domingo, 23 de setembro de 2012
A vida de outra mulher
sábado, 1 de setembro de 2012
Intocáveis
"Intocáveis" é uma comédia dramática muito bem feita que mostra a amizade que nasce destas pessoas tão diferentes. Driss, que mora em um apartamento pequeno com vários irmãos mais novos e tem passagem pela polícia, é um homem das ruas. Malandro, sem educação formal, é fã das músicas dançantes do grupo "Earth, Wind and Fire". Philippe é um aristocrata francês, especialista em Chopin e Berlioz, que é capaz de passar horas olhando uma pintura moderna antes de comprá-la por 41 mil euros. Driss não é bobo e percebe que tirou a sorte grande, o que não o impede de, a princípio, se recusar a fazer algumas das tarefas a ele delegadas, como vestir Philippe com meias especiais ou lhe fazer a higiene pessoal. O filme funciona em grande parte pelo acerto da escolha do elenco. Cluzet só pode atuar do pescoço para cima, mas consegue passar frases inteiras apenas com um olhar. Omar Sy é um vulcão constantemente em erupção, e seu bom humor contagia a todos rapidamente. Há cenas bem escritas pelos roteiristas e diretores Olivier Nakache e Eric Toledano. A relação entre Philippe e Driss é uma troca de amizade e de conhecimento. Driss tem contato com um mundo que lhe é extraterreno, tanto materialmente ("Eu tenho uma banheira!" diz ele a uma empregada da casa) quanto intelectualmente. Ele leva Philippe a galerias de arte e concertos de música erudita, nem sempre com os resultados esperados, e sua honestidade causa momentos hilariantes. Já Philippe aprende com Driss a escutar música popular, a fumar um baseado de vez em quando e, principalmente, a ter coragem para enfrentar algumas situações, como finalmente telefonar para uma mulher com quem vinha se correspondendo há seis meses.
"Intocáveis" fez grande sucesso na França e chega ao Brasil em um circuito que não se limita aos cinemas de "arte", o que é bom sinal. O roteiro, apesar de um pouco longo e não fugir do final feliz, é uma bem sucedida mistura de momentos cômicos com cenas dramáticas, e é ótima pedida.
Câmera Escura
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Políssia
sábado, 10 de março de 2012
Tomboy
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Os Nomes do Amor
domingo, 30 de outubro de 2011
A criança da meia-noite
domingo, 18 de setembro de 2011
Minhas Tardes com Margueritte
Câmera Escura
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Gainsbourg - O Homem que Amava as Mulheres
Você já escutou esta música. As notas graves da guitarra dão lugar a uma melodia suave, acompanhada por sussurros que parecem ter sido gravados durante o momento íntimo de um casal. "Je T ´aime...moi non plus", de Serge Gainsbourg, foi um escândalo ao ser lançada em 1969 e chegou a ser proibida em vários países. A não ser por esta canção, porém, Gainsbourg não é muito conhecido fora da França, seu país de origem. Pintor, desenhista, escritor, músico, cineasta e boêmio profissional, Gainsbourg teve uma vida cercada de sucessos e polêmicas. Seu talento multimídia foi transformado agora em filme pelo cartunista francês Joann Sfar, que tentou ser tão anárquico quanto o personagem.Há boas cenas perdidas no filme de Joann Sfar que, no geral, é confuso. Mas o tom cartunesco é bem vindo por subverter a fórmula tradicional das cinebiografias de artistas, que sempre seguem a lógica do "desconhecido que alcança a fama, se entrega às drogas e mulheres e entra em decadência". Mas se o espectador fica conhecendo mais sobre a obra de Gainsbourg depois de ver o filme, o personagem ainda é um enigma. Tudo parece vir muito fácil para o homem pequeno e feio, mas talentoso, que se vê na tela. E o filme termina antes que outras polêmicas, principalmente envolvendo a filha Charlotte Gainsbourg, aconteçam na vida de Serge. Charlotte se tornou atriz e cantora de sucesso, interpretando em filmes como "Anticristo" e "Melancolia", de Lars von Trier, entre dezenas de outros. Gainsbourg, expert em criar polêmicas, gravou com a filha de 13 anos "Lemon Incest", em que os dois são vistos deitados na mesma cama, ele sem camisas, cantando um para o outro. Ao que parece, Serge Gainsbourg foi provocador até o fim. Morreu de ataque cardíaco em 1991.
