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domingo, 1 de janeiro de 2023

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022)

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once, 2022). Dir: Dan Kwan e Daniel Scheinert. Escolha bem maluca para inaugurar o ano, mas vamos lá. Este filme foi um sucesso inesperado em 2022, feito com um orçamento (relativamente) pequeno (25 milhões de dólares), "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" desbancou outro filme sobre "multiversos", "Doutor Estranho no Multiverso da Loucura", que deve ter custado umas dez vezes mais. Não há dúvidas de que ele é bem melhor do que o mastodonte da Marvel (o que não quer dizer muita coisa).


"Tudo em Todo Lugar..." traz a grande Michelle Yeoh como Evelyn, a simples dona de uma lavanderia, nos EUA. Ela tem um marido "fofo", Waymond (Ke Huy Quan, de "Indiana Jones e o Templo da Perdição" e "Os Goonies", lembram dele?), uma filha que ela considera problemática, Joy (Stephanie Hsu), que tem uma namorada, Becky (Tallie Medel). A lavanderia está passando por problemas com o imposto de renda. Para complicar, o pai de Evelyn, interpretado pelo grande James Hong, está na casa de Evelyn e traz a tona vários traumas do passado. Tudo isso é pano de fundo para a maluquice que acontece em seguida: Evelyn é visitada por "outra versão" do marido que diz que é de outro Universo. Ele lhe diz que todos estão em perigo por causa de um grande mal que surgiu no multiverso e que ela, Evelyn, é a única que pode salvar a todos.

Lembra alguma coisa? Pois é, é basicamente "Matrix", mas ao invés de estarem todos vivendo uma simulação de computador, o filme mostra como todos vivem em Universos paralelos. O conceito não é novo (e está na moda ultimamente), mas o roteiro mirabolante (e a brilhante edição) conseguem manter as coisas relativamente fáceis de entender. A personagem de Yeoh é vista como uma simples mãe, ou como uma cantora lírica, ou como uma estrela de cinema, ou como uma mestre de kung-fu, entre várias outras versões diferentes. No centro disso tudo há uma história bem simples que, a propósito, também está na moda ultimamente: o conflito entre uma mãe chinesa e sua filha (isso foi visto nas animações "Red: Crescer é uma Fera" e em "A Caminho da Lua" e no filme "A Despedida", entre outros). Em todos estes multiversos há a preocupação da personagem de Yeoh com a segurança da filha, Joy. O final, a bem da verdade, é até piegas (embora bem intencionado). "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" figurou em várias listas de melhores do ano de 2022 e há até um burburinho sobre sua presença no próximo Oscar. Disponível, para alugar, em vários serviços de streaming. PS: desnecessário dizer que ele tem vinte minutos a mais do ideal, mas isso tem sido regra ultimamente, rs.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Light & Magic (2022)

Light & Magic (2022). Dir: Lawrence Kasdan. Disney+. Maravilhosa minissérie documental sobre a "Industrial Light & Magic", empresa de efeitos especiais criada por George Lucas, nos anos 1970, para fazer Star Wars. Já li livros a respeito e sou muito nerd cinematográfico, então muita coisa não foi novidade pra mim; de qualquer forma, a série trás depoimentos atuais de pessoas lendárias no ramo como Denis Muren, Phil Tippett, Joe Johnston, Richard Edlund, John Dykstra, Lorne Peterson, Ken Ralston, Harrison Ellenshaw e muitos outros contando a história da empresa. George Lucas, claro, também fala bastante sobre a ILM e sobre sua visão do cinema que, para o bem ou para o mal, ele mudou completamente. Pessoalmente não sou muito fã de Lucas como pessoa; ao contrário do colega (que também aparece no documentário) Steven Spielberg, que claramente AMA cinema e está sempre animado e energético nas cenas de bastidores, Lucas é um "mala" que nunca está satisfeito. Ele não gosta de dirigir filmes (nem é muito bom nisso) e sempre achou que a tecnologia do cinema era arcaica e atrasada. Dessa insatisfação, muito dinheiro e a capacidade de escolher as pessoas certas saíram a edição eletrônica, o cinema digital e a computação gráfica (e uma pequena empresa chamada PIXAR).

Dividida em cinco capítulos, a série mostra desde os primórdios, quando um grupo de nerds foi chamada à costa Oeste dos Estados Unidos para trabalhar em Star Wars. John Dykstra desenvolveu uma câmera computadorizada que conseguia trazer realismo às ideias de Lucas para o filme; ao contrário das naves lentas e majestosas de "2001 - Uma Odisseia no Espaço", Lucas imaginou lutas espaciais rápidas e energéticas como as batalhas aéreas da 2ª Guerra Mundial. Ao contrário do que muitos imaginavam, "Star Wars" não só foi um campeão de bilheteria como se tornou um fenômeno cultural, e Lucas tinha ainda mais dinheiro para investir da continuação; O Império Contra Ataca, provavelmente o melhor Star Wars de todos, tinha efeitos ainda mais desafiadores. A ILM começou a se diversificar e fazer filmes "de fora" como "Star Trek II", "Cocoon", "Caçadores da Arca Perdida", "ET" e dezenas de outros.

No final dos anos 1980 e começo dos 1990, outra revolução: a computação gráfica, inicialmente usada em algum planos de "Willow", "O Enigma da Pirâmide" e "O Segredo do Abismo", assombra o mundo com o robô de metal líquido de "O Exterminador do Futuro 2". Então chega "Jurassic Park" e o jogo muda completamente. O veterano Phil Tippett, que havia sido contratado por Spielberg para fazer os dinossauros com bonecos de stop motion, foi colocado para escanteio por dois técnicos da ILM que criaram o primeiro T-Rex completamente feito em computação gráfica. Foi uma revolução (muito embora grande parte dos efeitos eram práticos, criaturas robóticas enormes criadas por Stan Winston). A série mostra como os computadores acabaram tirando o emprego de dezenas de artistas, criadores de maquetes, modelos em escala, diretores de fotografia, etc. O doc termina com a mais nova invenção da empresa, um cenário virtual chamado de "O Volume", criado para a série "The Mandalorian".

