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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Inferno Vermelho (Red Heat, 1988)

Inferno Vermelho (Red Heat, 1988). Dir: Walter Hill. Netflix. Bobagem divertida do final da Guerra Fria, nos anos 80, com Arnold Schwarzenegger interpretando um policial soviético chamado Ivan Danko. Ele vai para Chicago atrás de um traficante da Geórgia, Victor (Ed O´Ross), que havia matado o parceiro dele. É um "buddy cop movie", aquele gênero em que dois policiais que não se dão bem são obrigados a cumprir uma missão juntos (e acabam se tornando amigos). O parceiro, no caso, é interpretado por James Belushi, um "tira" de Chicago chamado Art. Americano e russo, então, se juntam para pegar o traficante.

Schwarzenegger estava no auge da carreira e, dentro das limitações, fazia bem esses papéis calados de androides, bárbaros ou policiais soviéticos. James Belushi (irmão do falecido John) fica soltando aquelas piadinhas da época. O diretor, Walter Hill, já havia feito um "buddy movie" antes, "48 Horas", com Eddie Murphy e Nick Nolte. Curioso ver, no resto do elenco, Laurence Fishburne (como Larry Fishburne) como um policial certinho e Gina Gershon, novinha, como a namorada americana do traficante. Tiros, explosões, perseguições a pé, de carro e até de ônibus, violência, nudez gratuita, trilha sintetizada de James Horner e tudo o que se espera de um filme policial dos anos 80, rs (mas é divertido). Tá na Netflix.
 

quarta-feira, 21 de abril de 2021

O Refúgio (The Nest, 2020)

O Refúgio (The Nest, 2020). Dir: Sean Durkin. Amazon Prime. Tentei fugir um pouco dos filmes depressivos do Oscar e dei play neste filme na Amazon Prime... e é outro filme depressivo de 2020! Rs. Mas é bastante bom. Passado nos anos 80, "O Refúgio" retrata a decadência de uma família que tinha tudo para dar certo, mas é bastante disfuncional. Jude Law é Rory O'Hara, um executivo que mora em uma bela casa em Nova York com a esposa Allison (a grande Carrie Coon), que dá aulas de equitação. Eles têm um casal de filhos bonitos e tudo parece bem. Um dia Jude Law chega para a esposa e diz que tem uma "grande oportunidade" em Londres. Ele é charmoso e convincente, mas a esposa parece meio cansada; "é a quarta mudança em dez anos", ela diz.

Eles se mudam para a Inglaterra e o personagem de Law aluga um verdadeiro castelo no campo ("o Led Zeppelin gravou um álbum aqui"), onde ele promete à esposa que ela pode abrir um haras; os filhos são matriculados em escolas caras. Pequenos detalhes mostram que as aparências podem enganar. A mulher esconde o próprio dinheiro em caixas que ela espalha pela casa. Os cheques do marido começam a voltar. Ele só se preocupa com o trabalho e as aparências; ela é obcecada pelo cavalo. Os filhos são deixados para trás.

É tão fascinante (ou triste) como assistir a um incêndio. Você sabe que vai acabar mal, mas não tira os olhos da tela. Jude Law é sempre bom, e neste filme não é diferente. Carrie Coon é uma camaleoa, ótima atriz que desaparece em seus personagens (ela é a irmã de Ben Affleck em "Garota Exemplar", ou a mãe do garoto na segunda temporada de "The Sinner"). Ela se entrega totalmente a uma personagem que é vítima da ambição do marido, mas não é totalmente inocente. A recriação de época é muito boa e Londres ainda não tinha os "marcos" com os quais associamos à cidade hoje, como a London Eye (a grande roda gigante) ou o prédio em formato de "ovo" do centro financeiro. A trilha sonora toca sucessos da época e os telefones são fixos. O que não muda é a vontade de alguns de viver além dos seus meios e dar um passo maior que a perna. Disponível na Amazon Prime.
 

