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domingo, 1 de agosto de 2021

Os Pequenos Vestígios (The Little Things, 2021)

Os Pequenos Vestígios (The Little Things, 2021). Dir: John Lee Hancock. HBO Max. (Ok, assinei a HBO Max, vamos ver se vale a pena). Este filme é como se pegassem uma temporada de "True Detective" e transformassem em um longa metragem. Temos os atores classe A (Denzel Washington, Rami Malek, Jared Leto), temos um serial killer que mata mulheres, temos aqueles quartos escuros que parecem ficar ainda mais tenebrosos quando alguém acende a luz, temos aquelas cenas de autópsia com uma mulher nua exposta sobre a mesa, temos um clima pesado e depressivo... enfim, você já viu tudo isso antes.

O que não significa que o filme seja ruim. Quem gosta de um suspense policial bem feito, mesmo que clichê, pode assistir sem medo. O melhor de "Os Pequenos Vestígios", claro, é Denzel Washington. Ele já fez filmes do tipo antes (como "O Colecionador de Ossos", 1999, com Angelina Jolie) e é meio surpreendente que tenham conseguido contratá-lo para este filme, mas ele está muito bem. Denzel interpreta um xerife de uma cidade do interior que vai até Los Angeles buscar umas provas para um caso. Ao chegar lá, é reconhecido por vários outros policiais e ficamos sabendo que ele já havia trabalhado como detetive em Los Angeles. Rami Malek é o detetive que substituiu Denzel quando ele saiu da cidade, há cinco anos. Malek, ao contrário de Denzel Washington, está muito estranho. Ele não me convenceu em nenhum momento como um detetive "estrela" de homicídios. A bem da verdade, em vários momentos ele ainda parece estar interpretando Freddie Mercury, rs. Malek está investigando uma série de mortes de mulheres em Los Angeles e (coincidência) o caso pode ter ligação com uma investigação antiga de Denzel. E então entra Jared Leto, interpretando o louco de sempre, que pode (ou não) ser o principal suspeito do caso.

Como disse, não há nada de novo. David Fincher (Seven, Garota Exemplar, Zodíaco) teria feito um trabalho bem melhor. Nas mãos de John Lee Hancock, "Os Pequenos Vestígios" é intrigante e atmosférico o suficiente para prender a atenção. A crítica, em geral, falou muito mal do filme. Em cartaz na HBO Max.
 

sexta-feira, 19 de março de 2010

Um Sonho Possível

O Oscar é um prêmio contraditório. Um filme "pequeno" e independente como "Guerra ao Terror" derrotou a maior bilheteria de todos os tempos, "Avatar". Ao mesmo tempo, um filme ruim como "Um Sonho Possível", improvável sucesso de Sandra Bullock, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, e a própria Bullock foi considerada a Melhor Atriz do ano (sendo que, no dia anterior ao Oscar, ela havia sido "premiada" como Pior Atriz no "Framboesa de Ouro").

"Um Sonho Possível" tem todas as características de um "feel good movie", em que valores tradicionais americanos como perseverança, família e culto à vitória são defendidos. Uma das principais características da História americana, lamentavelmente, é o racismo, e fica difícil assistir a este filme sem imaginar que ele prega exatamente o oposto do que defende. Sandra Bullock é Leigh Anne Tuhoy, uma mulher rica, cristã e poderosa do sul dos Estados Unidos. Sua família de comercial de televisão é composta por um marido bondoso, uma filha estudiosa e um garoto "esperto". Uma noite fria Leigh Anne vê um jovem negro andando na calçada e pede para o marido parar o carro. Ele é "Big Mike" (Quinton Aaron), um rapaz pobre que conseguiu uma bolsa de estudos para frequentar a mesma escola católica que os filhos de Leigh. Mike é o típico "negro inofensivo" dos filmes (racistas) americanos. Ele é alto e forte, mas tem o coração de uma criança. E, claro, precisa ser salvo por um branco para ser alguém na vida. Sem qualquer objeção do marido ou dos filhos, Leigh Anne convida o rapaz para passar a noite na casa deles, e ele vai ficando. Sem dúvida o filme quer passar valores como solidariedade e amor ao próximo, mas a sensação que o ele passa é a de que Big Mike não passa de um cachorrinho perdido, levado para cima e para baixo pela dona, que o leva para comprar roupas e separa um quarto para ele na casa.

A não ser por alguns comentários das companheiras "dondocas" de Leigh Anne, a transformação instantânea de Big Mike em filho adotivo da família Tuhoy acontece na maior tranquilidade. Não há problemas de adaptação de nenhum dos dois lados, nenhum sinal de revolta por parte de Mike ou de racismo por parte dos Tuhoy. Na escola, apesar de Mike nunca ter tirado notas boas, uma professora encontra, inacreditavelmente, um texto dele no lixo, em que descreve, em prosa e gramática perfeitas, como ele se sente perdido em meio aos "muros brancos" que o cercam. Escrito e dirigido por John Lee Hancock, o filme é "baseado em fatos reais", o que não impede que ele seja completamente inverossímil. Big Mike é adotado legalmente pela família e começa a praticar futebol americano, devido à sua força e tamanho. Mas, novamente, ele é visto como se fosse um portador de necessidades especiais, incapaz de entender o jogo ou o que o técnico quer dele. O que não o impede, milagrosamente, de se tornar a grande atração do time e futura promessa entre os profissionais.

Por tudo isso, "Um Sonho Possível" é formuláico, retrógrado e mau cinema. A interpretação de Bullock não tem nada de excepcional e sua vitória no último Oscar é tão inacreditável quanto o roteiro deste filme.