sábado, 9 de julho de 2011
Vênus Negra
Exibido em Campinas há um mês no Fesvital Varilux de Cinema Francês, "Vênus Negra" volta ao Topázio Cinemas. É, sem dúvida, uma das experiências mais impactantes e difíceis de suportar já colocadas em uma tela de cinema. "Vênus Negra" conta os últimos anos de vida de Sarah Baartman, uma sul-africana que era empregada doméstica e babá na Cidade do Cabo, antes de ser levada por seu patrão para Londres, onde era exibida como uma "curiosidade" (ou aberração). É o ano de 1810 e vários tipos de atrações bizarras são mostradas em um bairro pobre da capital inglesa. Sarah é apresentada como a "Vênus Hotentote", uma "selvagem" que seu patrão, Hendrick Caezar (André Jacobs), diz ter capturado sob o risco da própria vida. A apresentação da Vênus é um longo, humilhante e bizarro espetáculo mostrado com detalhes pelo diretor Abdellatif Kechiche, que parece fazer um teste com os espectadores de cinema de hoje, comparando-os com os frequentadores destes "freak shows" do século 19. É uma encenação, claro, mas qual o limite entre o teatro e a realidade? Sarah é uma mulher de 25 anos, aparentemente adulta, por que ela se submete à humilhante representação de um ser selvagem e subdesenvolvido?Quando membros de uma "sociedade africana" começam a levantar este tipo de questões, Caezar se junta a outro "artista", Réaux (Olivier Gourmet) e eles partem para Paris, para continuar com as apresentações da Vênus. O filme é longo, com duas horas e quarenta minutos de exibição. Durante este tempo, o espectador é testemunha de várias apresentações de Sarah, que se tornam cada vez mais degradantes, chegando perto da pornografia. Ela pertence à tribo dos Hotentotes, que têm como característica física as nádegas e órgão genital feminino avantajados. Há uma longa sequência, também humilhante, em que Sarah é levada aos cientistas franceses para ser medida, pesada, examinada e analisada como mero espécime de laboratório. Quando ela se recusa e expor a genitália, é simplesmente devolvida ao "dono". Sarah voltará a ser examinada, desta vez mais profundamente, pelos cientistas, na sequência final do filme.
"Vênus Negra" levanta a questão de como a curiosidade humana leva a extremos terríveis. A ciência "naturalista" da época não fica de fora. O resultado de todas as medições dos cientistas serve apenas para "provar" que os africanos são inferiores aos brancos, que seriam descendentes de uma raça superior. A curiosidade dos espectadores dos shows da "Vênus Hotentote" não é muito diferente do público dos "big brothers" e "pegadinhas" dos programas de televisão de hoje. Mas o próprio "Vênus Negra", paradoxalmente, acaba testando os próprios limites. Até que ponto é ético mostrar o sofrimento de uma mulher de forma tão detalhada e por tempo tão longo? Até que ponto a atriz Yahima Torres, que interpreta Sarah, não está sendo exposta da mesma forma? Claro que ela é apenas uma atriz mas, curiosamente, esta é uma justificativa dada pelos personagens ao modo como tratavam Sarah Baartman. Quanto à personagem, ela é vista sendo espancada, estuprada, cavalgada, chicoteada e humilhada de diversas formas. Que tipo de homenagem é esta à Sarah Baartman real? Curiosamente, um pouco de humanidade é mostrado apenas quando os créditos estão subindo e cenas reais do corpo de Baartman sendo devolvido à África do Sul, em 2002, são mostradas. Filme difícil, que requer estômago do espectador.
sábado, 11 de junho de 2011
Copacabana
A julgar pelos filmes vistos hoje no Festival Varilux de Cinema Francês ("Um gato em Paris", "Uma Doce Mentira" e "Potiche: Esposa Troféu", além deste), o relacionamento entre mães e filhas anda mal na França. Isabelle Huppert é Babou, uma mulher que vive de forma "livre", mas é tão irresponsável que está sempre desempregada, sem dinheiro e, ultimamente, sem o respeito da filha Esmeralda (Lolita Chammah). O relacionamento entre as duas está tão ruim que Esmeralda diz à mãe que não quer que ela vá ao seu casamento, pois não quer passar vergonha.Querendo mudar sua imagen diante da filha, Babou aceita um trabalho como vendedora de imóveis na cidade de Oostende, na Bélgica. Sempre exagerando na maquiagem e nas roupas e desbocada, Babou não é muito querida pelos outros vendedores com quem divide um apartamento mas, surpreendentemente, ela consegue atrair mais clientes que os outros; aos poucos, ganha a confiança de Lydie (Aure Atika, de "Mademoiselle Chambom"), sua encarregada. Também arruma rapidamente um amante (que se sente como um objeto sexual) e, por identificação, começa a ajudar um casal de moradores de rua.