domingo, 14 de agosto de 2011

Super 8

Nos anos 60, nos Estados Unidos, um garoto "nerd" chamado Stevie pegou a câmera de 8 milímetros do pai e começou a fazer imagens com ela. Umas das primeiras foi um acidente de trem feito com um modelo; Stevie faria uma série de filmes de guerra, terror e ficção-científica com os amigos da escola. Com estas obras debaixo do braço, mais um curta metragem em 35mm chamado "Amblin", Stevie (sobrenome Spielberg) visitou os estúdios da Universal, em Hollywood, e se tornou o diretor mais jovem contratado pelo estúdio. Ou assim conta a lenda. O fato é que o Super-8, a menor bitola da película cinematográfica (que tem geralmente 35mm no cinema profissional) foi a escola de muitos diretores, como Spielberg, George Lucas, Martin Scorsese, James Cameron e tantos outros. Em uma época pré "home video" e décadas antes das câmeras digitais, era com o Super-8 que as famílias registravam seus aniversários e viagens e os futuros cineastas aprendiam a disciplina de filmar com cartuchos que duravam no máximo três minutos.


Corte para o Século XXI. Um diretor "nerd" chamado J.J. Abrams (de "Lost" e "Star Trek") propôs ao diretor Steven Spielberg uma parceria. O resultado, "Super 8", é uma bem intencionada homenagem não só ao formato de filmes caseiros mas, antes de tudo, ao cinema de Steven Spielberg. Há várias citações ao "mestre da fantasia" (como já foi chamado Spielberg), como o roteiro passado em uma cidade pequena, garotos andando de bicicleta, raios de luz cruzando a tela e um mistério que pode, ou não, ter vindo do espaço. Vale dizer que, por mais bem intencionada que seja a produção, a obra fica um pouco aquém do esperado.


Em 1979, com a chegada das férias de verão, o garoto Joe Lamb (Joel Courtney) e um grupo de amigos resolvem fazer um filme de zumbis. Joe está animado com a perspectiva de trabalhar com a bela Alice Dainard (a precoce Elle Fanning, de 13 anos), que aceitou fazer um papel. Uma noite todos vão à estação de trem da cidade para filmar uma cena e então (em clara citação a Steven Spielberg) testemunham um espetacular acidente entre um trem e uma caminhonete. A cena, diga-se de passagem, é a melhor do filme, e os efeitos sonoros foram feitos por Ben Burtt (antigo colaborador de Lucas e Spielberg). Nos destroços do trem os garotos encontram centenas de estranhos cubos brancos, e Joe vê que "alguma coisa" foge de um dos vagões. Os garotos pegam a câmera de Super-8 (que havia filmado o acidente) e desaparecem do local logo antes da chegada de um grupo do exército. O acidente e a presença do exército mudam a rotina da pequena cidade de Lilian, Ohio. Coisas estranhas começam a acontecer; os cachorros fogem; motores e aparelhos elétricos desaparecem misteriosamente; a eletricidade falha. De tantos em tantos minutos, em cenas coreografadas para que o espectador não veja o que está acontecendo, pessoas são atacadas por "algo". O que está acontecendo?


J.J. Abrams é bom diretor ("Star Trek" é impecável) mas está longe de ser um Spielberg na hora de lidar com cenas de ação ou emoção. "Super 8" flui bem quando foca nos garotos fazendo seu filme de zumbis ou vagando pela cidade, mas certas nuances escapam às mãos do diretor. A relação entre Alice e Joe poderia render muito mais, até porque falta ao jovem ator o que sobra de talento em Fanning. Em uma cena em que os dois estão vendo imagens em Super-8 da mãe de Joe, por exemplo, Alice se emociona e chora de verdade enquanto o garoto não demonstra nada. E por que será que Abrams é obcecado por monstros escondidos? Assim como em "Lost" e em "Cloverfield" (produzidos por ele), a criatura em "Super 8" permanece invisível por quase todo o filme. Isso é interessante para criar suspense, sim, mas após certo tempo o recurso acaba cansando (e, assim como em "Cloverfield", quando é revelado, o monstro parece mais feio do que realista).


