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sábado, 19 de novembro de 2022

Zen – Grogu and Dust Bunnies (2022)

 
Zen – Grogu and Dust Bunnies (2022). Dir: Katsuya Kondo. Disney+. Semana passada a internet estava ansiosa por causa de alguns teasers publicados pelo lendário Estúdios Ghibli que acenavam para uma parceria com a Lucasfilm (Disney). Havia até uma foto que mostrava uma estátua do Mestre Yoda, em primeiro plano, e de Hayao Miyazaki, embaçado, ao fundo.


A verdade é que houve, sim, uma parceria, mas para um simples curta-metragem estrelado por Grogu (Baby Yoda, para os íntimos) e aqueles personagens de pó que apareceram em "Meu Amigo Totorô" (1988) e "A Viagem de Chihiro" (2001). O curta é dirigido e desenhado por Katsuya Kondo, que trabalha há anos na Ghibli e foi diretor de animação de longas como "O Serviço de Entregas da Kiki" (1989) e "Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar" (2008).

É bem bonitinho e, como diz o título, "zen". É desenhado à mão com traços simples, sobre um fundo genérico. A trilha sonora é do músico de "The Mandalorian", Ludwig Göransson, e poderia ser muito melhor (estou com vontade de fazer uma edição aqui com as trilhas do mestre Jou Hisaishi, rs). Não sei se mais parcerias vão acontecer, mas uma porta foi aberta. Disponível na Disney+.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (Gake no ue no Ponyo, 2008)

Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar (Gake no ue no Ponyo, 2008). Dir: Hayao Miyazaki. Netflix. Quantas vezes já vi essa animação? Não me lembro, mas nada como "Ponyo" para levantar o ânimo e achar que o mundo tem jeito. Escrito e dirigido pelo lendário Hayao Miyazaki, "Ponyo" é uma delícia. Quem já viu o documentário sobre ele, feito pela TV japonesa NHK, sabe como o mestre tem um jeito único de trabalhar. Miyazaki não parte de um roteiro escrito e fechado; ele passa semanas rascunhando, pintando aquarelas, criando personagens e imaginando cenas enquanto tenta "achar" o filme.

A "história de amor" entre um peixe e um menino tem ecos de "A pequena sereia" e é curioso que eu tenha visto "Luca" semana passada, que também bebeu da mesma fonte. Com a possível exceção de "Meu amigo Totorô" (1988), esta é a animação mais infantil de Hayao Miyazaki, mas não no mau sentido (como em "Luca"). Ele não subestima o público ou dá tudo de mão beijada. Não se explica porque Ponyo é uma peixinha que tem um "rosto" humano desde o começo. O caso é que ela quer conhecer o mundo terrestre e cria uma forte relação com um garoto que a resgata no mar. As cores são belíssimas e os fundos parecem pintados com lápis de cor.

O menino, curiosamente, nunca chama a mãe de "mãe", mas pelo nome, Lisa. O pai, que é capitão de um navio, também não é chamado de "pai" (embora o garoto diga à peixinha que ele é o pai dele). E mesmo quando o mar sobe e engole quase toda a terra, ninguém se desespera ou perde a esperança; pelo contrário, vemos aquela organização bem japonesa quando os moradores se juntam em barcos. O menino até chora um pouco quando não acha a mãe mas, no geral, é dono do próprio nariz, com cinco anos de idade. O final é maravilhoso, espécie de conto de fadas moderno. A trilha de Joe Hisaishi, como sempre, é de outro mundo. Para ver e rever. Tá na Netflix

domingo, 20 de junho de 2021

Luca (2021)

 

Luca (2021). Dir: Enrico Casarosa. Lançado diretamente na Disney+, esta animação da Pixar realmente está mais para um "filme de TV" do que para um lançamento de cinema. O nome "Pixar" traz um monte de expectativas, claro, então talvez "Luca" receba uma crítica menos favorável minha do que se fosse de qualquer outro estúdio. O visual, claro, é lindo. Passado na costa da Itália, a animação mostra um mundo ensolarado, de cores quentes, em que a gente pode imaginar as pessoas vivendo dentro de cada casinha daquela vila de pescadores. O mundo submarino também é bonito, embora a Pixar já o tenha explorado melhor em "Procurando Nemo" (2003).