O documentário é um pouco "chapa branca" e, sem dúvida, não mostra os problemas e "podres" que devem existir na empresa. Há apenas uma menção ao fato de que John Dykstra, que havia chefiado a equipe em Star Wars, não foi convidado a continuar na empresa depois disso (ele e Lucas se desentenderam feio). Há uma quantidade enorme de imagens de bastidores que nunca havia visto e ótimas entrevistas. É uma homenagem ao passado e uma espiada no futuro. Imperdível. Disponível na Disney+.

domingo, 24 de julho de 2022

Agente Oculto (The Gray Man, 2022)

 
Agente Oculto (The Gray Man, 2022). Dir: Joe e Anthony Russo. Netflix. Este é supostamente o filme mais caro produzido pela Netflix, coisa de 200 milhões de dólares. O elenco é bom, Ryan Gosling, Ana de Armas, Chris Evans, Alfre Woodard, Billy Bob Thornton... até nosso Wagner Moura aparece em uma sequência. Se gastaram 200 milhões de dólares mesmo não sei, só sei que o resultado parece muito mais barato. Este é daqueles filmes em que, de dez em dez minutos, aparece um título na tela dizendo coisas como "Bangkok", "Langley", "Praga", "Croácia", e assim por diante, dando a impressão de ser mais um filme de turismo do que de espionagem. A direção é dos irmãos Russo, responsáveis por vários filmes da Marvel como "Capitão América: Guerra Civil" e os últimos dos "Vingadores". O problema é que, naqueles filmes, eles eram só uma pequena engrenagem em um grande universo da Marvel, controlado a mão de ferro pelo produtor Kevin Feige. Sozinhos, eles não são grande coisa.


Então "Agente Oculto" é ruim? Não exatamente, o elenco é bom e carismático o suficiente para manter a atenção e há algumas boas cenas de ação mas, no geral, é aquela correria de sempre. Há vários daqueles clichês como uma luta no compartimento de carga de um avião militar, em pleno voo, resultando em explosões e queda de pressão da aeronave. Há também a obrigatória sequência em um trem, com direito a ver Ryan Gosling correndo em cima dos vagões e saltando para uma Ferrari em movimento. Ana de Armas, que recentemente esteve em um filme de James Bond, faz o que pode aqui em uma versão B deste tipo de filme. Há diversos planos feitos por um drone que voa a toda velocidade, circulando em volta dos atores ou cenas de explosões. A trama? Bom, não importa muito, é só algo que acontece entre uma cena de ação e outra. A Netflix tem enfrentado perdas constantes no número de assinantes e está apelando para fiscalizar (e cobrar) compartilhamento de senhas e até estuda colocar propagandas na programação. Poderia, talvez, parar de gastar 200 milhões de dólares em filmes clichês como este. Tá na Netflix.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Eternos (Eternals, 2021)

Eternos (Eternals, 2021). Dir: Chloé Zhao. Disney+. Acho que o título apropriado seria "EternoZZZzzzzz...". Tentativa da Marvel de fazer um filme de heróis mais "artístico", "Eternos" decepciona pelas oportunidades perdidas. É certamente ambicioso... o roteiro tenta abarcar uma história de 5 mil anos em que os tais "eternos" foram enviados à Terra para lutar com os "Deviantes" (
monstros CGI que me lembraram "Depois da Terra"). Há tramas envolvendo seres "celestiais", a influência que "deuses" teriam na evolução do ser humano, etc, tudo embalado em belíssimas paisagens filmadas em IMAX. A câmera de Chloé Zhao emula Terrence Malick e abusa de planos em grande angular, flutuando sobre dunas, florestas, cidades. Lindo.

O problema é que o roteiro tenta abarcar mais do que consegue. O tom varia muito; logo depois que uma personagem importante morre e o filme deveria ficar sério, vemos várias sequências "cômicas" envolvendo um "eterno" que virou um astro do cinema indiano em "Bollywood". Pouco depois estão todos fazendo piadas ao redor de uma mesa, citando "Os Vingadores". Discussões sobre a influência maléfica da tecnologia (e uma cena da destruição atômica em Hiroshima) fazem par com uma cena ridícula em que uma "eterna" mostra a outro um app que deixa o rosto dele mais velho.

E o filme é interminável. Não tenho problema nenhum com filme de super herói (me diverti muito com o último Homem-Aranha) ou com filmes com ambições artísticas ("Duna" é maravilhoso), mas "Eternos" não é direito nem uma coisa, nem outra. "Eternos" levou uma surra de crítica e público e eu achei que o crédito final, que diz que eles vão voltar, foi otimista demais. Disponível na Disney+.

 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home, 2021)

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home, 2021). Dir: John Watts. SPOILERS MUITOS SPOILERS. Não tem como falar deste filme sem spoilers, então esteja avisado. Dos três atores que fizeram o Homem-Aranha nos últimos vinte anos (Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland), o último é o que eu menos vi em filmes "solo". Vi Holland como o Aranha quando ele participou dos filmes dos Vingadores, mas creio que só tenha visto o primeiro dos filmes solo com ele. Achei que isso seria um grande problema ao ver este último, mas não foi. "Sem Volta para Casa", na verdade, me pareceu voltado exatamente para o fã por volta da minha idade ou, no mínimo, quem assistiu bastante os primeiros filmes com Tobey Maguire.

A Marvel, de forma esperta, conseguiu, no mínimo, um grande feito logístico com este filme, trazendo de volta não só os heróis como os vilões dos filmes anteriores. Claro que tem o fator "exploração da nostalgia" tão presente nos filme de hoje, ou o chamado "fan service". Mas ao contrário do (bom) filme dos "Ghostbusters" recente, em que os atores originais fazem uma ponta descartável no final, "Sem Volta para Casa" não usa Tobey Maguire, Andrew Garfield, Willem Dafoe, Jamie Foxx e Alfred Molina (entre outros) como simples "papel de parede". Os personagens têm função definida e fazem diferença na trama. Tobey Maguire talvez seja, ainda, em quem eu pense quando ouço falar em Homem-Aranha, mas sou dos poucos que gostou de Andrew Garfield no papel. Junta-se os dois com Tom Holland, que é muito carismático, e as cenas em que os três Peter Parker/Homem-Aranha dividem a tela são ótimas. Há até uma tentativa (bem sucedida, em minha opinião) de redimir os filmes do Andrew Garfield. Há uma química ótima entre os três e até um momento em que eles batem papo e comparam histórias sobre amores e vilões.

