quinta-feira, 25 de maio de 2023

Amor e Morte (Love and Death, 2023)

 
Amor e Morte (Love and Death, 2023). Dir: David E. Kelley. HBO Max. Candy Montgomery (Elizabeth Olden) é uma cidadã modelo. Ela é mãe de dois filhos e esposa ideal. Candy canta no coral da igreja e é ativa na comunidade em uma pequena cidade do Texas. Um dia, durante um jogo de vôlei com a congregação, ela se sente estranhamente atraída por um colega da igreja, Allan (Jesse Plemons). Decidida e sem rodeios, ela se aproxima dele e pergunta se ele estaria interessado em ter um caso com ela.

Mais para frente, "Amor e Morte" vai se tornar uma série criminal mas, para mim, a parte mais intrigante é este começo. A minissérie da HBO está mais interessada, aparentemente, em pintar um retrato dessa comunidade americana no final dos anos 1970 do que com o crime e julgamento que vão tomar conta dos capítulos finais. Elisabeth Olsen e Jesse Plemons estão ótimos como pessoas comuns que resolvem ter um caso; o modo como eles lidam com isso é quase científico. Ao invés de partirem direto para a cama, Candy e Allan têm vários encontros que servem para eles pesarem os "prós e contras" de um relacionamento extraconjugal. Eles fazem listas (no topo de uma, está a regra de que eles não podem se apaixonar). Eles conversam sobre como o caso não pode causar sofrimento aos seus respectivos cônjuges. Candy se responsabiliza não só por reservar os quartos de hotel como em preparar o almoço deles. Quando eles finalmente acabam na cama, até a HBO, famosa por cenas de sexo quase explícitas, resolve se comportar e mostra o casal de forma respeitosa.

Há um ditado que diz que quando um homem faz um plano, o Universo dá risada, e claro que todo o planejamento de Candy e Allan acaba dando errado. A coisa se complica de vez quando um machado entra na equação e a série entra para o terreno criminal; os fãs de séries de crime podem então assistir às cenas esperadas de tribunal, advogados gritando "protesto!", provas sendo apresentadas e, no final, um veredito, mas acho que isso é o de menos. A minissérie tem sete capítulos e o último foi disponibilizado hoje na HBO Max.

PU-239 (The Half Life of Timofey Berezin, 2006)

 
PU-239 (The Half Life of Timofey Berezin, 2006). Dir: Scott Z. Burns. HBO Max. Filme estranho, que encontrei sem querer zapeando pelo menu da HBO. Imagine uma mistura da seriedade de "Chernobyl" com a comédia dark de um filme de Guy Ritchie.

Timofey (Paddy Considine) trabalha em uma usina nuclear na União Soviética quando acontece um acidente. Ele tenta fechar uma válvula, é exposto a uma quantidade letal de radiação e, para piorar, os burocratas ainda querem por a culpa nele. Timofey é afastado da usina, sem pagamento, com esposa e filho pequeno para sustentar. Com a ajuda de um amigo, ele então rouba material nuclear da usina e parte para Moscou, na esperança de conseguir dinheiro para a família.

Enquanto isso, em Moscou, Oscar Isaac é um gângster chamado Shiv. Como em um filme de Guy Ritchie, ele faz parte de uma gangue atrapalhada que coloca fogo em uma loja, sem saber que ela pertence a um chefão inimigo. Eles têm 72 horas para pagar seis mil dólares a ele ou, então...