Com citações a "Tubarão", "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", "Os Goonies", "E.T. O Extraterrestre", entre outros, sobram homenagens mas falta um pouco de talento ao filme de Abrams. "Super-8" está pronto para uma boa "Sessão da Tarde", mas nada além. Imperdível: durante os créditos, o filme de zumbis que os garotos estavam fazendo é exibido na íntegra.


sábado, 11 de setembro de 2010

A Ressaca

Os anos 80 foram a década dos excessos. Os Estados Unidos estavam para se tornar a única superpotência do mundo, Ronald Reagan estava na Casa Branca, Wall Street ditava moda e o dinheiro era o rei. No cinema, os filmes para adolescentes reinavam absolutos, das comédias bem feitas de John Hughes e produções caprichadas de Steven Spielberg a bobagens de baixo nível como Porky´s e similares. Pena que o filme "A Ressaca", ao tentar prestar homenagem à década de 80, foi se basear justamente nesse lado baixo nível.

A trama é básica (e absurda). Um trio de velhos amigos, Adam (John Cusack, também produtor do filme), Lou (Rob Corddry) e Nick (Craig Robbinson) resolvem voltar à estação de esqui onde passaram a melhor época de suas vidas. O objetivo é tentar reanimar Lou, que foi internado no hospital sob suspeita de tentativa de suicídio (na verdade, ele apenas havia sido burro o suficiente para ficar cantando rock com o motor ligado dentro de uma garagem fechada). Os três eram melhores amigos quando adolescentes nos anos 80, mas o tempo e as obrigações fizeram deles "fracassados". Eles são acompanhados pelo sobrinho nerd de Adam, Jacob (Clark Duke), que está no filme para que a parte jovem da platéia se identifique com ele. Os três "adultos" são os típicos americanos "machos", interessados em bebidas, mulheres e outros "machos". Ao chegarem à estação de esqui, eles descobrem que o lugar está decadente e se tornou uma sombra do que era vinte anos atrás. De qualquer forma, eles resolvem confraternizar na banheira ao ar livre do hotel que, magicamente, os transporta para o passado, precisamente para o ano de 1986, quando a banda Poison estava tocando em um festival de rock na cidade.

O filme é até bem intencionado e tem várias referências e homenagens aos anos 80. O comediante Chevy Chase, por exemplo, grande figura da época, faz uma ponta como o zelador do hotel. Há também referências à MTV, aos primeiros celulares gigantes e até mesmo uma piada com "De Volta para o Futuro" na figura de Crispin Glover, o carregador de malas do hotel, que interpretava o pai de Marty McFly no clássico produzido por Spielberg em 1985. Mas o filme é voltado para o mau gosto do americano médio, com várias piadas baixas e cenas envolvendo vômito, dejetos em geral e mulheres com os seios de fora. O hotel onde eles se hospedam é tão obviamente um cenário que é vergonhoso. A questão dos paradoxos no tempo, explorados em filmes como "De Volta para o Futuro" e "O Exterminador do Futuro" também são citados aqui, mas o roteiro não se preocupa muito em ser consistente. Cada um dos amigos deveria, teoricamente, repetir exatamente o que fizeram em 1986 para que a História não seja alterada. John Cusack se lembra de ter terminado com a namorada naquela noite (e de levar um garfo no olho em troca). Lou levou uma surra de um grupo e Nick, que era o cantor de uma banda medíocre, iria se apresentar. As coisas não acontecem exatamente desta forma e o roteiro perde a chance de ser um pouco melhor explorando uma moça que se interessa por Cusack. Ela claramente está fora de lugar e, por um momento, o espectador imagina se ela também não está viajando no tempo. Mas a preguiça do roteiro não explora a situação. O filme é dirigido por Steve Pink, que foi co-roteirista do ótimo filme "Alta Fidelidade", também com John Cusack. É verdade que Pink não deve ter tido muito trabalho ao lidar com o ótimo livro original de Nick Hornby, pois nada da classe daquele filme está neste.