A única crítica que tenho é que o tom do filme varia bastante. A trama inicial, com Tom Holland, é bem leve e "bobinha". Chateado com o fato de que sua identidade secreta foi revelada, Parker se encontra com o Dr. Strange (Benedict Cumberbatch) para tentar fazer com que as pessoas se esqueçam dele. Strange, que deveria ser mais esperto, acaba se embananando e criando a situação que mistura o "multiverso" e trazendo vilões e heróis para uma mesma dimensão. A morte trágica da tia May (Marisa Tomei) me pareceu uma consequência muito forte para um deslize provocado por um capricho adolescente de Peter Parker. De qualquer forma, é um filme muito gostoso de se assistir; é sim bastante calcado em nostalgia, mas de forma inteligente, e é bom rever estes atores em papéis que os marcaram. Visto em enorme Imax, nos cinemas.

 

domingo, 2 de janeiro de 2022

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, 2021)

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis (Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings, 2021). Dir: Destin Daniel Cretton. Estreia na Disney+ do mais recente filme da Marvel. Nunca fui leitor de quadrinhos de heróis, então o personagem, para mim, era desconhecido. Como filme genérico de artes marciais/filosofia de biscoito da sorte, porém, ele até que funciona. Minha maior surpresa foi ver o grande, gigante Tony Leung (Amor à Flor da Pele, Desejo e Perigo, O Amante, etc) como uma espécie de guerreiro imortal que possui os tais "dez anéis" do título. Ele é tamanho ator que você genuinamente sente por ele quando ele sofre pela esposa perdida, ou alguma cena mais sentimental do filme.

O roteiro é bem mirabolante e trata de um rapaz de São Francisco, Shang-Chi (Simu Liu, simpático), que trabalha como manobrista de um hotel. Ele tem uma amiga interpretada por Awkwafina, que é a obrigatória personagem cômica da Marvel (embora ela seja realmente engraçada). Uns capangas aparecem do nada para roubar um pingente que a mãe de Shang-Chi deu a ele quando ele era criança; o incidente faz com que ele revele para a amiga que, na verdade, ele foi criado pelo pai desde os sete anos para ser um assassino profissional. Eles vão até Macau para encontrar uma irmã de Shang-Chi, interpretada por Meng'er Zhang. Tudo culmina em uma longa sequência passada em uma terra mítica, no meio de uma floresta mágica (onde vive a grande Michelle Yeoh).

Como quase sempre acontece com estes filmes, este poderia ter uns 20 minutos a menos. Há boas cenas de artes marciais e de ação, embora a computação gráfica seja óbvia e o clímax parece mais com um filme de animação. Como disse, há bastante "filosofia de biscoito da sorte" e clichês de artes marciais, mas o bom elenco segura a onda. Há um personagem (que talvez seja spoiler), visto antes no terceiro filme do "Homem de Ferro", que está totalmente fora de lugar e irrita bastante. Há as obrigatórias cenas no meio e pós créditos. Eu sinceramente já me perdi na cronologia da Marvel. Disponível na Disney+.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Doutor Estranho (2016)

O Dr. Stephen Strange surgiu nos quadrinhos em 1963, criado a quatro mãos pelo "mago" Stan Lee e pelo desenhista Steven Ditko (os mesmos que criaram o Homem Aranha). As tramas do Dr. Estranho eram passadas em "multiversos" e mundos paralelos que ecoavam o psicodelismo dos anos 1960. Foi tão influente que o Pink Floyd não só citou o doutor nas letras de uma canção (Cymbaline, do álbum "More", 1969) como os quadrinhos serviram de base para a capa do segundo álbum da banda, "A Saucerfull of Secrets" (1968). Em troca, podemos escutar "Interstellar Overdrive", do Floyd, em cena chave do filme atual.

Strange chega à tela grande na forma de Benedict Cumberbatch e baseado em efeitos especiais tão mirabolantes que deixariam Christopher Nolan zonzo. Há cenas impressionantes (que lembram algumas cenas de "A Origem", de Nolan) em que os magos da Industrial Light & Magic retorcem não só ruas, mas cidades inteiras. "O que você colocou no meu chá?", Cumberbatch pergunta a Tilda Swinton no primeiro encontro entre eles, no Nepal.

Cumberbatch interpreta Strange com a competência de sempre, misturando um pouco a genialidade  (e arrogância) de seu Sherlock Holmes com outros papéis que interpretou, como o matemático Alan Turing. No início do filme encontramos Strange como um cirurgião que é a estrela do hospital em que trabalha. Sua habilidade na mesa de cirurgia só não é maior que seu ego. Tudo parece perdido em uma noite em que Strange sofre um acidente de carro que deixa graves sequelas. Inconformado por não encontrar a cura na medicina tradicional, Strange parte para o Nepal onde vai se encontrar com a "Anciã" (Swinton, divertida, cuja escalação causou polêmica pelo fato de terem escolhido uma mulher branca para interpretar uma oriental). O filme pisa fundo na psicodelia e a Anciã mostra a um cético Strange os "multiversos" e suas ramificações.

Mads Mikkelsen interpreta Kaecilius, um ex-pupilo da Anciã que mudou "para o lado negro da Força" e está tentando conjurar um feitiço para atrair um grande vilão que vive em um mundo além do Tempo. O elenco ainda conta com Chiwetel Ejiofor como um seguidor da Anciã e uma desperdiçada Rachel McAdams como uma médica que é o interesse amoroso de Strange.

A trama segue o mesmo padrão "vilão-maluco-que-quer-poder-eterno" de tantos outros filmes, misturado a muita filosofia de biscoito da sorte, viagens astrais, loops temporais e cenas visualmente interessantes. Nem tudo funciona, o filme poderia ser mais curto e mais focado, por exemplo. A trilha sonora de Michael Giacchino lembra muito os temas que ele criou para os últimos filmes de Star Trekm as ainda é inspirada.

Com altos e baixos e em meio a tantos filmes de super heróis, "Doutor Estranho" é uma viagem e tanto. 

João Solimeo

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Operação Big Hero

Parece que você está assistindo a dois filmes diferentes. "Operação Big Hero" (Big Hero 6) é, ao mesmo tempo, um terno filme sobre a amizade entre um garoto e um robô, por um lado, e um blockbuster de super-herói da Marvel, por outro.

