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segunda-feira, 9 de março de 2015
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
A Toda Prova
Steven Soderbergh brinca com os gêneros ação e espionagem nesta obra mista; "A Toda Prova" tem explosões, artes marciais e uma heroína típicos de um filme de ação. Ao mesmo tempo, carrega as origens do cinema independente que Soderbergh tem nas veias e, por vezes, soa como uma bem feita paródia do diretor aos filmes da série "Bourne". A começar que o papel principal é da ex-lutadora de MMA Gia Carano. Ela é Mallory Kane, soldado contratada de uma firma particular americana que presta serviços ao governo (e também faz serviços sujos por conta própria). Mallory é bonita, atlética e incansável, capaz de correr atrás de um bandido por quarteirões ou vencer uma luta corpo a corpo com tropas de elite europeias. Após um serviço de resgate em Barcelona, Mallory é traída pelo seu chefe, Kenneth (Ewan McGregor), que a coloca em uma armadilha. Ela é enviada à Irlanda para fazer par com um agente britânico interpretado por Michael Fassbender, e descobre que havia sido usada em Barcelona para entregar um refém a um grupo rival (liderado pelo ator francês Mathieu Kassovitz). No quarto de hotel, Fassbender tenta matá-la. "Nunca pense nela como uma mulher", prevenira McGregor.
Pode-se notar nesta sinopse duas coisas: o elenco excepcional e a trama confusa. Soderbergh usa de seu prestígio para colocar em papéis coadjuvantes atores do calibre de Fassbender, Michael Douglas, Antonio Banderas, Bill Paxton, Kassovitz, entre outros. Eles servem também para ajudar na interpretação de Gia Carano, que apesar de bonita e lutar muito bem, não é grande atriz. Mas não é ruim, dentro das limitações do papel. A trama usa de todos os clichês de filmes de espionagem, como as locações internacionais (Barcelona, Dublin, Londres, Nova York) e as reviravoltas do gênero. Soderbergh, no entanto, coloca uma pitada de filme independente e autoral na obra, assim como fez com as série "Onze Homens e um Segredo". Ele assina não só a direção, mas a direção de fotografia e a edição (sob pseudônimos), coisa que fez até em filmes de grande orçamento como "Traffic" (2000), pelo qual ganhou o Oscar de melhor diretor. A sequencia passada em Barcelona, quando Mallory e equipe resgatam um refém, subverte os clichês na montagem e principalmente na trilha sonora de David Holmes.
O roteiro de Lem Dobbs tenta humanizar a personagem através da figura de seu pai (Bill Paxton) e em uma cena (vergonhosa, é verdade) em que Mallory chora a morte de um colega de trabalho. No resto do tempo, no entanto, Mallory Kane é implacável como Jason Bourne e distribui socos e chutes em cenas de luta muito bem coreografadas. "A Toda Prova" não traz nada de novo, mas entretém e é bem feito, e Soderbergh coloca seu toque pessoal na obra.
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domingo, 4 de dezembro de 2011
Gato de Botas
O primeiro "Shrek" foi lançado pela DreamWorks em 2001 e foi um sucesso acima do inesperado. O sarcasmo e as piadas rasas foram consideradas uma resposta ao estilo comportado dos filmes da Pixar e "Shrek" foi recebido com entusiasmo nas bilheterias. Entre as dezenas de paródias com os contos de fadas havia um personagem que chamou a atenção, o gatinho de olhos grandes e voz suave (de Antonio Banderas) chamado Gato de Botas. O ogro verde teve mais três continuações, arrecadou uma fortuna e o Gato de Botas acaba de ganhar seu primeiro filme.
Dirigido por Chris Miller (de "Shrek Terceiro"), "Gato de Botas" é melhor do que se poderia esperar. Miller é também ator e interpretou a voz de vários personagens da série (como o Espelho Mágico). Apesar de estar muito longe da fonte original (o conto de Charles Perrault), o "Gato de Botas" tem um humor menos sarcástico do que o apresentado na série "Shrek" e um estilo mais cinematográfico, que lembra o adotado no superior "Rango" (de Gore Verbinski). Tecnicamente a animação é extramamente bem feita, com bela iluminação e seres humanos menos caricatos que em "Shrek". Há uma sequência de dança bastante "realista" (isto é, se gatos pudessem dançar como seres humanos) e boas cenas de perseguições.
