Mostrando postagens com marcador hugh jackman. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hugh jackman. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O Favorito (The Front Runner, 2018)

 
O Favorito (The Front Runner, 2018). Dir: Jason Reitman. Netflix. Filme político baseado na história real de um senador americano chamado Gary Hart (Hugh Jackman). Em 1988, Hart era o favorito para se tornar o próximo presidente dos Estados Unidos. Ele tinha 46 anos, era trabalhador, íntegro, carismático. Então, o desastre: um jornal de Miami publica uma matéria sobre um suposto caso extra-conjugal de Hart com uma bela modelo. Repórteres acamparam em frente à casa dele e tiraram fotos da suposta amante, que estampou a capa dos jornais e mudou o foco da campanha.

A tese do filme é que este foi o primeiro (ou, no mínimo, um dos primeiros) casos em que os jornais ditos sérios americanos (como o The Washington Post) se tornaram meros tabloides de fofocas. O roteiro (co escrito por Jason Reiman e o autor de um livro sobre o caso, Matt Bai) levanta uma série de questões interessantes sobre ética jornalística, curiosidade do público e os limites entre ambos. O problema é que, apesar de boas interpretações do elenco e uma execução competente, o filme parece não chegar a nenhuma conclusão a respeito. Uma figura pública tem direito à privacidade? Em um mundo em que todos expõem suas vidas o tempo todo, como o nosso, esse tipo de pergunta ainda tem razão de ser?

Reitman filma com franca influência de cineastas como Robert Altman, com takes longos em que a câmera passeia pelo rosto de um grande número de personagens; os diálogos se misturam e se entrelaçam de forma natural, mas confusa, por grande parte do tempo. O bom elenco conta com Vera Farmiga, J.K. Simmons, Kevin Pollack, Bill Burr, Kaitlyn Dever, Alfred Molina e mais um monte de gente boa. Para quem gosta de dramas políticos e boas interpretações. Tá na Netflix.

sábado, 4 de março de 2017

Logan (2017)

Há uma sequência em "Logan", o mais novo filme do Wolverine, que se passa em uma fazenda. É possível dividir o filme entre antes e depois desta sequência. A primeira é um filme excelente, adulto, muito bem escrito, dirigido e interpretado. Depois desta sequência é como se começasse outro "Logan", infelizmente inferior. Vamos por partes (como diria Wolverine)

Diz a lenda que "Logan" é o último filme estrelado por Hugh Jackman como Wolverine. Se for verdade (alguém acredita?) será uma pena, porque Jackman É Wolverine. O ator encarna o personagem desde o primeiro filme dos "X-Men", há longos 17 anos, mas você nunca o viu como neste filme. A direção é de James Mangold, competente artesão de filmes como "Cop Land", "Garota, Interrompida", "Identidade", "Os Indomáveis" e o bom filme anterior do herói, "Wolverine: Imortal" (2013). Mangold traz para "Logan" um tom adulto, grave e reflexivo. A violência (muita violência) é consequência natural de um personagem que tem garras afiadas nas mãos.

ATENÇÃO: AVISO DE SPOILERS DAQUI PARA FRENTE. NÃO LEIA CASO NÃO QUEIRA SABER DETALHES SOBRE A TRAMA.

O ano é 2029. Os X-Men são coisa do passado e os últimos sobreviventes daquela era são Logan e o Professor Xavier (o grande Patrick Stewart). Logan trabalha como motorista de limousine na fronteira com o México. O filme já mostra a que veio nas primeiras cenas, quando Logan faz em pedaços um infeliz grupo de ladrões que tentam levar seu carro. A violência é explícita como nunca antes mostrada em um filme de super heróis (a não ser, de forma cômica, em "Deadpool"). Logan está velho e aparenta estar doente. Do outro lado da fronteira ele mantém o Professor Xavier como prisioneiro, tomando pílulas que o impedem de usar os poderes mentais (um grande desastre, não explicado integralmente, teria sido causado pelo Professor no passado). Eles são auxiliados por um mutante chamado Caliban (o comediante Stephen Merchant, irreconhecível). O filme tem um visual tão árido e seco quanto a situação dos personagens. Não há nada de heroico na vida destes mutantes.

