, ao menos, não entre dois seres humanos). Kaitlyn Dever passa tudo com olhares e linguagem corporal. Algumas informações sobre o passado dela são comunicadas através de trechos das cartas, fotos e olhares dos personagens.

Há alguns pontos negativos, como o fato de que a garota, sozinha e de aparência frágil, consegue enfrentar os ETs por diversas vezes. O terceiro ato vai te deixar um pouco perdido e o significado do final é aberto a interpretações; mas é um filme eficiente e bem feito, com um estilo "retrô" que lembra filmes de invasões extraterrestres dos anos 1950 ou episódios de "Além da Imaginação". Disponível na Star+

Coerência (Coherence, 2013)

Coerência (Coherence, 2013). Dir: James Ward Byrkit. Apple+. Ficção-científica bastante intrigante que foi feita quase sem orçamento e filmado em cinco dias. Quatro casais se encontram para jantar na noite em que um cometa está passando pelos céus da Terra. Conforme a noite passa, coisas estranhas começam a acontecer; a tela do celular de alguns quebra, internet e telefone não têm sinal e, finalmente, até as luzes se apagam. Intrigados, alguns exploram a vizinhança e resolvem ir até uma outra casa, no final da rua, que está com as luzes acesas. Ao voltarem, eles relatam algo impossível... e não falo mais nada sobre a trama.

O elenco é formado por atores desconhecidos, mas muito bons. A produção foi rápida e grande parte dos diálogos foram improvisados. Fica a sensação de que você é um dos personagens, vendo tudo acontecer em tempo real. Quem são as pessoas na outra casa? São discutidas questões como realidade, identidade e auto preservação. Nem tudo funciona (o final poderia ter sido melhor), mas "Coerência" é um dos melhores filmes de ficção-científica dos últimos anos. Disponível na Apple+ (eu baixei, procurem por aí).

domingo, 13 de agosto de 2023

Paraíso (Paradise, 2023)

Paraíso (Paradise, 2023). Dir: Boris Kunz. Netflix. Ficção-científica alemã que lembra bastante a premissa de "O Preço do Amanhã" (2011, Andrew Niccol). Em um futuro próximo, um procedimento médico permite que as pessoas vendam anos da vida delas para os super ricos que, assim, permanecem sempre jovens. A estrela da empresa é Max (Kostja Ullmann), que tem a vida perfeita com a esposa, Elena (Marlene Tanczik). Só que um incêndio destrói o apartamento deles e a companhia de seguros se recusa a pagar. A única saída é Elena vender 40 anos da vida dela para pagar a dívida, o que destrói o casal.

Há várias boas ideias aqui e a produção é bem feita. A criação de mundo é interessante e claro que há uma simbologia no fato dos ricos literalmente sugarem a vida dos pobres em troca da juventude eterna. Há um grupo terrorista chamado "Adão" que promete assassinar todos as pessoas que se beneficiarem do procedimento, que eles consideram blasfemo. Como disse, a ideia já foi explorada por Andrew Niccol (de "Gataca") em "O Preço do Amanhã", em que o Tempo era uma espécie de moeda corrente que era vendida ou trocada entre as pessoas, separadas em castas.

O filme dá uma derrapada no terceiro ato. Há uma cena de tiroteio muito mal filmada entre mercenários da empresa farmacêutica e os "terroristas" do grupo Adão. A motivação dos personagens também muda conforme o vento e o final deixa bastante a desejar. Talvez funcionasse melhor como um episódio de uma hora de "Black Mirror" mas, sendo uma produção da Netflix, até que o resultado é melhor do que o esperado.

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Silo (2023)

Silo (2023). Criada por: Graham Yost. Apple+. Série de ficção-científica distópica em dez capítulos, "Silo" é bem feita e bem interpretada, mas levanta mais questões do que responde. Em um futuro indeterminado, o que restou da Humanidade vive dentro de um silo gigante debaixo da terra. São 144 andares e aproximadamente 10 mil pessoas moram lá dentro, supostamente protegidas do ar venenoso de fora. As regras dizem que qualquer pessoa pode tentar deixar o Silo em um ritual chamado de "Limpeza", testemunhado por todos os moradores através de grandes monitores.

