Oxigênio (Oxygene, 2021). Dir: Alexandre Aja. Netflix. Filme de suspense francês que lembra muito outro em que Ryan Reynolds acordava dentro de um caixão, "Enterrado Vivo" (2010). Este é mais tecnológico. Uma mulher (Mélanie Laurent) desperta dentro de uma câmara, toda coberta por um tecido térmico e com vários eletrodos e agulhas espetadas pelo corpo. Após os primeiros minutos de desespero, ela consegue se soltar e começa a explorar o lugar em que está. Ela não se lembra do próprio nome, nem como foi parar ali. Um computador chamado M.I.L.O. (voz do grande ator francês Mathieu Amalric) começa a falar com ela. O medidor de oxigênio marca 35%, pouco mais de uma hora até acabar.
Onde ela está? Ela tem vagas memórias de um hospital, pessoas com máscaras, enfermeiros. Ela estaria em uma câmara criogênica? Em tratamento médico? Enterrada viva? Laurent passa quase todo o filme com a lente da câmera próxima ao rosto e interpreta muito bem um papel ingrato, em que tem que atuar dentro de um espaço fechado. A não ser por flashbacks e memórias, ela é a única pessoa que vemos o filme todo. Escutamos a voz de outros personagens em ligações telefônicas que o computador consegue fazer. M.I.L.O., aliás, parece ter a resposta para todas perguntas; o problema é que ele só responde o que é perguntado, e cabe à personagem de Laurent fazer as perguntas certas, se quiser sair dessa com vida. A trama fica um tanto fantástica conforme o filme avança e o roteiro tenta explicar demais as coisas, mas a competência técnica e a interpretação de Mélanie Laurent mantém o interesse. Tá na Netflix.
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quarta-feira, 19 de maio de 2021
Oxigênio (Oxygene, 2021)
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segunda-feira, 14 de julho de 2014
O Homem Duplicado
Adam (Jake Gyllenhaal) é professor de História em Toronto, no Canadá. Ele tem um olhar permanentemente triste e dá suas aulas com interesse cada vez menor. A vida sexual com a namorada Mary (Mélanie Laurent, de "Trem Noturno pra Lisboa") é intensa mas, fora da cama, os dois parecem levar a vida no piloto automático. Um dia Adam está assistindo a um filme e repara que um dos atores é muito parecido com ele. Adam faz uma pesquisa e descobre que o ator se chama Anthony; intrigado, Adam entra em contato com Anthony e eles descobrem que são idênticos até o último fio de cabelo. Enquanto isso, uma gigantesca aranha é vista andando pelas ruas da cidade. Sim, uma aranha.
Este é um filme bem peculiar. O roteiro de Javier Gullon é baseado em uma história de José Saramago; o diretor canadense Denis Villeneuve é um mestre em criar suspense, como se pode ver no ótimo "Os Suspeitos" (também com Gyllenhaal). Toronto é mostrada como uma cidade fria, silenciosa e quase desabitada. O ritmo é tão lento que chega a ser sufocante, acompanhado pela trilha de Danny Bensi e Saunder Jurriaans. Anthony, o ator, é casado com Hellen (Sarah Gadon), grávida de seis meses e, de certos ângulos, é bem parecida com Mary, namorada do professor. O espectador é convidado a um jogo de adivinhação cada vez que Jake Gyllenhaal aparece na tela. Estamos vendo Adam ou Anthony? As únicas diferenças entre eles são as roupas e a aliança de casado que Anthony tem no dedo. Em diversas ocasiões, porém, parece que nem mesmo Adam e Anthony sabem quem eles são. (leia mais abaixo)
O clima bizarro lembra um pouco a obra de outro canadense, David Cronenberg, que em 1988 fez um filme bem estranho chamado "Gêmeos - Mórbida Semelhança", em que Jeremy Irons também fazia um papel duplo. Há várias cenas de bons efeitos especiais em "O Homem Duplicado", mas este não é um blockbuster de super heróis. É um bom suspense psicológico em que tentar adivinhar o que está acontecendo nem é tão difícil (e nem faz tanta diferença). A cena final vai ficar na memória por um bom tempo.
