Mousse (Isabelle Carré) e Louis (Mevil Poupaud) recebem a heroína tarde da noite. Louis prepara a droga cuidadosamente e os dois a usam durante a noite toda. Pela manhã, a mãe de Louis aparece no apartamento e encontra o filho morto no chão. Mousse é levada ao hospital e entra em coma. Quando acorda, descobre que o namorado está morto e que está grávida dele. Assim começa "O Refúgio", de François Ozon, em cartaz em Campinas no Topázio Cinemas.domingo, 26 de setembro de 2010
O Refúgio
Mousse (Isabelle Carré) e Louis (Mevil Poupaud) recebem a heroína tarde da noite. Louis prepara a droga cuidadosamente e os dois a usam durante a noite toda. Pela manhã, a mãe de Louis aparece no apartamento e encontra o filho morto no chão. Mousse é levada ao hospital e entra em coma. Quando acorda, descobre que o namorado está morto e que está grávida dele. Assim começa "O Refúgio", de François Ozon, em cartaz em Campinas no Topázio Cinemas.sábado, 25 de setembro de 2010
Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme
Há um pouco de Gordon Gekko, o ambicioso jogador da bolsa de valores interpretado por Michael Douglas, no diretor Oliver Stone. Roteirista de sucesso nos anos 80, Stone se lançou para a fama cinematográfica dirigindo filmes polêmicos que trataram de biografias de presidentes americanos (como Nixon, JFK ou George W. Bush), a Guerra do Vietnã (Platoon, Nascido em Quatro de Julho, Entre o Céu e a Terra), violência e a mídia (Assassinos por Natureza) ou a ganância da bolsa de valores (Wall Street). Exagerado, ambicioso, manipulador, Stone passou por maus bocados nos últimos anos, investindo em grandes fracassos como "Alexandre" ou filmes por encomenda como "As Torres Gêmeas". Polêmico, também se tornou documentarista e se aproximou de figuras como Fidel Castro, em Cuba, e Hugo Chávez, na Venezuela.domingo, 19 de setembro de 2010
Um Doce Olhar
Chamado por aqui de “Um doce olhar”, o filme “Mel” (“Bal”, no original) do diretor turco Semih Kaplanoglu foi o vencedor do Urso de Ouro em Berlim no início do ano. É a terceira parte de uma trilogia baseada no personagem Yusuf (o garoto Bora Altas, muito bem), que já contou com os filmes “Ovos” (2007) e “Leite” (2008). “Um doce olhar” é uma obra extremamente contemplativa, lenta e silenciosa. Passado nas florestas da região montanhosa da Turquia, o filme é quase um documentário de uma civilização arcaica, ainda baseada na agricultura e na cultura de abelhas. A câmera de Kaplanoglu fica estática quase o tempo todo em longos planos que apenas observam os personagens. A cena inicial mostra Yakup (Erdal Besikcioglu), pai de Yusuf, procurando por uma árvore apropriada para instalar sua colméia. Ele vem acompanhado de um burrinho que carrega seus mantimentos. Escolhida a árvore, Yakup lança uma corda e começa a escalada. É então que escutamos um estalo, o galho começa a se partir e o pobre homem fica pendurado na árvore entre a vida e a morte.Acompanhamos então a vida da família de Yakup, composta por sua jovem esposa Zehra (Tulin Ozen) e seu filho Yusuf, nos dias anteriores ao episódio da árvore. Yusuf é um garoto inteligente que tem um problema de fala. Ele é gago e só consegue conversar com o pai quando sussurra as frases. Ou, estranhamente, quando lê as orações do dia no início da manhã. Na escola, no entanto, não consegue ler os textos pedidos pelo professor. Entristecido, vê os colegas ganharem, um a um, um broche vermelho como recompensa pela boa leitura. Yusuf nunca se junta aos colegas durante o recreio, ficando na sala de aula a observar suas brincadeiras pela janela.
A sensação de se estar assistindo a um documentário permeia todo o filme. Observamos costumes da pequena vila de Yusuf e o modo de vida de seu pai e colegas. Há o fabricante das cordas que Yakup usa para escalar as árvores. Há a colheita de folhas feita pela mãe de Yusuf. Há a senhora religiosa que leva o garoto até o alto da montanha, em uma cabana, onde ela e outras senhoras recitam trechos da vida de Alá. O filme não tem trilha sonora no sentido tradicional, os sons e músicas ouvidos são os produzidos pelos personagens ou pela natureza. Os sons naturais, aliás, têm uma força enorme na obra, principalmente os produzidos pela floresta, como rangidos de galhos, vento, pássaros ou animais ao longe. A fotografia de Baris Ozbicer privilegia os tons escuros e o contraste entre o dia e a noite. Há apenas uma seqüência um pouco mais barulhenta quando a mãe de Yusuf vai procurar pelo marido em um festival religioso que acontece no meio das montanhas. É um choque reconhecer a marca de um famoso sorvete vendido no Brasil em meio àquela sociedade quase medieval.
