terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Vencedor

Filmes de boxe seguem uma fórmula. É a clássica história do derrotado que tem que lugar contra seus problemas pessoais, sua família, seu físico e, no final, contra um oponente de carne e osso. É terreno fértil para o drama e para os clichês. O que, então, faz de "O Vencedor" um filme a ser visto? Em primeiro lugar, o elenco, em especial o britânico Christian Bale, famoso por se entregar de corpo e alma aos pergonagens que interpreta. Bale ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante em Drama neste ano e pode repetir o feito no Oscar, ao qual foi indicado. Ele interpreta Dicky Eklund, um viciado em crack que é uma lenda na pequena cidade em que vive por sua carreira como boxeador. Ele chegou a derrubar o lendário Sugar Ray Leonard, embora alguns digam que Leonard teria tropeçado.

Dicky e sua mãe Alice (Melissa Leo, também premiada com o Globo de Ouro e indicada ao Oscar) vivem agora de agenciar Micky (Mark Wahlberg), o meio irmão mais novo de Dicky, em lutas de boxe. Micky é bom, mas a mãe e o irmão estão mais preocupados com eles mesmos do que com a carreira dele. Após uma luta especialmente violenta, em que Micky é surrado por um oponente dez quilos mais pesado, ele começa a pensar em tomar as rédeas de sua vida. Ele conta com o apoio da namorada Charlene (Amy Adams, indicada ao Oscar), uma garçonete. A direção de "O Vencedor" é de David O. Russell, diretor do bom "Três Reis" (1999) e do esquisito "Huckabees, A Vida é uma Comédia" (2004). Russell estava parado desde esta última produção e volta em grande forma, ganhando inclusive uma indicação ao Oscar. O passo do filme desenvolve bem os personagens, principalmente a complicada família de Micky. A casa está sempre cheia e agitada por suas sete irmãs, todas falando ao mesmo tempo e, aparentemente, vivendo do pouco que Micky ganha para apanhar nos ringues.

Christian Bale, apesar da posição "coadjuvante", carrega o filme nas costas. O ator está mais magro e com os tiques e maneirismos comuns aos viciados em drogas. Seu personagem é sempre o centro das atenções, onde quer que ele vá, mesmo ficando claro que ele não passa de um fracassado. Uma equipe de televisão o segue por toda parte supostamente para gravar sua volta aos ringues quando, na verdade, está fazendo um documentário sobre viciados em crack.

Mark Wahlberg, um dos produtores do filme, é bom ator. Seu personagem cresce gradualmente em importância e, apoiado por Charlene, consegue a inédita chance de disputar o titulo mundial. Todo mundo sabe como o filme vai terminar, mas isso não importa. "O Vencedor" foi um dos dez indicados a Melhor Filme no Oscar é um bom exemplo de como um roteiro pode retrabalhar os clichês de um gênero e fazer um bom espetáculo.


2 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

ola
Solimeo

Vou postar esse teu texto sobre O VENCEDOR em destaque no Kinemail dessa sexta. O filme entra aqui no Recife sem cabine, e eu não vou ver em casa baixado nem a pau! Eh eh Depois eu vejo, no cinema.

Tkabs
Fernando

João Solimeo disse...

Opa, tranquilo. O filme supera os clichês com um elenco muito bom...só o Wahlberg não foi indicado ao Oscar pela interpretação.