A situação de Logan se torna mais complicada com a entrada em cena de uma estranha garota mexicana chamada Laura (Dafne Keen), que está sendo perseguida por um grupo de mercenários liderados por Boyd Holbrook (da série Narcos). Há uma ótima sequência de violência quando um enorme grupo armado tenta capturar a garota e descobre que ela tem os mesmo poderes que o Wolverine. Após um banho de sangue, Logan, o professor Xavier e a garota correm pelas estradas do meio-oeste americano tentando fugir de uma multinacional que está criando novos mutantes para fins militares.

Mangold deixa explícitas suas referências do Western em uma cena em que o professor Xavier e a garota assistem ao clássico "Shane" ("Os Brutos Também Amam", 1953) na TV de um hotel. O tema se desenvolve na sequência que falei no começo deste texto, quando o trio vai parar em uma fazenda. A família que ali vive passa pelas mesmas dificuldades dos colonos do clássico de 1953, um rico dono de terras quer expulsa-los dali. As cenas passadas nesta fazenda dão um respiro bem vindo à correria das sequências anteriores (Patrick Stewart, como o Professor Xavier, está especialmente bem nessas cenas).

É então que, em minha opinião, o filme muda para pior. (REPITO, SPOILERS). Se até aqui ele havia sido, se não "realista", ao menos verossímil, o roteiro força a barra com a aparição de um "clone" de Wolverine (também interpretado por Jackman), criação de um tal Dr. Rice, interpretado por Richard E. Grant (bom ator, mas um tanto caricato). O núcleo "familiar" formado por Logan, Xavier e a garota é destruído bruscamente em uma sequência que culmina com a morte do Professor Xavier. Ou melhor, o pobre Professor Xavier, que merecia uma despedida melhor, é morto em meio a uma confusa sequência em que o clone mau de Wolverine despedaça um grupo de fazendeiros, luta com o Wolverine "do bem" e tenta sequestrar a garota. Com o fim do Professor Xavier, a garota (que não havia dito uma palavra até então) magicamente ganha não só a habilidade de falar, mas de falar em espanhol e inglês. Logan e Laura acabam indo se encontrar com um grupo de crianças mutantes (com quem não temos nenhuma empatia e, portanto, pouco ligamos para o que pode acontecer com elas). O filme termina em um embate violento entre Logan, o Wolverine "mau", dezenas de figurantes e as crianças. É um final tão confuso e clichê que pouco se parece com o filme adulto e inovador do início.

Apesar dos pesares, "Logan" ainda é superior à média dos filmes do gênero. Hugh Jackman encarna o personagem de corpo e alma e é uma pena se, de fato, este for seu último filme como Wolverine. O tom adulto, que não fica só na violência mas também nos diálogos, é bem vindo e mostra que mesmo em filmes de super heróis, ações têm consequências.

João Solimeo

terça-feira, 19 de agosto de 2014

O Grande Truque (Netflix)

AVISO: Este é um filme com muitos segredos e reviravoltas; fica difícil escrever a respeito sem revelar alguns. Assim, esteja avisado da possibilidade de SPOILERS.

Entre "Batman Begins" (2005) e "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008), Christopher Nolan fez este sombrio retrato da rivalidade entre dois mágicos. Curiosamente, ele foi lançado com apenas alguns meses de diferença de "O Ilusionista" (2006), outro filme sobre mágicos, passado mais ou menos na mesma época, estrelado por Edward Norton e dirigido por Neil Burger.

