Depois a louca sou eu (2021). Dir: Julia Rezende. Amazon Prime. Versão para cinema do livro de Tati Bernardi, publicitária que lidou com vários ataques de pânico e ansiedade e transformou seus problemas em uma carreira literária de sucesso. Dani (Débora Falabella) só queria se uma pessoa "normal". O problema é que, para ela, tudo é exagerado e excessivo. Uma simples ida à praia no final do ano se transforma em uma operação de logística em que ela contrata um táxi para ficar de plantão caso (ou quando) ela se desesperar e quiser voltar para casa. A mãe (Yara de Novaes) é daquelas super protetoras que falam coisas como "Vá sim, filha, vá se divertir. Não pense que você está abandonando sua mãe sozinha, não, pode ir tranquila".
O filme, no começo, até parece que vai ser daquelas comédias bobinhas da Globo Filmes com trilhas agitadas, gráficos na tela e narração esperta. A trama encara com certo realismo a situação complicada das pessoas com síndrome do pânico; há muito humor, sim, mas há também boas doses de realidade, como quando vemos Dani se viciar em Rivotril e outros remédios tarja preta simplesmente para poder navegar pela vida. O mesmo acontece com as cenas de amor e sexo, que vão se tornando mais pesadas conforme o filme avança.
Débora Falabella está muito bem como Dani e a personagem também é vista quando criança e adolescente. O filme foi feito em 2019 mas a pandemia adiou o lançamento nos cinemas até o começo deste ano e, agora, está disponível na Amazon Prime.
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sexta-feira, 21 de maio de 2021
Depois a louca sou eu (2021)
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sábado, 12 de setembro de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Entre Abelhas
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terça-feira, 19 de março de 2013
A Busca
Roteiro e direção lutam o tempo todo em "A Busca", estréia na direção do publicitário Luciano Moura, da produtora "O2 Filmes" (de Fernando Meirelles). O roteiro, escrito por Elena Soarez e pelo próprio Moura, tem tendências fantasiosas e até poéticas, dando pouca importância à verossimilhança. Já a direção de Moura, que já dirigiu mais de 500 comerciais, é tecnicamente competente e com um estilo realista. Têm-se, assim, uma fantasia filmada como se fosse um thriller, e o resultado é confuso.
Wagner Moura (carregando o filme nas costas) é Theo, um médico que é bem sucedido mas é a cara do desespero. É completamente apaixonado pela mulher, a também médica Branca (Mariana Lima), que quer o divórcio. "O que eu tenho que fazer?", implora ele, que pagou pela casa, está construindo uma piscina e pretende enviar o filho de 15 anos, Pedro, à Nova Zelândia em um intercâmbio. Sofrimento de classe média alta, com boas interpretações de Moura e Mariana Lima. No meio do fogo serrado, o garoto Pedro (Brás Antunes) mente aos pais dizendo que vai viajar com um amigo no final de semana mas, na verdade, ele decide fugir de casa. É então que o conflito entre roteiro poético e filme de gênero começa; Pedro teria falsificado o RG para adotar um cavalo de um abrigo de animais. O espaço geográfico nunca fica claro (o que é um problema em um road movie), mas presume-se que Pedro partiu das imediações de São Paulo, montado em um cavalo, e o pai (dirigindo um carro da marca que patrocina o filme) vai em seu encalço. De forma bem pouco realista, Theo encontra várias pessoas que, sim, viram passar por ali um rapaz montado em um cavalo negro, e o pobre homem passa o diabo em sua busca pelo filho. Há cenas interessantes, como a passada em uma barca que teria transportado Pedro (e o cavalo) através de um rio. Outras são bastante improváveis, como da vez em que Wagner Moura chega a uma vila com várias casinhas, antenas parabólicas no telhado, e ninguém ali tem um telefone, seja fixo ou celular, a não ser um senhor cardíaco que se recusa a emprestar o aparelho. Ou quando Theo chega a uma rave com centenas de jovens e logo a primeira garota com quem ele conversa, surpresa, não só viu Pedro como sabe onde ele passou a noite.
Tudo isto mostra a inexperiência do diretor, mas as boas interpretações e um final tocante, com participação de Lima Duarte, até compensam os vários tropeços. Há um bom trabalho de som e na qualidade técnica em geral. Só é necessária boa vontade do espectador em abraçar o roteiro capenga. Visto no Kinoplex, em Campinas.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Desenrola
Obs: O texto abaixo foi escrito quando da exibição de "Desenrola" no Festival Paulínia de Cinema, em julho de 2010."Desenrola" de Rosana Svartman, é uma boa surpresa. No início se tem a impressão de que vamos ver um capítulo longo de Malhação; há uma escola de classe média no Rio de Janeiro, adolescentes "irados", trilha sonora ensurdecedora, atores e atrizes "globais", como Cláudia Ohana, e a participação de Pedro Bial como o professor de matemática não prometiam muito. Aos poucos, porém, a história da jovem Priscilla (Olívia Torres, uma graça) e seus colegas vão conquistando o público. Os dramas adolescentes apresentados são os de sempre; paqueras, ciúmes, foras e a eterna preocupação com a "primeira vez". Mas estes temas são apresentados de forma natural e engraçada. Priscilla é apaixonada por Rafa (Kayky Brito), o "gostosão" da praia, mas ela põe tudo a perder com ele ao revelar que é virgem. Isso lhe dá a idéia para um trabalho de estatística que seu grupo tem que fazer para o colégio. Quantas garotas ainda seriam virgens na escola? A pesquisa acaba gerando vários boatos sobre Priscilla, inclusive um video em que um garoto, Boca (Lucas Salles), diz que ela "faz de tudo", acaba indo para o youtube. No início ela fica brava mas, depois do fora que levou de Rafa, quem sabe a fama de "galinha" não seja uma boa?
O roteiro, da própria diretora com Juliana Lins, é divertido e o filme acerta ao retratar os jovens de hoje com os mesmos dramas universais que seus pais passaram no "século passado". Há boas referências a coisas "antigas" como fitas K7 e Walkman, além de músicas tema dos anos 80, como "Don´t you forget about me", do Simple Minds. Sim, o filme é extremamente "global", comercial e, como já disse, chega perigosamente perto de ser um capítulo de Malhação em diversos momentos, mas a direção, roteiro e elenco conseguem se elevar acima disso, e "Desenrola" acaba resultando em um filme gostoso de assistir.
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