As duas histórias se intercalam aos trancos e barrancos. A parte com Paddy Considine, o operário morrendo rapidamente pelos efeitos da radiação, é séria e tem uma narração poética falando sobre os perigos da energia nuclear. A outra parte, com Oscar Isaac, é violenta, nonsense e, às vezes, engraçada. Como um todo, o filme não funciona direito. A produção é da HBO Filmes, com produção executiva de Steven Soderbergh e George Clooney. Estranho. Disponível na HBO Max.

domingo, 21 de maio de 2023

O pior vizinho do mundo (A man called Otto, 2022)

O pior vizinho do mundo (A man called Otto, 2022). Dir: Mark Forster. HBO Max. Versão americana de um filme sueco que, infelizmente, não vi (mas provavelmente era melhor), "O pior vizinho do mundo" é simpático e previsível. Tom Hanks, quem diria, já tem idade para fazer o papel do "velho rabugento" que, em outras épocas, seria feito por Walter Matthau ou, talvez, Clint Eastwood. Ele é Otto, um viúvo que está desgostoso da vida, briga com todo mundo e implica com a vizinhança; mas, para surpresa de zero pessoas, no fundo ele tem bom coração.


O bom elenco de coadjuvantes é elevado pela mexicana Mariana Treviño, que interpreta a nova vizinha de Otto, Marisol. Ela é cheia de vida, tem um marido bobão, duas filhas lindas e mais um bebê a caminho. Otto já estava literalmente com a corda no pescoço quando a mexicana bateu à sua porta trazendo comida e se apresentando. Aos poucos, o coração gelado do velho acaba sendo derretido pela moça e pela família dela. Em uma subtrama, ficamos sabendo que uma imobiliária quer despejar os moradores da vizinhança e construir prédios no lugar. Por um momento achei que a casa de Hanks fosse sair voando, carregada por balões de festa.

Como disse, o filme é bem simpático, apesar de previsível. Hanks está bem como o velho Otto e o roteiro mistura comédia com boas pitadas de drama. Flashbacks mostram a vida de casado de Otto com o amor da sua vida, Sonya (Rachel Keller), uma professora. A boa trilha sonora é de Thomas Newman e a direção de Mark Forster, que teve uma carreira bem diversa, dirigindo 007 (Quantum of Solace), Guerra Mundial Z, Em busca da Terra do Nunca, etc. Disponível na HBO Max.

Quedida Alice (Alice, darling. 2022)

Quedida Alice (Alice, darling. 2022). Dir: Mary Nighy. Amazon Prime Video. Anna Kendrick construiu a carreira em filmes de comédia ou musicais; ela sempre esteve bem neles, mas nunca a havia visto em algo que exigisse algo a mais dela. Até este filme.

Kendrick interpreta Alice, uma mulher de uns 30 anos que está em um relacionamento sério com um artista chamado Simon (Charlie Carrick). Ela também tem duas melhores amigas, Sophie (Wunmi Mosaku) e Tess (Kaniehtiio Horn) que querem que ela vá passar uns dias com elas em uma cabana no campo. Alice aceita o convite e vai com as amigas, mas claramente há alguma coisa errada. Ela está sempre nervosa e, de vez em quando, arranca tufos do cabelo com as mãos. A edição insere pequenos trechos em que vemos o rosto de Simon, o namorado dela, a criticando de alguma forma ou ameaçando sutilmente. As amigas também percebem que algo está errado, mas não sabem como intervir.

É um filme bastante sutil e feminino. A presença de Anna Kendrick e a história de três amigas indo passear até passam a ideia de que estamos vendo alguma comédia bobinha, mas este é um drama e tanto. Kendrick está muito bem como uma mulher tão fragilizada que parece que vai quebrar a qualquer momento. Os sinais do relacionamento tóxico em que ela se encontra se revelam sutilmente, no modo como ela está sempre se arrumando ou fica assustada com qualquer vibração do celular. Há uma subtrama que trata de uma moça desaparecida que, de certo modo, espelha a situação de Alice. O filme vai aquecendo a trama em "banho maria", elevando a tensão até ficar bastante desconfortável. Anna Kendrick revela que pode fazer mais do que comédias românticas. Disponível na Amazon Prime Video. 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Air, A História por Trás do Logo (Air, 2023)