Não é um filme muito fácil de se ver. É necessário certo estado de espírito para uma obra extremamente lenta e silenciosa. Há pequenos detalhes interessantes, como na relação afetiva entre Yusuf e seu pai. O homem, apesar das feições fechadas, demonstra grande carinho pelo filho e o educa de forma espartana, mas correta. Conforme o filme vai se aproximando do final e começa a ficar claro para a mulher e o filho que o pai não vai voltar mais, sua falta na tela é mostrada em uma cena interessante em que Yusuf brinca de acender da apagar a luz da casa, na esperança de que, de repente, o pai possa aparecer. (Visto no Topázio Cinemas).
sábado, 11 de setembro de 2010
A Ressaca
Os anos 80 foram a década dos excessos. Os Estados Unidos estavam para se tornar a única superpotência do mundo, Ronald Reagan estava na Casa Branca, Wall Street ditava moda e o dinheiro era o rei. No cinema, os filmes para adolescentes reinavam absolutos, das comédias bem feitas de John Hughes e produções caprichadas de Steven Spielberg a bobagens de baixo nível como Porky´s e similares. Pena que o filme "A Ressaca", ao tentar prestar homenagem à década de 80, foi se basear justamente nesse lado baixo nível.quarta-feira, 8 de setembro de 2010
O Profeta
A situação dos imigrantes, na Europa, é delicadas. Na França, o presidente Nicolas Sarkozy tem implementado leis consideradas racistas contra muçulmanos e ciganos, entre outros povos. Este caldeirão cultural está muito bem representado em "O Profeta", de Jacques Audiard, que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro este ano com "A Fita Branca", de Michael Haneke, e "O Segredo dos seus Olhos", de Juan José Campanella, entre outros.domingo, 5 de setembro de 2010
Nosso Lar
O livro "Nosso Lar", de Chico Xavier, foi lançado em 1944 e é sua obra mais vendida. Ou, como preferem alguns, "Nosso Lar" é um livro ditado pelo espírito André Luiz a Chico Xavier em 1944 e é sua obra mais famosa. O livro agora ganha uma versão cinematográfica que entra para a história como o filme brasileiro mais caro de todos os tempos. Orçado em 20 milhões de reais, "Nosso Lar" é uma obra difícil de avaliar. Não é papel do crítico julgar seu conteúdo religioso ou se ele se trata de verdade ou ficção. sábado, 4 de setembro de 2010
Coco Chanel & Igor Stravinsky
Paris, 1913. O compositor russo Igor Stravinsky (Mads Mikkelsen) estréia sua mais nova obra, "A Sagração da Primavera". O clima é de tensão antes mesmo da música começar. Os dançarinos estão ensaiando atrás da cortina. Os músicos estão confusos com a partitura. "Esqueça a melodia e siga o ritmo", diz o maestro ao primeiro violinista. "Isso não é Tchaikovsky, Strauss ou mesmo Wagner". Quando a música começa, consternação na platéia. O ritmo forte e as notas dissonantes soam como ruídos para os franceses do início do século XX, que vaiam aquela que viria a ser uma das obras mais conhecidas da música erudita.domingo, 29 de agosto de 2010
Um Segredo em Família
François Grimbert é um garoto amedrontado. Enquanto seus pais, Maxime (Patrick Bruel) e Tania (Cécile de France), são atletas, ele é um rapaz fraco e fechado, que tem um irmão imaginário. Este irmão, ao contrário dele, é forte, ágil e é o orgulho dos pais. São os anos 50 na França, captados pelo diretor Claude Miller em tons fortes e coloridos. O que há de errado com François? Por que a sensação de que há “fantasmas” na vida de seus pais?
“Um Segredo em Família” é baseado na história real de Philippe Grimbert e mostra a ferida do Holocausto de outra forma. François nasceu em uma família judaica e foi circuncidado quando criança, como pregam os ritos. Um pouco mais velho, no entanto, ele é batizado católico pelos pais. Como toda criança, ele capta trechos de conversas sussurradas pelos adultos e constrói sua própria fantasia sobre como os pais se conheceram, se apaixonaram e se casaram. A verdade, porém, é muito mais sombria, e quando adolescente François descobre que há mais verdades na história de seu irmão “imaginário” do que ele pensava.