Por fim, também está de volta aquela coisa bem oitentista de que felicidade equivale a bens materiais. Assim, "A Ressaca" termina mostrando que felicidade é ter um barco gigante, uma esposa peituda e burra e um filho alienado. Filme para ser visto em DVD, no máximo, ou baixado da internet.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Morreu JOHN HUGHES

Um dos diretores mais significativos dos anos 80 faleceu hoje, aos 59 anos de idade, de ataque cardíaco. John Hughes era sinônimo de filmes inteligentes para adolescentes na década de 80. Ao contrário das pornochanchadas estúpidas como "Porkys" e "O Último Americano Virgem", Hughes lidava com adolescentes que não eram apenas veículos para filmes com sexo e diversão. A jovem Molly Ringwald, uma de suas descobertas, foi sua "musa" e atriz principal de "Sixteen Candles" (aqui com o título bobo de "Gatinhas e Gatões"), sobre uma garota de 16 anos chegando à adolescência (sim, adolescente na época não tinha 11 anos). Molly Ringwald também seria a personagem principal de "A Garota de Rosa Shocking" (Pretty in Pink, 1986), escrito e produzido por Hughes. O filme tratava de uma jovem garota pobre que se envolvia com um garoto de classe alta e que não conseguia lidar com a pressão dos amigos "playboys". "Pretty in Pink" também contava com Jon Cryer, hoje famoso na série "Two and a Half Men", como o melhor amigo de Ringwald, apaixonado platonicamente por ela.

Em 1985, Hughes fez um dos melhores filmes adolescentes do cinema, "O Clube dos Cinco" ("The Breakfast Club"), com um elenco que contava com os melhores atores juvenis da época: Molly Ringwald (novamente), Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Judd Nelson e Ally Sheedy. Os cinco adolescentes são obrigados a passar um sábado inteiro na escola como punição, e passam o tempo conversando sobre a vida, os problemas, juventude, virgindade, sexo, drogas e o futuro. Apesar das personalidades, origem e modos de vida diferentes, os cinco acabam encontrando pontos em comum e terminam se tornando amigos. A música tema composta pelo Simple Minds, "Don´t you forget about me", é emblemática desta fase em que as amizades e a juventude parecem eternas.

Em 1986, um campeão das Sessões da Tarde: "Curtindo a vida adoidado" (Ferris Bueller´s Day Off) trazia Matthew Broderick no seu papel mais famoso. Ferris Bueller acorda uma bela manhã e decide que o dia está bonito demais para desperdiçar na escola. Através de uma série de esquemas bem bolados (e totalmente fantasiosos), ele consegue convencer os pais e a escola de que está doente e sai para passear por Chicago acompanhado do melhor amigo hipocondríaco Cameron (Alan Ruck) e a namorada Sloane (Mia Sara). Sim, é um filme sobre adolescentes matando aula, mas Hughes constrói uma fantasia que não se trata apenas de farra. Os três passam o dia indo a museus, a jogos de beisebol e até participam de uma parada no centro de Chicago. A cena mais famosa do filme é quanto Ferris Bueller canta "Twist and Shout" em cima de um carro alegórico, para centenas de pessoas.

O último filme de Hughes como diretor foi "Curly Sue", de 1991, com James Belushi. Nos anos 90 ele preferiu trabalhar apenas como roteirista e produtor, e se deu muito bem lançando filmes como "Esqueceram de Mim". Segundo o site TMZ, Hughes sofreu um ataque cardíaco que o matou hoje de manhã, em Nova York, com apenas 59 anos.




segunda-feira, 14 de abril de 2008

Jumper

Para uma segunda feira à noite, chovendo e com cinema em promoção, "Jumper" não é de todo ruim. Claro que não dá pra levar a sério o roteiro, e a interpretação do elenco está sofrível. O diretor é Doug Liman, do celebrado "A Identidade Bourne", um dos melhores filmes de espião dos últimos tempos.