Air, A História por Trás do Logo (Air, 2023). Dir: Ben Affleck. Amazon Prime Video. Pouco mais de um mês depois de estrear nos cinemas, o filme de Ben Affleck sobre um tênis chega à Amazon Prime Video. É leve, interpretado por um bom elenco encabeçado por Matt Damon (com participação especial de Viola Davis), mas que não é muito mais do que um comercial de longa metragem.
A tal "história por trás do logo", no subtítulo ridículo brasileiro, é na verdade a história por trás de uma campanha de marketing que transformou um tênis em um dos produtos mais lucrativos da história. Estamos claramente nos anos 80 (como nos mostram um monte de referências a "Um Tira da Pesada", "Ghostbusters", Cindy Lauper e videogames) e a Nike é a empresa "patinho feio" do mundo dos tênis. A alemã Adidas reina suprema e a Converse patrocina as maiores estrelas da NBA. Mas um diretor da divisão de basquete da Nike, Sonny Vaccaro (Matt Damon), resolve investir todas as fichas da empresa em um astro novato, Michael Jordan. O modo como Jordan é tratado pelo filme é quase religioso, como comentou o crítico inglês Mark Kermode. Tanto que Jordan nunca é mostrado de frente (assim como Jesus em Ben-Hur). Ao invés disso, um dublê o interpreta entrando e saindo de reuniões sem mostrar o rosto ou dizer uma palavra, enquanto que a mãe (a grande Viola Davis) e o pai (Julius Tennon) negociam seu contrato com as grandes empresas.
O filme deve ser mais interessante para grandes fãs de Jordan ou, talvez, para estudantes de publicidade. Com o perdão do trocadilho, "Air" é leve como o ar, inofensivo como uma brisa. Mas é tranquilo de se assistir em casa, do sofá. Disponível na Amazon Prime Video.

Agente Infiltrado (AKA, 2023)

Agente Infiltrado (AKA, 2023). Dir: Morgan S. Dalibert. Filme francês de ação que é melhor do que eu esperava, apesar dos vários clichês. Imagine Denzel Washington ou (mais recentemente) Chris Hemsworth interpretando um assassino frio que tem que proteger uma criança. O roteiro, do diretor Dalibert e do ator Alban Lenoir, deixa tudo mais confuso (ou profundo?) misturando subtramas que envolvem atentados terroristas, maquinações políticas e problemas familiares.

Alban Lenoir é Adam Franco, um assassino profissional a serviço do governo francês. Um prólogo o mostra em ação na Síria, em uma missão que termina de forma surpreendente. Os filmes de John Wick certamente são uma influência na forma com que Franco mata a todos de forma cirúrgica, enquanto magicamente não é atingido por ninguém. Corta para a França e um atentado terrorista em um hotel. Um senador pede ao chefe de inteligência que resolva o assunto, e Franco é recrutado para matar um terrorista interpretado por Kevin Layne. Para isso, ele tem que se infiltrar em uma família da máfia francesa, o que o leva a se aproximar de um garoto, filho do chefão. Sim, parece uma mistura de vários filmes que você já viu antes, mas se você passar por cima disso pode até ficar interessante. Tá na Netflix. 

Encurralados (Boga Boga, 2023)

Encurralados (Boga Boga, 2023). Dir: Onur Saylak. Netflix. Filme de suspense turco que funciona melhor como uma comédia de erros. Yalin (Kivanç Tatlitug) é um banqueiro que se refugia em um vilarejo com a esposa, Beyza (Funda Eryigit), depois de enfrentar problemas com a lei. Há um clima estranho no ar, toda vez que Yalin cruza com alguém da vila recebe um olhar desconfiado, ou de ódio. O caso é que Yalin foi responsável por um esquema financeiro que causou a ruína de centenas de pessoas; algumas se recusam a servi-lo em suas lojas. Outros querem matá-lo.

