Passageiro Acidental (Stowaway, 2021). Dir: Joe Penna. Netflix. O diretor Joe Penna é um brasileiro de São Paulo que foi um dos primeiros sucessos mundiais do YouTube. Com o nome "Mystery Guitar Man", Penna lançava vídeos semanais muito bem feitos com animações, música e efeitos especiais. O próprio youtuber estrelava vários dos vídeos, sempre cheio de energia e movimento. Curioso que seus dois longas metragens, "Ártico" (2018, com Mads Mikkelsen) e este "Passageiro Acidental" sejam filmes lentos e meditativos.
Estrelado por Anna Kendrick, Daniel Dae Kim, Shamier Anderson e a grande Toni Collette, "Passageiro Acidental" está mais para "Gravidade" do que para "Perdido em Marte". Três astronautas (Kendrick, Kim e Collette) partem da Terra para uma missão de dois anos até Marte. A câmera de Penna acompanha o lançamento quase em tempo real e nunca vemos o pessoal do controle terrestre. Eles atingem a órbita, acoplam com a nave principal e estão a caminho de Marte quando o impossível acontece: um homem desacordado cai de um dos painéis. Não fica bem explicado se foi um acidente ou se ele se escondeu antes do lançamento, o caso é que os três astronautas têm que lidar com o fato de terem um passageiro a bordo. Só que a nave já havia sido projetada para, no máximo, três passageiros, e há um problema com o coletor de dióxido de carbono. Há o suficiente para todos chegarem à Marte ou alguém vai ter que se sacrificar pelo bem maior?
É um filme lento, não espere grandes cenas de ação. Em "Ártico", Joe Penna mostrava Mads Mikkelsen tentando sobreviver ao frio em um filme praticamente mudo. Aqui os personagens tentam solucionar os problemas à base do diálogo, mas a Natureza e o equipamento não estão colaborando. Não há um Matt Damon fazendo piadas ou centenas de técnicos da NASA tentando resolver o problema em Houston. O que resta são cenas com boas interpretações e momentos humanos. Dá pra ver que os roteiristas (Joe Penna e Ryan Morrison) tentaram ser cientificamente corretos, há longas cenas mostrando a disposição da nave e como funciona o sistema de gravidade artificial. É um bom filme, com algumas cenas bonitas mas, ao final, fica a sensação de que faltou alguma coisa. Tá na Netflix.
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quarta-feira, 5 de maio de 2021
Passageiro Acidental (Stowaway, 2021)
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
2012
"Roland Emmerich: orgulhosamente destruindo o mundo desde 1996". Este deveria ser o "slogan" deste diretor alemão que se especializou em elevar o gênero do "disarter movie" quase que a uma forma de arte. Em 1996 ele lançou "Independence Day", em que alienígenas hostis destruíam ícones americanos como a Casa Branca e o edifício Empire State com raios poderosos. Na época, as cenas de destruição em massa foram consideradas espetaculares. O próprio Emmerich foi mais longe na destruição do mundo em seu "O dia depois do amanhã", em 2004. Agora ele lançou o "disaster movie" mais espetacular de sua carreira e, provavelmente, de toda história do cinema. "2012" não se limita a mostrar alguns prédios explodindo ou pessoas morrendo. O filme mostra a Natureza engolindo cidades inteiras em gigantescos terremotos, que são seguidos por tsunamis, acompanhados por vulcões, chuva de lava fumegante, fumaça e assim por diante.John Cusack interpreta o típico "herói" de Emmerich, um cara inteligente, abandonado pela mulher e sub-aproveitado em alguma ocupação inferior à sua real capacidade. Ele é pai de um casal de crianças e os olhos de sua ex-mulher Kate (Amanda Peet) ainda brilham quando ele aparece para buscar os filhos. Ele é um escritor que vendeu menos de 500 cópias de seu livro de ficção científica mas, ainda assim, é reconhecido quando é pego pelo governo em uma área proibida do parque Yellowstone. O elenco ainda conta com Chiwetel Ejiofor como o cientista que, auxiliado por colegas da Índia, descobre que o mundo está para terminar em alguns anos, devido a neutrinos perigosos enviados pelo Sol. A data, 2012, coincidiria com antigas previsões Maias que marcam a data como o fim do mundo. Ejiofor, Cusack e Peet são acompanhados no elenco por participações especiais de Woody Harrelson como um locutor de rádio maluco que também havia previsto o fim do mundo, por Danny Glover como o presidente dos Estados Unidos e por Thandie Newton como sua filha.
É um filme de efeitos especiais, e os 250 milhões de dólares do orçamento podem ser claramente vistos na tela. O roteiro é formado por uma série de sequencias que envolvem antecipação, desastre natural e fuga espetacular dos heróis de perigos cada vez maiores. E quem foi ao cinema para ver cenas de destruição não vai sair decepcionado. As fugas começam com uma limosine que consegue fugir da onda de choque de um terremoto em Los Angeles, seguida por outra sequencia espetacular em um avião particular em que o espectador é levado pelo ar enquanto edifícios inteiros se desintegram à sua volta. "2012" é desnecessariamente longo, com duas horas de quarenta minutos de duração, e a parte final se arrasta. Claro que é absurdo e não deve ser levado a sério nem por um segundo. Mas é o tipo do filme em que se deve deixar o cérebro na sala de espera do cinema e se divertir.
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