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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Trem noturno para Lisboa
Raimond Gregorius (Jeremy Irons, de "Margin Call") é um professor suíço que salva a vida de uma garota em Berna, quando ela ia pular de uma ponte. A moça desaparece e deixa para trás um livro intitulado "Ourives das Palavras", de um médico português chamado Amadeu de Prado. Dentro do livro, Gregorius encontra uma passagem de trem para Lisboa e, em um impulso, vai para a estação e toma o trem; começa, assim, sua aventura em busca da moça que lhe deixou o livro e sobre o autor.
"Trem noturno para Lisboa" é dirigido por Bille August, que já havia trabalhado com Jeremy Irons em "A Casa dos Espíritos", de 1993. O roteiro (adaptado por Greg Latter e Ulrich Herrmann) é baseado no best seller do suíço Pascal Mercier (lançado em 2004). O filme tem um ritmo lento e segue a estrutura clássica de um thriller de mistério, ainda que Gregorius não saiba exatamente o que está procurando. Desconheço o tom do livro, mas o filme se aproxima perigosamente a cair em um daqueles textos de auto-ajuda, cheios de boas intenções mas um tanto superficiais. Gregorius fica fascinado com as palavras de Amadeu de Prado e, logo ao chegar em Lisboa, entra em contato com as pessoas que o conheceram em vida, como a misteriosa irmã Adriana (Charlotte Rampling) ou amigos como João Eça (Tom Courtenay), da época em que Prado havia lutado contra a ditadura de António de Oliveira Salazar. O filme, bem editado por Hansjörg Weißbrich, costura longos flashbacks dos anos 1970, durante a ditadura, com sequências no presente, seguindo Jeremy Irons enquanto ele tenta reconstruir a vida de Amadeu de Prado (Jack Huston).
Há uma licença poética que pode confundir um pouco o espectador, que não vai conseguir entender em que língua os personagens estão falando. Todos, independente da nacionalidade, conversam entre si em inglês fluente. O fato de Gregorius ser interpretado por Jeremy Irons, com seu inglês britânico impecável, nos faz pensar que ele é um professor inglês que trabalha na Suíça. A coisa fica mais complicada em Portugal, já que os portugueses também se comunicam em inglês, mesmo nos flashbacks dos anos 1970, o que não faz nenhum sentido. Isso só se explica pelo fato do filme ser uma co-produção internacional, feita para o mercado mundial. O elenco, além de Jeremy Irons, tem grandes nomes como Mélanie Laurent (Truque de Mestre), August Diehl, Lena Olin e até uma participação de Christopher Lee (com 91 anos). A direção de fotografia de Filip Zumbrunn valoriza a luz de Lisboa e, nesta época de blockbusters de super heróis sendo lançados semanalmente, não deixa de ser um alívio ver um filme habitado por pessoas de carne e osso, andando por ruas de verdade, e não em cenários criados em computação gráfica. Em cartaz no Topázio Cinemas, em Campinas.
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segunda-feira, 8 de julho de 2013
Truque de Mestre
Filmes sobre assaltos têm muito em comum com truques de mágica. "Onze homens e um segredo" e suas continuações, por exemplo, seguem sempre a mesma fórmula, um plano elaborado para enganar não só os policiais mas (principalmente) a platéia. O dinheiro some magicamente do cofre, os alarmes de segurança não funcionam, e assim por diante. "Truque de Mestre" tem uma premissa bastante interessante. Que tal misturar a fórmula consagrada dos filmes de assalto com truques de mágica? Melhor ainda, que tal acrescentar um elenco de primeira classe, com nomes como Michael Caine e Morgan Freeman, para tornar tudo mais atraente? Premissa boa, elenco afinado, faltava um roteiro à altura, e é aí que os problemas de "Truque de Mestre" começam.
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