O design e direção de arte são bem feitos; o Silo é um cilindro enorme interligado por uma gigantesca escada em caracol, no centro. Bons atores como Tim Robbins, Rashida Jones, David Oyelowo, Will Patton e Iain Glenn, entre outros, compõem o elenco, mas não se apegue muito, porque a série tem como característica matar rapidamente vários personagens. A atriz sueca Rebecca Ferguson (dos filmes Missão: Impossível e Duna) é a protagonista, mas sua personagem, Juliette Nichols, é uma heroína um tanto relutante. Ela trabalhava originalmente como operadora do gerador do Silo, nos andares inferiores. Circunstâncias fazem com que ela assuma o papel de xerife e comece a investigar uma série de mortes.

O ritmo é lento e, por vezes, frustrante. Há vários mistérios lançados pela trama, mas não espere por muitas explicações. Os mistérios envolvem quem criou o Silo, e porquê, mas principalmente o que existe fora dele. O roteiro é baseado em uma série de livros escritos por Hugh Howey, que provavelmente são melhor explicados. Uma segunda temporada foi aprovada pela Apple e deve ir ao ar em 2024. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

Não! Não Olhe! (Nope, 2022)

Não! Não Olhe! (Nope, 2022). Dir: Jordan Peele. "Nope" é o terceiro (e estranho) filme de Jordan Peele (dos também estranhos e fascinantes "Corra!" e "Nós"). Difícil de classificar, "Nope" é oficialmente ficção-científica com toques de terror; é também uma comédia de humor negro que homenageia/parodia filmes como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" (e "Guerra dos Mundos"), de Steven Spielberg, ou mesmo "Sinais", de Shyamalan.


Peele, desde o começo, brinca com a própria história do cinema, mostrando a famosa sequência de fotos de um cavalo cavalgando feita por Eadweard Muybridge em 1877; pois bem, quase 150 anos depois, "Nope" trata de uma família especializada em treinar cavalos para filmes e séries de TV. Daniel Kaluuya é OJ Haywood, um cara de poucas palavras que, com a irmã (Keke Palmer), tenta manter os cavalos em um rancho na Califórnia. Só que coisas bem estranhas começam a acontecer na região. Objetos começam a cair do céu. Formas estranhas são vistas atrás das nuvens. Cavalos (e pessoas) desaparecem em pleno ar. Auxiliados por um rapaz de uma loja de materiais elétricos (Brandon Perea), eles instalam várias câmeras por todo rancho, tentando gravar a "coisa" que está por trás de tudo isso.

Eu (como sempre) tentei ficar o mais longe possível de trailers e detalhes da produção, embora tivesse uma vaga ideia de se tratar de algo extraterrestre (assisti a um trailer agora, depois do filme, e mostram simplesmente TUDO). Há, como disse, grandes influências de "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", principalmente na deslumbrante direção de fotografia de Hoyte van Hoytema (de vários filmes de Nolan), feita em Kodak 65mm. Há uma bizarra história paralela envolvendo o personagem de Steven Yeun (Minari, The Walking Dead) que, a princípio, pode parecer não ter nada a ver com o tema principal, mas envolve TV, cinema, espetáculo e, sim, um predador.

