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sábado, 11 de janeiro de 2014

Tarantino prepara novo Western

De acordo com o The Hollywood Reporter, Quentin Tarantino já tem data marcada para começar a filmar seu próximo filme, que seria rodado no verão de 2014.

Depois do sucesso de "Django Livre", Tarantino vai escrever e dirigir outro Western, que por enquanto tem o título provisório de "The Hateful Eight" ("Os oito odiados", em tradução livre). Seria uma referência a "Sete Homens e um Destino", clássico que John Sturges dirigiu em 1960? O filme de Sturges já era uma releitura americana de outro clássico, "Os Sete Samurais", do mestre japonês Arika Kurosawa. Por enquanto, só estaria confirmada a presença de Christoph Waltz no elenco. O ator austríaco já trabalhou em duas produções anteriores de Tarantino (e ganhou dois Oscars), "Bastardos Inglórios" e "Django Livre".

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Django Livre

Quentin Tarantino continua fazendo seu tipo característico de cinema, parte paródia, parte homenagem. Desde "Cães de Aluguel" (1992), passando por "Pulp Fiction" (1994), "Jackie Brown" (1997), "Kill Bill" (2003 e 2004), "À prova de  morte" (2007) a "Bastardos Inglórios" (2009), Tarantino recriou e reciclou filmes de guerra, artes marciais, "blacksploitation", etc. Com "Django Livre", a coisa fica ainda mais complicada. É um "faroeste", mas não do tipo feito por mestres como John Ford. "Django Livre" é a paródia da paródia, um filme americano ao estilo dos "faroestes spaghetti" feitos pelos italianos nas décadas de 1960 e 1970. Tarantino inclusive "empresta" o título, os letreiros iniciais e até a trilha sonora de "Django" (1966), filme de Sergio Corbucci com Franco Nero (assista aqui). Nero, aliás, aparece em uma ponta rápida.

Django (Jamie Foxx) é um escravo que é liberto por um caçador de recompensas alemão chamado Dr. King Schultz (o ótimo Christoph Waltz, de "Bastardos Inglórios" e "Deus da Carnificina"). A princípio, Schultz precisa que Django reconheça um trio que ele está procurando, mas os dois acabam formando uma parceria. Schultz fica comovido com a história de Django, que quer encontrar a esposa e libertá-la. O alemão também fica impressionado pelo fato dela se chamar Broonhilda, assim como em um mito germânico. Schultz e Django matam uma série de criminosos na primeira parte do filme e então, após o inverno, partem para a fazenda de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), onde a esposa de Django supostamente está servindo como escrava. O filme tem ótimas cenas, como uma em que Schultz mata o xerife de uma cidadezinha e sai ileso após um discurso que faz ao delegado. Longos diálogos, aliás, são outra marca registrada de Tarantino, e podem ser tanto um deleite quanto um problema. Este é um filme com quase três horas de duração e parte se deve a cenas esticadas demais pelos diálogos. É de se estranhar, também, algumas repetições escritas por Tarantino; logo no início, quando é liberto por Schultz, Django monta em um cavalo e acompanha o alemão através de uma cidade, e a frase "nunca vi um negro montando a cavalo" é repetida diversas vezes. Outra frase usada por Django, quando se refere ao prazer de ganhar dinheiro por matar brancos, também é repetida algumas vezes. O filme também tem um sério problema de ritmo e montagem. Quando um grupo da Ku Klux Klan (a organização racista do sul dos Estados Unidos) ataca o acampamento em que o Dr. Schultz e Django estariam dormindo, por exemplo, a cena é cortada por um momento engraçado em que os homens encapuzados reclamam que não conseguem ver nada através das máscaras. Apesar de ser o momento mais cômico do filme, a cena não faz sentido como está montada. O final também sofre quando um banho de sangue, que deveria ser a conclusão da história, é interrompido desnecessariamente (para continuar uns 15 minutos depois). Vale citar que a editora de todos os filmes de Tarantino, Sally Menke, morreu em 2010 e foi substituída neste filme por Fred Raskin, que era assistente dela, o que pode explicar alguns dos problemas.