Mas, repito, o filme não é assim tão ruim. A premissa me lembrou muito um filme "B" dos anos 80 que acabou se tornando "cult" (e gerou péssimas continuações), "Highlander, O Guerreiro Imortal", dirigido em 1986 por Russel Mulcahy. "Highlander" tratava da história absurda de que havia no mundo uma classe especial de "guerreiros" que seriam imortais (a não ser que tivessem as cabeças cortadas), e cujo objetivo na vida seria se tornar o último Highlander vivo. O roteiro era bem ruinzinho, mas a direção criativa e o ótimo uso da edição de imagens (com algumas das melhores transições do cinema) e da trilha sonora do Queen garantiram a longevidade da fita.

A trama de "Jumper" me pareceu semelhante. O filme acompanha a história de David Rice (Hayden Christensen, bonitinho mas sofrível como seu Anakin Skywalker da série Star Wars), um garoto que era o "nerd" na escola e que descobre, um dia, que pode se teletransportar. No início ele não tem muito controle. O dom salva sua vida quando ele cai acidentalmente dentro de um rio congelado, e em seguida o livra de um confronto com o pai, mas David não sabe direito quais os limites do seu poder. Aos poucos ele vai pegando o jeito e começa a usar do teletransporte para invadir cofres de bancos e roubar dinheiro. Mas há um limite para seu dom: ele só pode se teletransportar para um lugar onde já esteve antes, o que não faz o menor sentido. Ele certamente nunca esteve dentro do cofre do banco, por exemplo... embora ele tenha estado perto dele, o que eu não acho que sirva.

O tempo passa e David se transforma em uma espécie de "playboy" cheio da grana, que pode tomar café no Rio de Janeiro, almoçar em Londres e dormir em Nova York em seu apartamento enorme. Com boa pinta e a carteira cheia de dinheiro ele consegue mulheres facilmente, mas seu coração pertence a uma antiga colega da escola, Millie Harris (Rachel Bilson, igualmente sofrível). Ele volta à sua cidade natal e tenta conquistar a garota levando-a para passear em Roma.

Tudo seria uma lua-de-mel se não fosse um porém: os "jumpers" têm um inimigo na forma de Samuel L. Jackson, desperdiçando seu talento interpretando um "paladino", o inimigo número um dos "jumpers". Os paladinos estariam em guerra com os jumpers desde a Idade Média.... certo? Conseguiu entender? Claro que não faz o menor sentido mas, pensando bem, não se poderia esperar muita lógica em um filme como este.

Há bons momentos. O filme se passa em vários países do mundo como Estados Unidos, Itália, China, Japão e Egito. Falando nisso, o filme repete diversas vezes o plano que mostra David em cima da Esfinge, com as pirâmides ao fundo. A cena se repete tantas vezes que vira uma espécie de piada. O diretor Liman, aparentemente, gostou das viagens que podia fazer com Jason Bourne e resolveu repetir a dose neste filme. Em alguns momentos parece que você está assistindo a algum documentário turístico. Hayden Christensen fica fazendo caras e bocas que se fazem passar por uma "interpretação", mas não convence. Há a participação enigmática de Diane Lane como a mãe de David, e Samuel L. Jackson tem seus momentos. Mas no geral o filme é uma sucessão de perseguições cheias de "pulos" de um ponto a outro do mundo.

Para uma segunda feira chuvosa, é um bom programa. Talvez seja até uma boa pedida em DVD. Mas não passa disso.

quarta-feira, 12 de março de 2008

RAMBO?