Escrito e dirigido por Marc Fitoussi, o filme depende completamente da interpretação magistral de Isabelle Huppert. Interpretada de forma errada, Babou poderia facilmente cair em uma caricatura de mulher engraçada e decadente; Huppert faz da personagem (que, sim, é exagerada) uma mulher viva e cheia de defeitos, mas que fica realmente sentida por ter decepcionado a única filha. No fundo, ela não tem mau coração e tenta ajudar as companheiras de trabalho, mesmo sendo suas competidoras. O título vem da vontade de Babou, que já viajou por vários países da Europa, de um dia vir para o Brasil, mais especificamente (e tipicamente) para o Rio de Janeiro. A trilha sonora, aliás, é toda composta por samba e bossa-nova. "Copacabana" é um filme engraçado e vibrante, que deve ser visto pela interpretação de Huppert (que demonstra sua versatilidade quando comparada, por exemplo, com sua personagem fria e dura de "Minha Terra: África"). Visto como cortesia no Topázio Cinemas, em Campinas.
Um Gato em Paris
Boa surpresa esta animação francesa em cartaz no Festival Varilux de Cinema Francês, no Topázio Cinemas. O desenho dos diretores Alain Gagnol e Jean Loup Felicioli é estilizado e bonito, com figuras arredondadas e cores que parecem feitas com lápis de cor ou giz de cera. Há várias cenas noturnas e Paris é mostrada com muitas luzes, mas não da forma realista como, digamos, a Pixar a pintou em Ratatouille, mas como uma pintura vista por uma criança.Zoe é uma menina que perdeu o pai durante uma ação policial. Ele foi morto pelo cruel bandido Vítor Costa, que está obsecado em roubar uma estátua famosa que vai passar pela cidade. A mãe de Zoe, Jeanne, também é policial e não tem tempo para a filha. Jeanne quer capturar Costa a qualquer preço e passa horas na delegacia, deixando a pequena Zoe com uma babá muito suspeita. Em meio a tudo isso há dois personagens que passam a noite perambulando pelos tetos de Paris, o gato Dino e o ladrão Nico, personagem que lembra aqueles ladrões "românticos" do cinema, que roubam mais pelo desafio do que para fazer mal a alguém. Há um toque de "Ladrão de Casaca", de Alfred Hitchcock, nas cenas noturnas em que as silhuetas de Nico e Dino pulam de telhado em telhado, fazendo roubos ousados. A trama se passa em apenas uma noite, com várias reviravoltas e cenas de perseguição muito bem feitas. Nico, apesar de ladrão, é bom rapaz e ajuda a salvar Zoe quando ela é sequestrada pelos capangas de Vitor Costa. Há uma cena muito boa, passada na completa escuridão, em que os personagens são apenas delineados em branco sobre o fundo preto. É bom ver uma animação que não abusa de efeitos tridimensionais feitos em computação gráfica.
A Torre Eiffel, claro, está presente no cenário, mas o clímax da história é passado no topo da Catedral de Notre Dame, em estilo de filme noir, com o embate final entre Nico e o gângster. Apesar da trama policial, a animação é apropriada para crianças que, certamente, vão se divertir com as cenas de ação e com o humor fino dos personagens, principalmente Nico e o gato Dino. Visto como cortesia no Topázio Cinemas, em Campinas.