Explica-se. A Disney comprou a Marvel há alguns anos e, precisando de conteúdo, pediu a seus executivos que vasculhassem o vasto arquivo da fábrica de heróis por alguma coisa que pudesse se transformar em um produto Disney. Encontraram "Big Hero 6", uma HQ produzida no final dos anos 1990 que só era conhecida pelos aficionados pelo gênero, o que dava carta branca para que a história original (que era adulta) pudesse ser mudada e adaptada para a sensibilidade dos espectadores dos estúdios Disney.

O resultado é um filme vibrante, vivo e colorido, com fartas doses de influência oriental. A história se passa na cidade de San Fransokyo, uma interessante mistura da cidade costeira americana com a capital do Japão. A famosa ponte Golden Gate, por exemplo, tem formas orientais, os neons estão escritos em japonês e até os personagens têm nomes japoneses, como Hiro Hamada, um garoto prodígio de 13 anos que gosta de competir em lutas clandestinas de robôs.

Um dia seu irmão mais velho, Tadashi, o leva até uma universidade que é o paraíso dos nerds, em que adolescentes de várias idades desenvolvem bicicletas flutuantes e outras coisas do gênero. O projeto de Tadashi é um robô médico chamado Baymax, que se parece com um marshmallow gigante. Tudo no robô inspira calma e tranquilidade e a função dele é tratar da saúde das pessoas. (leia mais abaixo)


Após um prólogo relativamente longo uma tragédia se abate sobre Hiro, que perde o irmão em um incêndio e herda dele o robô de fala tranquila. A relação entre os dois é muito interessante e tem influências claras de histórias como "E.T.", "Meu amigo Totorô", "Gigante de Ferro", "Como treinar seu dragão", entre outras. O filme provavelmente poderia ter sido apenas sobre isto, mas a partir de certo ponto o roteiro parece se lembrar que é também uma aventura da Marvel e o tom do filme muda radicalmente para a ação desenfreada.

O design japonês me lembrou muito Osamu Tezuka, criador de Astro Boy e dezenas de outros personagens de mangás e animês. "Operação Big Hero" tem um pouco de tudo e certamente vai agradar a diversas plateias, de crianças a adultos. Pessoalmente preferiria que o filme tivesse ficado mais no lado dos sentimentos e menos no lado aventura da Marvel, mas é questão de gosto (e de mercado). Também acho que teria sido melhor, do ponto de vista do estúdio, lançá-lo como um produto da Pixar (que já fez o ótimo "Os Incríveis") do que interromper a tradição dos "filmes de princesas" da Disney. É um bom filme, com visual impressionante (San Fransokyo parece viva e pulsante como uma cidade de verdade) e bons personagens. Sem dúvida haverá continuações em breve.

João Solimeo

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Guardiões da Galáxia

Como é, outro filme da Marvel? Sim, outro filme da Marvel. Aceite e divirta-se, ou seja banido dos cinemas pelos próximos anos, aparentemente, pois o gigante dos quadrinhos se transformou em uma máquina de fazer filmes e muito, muito dinheiro.

Sim, este é o filme do guaxinim disparando uma metralhadora, da mulher verde, da árvore falante que parece ter fugido do set de "O Senhor dos Anéis", do grandão que parece o "Coisa" sem as pedras no corpo e do terráqueo espertinho. É tudo aquilo que você estava esperando; é barulhento, colorido, tem um 3D dispensável e quase tanta gente na equipe de efeitos especiais quanto o número de heróis criado por Stan Lee. Está sendo chamado de o filme mais "arriscado" da Marvel, o que é discutível. É fato que nerd que é nerd leva o universo dos super-heróis muito a sério e pode achar que o estúdio que lançou três "Homem de Ferro", dois "Thor", "Os Vingadores", dois "Capitão América", entre outros, estaria indo longe demais com o tal guaxinim falante. Afinal, não são filmes para crianças pequenas, mas para garotões que não têm vergonha de ter um boneco de Tony Stark na prateleira. (leia mais abaixo)


Assim, "Guardiões da Galáxia" é, talvez, o filme que mais apele para os jovens adultos (e adultos não tão jovens assim) da platéia, explorando um lado vintage bastante forte, principalmente no personagem de Peter Quill (Chris Pratt). Ele vaga pela galáxia sempre acompanhado de um walkman com músicas pop do século XX, faz várias citações ao século passado e Pratt parece estar emulando Han Solo, da saga Star Wars, o tempo todo. Ele é um contrabandista da Terra que foi abduzido ainda garoto no final dos anos 1980, justo no dia em que a mãe morreu. Já crescido, seus problemas começam quando ele encontra, em um planeta, uma esfera metálica chamada de Orbe. A tal esfera é cobiçada por várias pessoas (ou raças), principalmente por Ronan (Lee Pace), um vilão da raça Kree que quer usar a Orbe para destruir o planeta Xandar. Ele envia Gamora (Zoey Saldana, de "Star Trek") para recuperar a esfera, mas ela tem planos próprios. Atrás de Quill também estão dois caçadores de recompensas, o guaxinim Rocket (voz de Bradley Cooper, de "O Lugar onde tudo termina") e Groot (uma árvore andante com voz de Vin Diesel). Completa o time de criminosos Drax (Dave Bautista), que quer usar Gamora para se vingar de Ronan. Se você já se perdeu em meio a tantos nomes estranhos, não é o único.

Como de praxe em filmes da Marvel, há vários atores famosos em papéis coadjuvantes, como Glen Close, John C. Reilly e Benicio Del Toro. "Guardiões da Galáxia" é dirigido por James Gunn, com roteiro de Gunn e Nicole Perlman. Apesar do humor também ser presente nos outros filmes do estúdio, neste é visível o esforço em fazê-lo ainda mais nonsense, com toques que me lembraram um pouco a série de livros de Douglas Adams, "O Guia dos Mochileiros das Galáxias". A censura livre impediu que se fizessem cenas um pouco mais ousadas (inclusive algumas de Zoe Saldana que estão nos trailers mas não no corte final). O vilão Ronan é muito genérico e desinteressante, ainda mais porque há um outro vilão mais poderoso escondido nos bastidores (Thanos, interpretado por Josh Brolin). Provavelmente ele voltará nos próximos filmes. "Guardiões da Galáxia" entrega o que promete e tem seu charme, embora não seja exatamente memorável. A certeza de sucesso é tão grande que um letreiro ao final já avisa que os guardiões voltarão em breve.

