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segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Viagem ao Topo da Terra (Le sommet des dieux, 2021)

Viagem ao Topo da Terra (Le sommet des dieux, 2021). Dir: Patrick Imbert. Netflix. Belíssima animação para adultos baseada em um mangá de Jirô Taniguchi e Baku Yumemakura, "Viagem ao Topo da Terra" é como uma pintura em movimento. A produção é internacional (a maioria francesa), embora a trama trate de personagens japoneses. O visual é bastante realista, apesar das cores fortes, e há belas sequências de escalada em diversas montanhas pela Europa e pela Ásia.

A trama acompanha um fotógrafo de aventuras chamado Fukamachi (voz de Damien Boisseau), que é especialista em fotografar escaladas. Ele começa a pesquisar a vida de um alpinista japonês chamado Habu Joji (Eric Herson-Macarel), que havia partido para o Himalaia e desaparecido. Diversos flashbacks mostram a vida de Habu e sua obsessão com as montanhas. Fechado e de poucas palavras, ele não era muito querido pelos outros alpinistas porque gostava de escalar sozinho. O fotógrafo consegue encontrá-lo e tenta convencê-lo a tentar subir o Everest com ele, documentando a viagem.

Há belas sequências de paisagens geladas e noites estreladas. O design sonoro também é muito bom, repare como o som muda conforme eles vão subindo para altitudes acima dos 8 mil metros. Depois de um tempo você até se esquece que está vendo uma animação e parece que está vendo um belo filme de viagem. Tá na Netflix. 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Erased (Boku dake ga inai machi, 2016)

Erased (Boku dake ga inai machi, 2016). Dir: Tomohiko Itō. Netflix. Gostei muito desta série de suspense disponível na Netflix. Nunca deixo de me surpreender com a  capacidade dos japoneses em criar material sério e adulto através da animação, e "Erased" é um dos melhores exemplos. São doze capítulos (por volta de 20 minutos cada) contando a história de Satoru, um desenhista de 29 anos que tem um "poder": em momentos aleatórios, ele é capaz de voltar alguns minutos no tempo e salvar alguém de algum perigo, como um garoto que ia ser atropelado por um caminhão, por exemplo.

Quando a mãe de Satoru é brutalmente assassinada, o rapaz acaba sendo jogado 18 anos no passado, quando era um garoto na gelada província de Hokkaido, norte do Japão. Por que ele voltou tanto no tempo? O que ele pode fazer para impedir a morte da mãe, 18 anos no futuro? A trama, baseada em um mangá escrito por Kei Sanbe, envolve um serial killer, abuso infantil e outros assuntos pesados. O diretor trabalhou em outro anime pesado japonês, o ótimo "Death Note", e ele consegue aqui um equilíbrio delicado entre assuntos pesados e ótimas sequências de companheirismo, amizade e a relação entre pais e filhos. Satoru é um homem de 29 anos no corpo de um menino de 11 mas, depois de uns dias ele não consegue evitar agir e reagir como uma criança. Ainda assim, ele tenta de tudo para evitar o sequestro e assassinato de companheiros da escola, como a garota Kayo Hinazuki, que é constantemente agredida pela mãe. A trama então lida com aquele velho dilema das histórias que envolvem viagens no tempo: é possível mudar o futuro? Ou as coisas se repetem não importa o que você faça?

Há algumas idas e vindas entre presente e passado, mas certamente os melhores episódios são os que tratam da infância de Satoru. A animação é tecnicamente bem feita, com um bom jogo de luzes e sombras nos momentos de suspense. Dando uma lida pela internet soube que há também um filme e uma série com atores (disponível na Netflix) baseada no mesmo mangá, e que esta série animada teria modificado a trama original. Recomendo. Tá na Netflix.