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segunda-feira, 21 de março de 2022

No Ritmo do Coração (Coda, 2021)

No Ritmo do Coração (Coda, 2021). Dir: Sian Heder. Amazon Prime Video. Este é o filme "bonitinho" do ano. Em meio a tantos filmes pesados no Oscar, "No Ritmo do Coração" talvez seja o mais "família", mais "normal" de todos (apesar de tratar de uma família longe do considerado "normal"). "No Ritmo do Coração" trata de uma família de pescadores que são surdos; ou melhor, dos quatro membros da família, somente a filha mais nova, Ruby (Emilia Jones) consegue ouvir e falar. O pai (Troy Kotsur), a mãe (Marlee Matlin) e o filho mais velho (Daniel Duran) estão acostumados ao fato de que Ruby é a "tradutora oficial" da família, mesmo que isso possa atrapalhar a vida dela.

O caso é que Ruby gosta muito de cantar e, atraída por um garoto da escola, ela resolve entrar para as aulas de coral; ela acaba chamando a atenção do professor de canto, Bernardo (Eugenio Derbez), que acha que ela tem talento suficiente para tentar uma bolsa de estudos na faculdade de música. Apesar de alguns momentos dramáticos, o filme é bastante bem humorado e otimista. A família de Ruby é batalhadora e, apesar dos problemas, eles estão acostumados a fazer tudo juntos e a apoiar um ao outro. Quando Ruby conta para a mãe que ela entrou para o coral, no entanto, a mãe acha que é apenas rebeldia de adolescência. "Se eu fosse cega você entraria para uma aula de pintura?", provoca a mãe.

"No Ritmo do Coração" pode ser a "zebra" do próximo Oscar, que acontece no dia 27 de março. O filme ganhou prêmios importantes como o do SAG (o sindicato dos atores) e do sindicato dos produtores de Hollywood, o que pode significar uma vitória ao Oscar de Melhor Filme. O favorito, até semanas atrás, era "Ataque dos Cães", de Jane Campion, que também ganhou vários prêmios (como o BAFTA e da associação de críticos), mas as previsões estão divididas. É um filme gostoso de ver, apesar de previsível. Troy Kotsur, que faz o papel do pai, venceu vários prêmios e é aposta certa para o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Quanto ao prêmio de Melhor Filme, acredito que a Academia adoraria terminar a cerimônia com um grupo de atores surdos subindo ao palco. Não acho que seja o melhor filme do ano, mas é bastante bom. Disponível na Amazon Prime Video.  

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Cake: Uma Razão para Viver



Jennifer Aniston, a eterna "Rachel" do seriado Friends, dá uma guinada na carreira e investe em um personagem sofrido, que lida com um trauma do passado. Aniston está bem no papel, pelo qual foi indicado ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática. Confira a crítica completa no vídeo.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O Vencedor

Filmes de boxe seguem uma fórmula. É a clássica história do derrotado que tem que lugar contra seus problemas pessoais, sua família, seu físico e, no final, contra um oponente de carne e osso. É terreno fértil para o drama e para os clichês. O que, então, faz de "O Vencedor" um filme a ser visto? Em primeiro lugar, o elenco, em especial o britânico Christian Bale, famoso por se entregar de corpo e alma aos pergonagens que interpreta. Bale ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante em Drama neste ano e pode repetir o feito no Oscar, ao qual foi indicado. Ele interpreta Dicky Eklund, um viciado em crack que é uma lenda na pequena cidade em que vive por sua carreira como boxeador. Ele chegou a derrubar o lendário Sugar Ray Leonard, embora alguns digam que Leonard teria tropeçado.

Dicky e sua mãe Alice (Melissa Leo, também premiada com o Globo de Ouro e indicada ao Oscar) vivem agora de agenciar Micky (Mark Wahlberg), o meio irmão mais novo de Dicky, em lutas de boxe. Micky é bom, mas a mãe e o irmão estão mais preocupados com eles mesmos do que com a carreira dele. Após uma luta especialmente violenta, em que Micky é surrado por um oponente dez quilos mais pesado, ele começa a pensar em tomar as rédeas de sua vida. Ele conta com o apoio da namorada Charlene (Amy Adams, indicada ao Oscar), uma garçonete. A direção de "O Vencedor" é de David O. Russell, diretor do bom "Três Reis" (1999) e do esquisito "Huckabees, A Vida é uma Comédia" (2004). Russell estava parado desde esta última produção e volta em grande forma, ganhando inclusive uma indicação ao Oscar. O passo do filme desenvolve bem os personagens, principalmente a complicada família de Micky. A casa está sempre cheia e agitada por suas sete irmãs, todas falando ao mesmo tempo e, aparentemente, vivendo do pouco que Micky ganha para apanhar nos ringues.

Christian Bale, apesar da posição "coadjuvante", carrega o filme nas costas. O ator está mais magro e com os tiques e maneirismos comuns aos viciados em drogas. Seu personagem é sempre o centro das atenções, onde quer que ele vá, mesmo ficando claro que ele não passa de um fracassado. Uma equipe de televisão o segue por toda parte supostamente para gravar sua volta aos ringues quando, na verdade, está fazendo um documentário sobre viciados em crack.

Mark Wahlberg, um dos produtores do filme, é bom ator. Seu personagem cresce gradualmente em importância e, apoiado por Charlene, consegue a inédita chance de disputar o titulo mundial. Todo mundo sabe como o filme vai terminar, mas isso não importa. "O Vencedor" foi um dos dez indicados a Melhor Filme no Oscar é um bom exemplo de como um roteiro pode retrabalhar os clichês de um gênero e fazer um bom espetáculo.