"O Grande Truque" sofre do problema de quase todo filme de Nolan: ele peca pelo excesso. O que não impede que ele seja intrigante, inteligente e interessante de se assistir (novamente, como quase toda produção do diretor). O roteiro (de Nolan, escrito em parceria com o irmão Johathan) fala não só sobre a mágica como um ofício, mas também sobre obsessão, show business, ciência, ciúmes e rivalidade. Robert Algiers (Hugh Jackman, de "X-Men: Dias de um futuro esquecido") e Alfred Borden (Christian Bale, de "Império do Sol") são assistentes de um mágico na Inglaterra do final do século 19. Uma rivalidade surge entre os dois quando a mulher de Robert morre durante um truque em que ela deveria escapar de um tanque de vidro cheio de água. Robert culpa Alfred por ter apertado muito forte o nó que amarrava a esposa e os dois iniciam uma disputa que vai durar o resto da vida deles.

Michael Caine ("O Último Amor de Mr. Morgan") faz seu tradicional papel de figura paterna como o engenheiro de Hugh Jackman, Cutter, mas ele também faz as vezes de narrador do filme. Ele explica que todo bom truque de mágica precisa ter três partes ("apresentação", "virada" e "truque", em tradução livre para "the pledge", "the turn" e "the prestige"), o que basicamente segue toda cartilha de roteiro de Hollywood, com primeiro, segundo e terceiro atos. Não basta mostrar um passarinho e fazê-lo desaparecer. É necessário trazê-lo de volta. O que "O Grande Truque" quer mostrar é que nem tudo é tão inocente. No caso do canário, Nolan mostra que é necessário matar um animal a cada apresentação, o que não só mostra que truques de mágica podem ser cruéis como também dá o tom para os eventos do próprio filme (que discutiremos mais à frente).



Quando vi este filme nos cinemas, em 2006, confesso que não gostei muito do que vi. Ou, talvez, eu simplesmente não estivesse olhando direito, o que é um dos temas do filme. Revendo agora pela Netflix, me surpreendi como ele funciona muito melhor da segunda vez e creio que haja uma explicação para isto. Na primeira você tenta descobrir o segredo da trama e, quando chega o final (que tem vários problemas), há grandes chances de você se decepcionar. Na segunda vez, livre do peso de tentar decifrar o filme, você fica mais livre para perceber como o roteiro é engenhoso. É um filme sobre duplos, sobre truques e sobre mágica. E também sobre sacrifícios enormes em nome da fama, ou simplesmente da satisfação de ser melhor do que o outro. O personagem de Christian Bale é frio e metódico. Já Hugh Jackman é sanguíneo e apaixonado. Há uma cena em que os dois vão assistir à apresentação de um mágico chinês que consegue fazer coisas impossíveis para a idade dele. Depois do show, Bale e Jackman o veem saindo do teatro, velhinho, caminhando lentamente em direção à carruagem, e Bale diz: "Este é o verdadeiro truque". Os irmãos Nolan também fazem um truque com o personagem de Bale durante todo o filme, mas poucos percebem. Seu personagem, Bolder, cria um show do "Homem Transportado" que atrai multidões e leva Robert à loucura, tentando descobrir como ele o realiza. Nolan já havia dado a dica antes de que o personagem de Bale estaria interpretando um papel a vida toda. Um papel duplo que leva até ao suicídio da  esposa, interpretada por Rebecca Hall.

A busca de Robert o leva aos Estados Unidos, onde procura o cientista Nikolas Tesla (figura real interpretada por um surpreendente David Bowie), que conseguia feitos com a eletricidade que podiam passar por mágica. Há uma bela cena noturna em que Hugh Jackman está com Andy Sekis (sim, o ator do Gollun de "O Senhor dos Anéis" e do César de "Planeta dos Macacos") em um campo e Tesla acende centenas de lâmpadas espalhadas pela paisagem. Robert quer que Tesla lhe construa uma máquina que o faria o melhor mágico do mundo. Tesla lhe pergunta se ele estaria disposto a pagar o preço. "Dinheiro não é problema", responde Robert. "Mas você está disposto a pagar o custo?", pergunta Tesla.



Novamente, aviso de SPOILERS.