Câmera Escura

sábado, 10 de maio de 2014

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro

O que a Marvel tem feito nos últimos anos, com esta longa série de filmes baseados em seus super-heróis, é aplicar uma mentalidade de quadrinhos em um meio cinematográfico. É bem comum no mundo das HQs que personagens vivam múltiplas linhas do tempo, com trajetórias diferentes, mortes, novos começos, realidades paralelas, etc. Os filmes de Sam Raimi sobre o Homem-Aranha nem haviam esfriado e o estúdio lançou um reboot há dois anos, substituindo o "chorão" Tobey Maguire por Andrew Garfield ("A Rede Social") e iniciando uma nova franquia. O filme não era ruim, mas era redundante, contando novamente a já batida história da origem do Homem-Aranha.

A continuação lançada agora, livre de ter que estabelecer novamente a origem do herói, começa com a ação em pleno vapor. Os efeitos especiais transformaram o aracnídeo em um verdadeiro acrobata, que voa por entre os prédios de Nova York fazendo piruetas, contando piadinhas para os pedestres e batendo papo com o vilão (um desperdiçado Paul Giamatti), ocupado em roubar uma carga de plutônio de um caminhão em movimento. Peter Parker chega atrasado à própria formatura (apesar de Garfield já ter 31 anos e aparentar a idade), onde é aguardado pela bela namorada Gwen Stacy (Emma Stone). Garfield e Stone são a melhor coisa nestes novos filmes dirigidos por Marc Webb ("500 Dias com Ela"). O casal é bem melhor do que a indecisa dupla Parker/MJ de Tobey Maguire e Kirsten Dunst dos filmes de Raimi. O problema é que os altos e baixos da relação entre os dois são muito abruptos e os problemas deles parecem mais uma invenção dos roteiristas do que algo a ser levado a sério. De qualquer forma, há cenas genuinamente tocantes entre Parker e Stacey, principalmente em um final surpreendente (para quem, como eu, não conhece a mitologia dos quadrinhos) e tocante. (leia mais abaixo)


E, claro, há os vilões. Jamie Foxx ("Django Live") é "Electro", um homem-elétrico criado (assim como o Aranha) acidentalmente pela maligna empresa "Oscorp". Foxx passa metade do filme com um penteado ridículo e a outra metade como um efeito especial, mas consegue fazer um bom trabalho. Quem está melhor é Dane DeHaan, que interpreta Harry Osborn, um rapaz de 20 anos que herdou do pai (uma aparição rápida de Chris Cooper) tanto as empresas "Oscorp" quanto uma doença degenerativa que pode ser fatal. Osborn acredita que sua cura pode ser encontrada no sangue do Homem-Aranha, que não está muito interessado em doá-lo. O filme tem pelo menos 30 minutos a mais que o necessário (o que aconteceu com os filmes de 90 a 120 minutos de antigamente?), tempo dedicado a vilões aleatórios e cenas criadas apenas para fazerem sentido nos próximos capítulos da "saga".

Confesso que esperava um filme muito pior e, talvez por isso, o tenha apreciado mais do que ele mereça. O fato é que há um filme muito melhor dentro deste, esperando a chance de aparecer mas enterrado em cenas descartáveis de ação e efeitos especiais.

domingo, 13 de abril de 2014

Capitão América 2 - O Soldado Invernal

Eis que o Capitão América, que teve um primeiro filme simpático e bastante tranquilo, retorna em uma aventura de ação de tirar o fôlego. Steve Rogers (Chris Evans), o soldado americano que ficou congelado desde a 2ª Guerra Mundial e é o protótipo do "bom moço", volta nesta continuação quase como um Jason Bourne vestido de vermelho, azul e branco. Rogers se tornou soldado durante a última guerra "justa" da Humanidade, a 2ª Guerra Mundial, em que derrotar os nazistas era sinônimo de integridade e luta pela liberdade. Já este segundo filme embarca de cabeça na mentalidade pós guerras do Iraque e atentado de 11 de setembro. Nada é preto e branco e os interesses militares dos americanos no mundo são bastante discutíveis.

A aventura abre com uma operação de resgate em que o Capitão América e um grupo de soldados especiais retomam o controle de um navio da agência SHIELD invadido por piratas. Rogers desce primeiro e, armado apenas com seu escudo inviolável e as habilidades de um ninja, neutraliza uma dúzia de piratas com golpes de artes marciais. Ele e os companheiros conseguem salvar os reféns, mas a Viúva Negra/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson, que já interpretou o papel em "Homem de Ferro 2" e "Os Vingadores") quase põe tudo a perder durante uma operação de transferência de dados dos computadores do navio. O Capitão América tem uma grande discussão com o líder da SHIELD, Nick Fury (Samuel L. Jackson), sobre um plano fascista da agência de colocar em órbita grandes naves armadas que assassinariam qualquer pessoa considerada uma "possível ameaça" à Humanidade. "Antigamente a pena capital era aplicada somente depois do crime", diz o Capitão América. É então que tudo começa a acontecer muito rápido. Fury (em uma cena de ação espetacular) sofre um atentado e o Capitão América é considerado fugitivo depois de um "acontecimento" (que não vou revelar para não estregar a surpresa). O grande ator veterano Robert Redford (de "Até o fim") interpreta um conselheiro da SHIELD chamado Alexander Pierce, que tem um passado com Nick Fury e motivações discutíveis. (leia mais abaixo)



E o tal "Soldado Invernal"? Para quem tem o nome no título do filme, ele aparece bastante pouco. É um assassino profissional que usa uma máscara, tem um dos braços mecânicos e um passado que envolve o Capitão América. Para um filme supostamente infanto-juvenil, "Capitão América 2 - O Soldado Invernal" é bastante violento, com provavelmente a maior quantidade de mortes mostradas na tela de todos os filmes da Marvel. Há uma cena em que Robert Redford mata uma pessoa desarmada à queima roupa, e mesmo heroínas como a Viúva Negra tem uma quantidade de mortes impressionante. O grande problema do filme, a meu ver, é comum a todos os filmes de super heróis: quão vulnerável (ou invulnerável) é o herói? Steve Rogers é visto caindo de prédios altos, atravessando paredes e redomas de vidro e sobrevivendo a explosões. No entanto, em vários momentos os inimigos tentam matá-lo com armas comuns e até mesmo facas. Ele pode realmente morrer com uma simples facada ou tiro? A qualidade da maioria das cenas de ação e luta é bastante alta, o que é incomum nos filmes do gênero. Outro problema é a pergunta que não quer calar: onde estão os outros Vingadores enquanto tudo isso está acontecendo?