O ator que faz Yalin mal abre a boca e está sempre com cara de poucos amigos. Para complicar sua situação, ele acaba cometendo uma série de crimes bizarros enquanto tenta se defender dos que querem acabar com ele. Pelo telefone, o advogado diz que fez um acordo com o promotor e que ele deve se comportar da melhor forma possível. "Nem passe em um sinal vermelho". O ritmo é lento e o filme faz algumas referências ao rico passado do lugar (o filósofo Aristóteles teria vivido na região). A situação de Yalin também faz paralelos com os problemas financeiros da Europa e à questão dos refugiados, tudo mencionado de passagem. O final é "curioso". Não é um filme muito fácil. Tá na Netflix.

domingo, 23 de abril de 2023

Deixe-o Partir (Let him go, 2020)

Deixe-o Partir (Let him go, 2020). Dir: Thomas Bezucha. Netflix. Pelo título, capa e sinopse, "Deixe-o partir" parece uma daqueles dramalhões para se assistir em um sábado à noite, cheio de lágrimas e lições de vida. Na verdade, o filme é uma espécie de Western moderno, passado nos anos 1960, com um elenco encabeçado por um sóbrio Kevin Costner e por Diane Lane (curiosamente, os dois interpretaram os pais adotivos do Superman de Henry Cavill). Costner e Lane são um casal entrando na terceira idade que têm um rancho onde criam cavalos. O filho mais velho morre em um trágico acidente, deixando uma jovem esposa e um garotinho, Jimmy, para trás.

Alguns anos depois, a viúva se casa de novo com um rapaz chamado Donnie Weboy (Will Brittain), que não é coisa boa. O rapaz bate na esposa e no enteado pequeno, para desespero de Diane Lane, avó do menino. Um dia ela vai visitá-los e descobre que eles desapareceram sem dar notícia. Lane volta para casa, arruma uma mala grande para ela e para o marido. "O que você pretende fazer?", pergunta Costner. "Vou pegar meu neto", responde a mulher. Começa assim um "road movie" em que o velho casal vaga pelo meio oeste americano em busca da nora e do neto. As poucas notícias que eles encontram sobre a família Weboy não são boas. Costner tenta dissuadir a mulher, alegando que a mãe do menino nunca vai deixá-lo partir. Ela é irredutível.

Não vou revelar o que acontece depois, mas o filme se torna cada vez mais sombrio e pesado. A atriz Lesley Manville está ótima com uma matriarca que parece ter saído de algum Western antigo. Há ecos de John Ford e dos irmãos Coen. A fotografia é sombria e o filme tem boa trilha sonora de Michael Giacchino. Kevin Costner e Diane Lane estão ótimos como o velho casal. Tá na Netflix.

sábado, 22 de abril de 2023

Os Três Mosqueteiros: D´Artagnan (Les trois mousquetaires: D'Artagnan, 2023)

Os Três Mosqueteiros: D´Artagnan (Original title: Les trois mousquetaires: D'Artagnan, 2023). Dir: Martin Bourboulon. Filme de aventura francês à moda antiga, baseado no livro popular de Alexander Dumas (lançado em 1844). "Os Três Mosqueteiros" teve dezenas de versões para o cinema, começando com o cinema mudo, animações, comédias e até uma versão americana "teen" com Kiefer Sutherland, Charlie Sheen e Chris O´Donnell, nos anos 1990. Os espadachins do rei voltam agora às telas na versão original francesa, na primeira de duas partes que vão contar a história dos heróis.

É um filme de "capa e espada" legítimo, com bastante ação mas não só isso; há também espaço para intrigas palacianas, romance (e "bromance") e várias cenas de esgrima, filmadas com uma câmera que balança demais em longos planos sequência. Ao contrário do figurino colorido geralmente mostrado nas versões americanas, este filme francês é um pouco mais realista e mostra os mosqueteiros como homens com roupas escuras (e sujas), mulherengos e rápidos em desafiar alguém para um duelo. A cena em que o jovem D´Artagnan (François Civil) chega a Paris e, em poucas horas, acaba ofendendo e sendo desafiado por Athos (Vincent Cassel), Porthos (Pio Marmaï) e Aramis (Romain Duris) é famosa e engraçada.