No fim das contas, "Nope" é muito mais sobre cinema do que sobre supostos extraterrestres. Note como o objetivo dos protagonistas nem é derrotar um inimigo, mas capturar sua imagem. Há até uma auto ironia no fato de que eles chamam um grande diretor de fotografia estrangeiro (Michael Wincott) para tentar filmar (em IMAX), uma cena boa do dito cujo. Fascinante. Nos cinemas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

O Predador: A Caçada (Prey, 2022)

O Predador: A Caçada (Prey, 2022). Dir: Dan Trachtenberg. Star+. Curiosa versão do "Predador" passada no século 18. Ao contrário de Schwarzenegger e seu companheiros musculosos e armados até os dentes, este Predador tem vítimas aparentemente mais fáceis de derrotar (será?). O filme se passa no norte da América no começo dos anos 1700. A nação comanche divide a terra com ursos, grandes felinos, lobos e exploradores franceses. A índia Naru (Amber Midthunder) quer se tornar uma caçadora assim como seu irmão, Taabe (Dakota Beavers) e é ótima com um pequeno machado (que funciona como o martelo do Thor às vezes, rs). Rastros de um grande animal surgem na floresta e Naru quer caçá-lo, mas o bicho, claro, é o tal caçador extraterrestre que já estrelou tantos filmes.


É uma premissa interessante. O Predador já foi visto em vários cenários e épocas (até em bombas como "Predador versus Alien" e suas continuações). Este filme segue a tendência de colocar mulheres em papéis geralmente masculinos, e a personagem Naru é uma boa antagonista pro monstrão. Há boas sequências passadas nas florestas e de luta contra diversos tipos de animais (inclusive humanos), além do Predador. Há bastante violência explícita nos embates entre o bichão e suas presas. Se a moda pegar, qual o próximo passo? O Predador lutando contra samurais no Japão medieval? Cavaleiros na Idade Média? Só o tempo dirá. Disponível no Star+.

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Spiderhead (2022)

Spiderhead (2022). Dir: Joseph Kosinski. Bom elenco e competência técnica desperdiçados em um roteiro preguiçoso típico de "filme da Netflix". Chris Hemsworth é o dono de uma empresa farmacêutica que administra uma espécie de prisão laboratório. Com óculos no rosto (hey, não se engane pelos meus músculos, eu sou um cientista) e um gosto por músicas pop dos anos 1980, Hemsworth usa prisioneiros como cobaias para testar uma droga nova. Miles Teller é um deles. A partir de um app no celular, Hemsworth injeta a quantidade certa de drogas que causam excitação, fobia, pânico e até a habilidade de se expressar melhor. Para quê? Algum objetivo genérico do tipo "vamos salvar muitas vidas", diz ele o tempo todo.


O filme vai bem até a metade. O diretor, Joseph Kosinski, já fez coisas melhores como "Tron: O Legado", "Obliviom" e o mega blockbuster "Top Gun: Maverick". O design de produção e a trilha sonora são bons, assim como o elenco. Logo, porém, fica nítido que a trama não tem para onde ir. O orçamento não deve ser muito alto (quase tudo se passa dentro de um laboratório) e a motivação dos personagens é confusa; se Hemsworth é claramente um vilão, por que exigir que as cobaias deem consentimento antes de cada aplicação da droga? Ao final, fica aquela sensação de ideia (e tempo) desperdiçados. Tá na Netflix.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Moonfall: Ameaça Lunar (Moonfall, 2021)

Moonfall: Ameaça Lunar (Moonfall, 2021). Dir: Roland Emmerich. Amazon Prime Video. O diretor alemão Roland Emmerich adora um "filme catástrofe", e fez alguns dos melhores (e piores) dos últimos 25 anos. Os roteiros são geralmente bem absurdos mas, perto deste "Moonfall", "Independence Day" pode ser considerado um documentário. A boa notícia é que, se você conseguir passar pela primeira hora do filme, bastante ruim, até que ele fica melhor mais para o final.

Imagine que a Lua saia da sua órbita e comece a cair em direção à Terra. Pior, imagine que a Lua, na verdade, não seja um satélite natural, mas uma superestrutura criada por uma civilização avançada. Imagine que Halle Berry e Patrick Wilson interpretem astronautas que vão tentar salvar a Terra. Os dois são ajudados por John Bradley (de "Game of Thrones") que faz aquele personagem que, em outros filmes de Emmerich, já foi interpretado por James Spader (em "Stargate"), Matthew Broderick (em "Godizilla") e Jeff Goldblum (em "Independence Day"): o cientista que descobre que algo terrível vai acontecer, mas ninguém acredita nele.