É o melhor filme da Marvel até o momento? É uma pergunta válida. É melhor que as continuações desnecessárias do "Homem de Ferro" e que qualquer filme de "Thor" e "Hulk". É menos divertido, no entanto, que "Os Vingadores". "Capitão América 2 - O Soldado Invernal" surpreende favoravelmente e termina com várias questões em aberto a serem resolvidas nos próximos filmes da franquia.

Câmera Escura

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Thor - O Mundo Sombrio

Do grande cartel de super-heróis da Marvel, o deus nórdico Thor é, provavelmente, o mais fantasioso. O filho de Odin (Anthony Hopkins) tem uma enorme capa vermelha, veste uma armadura e tem como arma um martelo. Na pele de Chris Hemsworth ("Rush", "Thor", "Os Vingadores"), o herói é, além disso, um dos mais óbvios "homens objeto" da série produzida pela Marvel. Thor ganhou uma aventura solo em 2011 dirigido pelo shakespeareano Kenneth Branagh, que fez um filme apenas correto, preparando terreno para "Os vingadores" e apresentando, além de Thor, seu meio-irmão Loki (Tom Hiddleston) que sempre rouba a cena quando aparece.

"Thor - O Mundo Sombrio" é dirigido por Alan Taylor, roteirista e diretor de vários episódios da série "Game of Thrones", o que lhe confere autoridade para lidar com um roteiro que mistura fantasia medieval com deuses nórdicos e elfos. É difícil se manter sério ao narrar a sinopse de um filme como este, mas vamos lá. Um prólogo narrado por Sir Anthony Hopkins conta a história dos "Elfos Negros", que viviam nas trevas e criaram uma arma mortal chamada de "éter". O pai de Odin derrotou o líder dos elfos, Malekith (Christopher Eccleston, irreconhecível debaixo da maquiagem) e enterrou o "éter" em um abrigo subterrâneo. Corte para Londres, milênios depois, onde Jane Foster (Natalie Portman) ainda espera pela volta do "rolo" dela, Thor, que sumiu há dois anos e não deu mais notícias (a não ser ao aparecer em Nova York para salvar o mundo em "Os Vingadores"). Foster ainda estuda fenômenos estranhos da Física e sua atenção é atraída para um lugar em Londres em que as leis da gravidade parecem ter ficado malucas. Ela acaba caindo em uma espécie de "portal" e vai parar justamente onde o "éter" estava escondido. Ela é possuída pelo "éter", que ameaça sua vida e faz com que Thor a leve para Asgard para tentar salvá-la. Só que a presença do "éter" em Asgard também atrai Malekith e seus Elfos Negros, que causam tanta destruição que fazem com que Thor peça ajuda a Loki, que está trancado nas masmorras.


O filme é melhor quando embarca de cabeça na fantasia de Asgard e dos outros "reinos" do que na Londres moderna. Londres, aliás, recentemente foi protagonista de outro filme de fantasia, "Além da Escuridão - Star Trek", e a cidade milenar leva uma sova no final deste filme, mesmo que em uma proporção bem menor do que Nova York em "Os Vingadores". Mas Nova York é Nova York, afinal de contas. É curioso ver vencedores do Oscar como Sir Anthony Hopkins sendo ligeiramente canastrões neste filme, ou então ver Stellan Skarsgard pagar mico como Eric Selvig, cientista que parece ter perdido alguns parafusos desde "Os Vingadores". De qualquer forma, "Thor - O Mundo Sombrio" é, no mínimo, superior ao primeiro filme e vale como passatempo.

Câmera Escura

sábado, 27 de julho de 2013

Wolverine: Imortal

Em minha crítica para "X-Men Origens: Wolverine" (2009), o péssimo filme solo do herói interpretado por Hugh Jackman, eu dizia que "não há como ter muita empatia com um personagem indestrutível, imortal e que ainda se esquece de tudo o que aconteceu." O filme afundou nas bilheterias  e os produtores resolveram se redimir do erro. Dirigido pelo competente James Mangold (de "Os Indomáveis", 2007), "Wolverine: Imortal" faz de tudo para humanizar Logan levando o personagem para o Japão, onde ele encontra um homem que lhe oferece a chance de se tornar mortal.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Homem de Ferro 3

As primeiras imagens da campanha publicitária de "Homem de Ferro 3" prometiam algo sombrio para Tony Stark (Robert Downey Jr) e seu alter-ego de titânio. Cenas em câmera lenta mostravam a casa do playboy milionário sendo destruída por mísseis; outras imagens mostravam as armaduras do herói sendo destruídas, tudo indicando um filme mais maduro. Pura ilusão. Para desgosto de alguns (e delícia de milhares) de fãs, "Homem de Ferro 3" é tudo aquilo que se poderia esperar da continuação de uma franquia de sucesso: maior e muito mais barulhento.

O início até tenta criar um clima mais denso na psicologia de Tony Stark. Depois dos eventos vistos em "Os Vingadores", em que ele havia quase morrido ao salvar o planeta de uma invasão alienígena, Stark tem ataques de ansiedade, insônia e falta de foco. Sua namorada, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) foi promovida a presidente das indústrias Stark (além de morar definitivamente com ele). Do passado surge um ambicioso empresário e cientista chamado Aldrich Killian (o sempre cometente Guy Pierce, de "Os Infratores") que, após ter sido humilhado por Stark, se transformou em um homem inescrupuloso. Através de manipulação genética, ele criou uma nova raça de super-soldados que parecem saídos de X-Men. Ao mesmo tempo, um terrorista (muito parecido com Bin Laden) chamado de "Mandarim" (ninguém menos que Sir Ben Kingsley, de "A Ilha do Medo") comete uma série de atentados a bomba. Stark leva para o lado pessoal e desafia o terrorista em rede nacional de televisão, o que causa a já citada cena em que sua casa e suas armaduras são feitas em pedacinhos, mandando Tony de volta à estaca zero.