A trama é um pouco confusa e envolve uma conspiração dos protestantes para derrubar o Rei da França, Luís (Louis Garrel) e caluniar a Rainha Anne (Vicky Krieps, de "Trama Fantasma"); embora "caluniar" talvez não seja a palavra certa, porque a Rainha tem culpa no cartório, um romance secreto com um Príncipe da Inglaterra. Eva Green (de "Cassino Royale") é uma misteriosa Milady que está envolvida em várias tramas com o Cardeal Richelieu (Eric Ruf). Há várias cenas de lutas de espadas intercaladas por conspirações na corte e tentativas de D´Artagnan em conquistar uma criada da Rainha, Constance Bonacieux (Lyna Khoudri). A segunda parte foi filmada junto e, creio, ainda será lançada este ano. Nos cinemas. 

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Kill Boksoon (2023)

 
Kill Boksoon (2023). Dir: Sung-hyun Byun. Netflix. Há um bom filme de 90 minutos dentro deste loooongo filme de ação coreano de 137 minutos. Estrelado por Jeon Do-yeon (de "The Housemaid") como uma assassina profissional, "Kill Boksoon" é muito bem feito, bem interpretado e tem um roteiro que seria ótimo com, no mínimo, 30 minutos a menos (mas eu tenho achado isso da maioria dos filmes ultimamente, então talvez o problema seja eu?).


Gil Boksoon (Jeon Do-yeon) é uma assassina de elite de uma "empresa" coreana chamada MK. Veterana, ela está no fim do seu contrato e pensando em parar. O motivo seria a filha adolescente, Gil Jae Yeong, que está em uma fase difícil. Como uma jogadora de xadrez, Boksoon tem a habilidade de ver vários movimentos à frente quando enfrenta um adversário. Assim, diversas vezes a vemos sendo morta por alguém... aí a cena volta para o início e ela tenta uma manobra diferente. O mesmo acontece quando ela tem que lidar com a filha (para ver como ela tem dificuldades em ser mãe, já que encara a filha da mesma forma como seus alvos). Já vimos antes no cinema histórias de assassinos que têm que manter uma fachada quando em suas vidas "normais", e aqui não é diferente.

As boas cenas de ação e luta corpo a corpo são bem poucas quando comparadas a intermináveis cenas em que se discute de tudo; há cenas intermináveis em um bar em que assassinos de "classes" diferentes conversam. Há cenas intermináveis em "reuniões de diretoria" das empresas de assassinos. Há cenas intermináveis em que os irmãos (homem e mulher, que mais parecem amantes) donos da MK tentam decidir o que fazer com Boksoon, que nunca segue as regras. Em meio a tudo isso, como disse, há um bom filme de ação e um bom filme da relação entre uma mãe e sua filha (assunto de vários filmes ultimamente, como o também interminável "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo"). Tá na Netflix. 

Irmãos de Honra (Devotion, 2022)

 Irmãos de Honra (Devotion, 2022). Dir: J.D. Dillard. Amazon Prime Video. Filme super comportado que nem dá para ser chamado de "filme de guerra". É passado um pouco antes da Guerra da Coréia, chamada de "a guerra esquecida", nos anos 1950. Em um ano em que foi lançado "Top Gun: Maverick", "Irmãos de Honra" parece um filme da Sessão da Tarde.

O que não significa que seja ruim. As poucas cenas de batalhas aéreas (e terrestres) são bastante bem feitas. O ritmo lento parece vir de um cinema à moda antiga; é longo, duas horas e vinte minutos, para contar uma história de camaradagem entre aviadores que, de novo, parece velha em ano de reprise de Top Gun. Um dos atores, inclusive, está nos dois filmes, Glen Powell, que interpreta o tenente Tom Hudner. O parceiro é vivido por Jonathan Majors, que interpreta o primeiro aviador negro da Marinha americana, Jesse Brown.