Fãs do diretor, no entanto, vão se deleitar. "Django Livre" é bastante violento, divertido, bem interpretado e tem ótimos momentos. O fato de Tarantino ter tratado de um tema delicado como a escravidão causou controvérsia; o diretor Spike Lee declarou que o filme é desrespeitoso com seus ancestrais e que a escravidão não era um faroeste italiano, mas um Holocausto. Deve-se levar em conta que o mundo retratado nos filmes de Tarantino não é o real, mas sim uma realidade alternativa criada por sua imaginação. Interessante também o fato de que nada menos que três grandes produções de Hollywood neste ano ("Django", "Lincoln" e "A Viagem") tenham usado o tema da escravidão. "Django Livre" está indicado aos Oscar de Melhor Filme, Melhor Fotografia (Robert Richardson), Melhor Ator Coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor Roteiro Original (Quentin Tarantino) e Melhor Edição de Som (Wylie Stateman).

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Vencedores Globo de Ouro 2013




Cinema

Melhor Filme – Drama
>>>"Argo"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"

Melhor Filme – Comédia ou musical
>>>>"Os Miseráveis"
"O exótico hotel Marigold"
"Moonrise Kingdom"
"O lado bom da vida"
"Amor impossível"

Melhor diretor
>>>>Ben Affleck ("Argo")
Kathryn Bigelow ("A hora mais escura")
Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Steven Spielberg ("Lincoln")
Quentin Tarantino ("Django Livre")

Melhor ator – Drama
>>>>Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Joaquin Phoenix ("O mestre")
Denzel Washington ("O voo")
Richard Gere ("A negociação")
John Hawkes ("As sessões")

Melhor ator – Comédia ou musical
>>>>Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Jack Black ("Bernie")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Ewan McGregor ("Amor impossível")
Bill Murray ("Um fim de semana em Hyde Park")

Melhor atriz – Drama
>>>>Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Marion Cotillard ("Ferrugem e osso")
Helen Mirren ("Hitchcock")
Naomi Watts ("O impossível")
Rachel Weisz ("The deep blue sea")

Melhor atriz – Comédia ou musical
>>>>Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Emily Blunt ("Amor impossível")
Judi Dench ("O exótico hotel Marigold")
Maggie Smith ("Quartet")
Meryl Streep ("Um divã para dois")

Melhor ator coadjuvante
>>>>Christoph Waltz ("Django livre")
Alan Arkin ("Argo")
Leonardo DiCaprio ("Django livre")
Philip Seymour Hoffman ("O mestre")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")

Melhor atriz coadjuvante
>>>>Anne Hathaway ("Os miseráveis")
Amy Adams ("O mestre")
Sally Field ("Lincoln")
Helen Hunt ("As sessões")
Nicole Kidman ("The paperboy")

Melhor trilha original
>>>>Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
Alexandre Desplat ("Argo")
Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Tom Tyker, Johnny Klimek, Rein Holdheil ("A viagem")
John Williams ("Lincoln")

Melhor canção original
>>>>"Skyfall" ("007: Operação Skyfall")
"For you" ("Ato de valor")
"Not running anymore" ("Amigos inseparáveis")
"Safe and Sound ("Jogos vorazes")
"Suddenly" ("Os miseráveis")

Melhor roteiro
>>>>Quentin Tarantino ("Django livre")
Chris Terrio ("Argo")
Mark Boal ("A hora mais escura")
David O. Russell ("O lado bom da vida")
Tony Kushner ("Lincoln")

Melhor filme estrangeiro
>>>>"Amor" (Áustria)
"Kon-tiki" (Noruega)
"Intocáveis" (França)
"O amante da rainha" (Dinamarca)
"Ferrugem e osso" (França/Bélgica)

Melhor animação
>>>>"Valente" (2012)
"Frankenweenie" (2012)
"Hotel Transilvânia" (2012)
"A origem dos guardiões" (2012)
"Detona Ralph" (2012)


 TV
Melhor série de TV – Drama
>>>>"Homeland"
"Boardwalk empire"
"Breaking bad"
"Downton abbey"
"The newsroom"

Melhor série de TV – Musical ou comédia
>>>>"Girls"
"The big bang theory"
"Episodes"
"Modern family"
"Smash"

Melhor ator em série de TV – Drama
>>>>Damian Lewis ("Homeland")
Steve Buscemi ("Boardwalk empire")
Bryan Cranston ("Breaking bad")
Jeff Daniels ("The newsroom")
Jon Hamm ("Mad men")

Melhor atriz em série de TV – Drama
>>>>Claire Danes ("Homeland")
Connie Britton ("Nashville")
Glenn Close ("Damages")
Michelle Dockery ("Downton abbey")
Julianna Margulies ("The good wife")

