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terça-feira, 13 de abril de 2021

O Sócio (The Associate, 1996)

 

O Sócio (The Associate, 1996). Dir: Donald Petrie. Netflix. Nunca havia ouvido falar nesta comédia bobinha com Whoopi Goldberg. Feita nos anos 90, ela lembra mais o clima financeiro dos anos 80, que o cinema festejou em filmes sobre a bolsa de valores, pessoas ganhando muito dinheiro, etc. O filme tem até a obrigatória participação especial de Donald Trump interpretando ele mesmo.

Whoopi Goldberg é Laurel, uma inteligente mulher de negócios que é passada para trás em uma grande firma de Wall Street pelo fato de ser mulher. Ela resolve abrir a próprio firma mas não consegue marcar uma reunião com nenhuma empresa. Até que ela tem a ideia de dizer que ela tem um sócio misterioso chamado Robert Cutty, que seria um gênio nas finanças. O chefe estaria sempre viajando ou "preso em uma reunião em Bangkok", enquanto Whoopi vende suas ideias para grandes empresas. O mercado fica alvoroçado com o investidor misterioso e logo Whoopi Goldberg tem que lidar com um ex companheiro de trabalho (Tim Daly), uma jornalista inescrupulosa e um investidor poderoso (interpretado pelo grande Eli Wallach). Diane Wiest interpreta Sally, a esperta secretária de Whoopi, e Bebe Neuwirth é daquele tipo de executiva que usa o corpo para subir na empresa.

O filme é bem bobinho e é baseado em uma produção francesa. Para passar o tempo. Tá na Netflix.

domingo, 2 de setembro de 2012

Margin Call - O dia antes do fim

"É só dinheiro", diz o chefão de uma grande empresa financeira em Wall Street. "São pedaços de papel com figuras que nos impedem de ter que brigar por comida". A principal força por trás de "Margin Call", além do fantástico elenco, é o quão claro ele mostra como as grandes transações do mercado financeiro são, no fundo, um grande jogo de adivinhações e atribuir valor a algo que, na verdade, talvez nem exista.

O filme, escrito e dirigido por J. C. Chandor, mostra 24 horas na vida de um grupo de funcionários de uma empresa de Wall Street. As 24 horas que antecederam o grande crash de 2008, quando a bolha do mercado imobiliário americano, há meses inflada artificialmente por especuladores, finalmente estourou. É um grande filme, dirigido em um estilo que lembra o que Michael Mann usou em "O Informante" e filmes similares. O elenco de peso inclui Paul Bettany, Zachary Quinto, Kevin Spacey, Jeremy Irons, Demi Moore, Stanley Tucci, entre outros. É o personagem de Tucci, Eric Dale, um analista de riscos, que descobre que há um problema com as contas. Ele não consegue soar o alarme pois, na véspera do crash, ele e vários outros funcionários são demitidos em um corte de gastos. Por razões de segurança, ele tem seu e-mail e celular cortados e, após 19 anos de trabalho, é escoltado por um segurança até o elevador. Pouco antes de sair, no entanto, ele entrega um pendrive a um jovem chamado Peter Sullivan (Zachary Quinto, o Sr. Spock da nova Jornada nas Estrelas). "Cuidado", diz ele. Sullivan, apesar da pouca idade, é um doutor em engenharia aeroespacial que foi atraído pelo dinheiro de Wall Street. Ele consegue deduzir pelas anotações de Dale que a empresa vem trabalhando com números superfaturados há semanas. Lentamente, o filme mostra como  o pânico começa a se espalhar pelos corredores da firma, enquanto a informação vai chegando a níveis hierárquicos superiores. A notícia chega aos ouvidos do chefão da empresa, John Tuld (Jeremy Irons), que vem de helicóptero, no meio da madrugada, intervir. (mais abaixo)