O caso é que tanto Bolder quanto Robert estão fazendo jogos duplos. Bolder tem um irmão gêmeo que só é revelado nos instantes finais, apesar de haver várias pistas durante o filme. A mulher de Bolder, por exemplo, diz que há dias em que ela acredita no "eu te amo" do marido. Em outros dias, não. O mesmo vale para a amante dele(s), interpretada por Scarlett Johansson. Quanto ao "duplo" de Robert é que o filme é mais ousado (e onde, ao mesmo tempo, peca mais). O crítico americano Roger Ebert chega a dizer que o "segredo" do filme é uma trapaça, e ele pode ser encarado desta forma. Eu acho que, se não é uma trapaça, é no mínimo uma contradição. Cenas como a morte do canário, no início do filme, mostram como um truque de mágica não tem nada de "mágico". Já o segredo do truque de "teletransporte" que Hugh Jackman apresenta - usando a máquina construída por Tesla - acaba sendo que não há nenhum segredo. A máquina realmente funciona, é "mágica" de verdade (ou, no máximo, ficção-científica). Há apenas um porém; a máquina não transporta Jackman de um lugar para outro, mas o duplica. O que faz com que ele crie um sistema que representa o sacrifício final de um performer para com sua platéia. Toda noite, ao entrar na máquina, ele tem consciência de que seu duplo vai continuar vivendo, mas ele não. Interessante que o modo como ele escolheu para morrer todas as noite seja afogado, assim como aconteceu com sua esposa. Interessante notar também o paralelismo entre os duplos de Robert e os gêmeos de Bolder. Há uma cena em que Bolder perde dois dedos da mão esquerda quando um truque dá errado, o que significa que seu duplo também teria que perder estes dois dedos. Até que ponto vai o compromisso com a arte?

É um conceito e tanto, embora conduzido pela mão pesada e séria de Nolan. E só funciona, repito, se o espectador conseguir aceitar a "trapaça" de que o truque de Tesla é real. Creio que teria sido mais interessante se a revelação do truque fosse outra. Ou, talvez, eu esteja apenas reagindo da forma que Michael Caine diz em uma parte do filme: a partir do momento em que um truque é revelado, ele não vale nada. "O Grande Truque" está disponível na Netflix.

Câmera Escura

quinta-feira, 5 de junho de 2014

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido

O novo filme dos "X-Men" tem um pouquinho de tudo: um futuro distópico e sombrio que lembra "O Exterminador do Futuro" e a série "Matrix"; viagens no tempo para tentar mudar a História; robôs gigantes em batalhas apocalípticas e muitas referências à cultura pop, como uma TV exibindo um episódio da série clássica "Jornada nas Estrelas" ou um mutante usando uma camiseta do Pink Floyd. É recomendável que o espectador faça uma retrospectiva da série "X-Men" e os filmes do Wolverine antes de entrar no cinema, com o risco de se perder tentando lembrar como é que o Professor Xavier (o grande ator britânico Patrick Stewart, quando velho, e James McAvoy quando novo) está vivo ou em que estágio de evolução estão as garras de Logan (Hugh Jackman, cada vez mais musculoso).

"X-Men: Dias de um Futuro Esquecido" traz de volta à  série o diretor Bryan Singer, que fez os primeiros dois filmes e saiu para fazer uma versão de Superman que foi desprezada pelos fãs ("Superman: O Retorno", 2006). "X-Men 3: O Confronto Final", dirigido por Brett Ratner, também não agradou muito, o que não impediu que a franquia continuasse lucrativa. "Dias de um Futuro Esquecido" é, ao mesmo tempo, empolgante e uma bagunça, juntando o elenco da série original com os atores novos vistos em "X-Men: Primeira Classe" (2011). A premissa: em um futuro indeterminado, humanos e mutantes se tornaram escravos dos Sentinelas, robôs gigantes que foram criados originalmente para destruir os mutantes, mas acabaram atacando toda a humanidade. O Professor Xavier (Patrick Stewart) se une ao vilão Magneto (Ian McKellen, de "O Hobbit") e, com a ajuda de uma mutante interpretada por Ellen Page, envia a mente de Wolverine para o ano de 1973; a missão dele é impedir que Mística (Jennifer Lawrence, de "Trapaça") mate o futuro criador dos sentinelas, Trask, interpretado por Peter Dinklage, o Tyrion Lannister de "Game of Thrones". Se você se lembrou da trama de "O Exterminador do Futuro", não foi o único. (leia mais abaixo)