"Luca" trata de criaturas que são "monstros do mar" quando estão embaixo d´água, mas que adquirem a forma humana quando estão em terra. O personagem título, Luca (voz de Jacob Tremblay) é um garoto que (como a Pequena Sereia) sonha em conhecer o mundo terrestre. Assim como Ariel, ele coleciona objetos que caíram dos barcos, como um relógio, um copo, etc. Um dia ele conhece outro garoto chamado Alberto (Jack Dylan Grazer) que também é um "mostro do mar" mas que gosta de viver na superfície, em uma pequena ilha. Os dois formam uma grande amizade e sonham em ter uma Vespa (a icônica scooter italiana) para conhecer o mundo. Eles então partem para um vila próxima (chamada Portorosso, no que me parece uma homenagem à animação de Hayao Miyazaki, "Porco Rosso").

É tudo bem leve e, no mau sentido, "para crianças", coisa que a Pixar não costuma fazer. O roteiro lança um bocado de ideias que são esquecidas ou deixadas de lado (por exemplo, Alberto diz que seu pai simplesmente o abandonou e foi embora; por que? Quem era ele?). Há uma garota, Giulia (Ema Berman), que quer vencer uma competição local de natação, bicicleta e comer macarrão (risos); ela faz amizade com Luca e Alberto e os recruta para a competição, mas o roteiro parece usá-la mais para criar intriga entre os garotos do que para ser uma personagem de verdade. Há um vilão chamado Ercole (Saverio Raimondo), que é o valentão da cidade... e só. Roteiros da Pixar costumam ser muito mais elaborados (às vezes, até demais), mas aqui temos apenas motivações genéricas dos garotos (serem "livres"), da menina ("vencer") e do vilão (ser um vilão). Há quem diga que a trama é, no fundo, uma alegoria LGBT, e você até pode ver o filme por esta ótica (embora a amizade entre os dois garotos seja bem platônica).

Resumindo, "Luca" é visualmente belo e é "bonitinho", para crianças. Poderia ter sido muito mais. Disponível na Disney+.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Heróis Modestos (Chiisana eiyû: Kani to tamago to tômei ningen, 2018)

Heróis Modestos (Chiisana eiyû: Kani to tamago to tômei ningen, 2018). Netflix. Coletânea de três curtas-metragens animados japoneses. O primeiro é dirigido por Hiromasa Yonebayashi (de "As Memórias de Marnie", dos Estúdios Ghibli) e conta a história de uns seres pequenos que moram dentro de um córrego da floresta. A animação da água é belíssima e o curta tem uma característica interessante: os personagens falam em uma língua inventada, sem tradução. Na trama, uma família enfrenta os perigos do mundo submarino, como grandes carpas que parecem monstros. História simples e visualmente bela.

O segundo curta é dirigido por Yoshiyuki Momose e conta a história de um garoto que tem uma forte alergia alimentar. Ele não pode comer ovos, nem mesmo tocar em alguma coisa que tenha ovos. A animação tem belos traços e mostra a ligação entre o garoto e a mãe, que é dançarina e está constantemente preocupada com a saúde do filho.

A terceira história, bastante interessante, é dirigida por Akihiko Yamashita. É sobre um homem "invisível". Ninguém presta atenção a ele no trabalho. Quando ele entra em uma loja, os vendedores não olham para ele. É tão "invisível" que ele tem que se movimentar segurando alguma coisa pesada, como um extintor de incêndio, para não sair "voando".

São histórias simples e poéticas, com pequenos (ou grandes) atos de heroísmo dos personagens. Os três diretores passaram pelos Estúdios Ghibli em alguma função. Tá na Netflix.