Acompanhamos um grupo de aviadores enquanto eles treinam com um caça novo (o Corsair), aprendem a pousar em um porta-aviões, são enviados à Europa, passeiam por Cannes (em uma sequência de meia hora que, sinceramente, poderia ter sido cortada, mesmo eles tendo encontrado Elizabeth Taylor), e finalmente chegando à fronteira entre a Coréia e a China. Há momentos de camaradagem, há cenas de racismo enfrentado pelo aviador negro, há boas sequências aéreas. Nada de memorável. Disponível na Amazon Prime Video. 

sábado, 25 de março de 2023

Cocaine Bear (2023)

Cocaine Bear (2023). Dir: Elizabeth Banks. Baseado remotamente em uma história real ocorrida nos EUA em 1985, "Cocaine Bear" é dirigido pela atriz Elizabeth Banks e é assumidamente um filme "B". Obviamente não deve ser levado a sério e, visto deste modo, tem alguns momentos divertidos (mas fica a sensação de que poderia ser melhor).

O roteiro, escrito por Jimmy Warden, é baseado na história de um urso que ingeriu mais de 30 quilos de cocaína lançada de um avião em uma região florestal. Na história real, o urso foi econtrado morto e só; o roteiro de Warden imagina o que teria acontecido se o animal, literalmente "cheirado", tivesse encontrado pessoas na floresta. O elenco surpreende, composto por pessoas como Keri Russell, Margo Martingale, Alden Ehrenreich, O'Shea Jackson Jr., Isiah Whitlock Jr. e Ray Liotta, em um de seus últimos trabalhos. Nesta era nostálgica pós Stranger Things, Banks tenta recuperar o ar "anos 80" mostrando crianças andando na floresta, figurino de época, walkmans, uma trilha feita com teclados e muita violência "gore" que lembra o estilo de Sam Raimi ou John Carpenter (mas sem o mesmo talento).

Como disse, poderia ser melhor. Não é engraçado o suficiente para ser uma comédia nem assustador o suficiente para ser terror. O urso, apesar de bem feito, é claramente feito em computação gráfica a maior parte do tempo (a não ser em closes ou em detalhes como garras). No Brasil estreia em 30 de março (sim, eu baixei). 

 
O Estrangulador de Boston (Boston Strangler, 2023). Dir: Matt Ruskin. Star+. Filme policial baseado na história real de uma série de crimes acontecidos em Boston nos anos 1960. Um estrangulador atacava mulheres sozinhas, convencendo-as a entrar no apartamento fingindo ser um zelador ou técnico de manutenção. Os crimes atraíram a atenção de uma repórter do jornal Record American, Loretta McLaughlin (Keira Knightley), que até então só escrevia "matérias femininas". Com a ajuda de outra repórter, Jean Cole (Carrie Coon, sempre competente), Loretta encontrou ligações entre os crimes que haviam escapado à polícia de Boston.

O filme é claramente influenciado pelo trabalho de David Fincher em "Zodíaco" e na série "Mindhunter". As cores são discretas e a fotografia é sombria. Falta ao diretor (Matt Ruskin), porém, o talento e a ousadia de Fincher em deixar o espectador mais desconfortável. Apesar de tenso, "O Estrangulador de Boston" é bem mais tranquilo de se assistir do que "Zodíaco" (e nem vou falar de "Seven"). As ações do estrangulador quase não são vistas, a não ser por breves cenas no início. A falta de identificação com as vítimas (anônimas) também não ajuda muito o roteiro. O que falta em roteiro, porém, é compensado pelo bom elenco; Knightley e Coon são acompanhadas por um bom grupo de coadjuvantes como Chris Cooper (como o diretor de redação) e Alessandro Nivola (como um policial). Disponível na Star+.

domingo, 12 de março de 2023

Entre mulheres (Women Talking, 2022)