A trama segue os clichês habituais de filmes catástrofes, como cenas de cidades sendo destruídas por tsunamis e terremotos, pessoas fugindo a pé de grandes ondas e diálogos ridículos como "eu te amo mais do que todas as estrelas do céu". O nível dos atores coadjuvantes é bastante ruim, assim como a maioria das cenas de efeitos especiais. "Moonfall" é ruim? Sim. É divertido? Com certeza. Disponível na Amazon Prime Video.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Pequena Grande Vida (Downsizing, 2017)

Pequena Grande Vida (Downsizing, 2017). Dir: Alexander Payne. Netflix. Filme curioso, bem diferente do que havia imaginado. Soube que foi um desastre de bilheteria no lançamento e a crítica não foi nada favorável. As expectativas eram bem baixas e, visto assim, "Pequena Grande Vida" até que não é ruim.

A premissa é curiosa: cientistas noruegueses criam um procedimento que encolhe as pessoas até que fiquem com dez centímetros de altura. O atrativo para a pessoa comum é que, sendo pequeno, os custos de vida, alimentação, etc também ficariam baixos. Cem mil dólares no "mundo grande" equivaleriam a 12 milhões de dólares no "mundo pequeno". O casal vivido por Matt Damon e Kristen Wiig resolve fazer o procedimento e morar em uma espécie de condomínio em miniatura chamado "Lazerlândia". Lá eles morariam em uma mansão (reativamente) enorme e viveriam como milionários.

O que começa como uma comédia leve, porém, acaba se desenvolvendo em um filme curiosamente filosófico (e estranho). O roteiro (de Alexander Payne e Jim Taylor) levanta questões sociais interessantes; como essas pessoas ricas se manteriam? Quem limparia suas casa, faria sua comida, satisfaria suas necessidades? Não demora muito e Matt Damon descobre que mesmo nessa sociedade "ideal", uma classe social "inferior" é necessária. A atriz Hong Chau interpreta uma vietnamita que entrou ilegalmente nos EUA, miniaturizada, dentro de uma caixa de televisão. O alemão Christoph Waltz é um contrabandista de bebidas, drogas e outras "iguarias". Ou seja, o mundo em miniatura não é tão diferente assim do normal.

Só que o roteiro não para por aí. Há também uma questão ecológica que estica bastante a trama e o filme muda novamente de tom e até de localização. As ideias não são ruins, mas fica a impressão que "Pequena Grande Vida" quer abraçar temas demais. O filme tem duas horas e quinze de duração e fica meio perdido no final. Dá para entender porque o público de cinema não se interessou; na TV, com calma e sem expectativas, é um programa interessante. Tá na Netflix.

domingo, 13 de março de 2022

O Projeto Adam (The Adam Project, 2022)

O Projeto Adam (The Adam Project, 2022). Dir: Shawn Levy. Netflix. Ryan Reynolds deve ganhar por palavra. O problema é que desde que ele fez "Deadpool" ele acha que é um cara engraçadíssimo, que tem que falar constantemente ou, sei lá, seu coração vai parar de bater. Aqui está ele novamente em um "Netflix Movie: The Movie", aquele tipo de filme que o serviço de streaming lança de tantos em tantos meses com um grande elenco (todos felizes em receber seu cheque) sem se preocupar muito com o conteúdo (afinal, o público já pagou a mensalidade, então vai acabar assistindo, certo? Culpado).

