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sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Eternos (Eternals, 2021)

Eternos (Eternals, 2021). Dir: Chloé Zhao. Disney+. Acho que o título apropriado seria "EternoZZZzzzzz...". Tentativa da Marvel de fazer um filme de heróis mais "artístico", "Eternos" decepciona pelas oportunidades perdidas. É certamente ambicioso... o roteiro tenta abarcar uma história de 5 mil anos em que os tais "eternos" foram enviados à Terra para lutar com os "Deviantes" (
monstros CGI que me lembraram "Depois da Terra"). Há tramas envolvendo seres "celestiais", a influência que "deuses" teriam na evolução do ser humano, etc, tudo embalado em belíssimas paisagens filmadas em IMAX. A câmera de Chloé Zhao emula Terrence Malick e abusa de planos em grande angular, flutuando sobre dunas, florestas, cidades. Lindo.

O problema é que o roteiro tenta abarcar mais do que consegue. O tom varia muito; logo depois que uma personagem importante morre e o filme deveria ficar sério, vemos várias sequências "cômicas" envolvendo um "eterno" que virou um astro do cinema indiano em "Bollywood". Pouco depois estão todos fazendo piadas ao redor de uma mesa, citando "Os Vingadores". Discussões sobre a influência maléfica da tecnologia (e uma cena da destruição atômica em Hiroshima) fazem par com uma cena ridícula em que uma "eterna" mostra a outro um app que deixa o rosto dele mais velho.

E o filme é interminável. Não tenho problema nenhum com filme de super herói (me diverti muito com o último Homem-Aranha) ou com filmes com ambições artísticas ("Duna" é maravilhoso), mas "Eternos" não é direito nem uma coisa, nem outra. "Eternos" levou uma surra de crítica e público e eu achei que o crédito final, que diz que eles vão voltar, foi otimista demais. Disponível na Disney+.

 

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Aqueles que me desejam a morte (Those who wish me dead, 2021)

Aqueles que me desejam a morte (Those who wish me dead, 2021). Dir: Taylor Sheridan. HBO Max. Em breve, na sua "Tela Quente". Nos dias de hoje não faz muito sentido chamar um filme de "telefilme", mas este é claramente um. Daquele tipo de produção competente (para o que se propõe), com meia dúzia de astros recebendo seu cheque tranquilos, tecnicamente ok, tiroteios, perseguições... ei, que tal colocarmos um grande incêndio também?
Angelina Jolie é Hannah, uma bombeira que está traumatizada por não ter conseguido salvar uns garotos em um incêndio florestal. Junta-se à trama um contador que está fugindo de dois assassinos profissionais (Aidan Gillan, de "Game of Thrones", e Nicholas Hoult); ele tem informações sigilosas sobre um desvio de dinheiro feito por pessoas poderosas, que o querem morto. Junto dele está seu filho, um garoto de uns dez anos bem interpretado por Finn Little. Os assassinos conseguem matar o contador mas, incompetentes, deixam o garoto escapar na floresta. E quem ele encontra durante a fuga? Angelina Jolie, claro, que precisa salvar o garoto para ficar em paz com o passado e satisfazer o roteirista.
Os assassinos quase roubam o filme. Gillan (que interpretava "Littlefinger", em "Game of Thrones"), é naturalmente repugnante e um bom vilão; Nicholas Hoult, com seu rosto de "bom moço", surpreende como assassino. O elenco ainda conta com Jon Bernthal como um policial (com a obrigatória esposa grávida). O filme apresenta um grande grupo de bombeiros no início mas, curiosamente, eles praticamente não são mais vistos, nem mesmo quando um grande incêndio acontece na floresta. Não é um filme ruim, embora nunca ouse muito e, como disse, está destinado à uma noite na Globo, depois da novela. Disponível na HBO Max.

 

sábado, 31 de julho de 2010

Salt

É como se Jason Bourne tivesse uma irmã gêmea na figura esguia e sedutora de Angelina Jolie. "Salt" é um daqueles filmes de ação que só Hollywood consegue fazer, absurdo, fisicamente impossível, cientificamente inexplicável e tão verossímil quanto James Bond. Aceitando tudo isso e se deixando levar pela trama de ação e espionagem, "Salt" é diversão garantida, com a vantagem de ter um diretor de talento (Phillip Noyce) técnicos afiados e bom elenco.

Angelina Jolie é Evelyn Salt, uma agente da CIA que, no começo do filme, está prestes a largar a vida de ação pela pacata função de esposa e dona de casa quando, no último minuto, entra em cena Orlov (Daniel Olbrychski), um desertor soviético. Como todos que já viram o trailer sabem, Orlov faz uma revelação bombástica: Evelyn Salt seria uma espiã russa infiltrada nos EUA. Seu superior, Ted Winter (Liev Schreiber), até tenta ajudá-la, mas o agente Peabody (Chiwetel Ejiofor) quer prendê-la. Começa então o que pode ser resumido como uma série quase ininterrupta de cenas de perseguição, em uma mistura de Jason Bourne com "Corra, Lola, Corra".

Angelina Jolie é boa atriz. Seu início de carreira foi no telefilme "Gia", da HBO, em que interpretava uma top model viciada em drogas que foi das primeiras vítimas do vírus HIV. Ela ganhou um prêmio Emmy pelo papel e, em seguida, um Oscar pelo filme "Garota Interrompida". Mas sua beleza e corpo atlético a levaram para filmes de ação como a série "Tomb Raider" ou "Sr. e Sra. Smith", com o atual marido Brad Pitt e, a não ser em "A Troca", de Clint Eastwood, vimos pouco de Jolie como atriz "séria". Em "Salt" há pouco espaço para grandes interpretações, mas Jolie faz um bom trabalho em mostrar as várias facetas da suposta agente dupla soviética. Quem é "Salt", afinal? Seria membro do lendário programa soviético que teria treinado crianças para serem infiltradas nos Estados Unidos como agentes? Ou ela é uma americana leal que está sendo incriminada?

O roteiro, claro, é completamente absurdo. Há várias reviravoltas e surpresas que, apesar de funcionarem no momento do filme, não resistem a uma análise posterior. Apesar disso, o filme é competente o suficiente para prender a atenção e criar situações interessantes. O final deixa aberta a possibilidade de uma sequência. Jason Bourne que se cuide.