Entre mulheres (Women Talking, 2022). Dir: Sarah Polley. O título original, "mulheres falando", pode parecer simples ou trivial. No contexto do filme, no entanto, significa muita coisa. "Entre mulheres" é um dos dez indicados a Melhor Filme no Oscar que acontece esta noite. Curiosamente, ele está indicado apenas a mais uma categoria, roteiro adaptado, da diretora canadense Sarah Polley (que adaptou o livro de 2018 escrito por Miriam Toews). Há duas formas de se ver este filme, como algo baseado em uma história real ocorrida na Bolívia em 2010 (como, de fato, foi), ou como uma alegoria para algo bem mais amplo. A trama: um grupo de mulheres mora em uma colônia religiosa à moda antiga; separadas do mundo, elas não têm acesso à educação, ao voto, a ter ideias próprias. Para piorar, elas são frequentemente assaltadas sexualmente pelos homens da colônia, que lhes dizem que é o ato de "fantasmas", de "Satanás", ou da imaginação fértil das moças. Um dia, porém, um dos homens é pego em flagrante. As mulheres, então, resolvem debater sobre o que devem fazer; há três opções: fazer nada, ficar e lutar ou deixar a colônia. O filme de uma hora e quarenta minutos mostra esta conversa.

Poderia ser tudo bastante teatral (e, em momentos, realmente é), mas a direção de Polley e a interpretação do elenco tornam o filme uma experiência fascinante e tensa. E que elenco; Claire Foy, Rooney Mara, Jessie Buckley, Frances McDormand, entre outras, estão excelentes (nenhuma delas foi indicada ao Oscar, lamentavelmente). Apenas um homem tem um papel de destaque, August, interpretado por Ben Whishaw, que é o professor dos meninos da colônia. Os homens, no entanto, estão na pauta por todo o filme. Os homens ou a própria masculinidade. São simplesmente inimigos a serem derrotados? Monstros? Vítimas de um sistema que pune tanto homens quanto mulheres? Possíveis parceiros? O que as mulheres devem fazer? Deixar para lá? Lutar? Fugir? Curioso como a religião também é tratara no filme. As mulheres se refugiam em uma fé que as conforta, mas será que também não as oprime?

Não é um filme fácil, mas vale bastante pelas questões levantadas e pelas belas interpretações. Destaque também para a trilha sonora da islandesa Hildur Guðnadóttir (que ganhou o Oscar por "Coringa" em 2019). Nos cinemas.

Luther: O Cair da Noite (Luther: The Fallen Sun, 2023)

Luther: O Cair da Noite (Luther: The Fallen Sun, 2023). Dir: Jamie Payne. Netflix. Não vi as cinco temporadas do policial Luther (Idris Elba), produzidas pela BBC. Assim, entrei neste filme produzido pela Netflix sem o contexto necessário, talvez, para apreciá-lo como deveria. Isso posto, "Luther" é longo, escuro, maniqueísta e não faz o menor sentido. Será que os fãs da série aprovaram o longa?

Luther é um policial de Londres que enfrenta um vilão digno de um filme de James Bond, interpretado por Andy Serkis (geralmente associado ao trabalho de voz e "motion capture" de personagens como o "Gollum" de "O Senhor dos Anéis" ou o César de "O Planeta dos Macacos"). Aqui ele interpreta em carne e osso um daqueles vilões completamente inverossímeis, um serial killer sádico que tem uma conta bancária infinita, tempo e uma equipe para praticar crimes da forma mais cruel possível (não contente em matar pessoas, ele grava seus gritos de agonia e os manda para suas mães).

Há diversos clichês de filmes policiais, como o "tira" que cai em desgraça mas ainda comanda a investigação dos bastidores, a mulher durona que não quer ser humilhada (uma chefe de polícia interpretada por Cynthia Erivo), as salas cheias de monitores vigiando as pessoas, etc. No final, descobre-se que há um "porquê" nas ações do vilão, mas nem isso é original (foi feito muito melhor em alguns capítulos da série "Black Mirror"). Tá na Netflix.