Mostrando postagens com marcador cavalo de guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cavalo de guerra. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Indicados ao Oscar 2012

Foram anunciadas as indicações para o Oscar 2012. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada no dia 26 de fevereiro. Como sempre, a lista dos indicados levanta algumas polêmicas. Na categoria de animação, por exemplo, "As Aventuras de Timtim", dirigido por Steven Spielberg e vencedor do Globo de Ouro, foi deixado de lado. Uma das explicações possíveis é que há uma polêmica entre os animadores sobre o filme ser ou não considerado uma "animação". Ao contrário de um animado tradicional, em que o movimento dos personagens é desenhado manualmente por um animador (ou animado digitalmente em um computador), "Tintim" foi feito usando o processo de "motion capture"; atores reais, de carne e osso, interpretam os personagens utilizando roupas especiais cujos movimentos são "capturados" por um computador, que utiliza estes dados para gerar a animação. Segundo os desenhistas tradicionais, isso não poderia ser considerado "animação", e após a vitória de "Tintim" no Globo de Ouro houve uma "gritaria" geral entre os animadores. O assunto é discutível, mas pode explicar a esnobada da Academia à animação (?) de Spielberg. A Academia esnobou Spielberg também na categoria de Direção, já que ele não foi indicado por seu trabalho em "Cavalo de Guerra", que é candidato a Melhor Filme.

Tilda Swinton, atriz extraordinária, foi deixada de lado apesar de seu trabalho em "Precisamos falar sobre Kevin". Meryl Streep, sempre favorita, recebeu sua décima sétima indicação por "A Dama de Ferro", papel pelo qual foi premiada no Globo de Ouro. Streep deveria receber um prêmio vitalício e ser deixada de lado das próximas cerimônias, dando lugar a outras atrizes.

George Clooney, infelizmente, não viu seu ótimo "Tudo pelo Poder" ser indicado nem a Melhor Filme nem a Melhor Direção, mas ele foi indicado a Melhor Ator por "Os Descendentes" e a Melhor Roteiro Adaptado por "Tudo pelo Poder". Seu companheiro nos filmes "11 Homens e um Segredo", Brad Pitt, foi indicado a Melhor Ator por "O Homem que Mudou o Jogo", também indicado a Melhor Filme. Já Leonardo DiCaprio foi esquecido em sua atuação em "J. Edgar", filme sobre o criador do FBI; Clint Eastwood, o diretor, também ficou de fora das indicações. O favorito ao prêmio de ator é o francês Jean Dujardin, por "O Artista", embora a atuação excepcional de Gary Oldman em "O Espião que Sabia Demais" mereça ser premiada.

O grande Woody Allen recebeu indicações a Melhor Filme, Direção e Roteiro Original por "Meia-noite em Paris", filme que conquistou corações no mundo todo e se tornou um dos maiores sucessos de sua longa carreira.

Martin Scorsese, em seu primeiro filme infanto-juvenil e em três dimensões, "A Invenção de Hugo Cabret", foi indicado a onze estatuetas, inclusive as importantes Melhor Filme e Melhor Direção. Possivelmente o melhor diretor americano em atividade, o criador de obras-primas como "Taxi Driver" (1976), "Touro Indomável" (1980) e "Os Bons Companheiros" (1990)  foi esnobado por vários anos, até ganhar seu único Oscar por "Os Infiltrados" (2006).

"A Árvore da Vida", de Terrence Malick,  conseguiu indicações a Melhor Filme e Melhor Diretor, apesar de ser um filme de difícil aceitação pelo grande público. É sem dúvida um dos melhores filmes de 2011, mas será uma surpresa se a Academia premiá-lo no dia 26 de fevereiro próximo.

Falando em polêmica, "Melancolia", de Lars von Trier e "A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar, foram deixados de lado. O primeiro, provavelmente, pelas declarações infelizes de Von Trier no Festival de Cannes sobre ser "nazista"; o segundo pelo conteúdo bizarro e erótico do filme de Almodóvar.

Entre os filmes brasileiros, "Tropa de Elite 2" não chegou nem entre os finalistas a Melhor Filme Estrangeiro e a animação "Rio" (do brasileiro Carlos Saldanha) foi deixada de lado. Curiosamente, Carlinhos Brown e Sérgio Mendes estão entre os indicados por Melhor Canção por "Rio". Eles concorrem apenas com outra canção, "Man or Muppet", do filme infantil "Os Muppets".