Singer se diverte em recriar o início dos anos 1970, com sua moda cafona, músicas de "paz e amor", Richard Nixon, a Guerra do Vietnã, etc. O jovem Magneto (Michael Fassbender, de "12 Anos de Escravidão", "Shame"), acredite se quiser, está preso no subsolo do Pentágono por supostamente ter matado o presidente John Kennedy (de que outra maneira se poderia explicar aquela bala em ziguezague que matou o presidente?). Esta mistura entre fatos históricos e ficção funcionam melhor neste filme do que em "Primeira Classe", que lidava com a Guerra Fria e a crise dos mísseis em Cuba. Hugh Jackman, o único elo de ligação entre passado e futuro, tem que tentar lidar com um desiludido Charles Xavier (McAvoy), viciado em uma droga que permite que ele volte a andar, mas fique sem os poderes telepáticos. Fassbender está muito bem (como sempre) no papel do megalomaníaco Magneto, capaz de levantar até um estádio de beisebol com seus poderes.

O mote da viagem no tempo quase sempre gera boas histórias. É fascinante imaginar se seria possível mudar o passado ou a própria história (ou a História). O problema são os paradoxos temporais (um homem poderia voltar no tempo e impedir seu nascimento? Se sim, quem voltou ao passado para fazê-lo?), mas este filme não está tão preocupado com eles. O que fica claro é que Bryan Singer usou do artifício das mudanças temporais para, de forma não muito sutil, dizer que "X-Men 3" não aconteceu (o que é boa notícia para a maioria dos fãs). Não chega a ser um reboot, mas "Dias de um Futuro Esquecido", assim como os "Star Trek" de J.J. Abrams, cria uma linha do tempo alternativa em que tudo é possível (inclusive dizer que todos os outros filmes da série, exceto "Primeira Classe", não aconteceram). Há boas sequências que fazem um diálogo entre as duas épocas (como um ataque dos Sentinelas); outras, como o ataque no início do filme, são editadas de forma confusa. "Dias de um Futuro Esquecido" foi bem recebido nas bilheterias, o que significa que a série tem futuro garantido no cinema.

Câmera Escura

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Lançado o primeiro trailer de "X-Men: Dias de um futuro esquecido"



O diretor Bryan Singer volta à franquia "X-Men" em um filme que vai juntar os mesmos personagens em duas épocas diferentes. Veteranos como Patrick Stewart (Xavier) e Ian McKellen (Magneto) vão dividir a tela com suas versões mais novas vistas em "X-Men: Primeira Classe", James McAvoy e Michael Fassbender. A ponte de ligação será o "imortal" Wolverine, vivido novamente por Hugh Jackman.

O filme tem estréia programada para Maio de 2014 e promete ser épico.

sábado, 27 de julho de 2013

Wolverine: Imortal

Em minha crítica para "X-Men Origens: Wolverine" (2009), o péssimo filme solo do herói interpretado por Hugh Jackman, eu dizia que "não há como ter muita empatia com um personagem indestrutível, imortal e que ainda se esquece de tudo o que aconteceu." O filme afundou nas bilheterias  e os produtores resolveram se redimir do erro. Dirigido pelo competente James Mangold (de "Os Indomáveis", 2007), "Wolverine: Imortal" faz de tudo para humanizar Logan levando o personagem para o Japão, onde ele encontra um homem que lhe oferece a chance de se tornar mortal.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Os Miseráveis

Interessante ver como uma obra pode ser traduzida para diferentes mídias, com diferentes graus de sucesso. "Os Miseráveis" é um livro  escrito por Victor Hugo em 1862. A trama segue a vida de Jean Valjean, um homem condenado a 20 anos de trabalhos forçados por roubar um pedaço de pão. Ao ser solto, ele foge da condicional e assume diversas outras identidades para não ser preso pelo cruel Inspetor Javert. A história de Victor Hugo foi transformada em um musical por Claude-Michel Schönberg e Alains Boublil em 1980, em Paris, e depois ganhou apresentações em Londres, Nova York e, com o grande sucesso, no resto do mundo.