Melhor ator em série TV – Comédia ou musical
>>>>Don Cheadle ("House of lies")
Alec Baldwin ("30 Rock")

Louis C.K. ("Louis"
)
Matt LeBlanc ("Episodes")

Jim Parsons ("The big bang theory")

Melhor atriz em série de TV – Comédia ou musical
>>>>Lena Dunham ("Girls")
Zooey Deschanel ("New girl")
Tina Fey ("30 Rock")
Julia Louis-Dreyfus ("Veep")
Amy Poehler ("Parks and recreation")

Melhor minissérie ou filme para TV
>>>>"Virada no jogo"
"The Girl"
"Hatfields & McCoys"
"The hour"
"Political animals"

Melhor ator em minissérie ou filme para a TV
>>>>Kevin Costner ("Hatfields & McCoys")
Benedict Cumberbatch ("Sherlock")
Woody Harrelson ("Virada no jogo")
Toby Jones ("The girl")
Clive Owen ("Hemingway & Gelhorn")

Melhor atriz em minissérie ou filme para a TV
>>>>Julianne Moore ("Virada no jogo")
Nicole Kidman ("Hemingway & Gelhorn")
Jessica Lange ("American horror story")
Sienna Miller ("The girl")
Sigourney Weaver ("Political animals")

Melhor ator coadjuvante em minissérie ou filme para a TV
>>>>Ed Harris ("Virada no jogo")
Max Greenfield ("New girl")
Danny Huston ("Magic city")
Mandy Patinkin ("Homeland")
Eric Stonestreet ("Modern family")

Melhor atriz coadjuvante em minissérie ou filme para TV
>>>>Maggie Smith ("Downton abbey")
Hayden Panettiere ("Nashville")
Archie Panjabi ("The good wife")
Sarah Paulson ("American horror story")
Sofia Vergara ("Modern family")

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Rebels on the Backlot (livro)

De tantos em tantos anos surge uma geração que tenta mudar a cara do cinema americano. A "indústria", como Hollywood é conhecida, é uma máquina bem lubrificada de fazer filmes que, pontualmente, lança filmes prontos para as telas dos "multiplexes" mundo afora. São filmes comerciais, seguindo fórmulas testadas e aprovadas pelo público que, geralmente, não quer gastar seu dinheiro com um produto arriscado e desconhecido. Mas, felizmente, os tempos mudam. Tradições são quebradas, valores discutidos e o cinema, ainda que tardiamente, acaba seguindo ou revelando novas tendências. Foi assim no final dos anos 60 e na década de 70, quando cineastas como Martin Scorsese, Francis Ford Copolla, Steven Spielberg, George Lucas, Peter Bogdanovich e tantos outros mudaram a forma de se criar filmes nos Estados Unidos. Esta história foi muito bem contada no livro "Easy Riders, Raging Bulls", de Peter Biskind. Os anos 80 viram uma onda de filmes extremamente comerciais (alguns muito bons), mas que não inovavam muito na arte de cinema. Coube aos anos 90, a última década do século XX e do milênio, trazer uma nova geração de cineastas criativos para as telas.

"Rebels on the Backlot" conta a história de alguns destes cineastas, chamados pela autora Sharon Waxman de "rebeldes". Ao contrário da geração cinéfila e universitária dos anos 70, os rebeldes dos anos 90 eram frutos da cultura pop americana, uma mistura de fast food com histórias em quadrinhos, filmes de kung-fu chineses e clipes da MTV. Waxman escolheu destacar seis deles para contar sua história: Quentin Tarantino (Pulp Fiction), Steven Soderbergh (Traffic), David Fincher (O Clube da Luta), Paul Thomas Anderson (Boogie Nights), David O. Russel (Três Reis) e Spike Jonze (Quero ser John Malkovich). Ela também cita outros, como Sofia Coppola (As Virgens Suicidas, Encontros e Desencontros), Sam Mendes (Beleza Americana) e os irmãos Wachowski (Matrix), entre outros, mas o foco são naqueles seis que ela considera os mais influentes e revolucionários no cinema dos 90.

Dividido em 13 capítulos, com apêndices e até uma "linha do tempo" dos fatos narrados no livro, Waxman mistura artigos de revistas e jornais especializados com centenas de entrevistas feitas por ela mesma com os envolvidos. Há muitos detalhes dos bastidores e do processo raramente saudável de se fazer um filme. Assim como em "Easy Riders", há também grande quantidade de fofoca sobre diretores e produtores, geralmente envolvendo sexo e/ou drogas. Há também um ponto de vista mais feminino, claro, que o livro de Peter Biskind. Waxman gosta de falar sobre as mães, namoradas e esposas dos envolvidos, para mostrar as mulheres por trás dos homens por ela descritos.