O filme francês "O Artista" recebeu dez indicações. A premissa do filme é interessante (e bizarra): em pleno século XXI, ele não só é em preto e branco como é mudo, em bela homenagem ao início do Cinema. Mas será que os americanos da Academia vão premiar um filme francês? A surpresa da lista de indicações foi "Tão Forte e Tão Perto", um dramalhão que conta com os oscarizados Tom Hanks e Sandra Bullock em uma história que remete ao atentado de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas. Será que pode ser a zebra da noite?


Melhor filme

    Os Descendentes
    A Árvore da Vida
    Histórias Cruzadas
    A Invenção de Hugo Cabret
    O Homem Que Mudou o Jogo
    Cavalo de Guerra
    O Artista
    Meia-Noite em Paris
    Tão Forte e Tão Perto

Melhor diretor

    Woody Allen - Meia-Noite em Paris
    Terrence Malick - A Árvore da Vida
    Alexander Payne - Os Descendentes
    Michel Hazanivicous - O Artista
    Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret

Melhor ator

    George Clooney - Os Descendentes
    Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo
    Jean Dujardin - O Artista
    Demián Bichir - A Better Life
    Gary Oldman - O Espião que Sabia Demais

Melhor atriz

    Glenn Close - Albert Nobbs
    Viola Davis - Histórias Cruzadas
    Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
    Meryl Streep - A Dama de Ferro
    Michelle Williams - Sete Dias com Marilyn

Melhor ator coadjuvante

    Kenneth Branagh -Sete Dias com Marilyn
    Nick Nolte - Guerreiro
    Max Von Sidow - Tão Forte e Tão Perto
    Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo
    Christopher Plummer - Toda Forma de Amor

Melhor atriz coadjuvante

    Bérénice Bejo - O Artista
    Jessica Chastain - Histórias Cruzadas
    Janet McTeer - Albert Nobbs
    Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento
    Octavia Spencer - Histórias Cruzadas


Melhor roteiro adaptado

    A Invenção de Hugo Cabret
    Tudo pelo Poder
    Os Descendentes
    O Espião que Sabia Demais
    O Homem Que Mudou o Jogo

Melhor roteiro original

    Meia-Noite em Paris
    O Artista
    Margin Call - O Dia Antes do Fim
    Missão Madrinha de Casamento
    A Separação

Melhor filme em lingua estrangeira

    A Separação (Irã)
    Bullhead (Bélgica)
    Monsieur Lazhar (Canadá)
    Footnote (Israel)
    In Darkness (Polônia)

Melhor longa animado

    Gato de Botas
    Kung Fu Panda 2
    Rango
    Um Gato em Paris
    Chico & Rita

Melhor trilha sonora original

    As Aventuras de Tintim
    O Artista
    O Espião que Sabia Demais
    A Invenção de Hugo Cabret
    Cavalo de Guerra

Melhor canção original

    "Man or Muppet" - Os Muppets
    "Real in Rio" - Rio

Melhores efeitos visuais

    Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
    A Invenção de Hugo Cabret
    Gigantes de Aço
    Planeta dos Macacos - A Origem
    Transformers: O Lado Oculto da Lua

Melhor maquiagem

    Albert Nobbs
    Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
    A Dama de Ferro

Melhor fotografia

    Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
    O Artista
    A Invenção de Hugo Cabret
    A Árvore da Vida
    Cavalo de Guerra

Melhor figurino

    Anônimo
    O Artista
    A Invenção de Hugo Cabret
    Jane Eyre
    W.E. - O Romance do Século

Melhor direção de arte

    O Artista
    Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
    A Invenção de Hugo Cabret
    Cavalo de Guerra

Melhor documentário

    Hell and Back Again
    If a Tree Falls
    Paradise Lost 3: Purgatory
    Pina
    Undefeated

Melhor documentário de curta-metragem

    God is the Bigger Elvis
    The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement
    Incident in New Baghdad
    Saving Face
    The Tsunami and the Cherry
    Blossom

Melhor montagem

    Os Descendentes
    O Artista
    Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
    O Homem Que Mudou o Jogo
    A Invenção de Hugo Cabret

Melhor curta

    Pentecost
    Raju
    The Shore
    Time Freak
    Tuba Atlantic

Melhor curta animado

    Dimanche
    The Fantastic Flying Books of Mister Morris Lessmore
    La Luna
    A Morning Stroll
    Wild Life

Melhor edição de som

    Drive
    Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
    Cavalo de Guerra
    A Invenção de Hugo Cabret
    Transformers: O Lado Oculto da Lua

Melhor mixagem de som

    Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
    Cavalo de Guerra
    A Invenção de Hugo Cabret
    Transformers: O Lado Oculto da Lua
    O Homem Que Mudou o Jogo

sábado, 7 de janeiro de 2012

Cavalo de Guerra

Steven Spielberg e os animais, via de regra, estiveram em lados opostos em seus filmes. "Tubarão" (1975) registrava o medo do diretor pelos animais aquáticos, assim como "Jurassic Park" (1993) mostrava que a relação de Spielberg com a natureza, como a de Indiana Jones com os répteis, não era muito amigável. Até mesmo o caminhão de "Encurralado" (1971) era visto mais como uma fera do que como uma máquina e, ao "morrer", o caminhão tanque soltava um lamento que lembrava um animal ferido.