O roteiro, claro, é uma bobagem. Gato de Botas, tradicional conquistador e exímio espadachim, decide roubar os "feijões mágicos". Juntam-se a ele o ovo "Humpty Dumpty" (personagem de histórias infantis tradicionais inglesas da "Mamãe Gansa") e a gata Kitty Pata Mansa (voz de Salma Hayek, no original). Eles querem os feijões para poder roubar a gansa dos ovos de ouro no castelo do Gigante, de "João e o pé de feijão". A cena em que os personagens plantam os feijões e sobem ao castelo é tão bem feita que merecia estar em um filme melhor. O resto não passa de clichês envolvendo intrigas, traições e redenção. A pergunta que os pais provavelmente estão fazendo é: as crianças vão gostar? Sim, elas irão gostar. O filme é bastante colorido, o personagem principal engraçado e o roteiro não chega a ser uma afronta tão grande à inteligência. Está longe dos bons tempos da Pixar ou de animações melhores como "Meu Malvado Favorito". Mas para uma animação baseada em um personagem secundário dos filmes de Shrek, repito, é melhor do que se poderia esperar. Site oficial em português. Topázio Cinemas.
sábado, 5 de novembro de 2011
A Pele que Habito
Há diversos momentos de repulsa em A Pele que Habito. Momentos em que a sensação de se estar testemunhando algo errado se faz sentir. Uma coisa de pele. Ao mesmo tempo, este é Pedro Almodóvar, com seus maravilhosos movimentos laterais de câmera, com a trilha impecável (à Bernard Hermann) de Alberto Iglesias e fotografia de José Luis Alcaine. E as mulheres de Almodóvar; neste filme, na falta de uma Penélope Cruz, há Elena Anaya, que interpreta Vera, uma misteriosa mulher que habita um quarto de uma mansão em Toledo, Espanha. Vera pratica yoga, faz esculturas, vê documentários e lê muito; veste uma roupa que, como uma segunda pele, a cobre do pescoço aos pés. Ela é prisioneira ou se mantém por vontade própria na casa de Robert (Antonio Banderas)? Ele é um cirurgião plástico que está estudando um método revolucionário de fabricar uma pele artificial, usando métodos discutíveis.
Como em vários filmes de Almodóvar, A Pele que Habito é multifacetado e flerta com o gênero do suspense; este, com toques claros de "filmes B" de terror. Banderas é o "cientista louco" que quer revolucionar a medicina estudando diretamente com seres humanos; Vera é sua cobaia. Ou será que não é assim tão simples? Aparentemente ao acaso, diversas tramas paralelas se amontoam no roteiro, e o filme, por certo tempo, parece não ter rumo. Há um filho perdido que à casa torna, vestindo uma segunda pele na forma de uma fantasia de tigre, durante o carnaval. Há flashbacks que revelam que Robert já fora casado e tinha uma filha, sendo que a duas morreram de forma trágica. A esposa foi carbonizada em um acidente de carro; a filha, após ter sido estuprada, pulou para a morte da janela da mansão de Robert. Há também uma trama envolvendo Vicente (Jan Cornet), um rapaz que vai a uma festa e, drogado, tenta transar com uma garota linda no jardim, contra a vontade dela. Ela é Norma, a filha de Robert, que planeja uma vingança contra o rapaz.
O filme é, ao mesmo tempo, fascinante e indigesto. Há certo atropelo no roteiro, que Almodóvar escreveu baseado no livro "Tarântula", do francês Thierry Jonquet, que não tem a mesma elegância genial de Má Educação, por exemplo. Há também uma tendência forte para o bizarro, e sequências improváveis, como a volta do personagem Zeca (Roberto Álamo), para visitar a mãe Maria (a ótima Marisa Paredes), empregada do Dr. Robert. Em poucos e atropelados minutos descobre-se que ele é fugitivo da lei e Almodóvar cria uma sequência de sexo das mais bizarras de seu cinema, que não é econômico em cenas do tipo. O filme se revela genial da metade para o fim, quando as histórias paralelas se encontram e formam um quadro cruel e assustador. Robert é parte Hannibal Lecter, parte Scottie Feguson (personagem que James Stewart interpretou em Um Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock) um homem tão obcecado com a imagem da antiga amada que tenta reconstruí-la.
O tema da sexualidade (e suas perversões) tão presentes nos filmes de Almodóvar, voltam com tudo em A Pele que Habito, mas não da forma cômica que é marca registrada do diretor espanhol. Os personagens são frios e cortantes como um bisturi. Só Vera tem alguns momentos mais passionais, como na incrível cena em que, aparentemente livre, ela entra em seu quarto e fica olhando para as paredes cobertas por inscrições, datas e desenhos feitos nos anos em que ali passou. Em cartaz no Topázio Cinemas.
PS: O trailer abaixo é muito ruim e não reflete o filme de forma adequada.
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