A "estrela" do livro, de certa forma, é Quentin Tarantino. Foi ele quem, para o bem ou para o mal, nocauteou Hollywood com sua mistura de cultura pop com ultraviolência. Reconhecido pelos roteiros de "Amor à queima roupa" (True Romance, lançado em 1993) e "Assassinos por natureza" (Natural Born Killers, lançado em 1994), Tarantino conseguiu chamar a atenção do ator Harvey Keitel, que o ajudou a conseguir financiamento para "Cães de Aluguel" (Reservoir Dogs, 1992). O filme foi um sucesso inesperado, causando tanto admiração quanto repulsa por sua violência (por sua famosa cena em que Michael Madsen corta a orelha de um policial). Waxman descreve Tarantino como um rapaz sujo e pouco higiênico, pouco ligado a tomar banho ou se barbear. Ela também mostra como ele seria um sujeito traiçoeiro, pronto para esquecer dos amigos assim que chegou ao sucesso. Roger Avary, amigo de longa data, por exemplo, teria sido co-autor de grande parte do roteiro de "Pulp Fiction" (toda a trama envolvendo o boxeador de Bruce Willis teria sido criação de Avary). Como Tarantino queria que os créditos lessem "Escrito e Dirigido por Quentin Tarantino", o nome de Avary teria sido tirado dos créditos de roteiro e recebido apenas um crédito por "estória". Mas Waxman deixa evidente a genialidade de Tarantino como escritor de diálogos, mesmo que nem todas as as histórias fossem realmente dele.

Ganha também destaque no livro a disputa entre George Clooney, estrela da série médica "E.R." e o diretor David O. Russell, na produção de "Três Reis". Russell não gostava do estilo de interpretar de Clooney, mas precisava do apoio do astro para conseguir financiamento para o filme. A atuação de Clooney era questionada diariamente na frente de toda equipe, o que acabou causando atritos. Além disso, Russell seria extremamente cruel e tirânico, deixando de dar atenção a um figurante que teve um ataque epilético em cena. George Clooney teria ido ajudar o rapaz, o que causou uma briga no set de filmagem que chegou aos socos e gritos.

Steven Soderbergh é descrito como um "nerd" talentoso que se viu catapultado ao sucesso quando lançou seu pequeno filme "Sexo, mentiras e videotape", em 1989. O filme foi vencedor no Festival de Cannes e, de repente, Soderbergh era o diretor mais quente de Hollywood. Waxman, porém, o mostra como alguém que gosta de sabotar o próprio sucesso. Soderbergh seguiu "Sexo, mentiras e videotape" com bombas como "Kafka" (1991) ou "Schizopolis" (1996), um filme em que ele contava a história do próprio divórcio, tendo como atores ele próprio, sua ex-mulher e filha. Soderbergh voltaria ao sucesso no final da década de 90, quando lançou filmes como "Erin Brockovich" (que deu o Oscar a Julia Roberts) e "Traffic" (que deu a Soderbergh o Oscar de Melhor Diretor). "Traffic" começou com uma idéia desenvolvida pela produtora Laura Bickford, que queria adaptar para os Estados Unidos uma série britânica de mesmo nome. O filme sofreu diversas mudanças e passou pela mão de vários estúdios, que não queriam tocar no tema polêmico das drogas. Quando Soderbergh estava para fazer "Traffic" como um projeto pequeno pelo estúdio USA Films, Harrison Ford se interessou por um papel e, de repente, o filme se tornou de grande orçamento...somente para ver Ford desistir a um mês do início das filmagens. O papel acabou ficando com Michael Douglas.

São também interessantes as histórias sobre como "Clube da Luta", de David Fincher, custou 75 milhões de dólares e foi um fracasso enorme na bilheteria (para, depois, se tornar um sucesso "cult" nas vendas em DVD). A produção do bizarro roteiro de "Quero ser John Malkovich" também rende bons capítulos. E Paul Thomas Anderson mostra como conseguiu convencer os estúdios a aceitar que filmes como "Boogie Nights" e "Magnólia" fossem feitos.

"Rebels on the Backlot". Sharon Waxman. 386 páginas. Harper Perennial. Inglês.