Pois é, em que ano estamos mesmo? Deixe-me ver...é, já estamos em 2008, século XXI. Mas eu vou à locadora e vejo um filme novo da série "Duro de Matar". Outro dia mesmo Rocky Balboa estava nos cinemas. Indiana Jones (e a Busca pela Fonte da Juventude?) chega em maio (se não morrer no caminho)...em que ano estamos mesmo? É a volta dos anos 80! Mas peraí...eu passei pelos anos 80...o que significa que já estou com...deixa pra lá.

Confesso, assisti várias vezes ao Rambo ("programado para matar") e sua espetacular continuação ("A Missão") durante os anos 80, nos bons, velhos e surrados VHS. Rambo III (a ajuda ao Talibã perdido) já vi nos cinemas, sentado no chão do velho Cine Windsor, saudoso, no centro de Campinas. Nos tempos que Campinas só tinha um shopping (o Iguatemi) e duas salas de shopping, os "Serrador" I e II. Se eu gostava de Rambo? Claro que sim! O cara era macho, não ligava para nada nem ninguém e, quando ficava bravo, descarregava sua raiva com rajadas intermináveis de metralhadora, ou tiros certeiros de arco. Os vilões eram os saudosos vilões dos anos da Guerra Fria, vilões "de verdade", repulsivos, ignorantes, os "amarelos" vietcongs que Rambo destroçava na floresta, vencendo sozinho a guerra que custou a vida de 50 mil americanos (e 2 milhões de vietnamitas) nas décadas de 60 e 70.

Mas o tempo passa. A Guerra Fria terminou (sendo substituída por dezenas de guerras "quentes") e os heróis do cinema se tornaram mais existencialistas e filosóficos, como o NEO de "Matrix" que, mesmo em meio a rajadas de metralhadora, ainda tinha tempo de meditar sobre o sentido da vida. Mas eis que ressurge das cinzas Rambo, estimulado pelo retorno do seu meio-irmão Rocky Balboa que, confesso, foi um filme surpreendentemente bom. O pai dos dois, Sylvester Stallone, resolveu colocar a aposentadoria de lado e ganhar alguns trocados.

O que dizer de Rambo IV? Em uma palavra? Lixo. Em duas? Muito lixo. Mas não é tão simples. O retorno de Rambo sinaliza outras coisas no ar. Ícone da Guerra Fria e dos anos de Ronald Reagan, Rambo provavelmente se sentiu à vontade para voltar inspirado em George W. Bush, o "war president". E enquanto Rocky voltou tranqüilo, bem de vida mas saudoso da esposa e da fama da juventude, Rambo voltou simplesmente para fazer o que ele sabe fazer melhor: matar. O "roteiro" não passa de uma simples sinopse: grupo de missionários em missão de paz na Birmânia é seqüestrado pelo sanguinário exército local e Rambo, acompanhado por mercenários, vai resgatá-los. E é isso. O filme é tão vazio quanto curto...há quase dez minutos de créditos finais para cumprir os 90 minutos necessários para classificar Rambo como um longa metragem.

Confesso que achei que Stallone tentaria redimir o personagem, que neste filme acreditaria que nem tudo na vida se resolve na porrada, mas é exatamente o contrário. Rambo não mata apenas alguém. Ele decepa braços, cabeças, entranhas...tudo mostrado graficamente na tela como nunca antes. Há quem diga que o filme é "realista" por esta exibição de carne, mas o filme está mais para um filme "B" de terror na quantidade de sangue esguichando e membros saltando. Pode-se dizer que, talvez, Stallone tenha querido se manter "fiel" ao personagem, mas o que conseguiu foi mostrar uma suposta pessoa que não mudou absolutamente nada em 30 anos de "vida cinematográfica". E o filme nem pode ser desfrutado como uma boa aventura escapista, como nos filmes originais. É desprovido de interesse, curto e vazio como o cérebro do seu personagem.