Ok, vamos ser justos; "O Projeto Adam" é muito melhor do que coisas como "Alerta Vermelho" (também com Reynolds), o que não quer dizer muita coisa. O roteiro original, segundo o "The Hollywood Reporter", havia sido escrito para Tom Cruise; só que o projeto não vingou, outros roteiristas foram trazidos para mexer na trama (há pelo menos quatro escritores nos créditos) e o resultado é um filme com bons momentos, principalmente nos poucos momentos em que Reynolds toma fôlego e fica em silêncio.

Ryan Reynolds é Adam, um piloto de 2050 que viaja para o ano de 2022. Ele queria ir para 2018, mas cometeu um erro e chegou em 2022; coincidentemente (ou não, o roteiro não deixa isso claro) ele cai praticamente no quintal da sua casa, quando ele tinha 12 anos. Lá vive a versão pré-adolescente de Adam, um garoto que sofre bullying todos os dias na escola porque, assim como Reynolds adulto, o garoto não para de contar piadinhas e ser sarcástico.

O jovem Adam é interpretado por Walter Scobell, que até se parece um pouco com Reynolds. A mãe dele é interpretada por Jennifer Garner, que ainda está de luto pela morte do marido, dois anos antes. Quem era o marido? Ninguém menos que Mark Ruffalo, sim, o par romântico de Garner em "De repente, 30". Assim, de referência pop em referência pop, o filme mistura "O exterminador do futuro" com "De volta para o futuro" e outros filmes relacionados. Mark Ruffalo acaba aparecendo na versão 2018 do filme, o que garante ao menos uma cena dele com Jennifer Garner. Zoe Saldaña interpreta Laura, a esposa por quem Ryan Reynolds viajou no tempo, e os dois têm cenas ainda mais curtas. Catherine Keener, veja você, interpreta a vilã do filme, em duas versões: "velha" em 2050 e digitalmente nova em 2018.

Há algumas boas sequências e o roteiro tem momentos genuinamente comoventes, principalmente quando Mark Ruffalo está envolvido (quem não gosta de Mark Ruffalo?). De resto, há muita correria, mortes inofensivas em computação gráfica e Ryan Reynolds falando, falando, falando... Tá na Netflix.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

Mundo em Caos (Chaos Walking, 2021)

Mundo em Caos (Chaos Walking, 2021). Dir: Doug Liman. Amazon Prime Video. Uma bomba que nem consegue ser aquele tipo de filme que é "tão ruim que é bom". Considerando os nomes envolvidos, é uma pena; Tom Holland, Daisy Ridley, Mads Mikkelsen, David Oyelowo, Cynthia Erivo, Nick Jonas estão perdidos em um filme dirigido por Doug Liman, que já fez filmes muito melhores (como o primeiro Jason Bourne e "No Limite do Amanha", por exemplo). A produção passou por uma série de problemas, tendo sido iniciada em 2017, passado por várias refilmagens, mudanças de roteiro e, dizem, foi terminado pelo diretor Fede Alvarez. Até Charlie Kaufman teria escrito uma versão.

O filme se passa no século 23 em um mundo distante colonizado por humanos. Todos os habitantes são homens, sobreviventes da primeira onda de colonização, e eles são capazes de escutar os pensamentos uns dos outros. A premissa, no papel, até é interessante, mas isso se manifesta em uma espécie de "nuvem" colorida que aparece acima da cabeça dos atores, às vezes acompanhadas por imagens (sim, é meio ridículo). Todas as mulheres teriam sido mortas pelos nativos locais (uma clara referência aos índios americanos). Não fica claro o que é que eles esperam do futuro, já que sem mulheres... não há futuro. O caso é que, do espaço, cai uma nave trazendo Rey Skywalker (risos), ou Daisy Ridley, em pessoa. Tom Holland, que nunca havia visto uma mulher antes, fica olhando para ela, com cara de tonto, enquanto que escutamos seus pensamentos o tempo todo ("ela vai me beijar agora"?).

