quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Idênticos (Netflix)

No dia em que Elvis faria 80 anos, mais uma dica para ver na Netflix.

A premissa de "Idênticos" é, infelizmente, bem melhor do que o produto final. Imagine se Elvis Presley tivesse tido um irmão gêmeo? Imagine que os dois cresceram separados e, enquanto um se tornou o "Rei do Rock" o outro, ironicamente, se tornou seu melhor imitador? A ideia é ótima, mas o filme, dirigido por Dustin Marcellino, não consegue escapar de ser apenas um bom telefilme.

Nos anos 1930 os Estados Unidos viviam a Grande Depressão. A família Hemsley acaba de ter gêmeos, para a alegria da mãe e desespero do pai, que está desempregado. Como ele vai conseguir sustentar a família? Desolado, ele vai assistir ao sermão de um pastor chamado Reece Wade (o grande Ray Liotta). Coincidentemente, o pastor Wade está falando justamente sobre a dor da sua esposa, que acabou de perder um bebê. "Rezem por um milagre", diz o pastor. Suas preces são respondidas, já que ele recebe a oferta de ficar com um dos gêmeos dos Hemsley. "Prometa só dizer a verdade a ele depois que nós morrermos", implora o pai ao pastor Wade.

O filme, então, passa a acompanhar a vida de Ryan Wade, o filho adotado do pastor; o pai quer  que ele também seja um pregador, mas a vocação do menino é claramente a música. Ele começa a frequentar bailes para escutar o que viria a se tornar o rock ´n roll. O pastor não aprova e manda o filho para o exército, tentando impedir seus sonhos de se tornar músico. (leia mais abaixo)


Eis que surge um astro do rock (claramente inspirado em Elvis Presley) chamado Drexel Hemsley, o irmão gêmeo de Ryan. Em uma era sem internet e com a televisão apenas engatinhando, nem mesmo Ryan consegue reconhecer o irmão famoso, apesar de muita gente dizer que os dois se parecem muito.

O filme tem algumas boas cenas e conta com a participação de coadjuvantes como Joey Pantoliano e Seth Green, mas não consegue se desenvolver. Há uma boa cena, que poderia ter sido o final do filme, em que Ryan ganha um concurso de música em que imita Drexel Hemsley com a presença do próprio entre os jurados. Seria uma ótima oportunidade de fechar o filme, mas ele se estica ainda por um longo tempo explorando o fato de que a vida de Ryan Wade é apenas uma pálida semelhança com o irmão famoso. Falta ao filme uma catarse final, mas o roteiro prefere partir para o melodrama e para cenas supostamente edificantes. Vale como curiosidade o fato de que o ator que interpreta Ryan e Drexel, Blake Rayne, também foi descoberto para o filme como um imitador de Elvis Presley. Ele realmente se parece com o "Rei", embora não seja grande ator.

A trilha sonora não utiliza sucessos conhecidos do rock (provavelmente por problemas com direitos autorais), mas sim várias canções compostas pelos produtores Jerry Marcellino e Yochanan Marcellino. "Idênticos" pode ser visto na Netflix.

João Solimeo

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