Radioactive (2019). Dir: Marjane Satrapi. Netflix. Biografia da cientista Marie Curie (Rosamund Pike), a primeira mulher a ganhar não só um, mas dois prêmios Nobel. Pena que o filme seja tão quadradinho. A Marie Curie interpretada por Rosamund Pike tem só dois humores: combativa ou sorridente, não há meio termo. Na tentativa de ser didático, o filme se transforma em um "especial de TV" em momentos em que uma arte em computação gráfica aparece na tela para ilustrar algum conceito científico. Vemos representações de átomos e reações físico-químicas como em algum documentário da BBC, por exemplo, enquanto Marie Curie explica para alguém o que ela está estudando.
Mais estranho ainda são cenas que aparecem do nada mostrando acontecimentos no futuro, envolvendo radiação. O problema é que estas cenas são entrecortadas com os acontecimentos no começo do século XX, e para um desavisado vai parecer que o discurso que Pierre Curie fez ao receber o Prêmio Nobel em 1903 aconteceu ao mesmo tempo que o lançamento da bomba de Hiroshima em 1945, por exemplo. Isso é repetido em outros momentos, aleatoriamente, com recriações de testes nucleares em Nevada nos anos 1950 ou mesmo o desastre nuclear de Chernobyl, em 1986.
Por fim, para uma biografia, há vários problemas históricos. No filme, apenas o marido de Marie, Pierre, vai receber o prêmio Nobel, o que causa uma cena de revolta e ciúmes em Marie. Tenho certeza que Marie Curie sofreu muito preconceito por ser uma mulher, mas por que inventar uma situação que não aconteceu, justamente com o prêmio Nobel? Rosamund Pike faz o que pode com o papel, que é mal escrito. A direção é de Marjane Satrapi, que fez a ótima animação "Persépolis" (2007). Tá na Netflix.
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quinta-feira, 15 de abril de 2021
Radioactive (2019)
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terça-feira, 15 de setembro de 2009
Persépolis
Persépolis é a versão animada da premiada “graphic novel” autobiográfica de Marjane Satrapi. Indicada ao Oscar de Melhor Animação, o filme está longe do tom infantil associado a desenhos animados. Assim como “Valsa com Bashir”, Persépolis é um filme adulto, denso e que lida com assuntos como intolerância, perseguição e os efeitos da guerra.Persépolis conta a história de Marjane a partir de sua infância no Irã, na década de 70. O clima político é tenso e o Xá (o monarca do país) está sendo derrubado pelo povo. Os pais de Marjane acreditam que o país será mais democrático com isso, mas a monarquia é substituída pelo fanatismo islâmico. A pequena Marjane, como toda criança, transforma a realidade à sua volta para sua fantasia, e acredita poder falar com Deus e ser sua profetiza. Quando um tio comunista é solto da prisão, ela o vê como herói e se torna sua principal confidente, e sofre quando o vê ser preso pelo novo regime e executado.
O filme é feito em preto e branco, com um traço simples, mas elegante, baseado nos quadrinhos. A própria Satrapi adaptou e dirigiu a versão cinematográfica de sua HQ para a telona. É interessante e revelador ter acesso a um ponto de vista pouco conhecido no ocidente, a vida de uma garota comum em um país em constantes conflitos tanto internos quanto externos. Marjane, quando adolescente, gosta de fitas de rock pesado, que compra no mercado negro, e está sempre falando mais do que deveria na escola. Como mulher, sofre com o rígido código de vestimenta e com a moralidade islâmica. A família, com medo de que ela seja presa pelo governo, a manda estudar em Viena, na Áustria, onde ela se sente um peixe fora d´água. Os colegas se interessam pelo seu lado “exótico” e pelas histórias de terror que ela tem para contar sobre a guerra com o Iraque. Conhece o amor, e sexo e a desilusão de ser traída pelo namorado. Acaba nas ruas, onde quase morre e fome e doenças.
De volta ao Irã, ela descobre que, apesar da guerra ter acabado, o país continua mais retrógrado do que nunca. Há uma cena emblemática em que alunos de uma escola de arte tentam desenhar uma modelo coberta dos pés à cabeça, e a própria Marjane quase é presa por estar usando maquiagem ou por ser vista de mãos dadas com o namorado.
A animação tem as vozes originais de Chiara Mastroiani e Catherine Deneuve, e é falado em francês. “Persépolis”, a propósito, era o nome da capital do antigo Império Persa, atual Irã. Uma região rica em História, guerras e contradições. Os Estados Unidos apoiaram Saddan Russein (que depois seria considerado inimigo) durante a guerra entre o Irã e o Iraque, que durou oito anos. Hoje a situação política ainda é tensa, com a ameaça de existência de armas nucleares e constantes problemas religiosos.
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