A versão cinematográfica do musical de Schömberg ficou a cargo do diretor britânico Tom Hooper, que ganhou o Oscar de diretor pelo simpático "O Discurso do Rei", em 2010. O filme é uma superprodução pomposa com 157 minutos de duração, é todo cantado e tem um elenco estelar. Hugh Jackman (o eterno "Wolverine") é Jean Valjean, um ex-presidiário que assume outra identidade (o Sr. Madeleine), prospera e se torna o prefeito de uma cidade ao sul da França. Em seu encalço está o Inspetor Javert (Russel Crowe, de "Intrigas de Estado", "72 Horas"), um policial com um firme código de conduta que, mesmo após anos, ainda procura por Valjean. Anne Hathaway (do último "Batman") é Fantine, uma mãe solteira que é levada à prostituição após perder o emprego em uma das fábricas de Valjean; ela se prostitui para enviar dinheiro para um casal que cuida da filha dela, Cossete (Isabelle Allen quando criança, Amanda Seyfried quando adulta). O destino leva Valjean a prometer a Fantine, no leito de morte, que cuidará da filha dela como se fosse sua, e após fugir mais uma vez de Javert, Valjean se refugia em um mosteiro com a menina. A trama pula para 1832, quando um grupo de revolucionários parisienses planeja uma rebelião. Cosette, já adulta, atrai a atenção de um dos rebeldes, o jovem Marius (Eddie Redmayne, de "Sete dias com Marilyn"). Tudo poderia terminar em uma sangrenta batalha em Paris, mas a trama ainda se estende até os últimos suspiros de Jean Valjean, já velho e ainda procurando pela paz.

O diretor Tom Hooper tomou algumas decisões arriscadas nesta versão de "Os Miseráveis". Uma, que deu certo, foi fazer os atores cantarem ao vivo durante as filmagens, ao invés de dublarem uma trilha pré-gravada. Isso trouxe mais realismo para as interpretações, que soam mais naturais do que geralmente se vê em musicais. Outra decisão, que não funcionou bem, foi aproximar a câmera o máximo possível dos atores durante as quase três horas de filme. Anne Hathaway tem grandes chances de levar o Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua interpretação de "I dreamed a dream", a melhor música do filme, realizada em um plano ininterrupto de mais de três minutos de duração. A câmera fechada em Hathaway, sem cortes, passa todo o desespero da mãe que um dia teve uma vida feliz e que agora chegou ao fundo do poço, cabelos e dentes arrancados, trabalhando como prostituta e longe da filha. O problema é que o diretor usa a mesma tática em quase todos os números musicais, o que torna o filme desnecessariamente claustrofóbico. Percebe-se por trás dos atores grandes cenários (ou a sugestão deles) que simplesmente não são vistos, porque o diretor insiste em filmar em plano fechado. Há um solo de Russell Crowe em que a cidade de Paris está em segundo plano, mas é noite e podemos ver apenas as torres da Notre Dame, o resto da cidade fica na penumbra (o que é um velho truque para disfarçar efeitos especiais). O filme é longo e melodramático, o que causa tanto o choro de parte da platéia quanto a falta de paciência de outros, que abandonaram a sessão. "Os Miseráveis" foi indicado a oito Oscars, incluindo melhor filme, ator (Hugh Jackman) e atriz coadjuvante (Anne Hathaway).