E é isso. Soube que o roteiro é baseado em uma série de livros escritos por Patrick Ness, que eram considerados "infilmáveis". Deveriam tê-los deixado só no papel. Disponível na Amazon Prime Video.  

domingo, 16 de janeiro de 2022

Mãe X Androides (Mother/Android, 2022)

Mãe X Androides (Mother/Android, 2022). Dir: Mattson Tomlin. Ficção-científica genérica da Netflix, então você já sabe o que vai ver. Em um futuro distópico, a Humanidade é atacada pelos androides que faziam os serviços da casa. Chloë Grace Moretz é uma moça que engravida do namorado (ou ficante), Sam, interpretado por Algee Smith. Eles estão tendo uma DR quando o "apocalipse robô" acontece, e fogem para a floresta.

Você já viu isso tudo antes. O roteiro é bem "arroz com feijão", embora tenha alguns bons momentos. O excelente "Filhos da Esperança" (em que Clive Owen tenta levar uma moça grávida para um barco) é inspiração óbvia. Moretz ainda tem cara de adolescente e, mesmo fugindo pela floresta, tomando chuva e lutando com androides, a maquiagem dela permanece intacta. Há uma "virada" no roteiro, perto do final, que seria interessante em um filme melhor. O final é dramalhão puro. Tá na Netflix. 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Voyagers (2020)

Voyagers (2020). Dir: Neil Burger. Amazon Prime. Ficção-científica adolescente que foi bastante criticada, mas que não achei tão ruim (assisti com zero expectativas). A principal crítica é que o roteiro é basicamente uma versão espacial de "O Senhor das Moscas", livro de William Golding que mostrava o que acontecia a um grupo de crianças que naufragou em uma ilha deserta. Sem orientação de adultos e entregues à "natureza humana", o resultado era bem ruim.

Neste filme, 30 crianças são criadas desde bebês para partir em uma viagem sem volta; eles vão embarcar em uma nave que vai viajar por 86 anos até chegar a um planeta distante, em uma "nave geracional". Se tudo correr bem, só seus netos, nascidos na nave, chegarão ao destino. Richard (um competente Colin Farrell) é o único adulto a bordo. Dez anos depois, a nave é mantida pelos 30 (agora) adolescentes e por Richard. Só que alguns problemas começam a acontecer; os adolescentes descobrem que uma bebida azul, que eles tomavam depois das refeições, era uma droga que inibia o desejo sexual, entre outras coisas (as futuras gerações seriam criadas em laboratório, se dependesse dos cientistas). Eles param de tomar a droga e, aos poucos, começam a agir de forma desinibida, o que gera conflitos, revoltas, ciúmes e atração sexual.

O elenco adolescente é bom (Lily-Rose Depp, filha de Johnny Depp, está no elenco) e o filme tem bom visual e efeitos especiais competentes. O roteiro é um tanto previsível (mesmo para quem não leu "O Senhor das Moscas") mas, como disse, não é um filme ruim. Ele poderia, sim, ser bem mais ousado. A impressão que dá é que o diretor não pode (ou não quis) chocar o público, então o filme fica no meio do caminho quando trata de sexualidade ou violência. Disponível na Amazon Prime. 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Raised by Wolves (2020)

Raised by Wolves (2020). HBO Max. Série de ficção-científica que tem os primeiros dois capítulos dirigidos por ninguém menos que Ridley Scott, "Raised by Wolves" é tão fascinante quanto decepcionante. A criação de mundo é bela; dá para sentir a influência de Scott na direção de arte, nos cenários, na trilha sonora, em tudo. Há também um bocado de referências a outros filmes dele, como Blade Runner, Alien, Prometheus (particularmente este último, mais discussões à frente). As interpretações são, no geral, muito boas. Discutem-se alegorias religiosas, inteligência artificial e reprodução, destino e acaso, ateísmo e fé. Pena que a série tenha longos 10 capítulos, que acabam esticando demais a trama e caindo em repetições e exageros, sem falar na decepção de chegar ao final do décimo episódio e não ter uma conclusão (uma segunda temporada está em produção).