O roteirista/diretor consegue realizar a difícil tarefa de transmitir o que está acontecendo mesmo para quem ignora o jargão financeiro. O filme se passa quase todo durante a noite, enquanto o resto do mundo dorme, um paralelo com a situação de Wall Street em 2008, aparentemente rica, mas a ponto de desabar. Jeremy Irons, com seu modo britânico sofisticado, mostra com que frieza se pode salvar a própria pele vendendo milhões de ações que, no fundo, não valem nada. O personagem de Kevin Spacey é um dos únicos que mostra alguma indignação moral frente ao esquema proposto pelo chefe, não que isso o impeça de fazer o trabalho. Zachary Quinto, o analista, lida apenas com números, independente do que eles vão significar para as pessoas "comuns". Stanley Tucci tem um bom monólogo em que lembra da época em que, engenheiro civil, construiu uma ponte que encurtou em dezenas de quilômetros a distância percorrida pelos motoristas. Hoje, enquanto o mercado desaba à volta dos personagens, todos recolhem seus bônus e continuam com seu trabalho. Filme disponível em DVD. PS: Para uma visão mais técnica do que foi a crise de 2008, veja o documentário "Trabalho Interno".

quarta-feira, 9 de março de 2011

Trabalho Interno

Ao subir ao palco do "Kodak Theater" para receber o Oscar de Melhor Documentário em 27 de fevereiro deste ano, o diretor Charles Ferguson salientou que nenhum executivo mostrado em seu filme havia sido preso por fraude finaceira. "E isso é errado", disse ele. Ferguson detalha, nas cinco partes de seu documentário, como é que a maior crise financeira da história americana se formou, implodiu e foi resgatada pelo governo americano, enquanto milhões de pessoas perderam suas casas e empregos mundo afora.

Não é uma história fácil de acompanhar; mas o roteiro de Ferguson, a narração de Matt Damon e o uso de vários gráficos ajudam o espectador a entender um mundo em que termos como "derivativos" e siglas como "DCOs" são usados normalmente. Basicamente a crise de 2008 foi causada pela exploração do mercado imobiliário. Antigamente, diz o documentário, um banco emprestava dinheiro para alguém esperando receber de volta. A hipoteca era paga ao longo de vários anos e o investimento era razoavelmente seguro para ambas as partes. Com o crescimento das instituições financeiras, as coisas mudaram. Hoje, os bancos vendem um conjunto de hipotecas para uma instituição financeira que, por sua vez, as agrupa em "pacotes" que são revendidos para outras instituições. Estes pacotes são avaliados por firmas especializadas em dar "notas" para pacotes de investimento; os melhores são classificados como "AAA" (triplo A).

Está acompanhando? O problema é que isso causa uma negociação ilusória, que aparentemente não depende mais do pagamento do dinheiro que foi emprestado no início da cadeia. As financeiras juntam estes grandes pacotes de hipotecas (que são, na verdade, dívidas) e usam este "dinheiro" para jogar na bolsa de valores ou nas companhias de seguros. Em vários casos, era mais lucrativo para uma empresa de seguros (como a gigante AIG, por exemplo) torcer contra seus investimentos. Muitos executivos financeiros apostavam milhões de dólares na falência dos mesmos papéis que eles passavam para frente como "rentáveis".

Quando o inevitável aconteceu e as pessoas não puderam pagar suas hipotecas (no início da cadeia), tudo desmoronou. Bancos como "Lehman Brothers" e seguradoras como a "AIG" não tinham dinheiro para honrar seus papéis e entraram em falência, mesmo tendo seus investimentos sido avaliados como "triplo A" poucos dias antes. O governo americano foi chamado para "resgatar" estas empresas e um pacote de 700 bilhões de dólares foi dividido entre as empresas "culpadas" pela crise, como Goldman Sachs, AIG, Merrill Lynch e outras. O mais assustador no documentário, no entanto, é o fato de que a maioria dos executivos destas empresas trabalharam ou trabalham em altos cargos do próprio governo americano, servindo como diretores do tesouro ou presidentes do "Federal Reserve" por décadas. Outro ponto preocupante levantado é que as escolas de economia como Harvard ou Columbia, formadoras dos executivos de amanhã, também são geridas por estas mesmas pessoas, que são contrárias a qualquer tipo de regulamentação e tem como objetivo proteger as instituições financeiras, e não o público.

Nem o presidente Barack Obama, que subiu à Casa Branca prometendo terminar com a "farra" em Wall Street, sai ileso; a resposta de Washington depois da crise foi quase nula e vários dos envolvidos ocupam agora postos chaves do governo. Enquanto milhares de pessoas perderam seus empregos e suas casas, os executivos continuam ganhando milhões de dólares em bônus todos os anos. Um retrato assustador de como funciona o mercado financeiro americano e como suas ações refletem em todo o mundo.