ps: o longo plano de Hathaway já ganhou uma paródia no youtube em que a atriz Emma Fitzpatrick (cantando muito bem) brinca com a cena. A letra diz coisas como "eu perdi metade do meu peso, mas eles não fizeram nenhum plano aberto". Veja aqui.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

X-Men Origens: Wolverine

Com o sucesso dos longas metragens da série X-Men (dirigidos por Brian Singer e Brett Ratner), a Fox resolveu apostar em um filme baseado no mutante mais popular da saga, “Wolverine”, interpretado por Hugh Jackman. A trama é baseada em uma série de quadrinhos que explicava a origem de James Logan, um mutante com capacidade de se curar de todos os ferimentos e que tem garras retráteis que saem de seus punhos. Infelizmente, “X-Men Origens: Wolverine” é bem inferior aos filmes originais da série, e é fácil perceber porque.

“Wolverine” começa no século 19, no Canadá, quando os poderes de Logan aparecem pela primeira vez. Ele testemunha a morte do homem que julga ser seu pai e, em um ataque de fúria, lâminas de osso crescem de suas mãos e ele as usa para matar o assassino. Após o crime, ele foge do Canadá com seu meio irmão, “Dentes de Sabre” (Liev Schreiber), e eles vão para os Estados Unidos. Em uma ótima seqüência de abertura (a melhor cena do filme, diga-se de passagem), vemos como os dois passaram por uma série de guerras ao longo dos anos, como a Guerra de Secessão, as duas guerras mundiais e a Guerra do Vietnã. Descobrimos, assim, que além de indestrutíveis eles são também praticamente imortais, o que é um dos problemas do filme. O que fazer com um personagem imortal e indestrutível? Como sabemos que nada vai acontecer ao herói, como atrair o interesse e a empatia da platéia? Infelizmente, isso é feito com diversos clichês, como a inevitável namorada que vai ser morta e provocar a ira de Wolverine, o desejo de vingança, e assim por diante.

Outro problema é que os produtores, com medo de que uma censura alta pudesse prejudicar as bilheterias, insistiram para que o filme não fosse muito violento. O que provoca cenas francamente ridículas em que, após alguma luta em que deveria haver sangue e pedaços de corpos para todos os lados, vemos no máximo alguns hematomas e suor no rosto de Logan. Após a morte da namorada e sedento de vingança, ele aceita passar por um procedimento doloroso em que seus ossos são trocados por uma liga metálica indestrutível, o “Adamantium”, que veio do espaço em um meteoro. O processo na verdade é parte dos planos do Coronel Striker (Danny Huston), de construir a arma perfeita mas, como sabiamente diz um personagem, eles gastam um dinheirão para deixar Wolverine indestrutível só para passar o resto do filme tentando matá-lo? Esse tipo de “lógica” talvez funcione em uma HQ, mas não em um filme com pretensões sérias como este. E que saudade do elenco dos filmes anteriores, que contavam com atores do quilate de Ian McKellen, Patrick Stewart, Famke Janssen, Halle Berry, Anna Paquin, só para citar alguns. “Wolverine” está povoado de atores desconhecidos e fracos, interpretando uma série de mutantes igualmente desinteressantes.

Assim, “Wolverine” tenta se segurar só no carisma de Hugh Jackman para se manter de pé. Jackman é bom ator e está em casa interpretando Logan/Wolverine, mas só isso não garante o sucesso do filme, que inclusive apela para o físico do ator (que chega a aparecer nu em algumas cenas rápidas e sem camisa em várias, para agradar o lado feminino da platéia). Para finalizar (e se você não assistiu “Wolverine” sugiro que pare de ler por aqui, alerta de SPOILER), o final é extremamente decepcionante. Qual a razão de se fazer um filme que mostre o passado de um personagem se ele não vai aprender nada com ele? Sim, já sabíamos em X-Men que Logan não se lembrava do passado, mas isso só comprova que este filme não tinha razão de ser. Novamente, não há como ter muita empatia com um personagem indestrutível, imortal e que, depois de tudo, ainda se esquece de tudo o que aconteceu.