O roteiro e direção deixaram as mãos competentes de Jon Favreau (que interpreta o guarda-costas Happy Hogan) e passaram para o lendário roteirista Shane Black, criador de mega sucessos dos anos 1980 como a série "Máquina Mortífera". A influência da década de 80 é sentida de diversas formas; a mais irritante se vê na forma do (antigamente) obrigatório coadjuvante mirim que divide a tela com o super-herói em cenas que beiram o ridículo. A suposta seriedade do herói é jogada fora em favor de cenas em que Stark contracena com um garoto que, sem pai, mãe ou família, ajuda o gênio milionário a reconstruir a armadura do Homem de Ferro. Outra influência oitentista se vê no final, passado em um daqueles cenários cheios de containers, cabos e muitas explosões. Stark, que passa grande parte do filme fora da armadura de titânio, tira da cartola dezenas (não é força de expressão) de "Homens de Ferro" que surgem para salvar a pátria. O que havia de verossimilhança (mesmo que de HQ) no primeiro filme da série se transforma naquelas intermináveis sequências em que Stark desafia as leis da física saltando de um guindaste a outro, mergulhando dentro de uma armadura, saindo e caindo dentro de outra. Sim, as cenas de ação são impressionantes e, sem dúvida, os fãs adolescentes vão vibrar em cada segundo de projeção. Para quem (como eu) que não tem familiaridade com os quadrinhos, fica a pergunta: onde estão os outros Vingadores enquanto isso tudo está acontecendo? Por que simplesmente não chamam o Hulk para fazer purê de Guy Pierce?

Para quem gosta de muito barulho e de explosões, "Homem de Ferro 3" é o filme perfeito. Visto no Topázio Cinemas, em Campinas.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Espetacular Homem-Aranha

Crianças gostam de escutar a mesma história várias vezes. Assistem ao mesmo desenho animado repetidamente, pedem para os pais lerem a mesma história antes de dormir todas as noites. Hollywood, acusada há tempos de infantilizar as plateias do mundo, já se aproveitava desta característica humana fazendo continuações desnecessárias de filmes de sucesso, arrecadando bilheterias astronômicas apostando no que é certo, ao invés de arriscar em novas histórias.

Eis que surge um "novo" Homem-Aranha, lançado apenas cinco anos desde que o "velho" Homem-Aranha voava pelos prédios de Nova York em "Homem-Aranha 3", em 2007; há meros dez anos, Tobey Maguire interpretava Peter Parker, o jovem fotógrafo que era picado por uma aranha geneticamente modificada e se transformava em um super-herói. O filme de Sam Raimi foi um grande sucesso e teve uma segunda parte, ainda muito boa, seguida por um terceiro filme longo e decepcionante.

Seja para mudar a má impressão deixada pelo terceiro filme, ou para começar outra franquia de sucesso, os estúdios da Marvel fazem um reboot no personagem e começam tudo de novo, agora com Andrew Garfield (de "A Rede Social") no papel de Parker. Tirando todas as considerações de marketing de lado e o fato de que "O Espetacular Homem-Aranha" é um filme desnecessário, a produção dirigida por Marc Webb é competente e divertida. Garfield faz um Peter Parker menos "chorão" que Maguire, e o roteiro segue por outro caminho na história do personagem. Antes mesmo do trauma de ver o Tio Ben (Martin Sheen) ser morto por um bandido, Peter Parker começa o filme como uma criança que é abandonada por pai e mãe. O pai era um geneticista que, junto com um colega misterioso chamado Curt Connors (Rhys Ifans), estava desenvolvendo um soro capaz de transferir as características regenerativas de certos animais para os seres humanos. É uma das aranhas criadas pela Oscorp, empresa onde o pai de Parker trabalhava, que pica Peter Parker e o transforma no Homem-Aranha. Connors é um cientista que não tem o braço direito e sonha com a possibilidade de ser "curado". Claro que algo dá errado e, após uma overdose do soro, ele se transforma em um lagarto gigante que aterroriza Nova York. O roteiro, bem humorado, faz as piadas apropriadas relacionando o fato aos filmes japoneses de Godzilla.

Kirsten Dusnt é substituída por Emma Stone ("Amor a Toda Prova") e seus grandes olhos azuis no papel de Gwen Stacy, o novo interesse romântico de Parker. O Homem-Aranha sempre foi o super-herói mais adolescente do cartel da Marvel, e grande parte do filme se passa nos corredores do ginásio onde Parker e Gwen estudam. Há boas cenas românticas entre os dois e o roteiro surpreende pela rapidez com que Peter Parker revela seu segredo a algumas pessoas. Denis Leary, ótimo ator coadjuvante, está bem como um íntegro capitão de polícia que não gosta nada quando o Aranha começa a perseguir bandidos pela cidade. Mas "O Espetacular Homem-Aranha", apesar de bom, não deixa de ser mais do mesmo; continuações são esperadas. Divertido, mas desnecessário.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Capitão América: O primeiro vingador

O mais novo exemplar dos filmes da Marvel, "Capitão América: O Primeiro Vingador" é um dos mais divertidos, nostálgicos e bem feitos da série. A direção é de Joe Johnston, veterano que começou no cinema fazendo maquetes e efeitos especiais para George Lucas em uma "pequena" ficção científica chamada "Guerra nas Estrelas" (1977). Sua experiência com efeitos o levou a dirigir filmes como "Querida, Encolhi as Crianças" (1989) e "Jumanji" (1995), mas seu filme de 1991, "Rocketeer", com seu ar nostálgico e citações aos nazistas e à II Guerra Mundial, é o que mais lembra "Capitão América".

Steve Rogers (Chris Evans) é um garoto baixo e magro que quer entrar para o exército americano em 1943, na II Guerra Mundial. Ele tem uma integridade inabalável mas já foi rejeitado por cinco centros de recrutamento devido à baixa estatura e várias doenças. É extraordinário, do ponto de vista dos efeitos especiais, que o Steve Rogers magricelo seja interpretado pelo mesmo Chris Evans que, mais tarde, será o alto e musculoso Capitão América. Ele é escolhido por um cientista do exército, Dr. Erskine (um ótimo Stanley Tucci) para participar de uma experiência arriscada: um soro que transformaria Rogers de um rapaz fraco em um super-homem. O Dr. Erskine é um alemão que já havia aplicado esta experiência em um oficial nazista chamado Johan Schmidt (Hugo Weaving, da série "Matrix" e "O Senhor dos Anéis"), quando o soro ainda não estava plenamente desenvolvido. Schmidt é daqueles vilões nazistas tipicamente malucos e megalomaníacos, lembrando muito os da série Indiana Jones (que, por sua vez, foram baseados em histórias em quadrinhos, então o ciclo está completo). O soro, ao invés de transformar Schidt em um herói, o transformou em um monstro que, como todo bom vilão, quer dominar o mundo.