No século 22, uma pequena nave pousa no planeta Kepler 22B. De dentro dela saem duas figuras humanoides, que tratam um ao outro como "Pai" (Abubakar Salim) e "Mãe" (Amanda Collin). São androides. Eles montam acampamento, preparam a terra e se fixam no local. É então que o "Pai" liga a "Mãe" a uma espécie de incubadora e, nove meses depois, ela gera seis bebês, de várias raças. Eles planejam começar uma nova civilização mas, com o passar dos anos, alguns dos filhos morrem por doenças. Para piorar a situação, uma outra nave chega ao planeta, com tripulantes de uma facção religiosa rival, e uma disputa se estabelece. Os dois primeiros episódios são dirigidos por Ridley Scott e o primeiro, particularmente, é sensacional; com algumas modificações, poderia ter sido lançado como um filme independente.

A questão da maternidade é explorada tanto como uma benção quanto como uma maldição; isso já foi visto antes em filmes de Scott como "Prometheus" (lembram da cena de Noomi Rapace na mesa de operação robótica?). Falando em "Prometheus", há várias pistas de que esta série se passe no mesmo "universo compartilhado"... os androides têm o mesmo sangue branco, por exemplo, e (sem entrar em spoilers) há outras dicas espalhadas pela trama. A "Mãe", vivida pela excelente atriz holandesa Amanda Collin, é programada para cuidar de crianças, o que ela faz com uma dedicação praticamente humana (o que remete a "Blade Runner 2049"). O problema, como disse, é que a trama é esticada para dez episódios, e as discussões e temas se tornam repetitivos. Vários mistérios vão surgindo com o decorrer dos episódios e, como espectador, você espera por uma conclusão que não chega. Claro que a HBO tem interesse em séries que possam ser esticadas por várias temporadas, como "Game of Thrones" e "Westworld", mas "Raised by Wolves" chega ao final não com gosto de "quero mais", mas de "faltou alguma coisa". Ela nunca deixa, porém, de ser fascinante de se assistir. Disponível na HBO Max.
 

sábado, 3 de julho de 2021

A Guerra do Amanhã (The Tomorrow War, 2021)

A Guerra do Amanhã (The Tomorrow War, 2021). Dir: Chris McKay. Amazon Prime. É a final da Copa do Mundo do Catar. Um jogador do Brasil chamado Peralta (sim), está partindo para o ataque quando um "portal temporal" se abre na frente dele e soldados aparecem no campo. Eles avisam a Humanidade que, 30 anos no futuro, a Terra será invadida por aliens sanguinários que vão devorar a todos. É assim que começa "A Guerra do Amanhã", produção com Chris Pratt que estreia na Amazon Prime. É uma ficção-científica militarista que usa de todo clichê imaginável, misturando filmes como "Aliens", "No Limite do Amanhã", "Independence Day", etc. Se você quer só "se divertir" com um filme de ação ininterrupta com um roteiro burro, rs, é um prato cheio.

Ao invés de se preparar por 30 anos para enfrentar a ameaça do futuro, milhares de soldados e civis são enviados para morrer na tal "guerra do amanhã". Chris Pratt é um deles, um veterano da guerra do Iraque que deixa esposa e filha para trás e aterrissa no caos futurista. Eles enfrentam uns monstros albinos que destroçam todos que encontram pelo caminho. Yvonne Strahovski (da série "The Handmaid´s Tale) é uma coronel "fodona" que está estudando a fraqueza dos aliens, para destruí-los.

O diretor veio de séries animadas como "Robot Chicken" e fez os filmes de Lego do Batman. Talvez "A Guerra do Amanhã" fosse mais divertido se não tentasse se levar a sério. São 140 minutos de duração (o que aconteceu com os bons filmes de uma hora e meia?). O grande J.K. Simmons faz uma ponta como o pai de Pratt. Para quem gosta de filmes de aliens com porrada e tiroteio. Disponível na Amazon Prime.