domingo, 26 de dezembro de 2010
Minha Terra, África
A África foi e continua sendo um dos continentes mais explorados e prejudicados da era moderna. Os países europeus a dividiram em pedaços, desrespeitaram fronteiras culturais e tribais e a pilharam até o último centavo. Os reflexos continuam sendo vistos; revoluções contínuas, fome, doenças, ditadores, minas terrestres, morte.domingo, 24 de outubro de 2010
Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague
Festival de Cannes, 1959. François Truffaut, crítico da mítica revista "Cahiers du Cinemá", que havia sido barrado pelo festival no ano anterior por seus textos polêmicos, é aclamado pela platéia. Seu primeiro longa-metragem, e obra prima, "Os Incompreendidos", acaba de ser exibido. Um garoto de 14 anos, Jean-Pierre Léaud, é levantado nos braços da multidão.domingo, 26 de setembro de 2010
O Refúgio
Mousse (Isabelle Carré) e Louis (Mevil Poupaud) recebem a heroína tarde da noite. Louis prepara a droga cuidadosamente e os dois a usam durante a noite toda. Pela manhã, a mãe de Louis aparece no apartamento e encontra o filho morto no chão. Mousse é levada ao hospital e entra em coma. Quando acorda, descobre que o namorado está morto e que está grávida dele. Assim começa "O Refúgio", de François Ozon, em cartaz em Campinas no Topázio Cinemas.domingo, 29 de agosto de 2010
Um Segredo em Família
François Grimbert é um garoto amedrontado. Enquanto seus pais, Maxime (Patrick Bruel) e Tania (Cécile de France), são atletas, ele é um rapaz fraco e fechado, que tem um irmão imaginário. Este irmão, ao contrário dele, é forte, ágil e é o orgulho dos pais. São os anos 50 na França, captados pelo diretor Claude Miller em tons fortes e coloridos. O que há de errado com François? Por que a sensação de que há “fantasmas” na vida de seus pais?
“Um Segredo em Família” é baseado na história real de Philippe Grimbert e mostra a ferida do Holocausto de outra forma. François nasceu em uma família judaica e foi circuncidado quando criança, como pregam os ritos. Um pouco mais velho, no entanto, ele é batizado católico pelos pais. Como toda criança, ele capta trechos de conversas sussurradas pelos adultos e constrói sua própria fantasia sobre como os pais se conheceram, se apaixonaram e se casaram. A verdade, porém, é muito mais sombria, e quando adolescente François descobre que há mais verdades na história de seu irmão “imaginário” do que ele pensava.
A trama do filme é muito mais interessante do que o modo como a história é contada. Duas histórias se desenrolam na primeira parte, os anos 50 na França (em colorido) e trinta anos depois, em 1985, em um preto e branco apagado. Estas cenas nos anos 80 mostram François (o ótimo Mathieu Almaric) como um terapeuta especializado em crianças com problemas. Seu pai está desequilibrado com a morte do cachorro, que foi atropelado, e François ainda tem memórias dolorosas da infância. O meio do filme, com François já adolescente, marca o início de outra história, que se passa antes da II Guerra Mundial e revela quem era o irmão “fantasma” de François, um garoto chamado Simon. Seu pai era casado com outra mulher, Hannah (Ludivine Sagnier), mas nutria uma paixão secreta pela cunhada, Tara. A história é muito interessante, mas o filme ganharia com uma narrativa mais linear. O nazismo começa a estender suas garras e os judeus franceses são obrigados a usar a Estrela de Davi, para desgosto de Maxime, que se recusa. Interessante o espelhamento das imagens entre François, no início do filme, e Simon, nesta segunda parte. Simon é um garoto atlético como o pai, e Hannah é a típica esposa judaica perfeita. Mas a atração física cada vez maior que Maxime sente por Tara começa a ficar aparente, o que leva a uma tragédia quando a família tenta fugir dos nazistas para o outro lado da fronteira.