Aos 65 anos e o diretor mais popular da história do cinema falado, Steven Spielberg faz seu primeiro filme em que um animal, o cavalo Joey, é o protagonista. Curioso o quanto o filme se parece com a animação "Spirit - O Corcel Indomável" (2002), produzido quando a DreamWorks (estúdio do qual Spielberg é dono) ainda era considerada uma competidora da Disney na animação tradicional. De fato, em muitas partes, "Cavalo de Guerra" parece uma versão em live action do desenho produzido por Jeffrey Katzenberg, o que não é um demérito. Acertadamente, Spielberg trata o cavalo Joey como um animal o filme todo, não caindo no recurso fácil de antropomorfizar demais a criatura, dando-lhe "sentimentos" humanos. Apesar do protagonista ser o cavalo, são as pessoas que chamam a atenção neste belo drama de guerra. A paisagem pedregosa de Devon, no Reino Unido, lembra a de "Depois do Vendaval" (1952), de John Ford (filme referenciado em "E.T. - O Extraterrestre", 1982), e é neste local que nasce o cavalo Joey, assim batizado por Albert Narracott (Jeremy Irvine). O rapaz é filho do teimoso agricultor Ted (Peter Mullen) que, contrariando a vontade da esposa Rose (a ótima Emily Watson), havia adquirido o cavalo em um leilão. Joey é um belo animal, mas não é adequado para arar o terreno que a família aluga do Sr. Lyons (David Thewlis), que ameaça tomar-lhes a propriedade. Interessante como Spielberg opõe "homem versus máquina" ao mostrar Lyons (e seu filho mimado) sempre andando de automóvel, enquanto os Narracott dependem da tração animal para tirar o sustento da terra.

Com o início da I Guerra Mundial, em 1914, Joey é vendido ao exército (contra a vontade do garoto Albert) e parte para a França. "Cavalo de Guerra" então se divide em uma série de "episódios" interligados pelo animal que tem diferentes donos no transcorrer da trama. Spielberg se vale de ótimos atores europeus como Niels Arestrup (de "O Profeta", 2009) ou Lian Cunningham (de "Borboletas Negras", 2011) para interpretar franceses, alemães ou soldados britânicos. Pena que ele não teve a coragem necessária para fazê-los falar em suas línguas originais (todos falam em inglês), mas seria ousado demais para o público médio americano, que abomina filmes legendados. Visualmente, porém, Spielberg está seguro como sempre. Poucos dominam seu olhar para enquadramentos e soluções visuais, e há cenas de extrema beleza, como o ataque da cavalaria britânica em meio a um campo dourado de trigo ou o uso sutil das pás de um moinho para encobrir uma cena de execução. As cenas de batalha são coreografadas milimetricamente em belos deslocamentos de câmera. E quando o cavalo fica preso em arame farpado no campo de batalha, há uma cena tocante e engraçada em que combatentes inimigos se juntam para tentar soltar o animal.

Steven Spielberg nunca teve medo de ser dramático, até piegas, para trazer o público para junto de seus filmes. O final de "Cavalo de Guerra" é uma homenagem ao cinemão hollywoodiano épico, mítico, passado em um pôr-de-sol que parece ter vindo diretamente de uma cena de "...E o Vento Levou" (1939) ou dos Westerns de John Ford. A direção de fotografia, excelente, é de Janusz Kaminski, que colabora com Spielberg desde "A Lista de Schindler" (1993), e a montagem clássica é do veterano Michael Kahn; tudo  acompanhado pela trilha de John Williams, que musicou todos os filmes de Spielberg (com exceção de "A Cor Púrpura",  1985) desde "A Louca Escapada" (1974). "Cavalo de Guerra" recebeu duas indicações ao Globo de Ouro 2012 (Melhor Filme Dramático e Trilha Sonora) e com certeza estará entre as indicações ao próximo Oscar. Melhor do que tudo isso é dizer que "Cavalo de Guerra" é um filme bonito de se ver, de preferência na tela grande do cinema.