A II Guerra Mundial é às vezes chamada de a última guerra "justa", por ter colocado frente a frente o "bem" (os aliados) contra um "mal" bastante definido, os nazistas do "Eixo". É uma forma simplista de ver o conflito, mas é possível fazer uma fantasia como a do Capitão América, com sua integridade e bondade, contra a organização Hydra, comandada por Schmidt, sem lidar com os problemas ideológicos das guerras do Vietnã ou do Iraque, por exemplo. A época também foi pintada com tons heróicos pela própria Hollywood, que acostumou as platéias a ver os soldados americanos como os defensores da liberdade e libertadores da Europa (o que é questionável, os britânicos e os russoos sofreram muito mais com o conflito). O roteiro de Christopher Marcus e Stephen McFeely levam isso tudo em consideração e o filme de Johnston tem um ar extremamente nostálgico. Quando Rogers passa pelo experimento do Dr. Erskine e se transforma no Capitão América, ao invés de ir lutar nos campos de batalha ele é convocado a fazer uma série de apresentações de propaganda para vender bônus de guerra. A trilha do veterano Alan Silvestri (da trilhogia "De Volta para o Futuro") lembra os sucessos de jazz e big band da época e a direção de fotografia de Shelly Johnson tenta emular a cor dos filmes da II Guerra e dos quadrinhos.

O filme também faz uma ligação interessante com os outros da série ao apresentar o inventor milionário Howard Stark (Dominic Cooper), pai do personagem Tony Stark, já visto pelas platéias como o Homem de Ferro. Stark é obviamente baseado em Howard Hughes, representado no cinema por Leonardo DiCaprio em "O Aviador", filme de Martin Scorsese. O final de "Capitão América" deixa aberto o caminho para o aguardado filme de "Os Vingadores", quando vão se juntar os personagens vistos nos filmes "Homem de Ferro", "Homem de Ferro II" e "Thor". Como entretenimento, "Capitão América: O Primeiro Vingador" é diversão garantida.


sábado, 4 de junho de 2011

X-Men: Primeira Classe

A série de filmes "X-Men" começou em 2000 em filme dirigido por Bryan Singer. A produção já mostrava que os estúdios Marvel estavam falando sério ao transpor o universo de mutantes dos quadrinhos para o cinema. O elenco, em especial, chamava a atenção. Patrick Stewart (que já havia sido o capitão Jean-Luc Piccard na série Star Trek: A Nova Geração) interpretava o mentor dos mutantes "do bem", Charles Xavier, e Ian McKellen era Magneto, o chefe dos mutantes "do mal". Hugh Jackman era o carismático Wolverine e atores e atrizes como Famke Janssem, Halle Berry, James Marsden, Brian Cox, entre outros, completavam o time. "X-Men 2" (2003) era melhor que o primeiro e avançava na metáfora de racismo e homofobia que os mutantes claramente representavam. A série ainda contou com "X-Men 3" (dirigido por Brett Ratner), que era mais do mesmo, e com um filme feito sobre Wolverine (2009), que era particularmente ruim.

"X-Men: Primeira Classe" embarca na nova fórmula descoberta por Hollywood para explorar suas "franquias", as "prequels". Ao contrário de uma "sequel" (continuação), a "prequel" é um filme que mostra eventos anteriores às histórias originais. Pelo lado bom, é uma forma de mostrar a origem dos personagens e, quando bem feito, de melhor aprofundá-los. Pelo lado ruim (como foi o caso de "Wolverine"), pode ser apenas um caça-níqueis que se aproveita dos filmes originais para se promover, além de um elenco novo, e mais barato, para o estúdio explorar. "Primeira Classe" está em um estágio intermediário entre estas duas possibilidades. Apesar de se propor a mostrar a origem dos "X-Men" como um todo, o filme está claramente focado no personagem de Erik Lehnsherr, o Magneto, interpretado pelo alemão Michael Fassbender. Sua história é contada desde 1943, quando Erik era um garoto judeu que é separado da mãe pelos nazistas. A cena, aliás, já havia sido mostrada em flashbacks dos filmes anteriores, mas a situação é estendida. O pequeno Erik, quando está com raiva, mostra ser capaz de atrair e mover objetos de metal, o que atrai a atenção de Sebastian Shaw, um nazista interpretado por Kevin Bacon. A cena em que Shaw mata a mãe de Erik retrata bem os problemas de "Primeira Classe". A boa carga emocional é atrapalhada por erros ridículos (a fúria de Erik destrói todo um laboratório, mas não quebra paredes de vidro, por exemplo). Esta combinação de seriedade com amadorismo permeia todo o filme (dirigido por Matthew Vaughn, de "Kick-Ass").

Da II Guerra Mundial, a trama pula para os anos 60 e para a "Crise dos Mísseis" entre a antiga União Soviética e os Estados Unidos. Shaw, que se tornou um vilão mais ao estilo de James Bond, quer destruir todos os humanos "normais" em uma guerra nuclear entre as duas superpotências. Charles Xavier (o bom James McAvoy) é um estudioso de genética da Universidade de Oxford que é contratado pela CIA para combater os comunistas e, de quebra, encontrar e recrutar a nova raça de mutantes que está surgindo no planeta. "Primeira Classe" é muito bom quando foca na relação complicada entre Xavier e Magneto. Os dois têm inteligência acima da média e vários pontos em comum, mas são separados pela grande mágoa e sede de vingança carregadas por Erik. O filme é ruim, quase patético, no recrutamento e seleção dos outros mutantes, todos jovens, e na infeliz composição do vilão criado por Kevin Bacon; Sebastian Shaw (que, com o auxílio de outro mutante poderia ir de um ponto a outro do planeta) passa grande parte do filme navegando em um submarino que, vale repetir, parece vir diretamente de um filme de James Bond, com grandes salas decoradas e garotas mutantes em trajes mínimos. A "vida real", representada pela Crise dos Mísseis, Cuba, o Presidente Kennedy, etc, é misturada com a trama dos mutantes com resultados que variam, novamente, do ótimo ao patético, culminando com uma batalha final espetacular e absurda (que conta com a presença do ator Michael Ironside em uma ponta).

"X-Men: Primeira Classe", apesar de interessante, é bastante irregular. As inevitáveis continuações, talvez, acertem o passo.