O diretor Claude Miller, que foi gerente de produção de vários filmes do mestre François Truffaut nos anos setenta, conduz muito bem o elenco e cria uma tensão palpável e não dita entre as duas mulheres de Maxime. A Segunda Guerra e o nazismo deixaram marcas na Europa e na Humanidade que se estendem até hoje. “Things all long gone, but the pain lingers on”, como diria uma letra de “The Wall”, do Pink Floyd. Em todas as guerras, as maiores vítimas são as crianças.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O Pequeno Nicolau
"O Pequeno Nicolau" é vibrante, divertido e deliciosamente nostálgico. O filme remete a uma época em que as crianças brincavam na rua sem medo, não havia computadores em casa e a imaginação reinava solta. Nicolau (o ótimo Maxime Godart) é um garoto que não sabe o que vai ser quando crescer. Segundo ele, isso acontece porque ele adora sua vida como é hoje. Seu pai (o engraçado Kad Merad, de "A Riviera não é aqui") é um empregado esforçado que está tentando uma promoção no trabalho. Sua mãe (Valérie Lemercier) o adora e, segundo Nicolau, "sempre quis ser mãe" (sim, junto com a nostalgia o filme também remete a um tipo de sociedade machista do século passado, mas com boas intenções).sábado, 10 de julho de 2010
Não, minha filha, você não irá dançar
Há duas fábulas contadas por personagens de "Não, minha filha, você não irá dançar" que lidam com mulheres que venderam a alma ao diabo. Uma explica o título original, e fala sobre uma mulher que não queria se casar e só gostava de dançar. Ela promete ao pai que se casaria com o homem que conseguisse dançar com ela por 12 horas seguidas. Vários pretendentes tentaram e morreram no processo, até que o próprio diabo apareceu para dançar. Na outra fábula, uma mulher vende a filha ao diabo por 14 moedas de ouro. Só que quando ela vai pegar as moedas, elas estavam tão quentes (por terem vindo do Inferno), que ela queimou as mãos e não pode usá-las. No novo filme de Christophe Honoré (exibido na Mostra Internacional de São Paulo em 2009 e em cartaz em Campinas no Cine Topázio), Chiara Mastroianni é Lena, mãe de dois filhos que um dia decide ser "livre", abandona o marido e foge com as crianças. Mas, como mostra uma cena no início do filme, ela não tem condições sequer de cuidar de um filhote de passarinho, quanto mais de um casal de crianças.quinta-feira, 1 de julho de 2010
A Riviera não é aqui
Comédia divertida, leve e despretensiosa, "A Riviera não é aqui" brinca com estereótipos e preconceitos. Philippe (Kad Merad) é funcionário público dos Correios e faz de tudo para agradar a esposa Julie (Zoé Félix). Para conseguir uma transferência para uma agência na Riviera francesa, ele se finge de paralítico para ganhar uma "vaga de deficiente". Mas o plano não dá certo e ele tem duas escolhas: ser demitido ou enviado para o norte da França, perto da Bélgica, a uma cidade chamada Bergues. Para Philippe, a notícia parece uma sentença de morte. Ele e a esposa tem várias idéias pré concebidas sobre o "norte", que seria habitado por pessoas ignorantes e permanentemente embriagadas, vivendo sob um frio congelante. Além disso, falariam um dialeto estranho, ininteligível. A esposa decide ficar no Sul com o filho pequeno e Philippe parte sozinho para seus dois anos de "exílio".sábado, 5 de junho de 2010
O Inferno de Henri-Georges Clouzot
O ciúme foi tema de grandes obras de arte. Do Otello de Shakespeare, envenenado com as fofocas de Iago, ao Bentinho de Machado de Assis, para sempre condenado pela suposta traição de Capitú, o assunto sempre gerou polêmica e interesse. O cineasta francês Henri-Georges Clouzot quis usar do tema para criar o que seria sua obra prima. Apropriadamente chamado de "O Inferno", o filme trataria do ciúme doentio de um homem chamado Marcel (Serge Reggiani) por sua esposa, Odette (Romy Schneider). Clouzot estava determinado a fazer um filme como nunca havia sido produzido antes e contava com o apoio financeiro internacional da Columbia Pictures, que lhe deu carta branca no orçamento. Não há nada mais noçivo a um criador do que recursos ilimitados. Clouzot mergulhou em experimentalismos visuais que pretendiam passar as sensações doentias do marido ciumento para a platéia. O filme teria cenas em preto e branco, representando o mundo "normal", e cenas de um colorido forte, representando os delírios de Marcel. O problema é que "O Inferno" nunca foi terminado. O perfeccionismo do diretor, aliado aos maus tratos aos atores (particularmente Reggiani), culminaram com o abandono do ator do set e até no enfarto do diretor, em plena filmagem. domingo, 4 de abril de 2010
Ervas Daninhas
Escrever sobre "Ervas Daninhas" é tarefa difícil. O último filme do mestre francês Alain Resnais tem de tudo. Tem drama, tem comédia, tem suspense e romance. Tem aviões antigos e uma homenagem aos filmes hollywoodianos.