A trama do filme é muito mais interessante do que o modo como a história é contada. Duas histórias se desenrolam na primeira parte, os anos 50 na França (em colorido) e trinta anos depois, em 1985, em um preto e branco apagado. Estas cenas nos anos 80 mostram François (o ótimo Mathieu Almaric) como um terapeuta especializado em crianças com problemas. Seu pai está desequilibrado com a morte do cachorro, que foi atropelado, e François ainda tem memórias dolorosas da infância. O meio do filme, com François já adolescente, marca o início de outra história, que se passa antes da II Guerra Mundial e revela quem era o irmão “fantasma” de François, um garoto chamado Simon. Seu pai era casado com outra mulher, Hannah (Ludivine Sagnier), mas nutria uma paixão secreta pela cunhada, Tara. A história é muito interessante, mas o filme ganharia com uma narrativa mais linear. O nazismo começa a estender suas garras e os judeus franceses são obrigados a usar a Estrela de Davi, para desgosto de Maxime, que se recusa. Interessante o espelhamento das imagens entre François, no início do filme, e Simon, nesta segunda parte. Simon é um garoto atlético como o pai, e Hannah é a típica esposa judaica perfeita. Mas a atração física cada vez maior que Maxime sente por Tara começa a ficar aparente, o que leva a uma tragédia quando a família tenta fugir dos nazistas para o outro lado da fronteira.
O diretor Claude Miller, que foi gerente de produção de vários filmes do mestre François Truffaut nos anos setenta, conduz muito bem o elenco e cria uma tensão palpável e não dita entre as duas mulheres de Maxime. A Segunda Guerra e o nazismo deixaram marcas na Europa e na Humanidade que se estendem até hoje. “Things all long gone, but the pain lingers on”, como diria uma letra de “The Wall”, do Pink Floyd. Em todas as guerras, as maiores vítimas são as crianças.
sábado, 28 de agosto de 2010
Os Inquilinos
Periferia de São Paulo. Calor insuportável. Classe média baixa. Filas se formam nos pontos de ônibus, onde homens e mulheres embarcam para horas no trânsito. À noite, na volta pra casa, ônibus queimados e comandos policiais se enfileiram no caminho. Valter (Marat Descartes) é um dos milhares de anônimos que enfrentam esta rotina todos os dias. Branco, é casado com Iara (Ana Carbatti), negra, e tem um casal de filhos. Um dia três rapazes barulhentos, encrenqueiros e com jeito de bandidos se mudam para a casa vizinha. A presença destes novos inquilinos inquieta toda a vizinhança e muda a rotina familiar de Valter.sexta-feira, 27 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Karate Kid
Em 1984, o diretor John G. Avildsen usou sua experiência adquirida em “Rocky” (1976), com Sylvester Stallone, para fazer outro tipo de “filme de luta”. Baseado em um personagem em quadrinhos, “Karate Kid” era um bom filme “família” que contava a história de Daniel Larusso (Ralph Macchio) e sua amizade com um zelador japonês, o Sr. Miyagi (Pat Morita), que lhe ensinava karatê. O filme fez grande sucesso e gerou algumas continuações, das quais apenas “Karate Kid II” ainda tinha algo para dizer. Nos violentos anos 80, com seus “Rambos” e “Rockys”, “Karate Kid” se destacava ao falar sobre usar as artes marciais apenas para se defender.Vinte e seis anos depois, o personagem está de volta, repaginado. Estamos no século XXI e o “futuro” agora está na China. A noção de adolescência também mudou, e o novo Karate Kid se transformou em um garoto negro de 12 anos chamado Dre Parker. Ele é interpretado por Jaden Smith, filho de Will Smith e Jada Pinkett Smith. A mãe de Dre (Taraji Henson) foi transferida para um trabalho na China e os dois partem para o país de Mao, uma surpreendente economia capitalista em um país comunista. É patente o lado “relações públicas” de algumas cenas. A vizinhança para onde Dre e a mãe se mudam é uma China idealizada, com crianças jogando basquete na praça e velhos fazendo exercícios. Não há nada culturalmente diferente na tela, e Dre já está jogando basquete alguns minutos depois que chegou ao país. Quando o zelador lhe explica que a eletricidade do chuveiro é controlada, o garoto lhe diz que isso não existe nos Estados Unidos. Ao que o zelador responde “desligue o interruptor e salve o mundo”, em uma mensagem ecológica. Vinda de um dos países mais poluidores do mundo, a frase parece ter sido escrita por algum relações públicas.
Política à parte, o filme é bastante envolvente. Jaden Smith, apesar de ter herdado vários maneirismos do pai, é basicamente um garoto comum. Atraído por uma garota, ele é atacado por um garoto valentão simplesmente por conversar com ela. Ele leva uma surra e Smith não tem vergonha de mostrar lágrimas de dor. Sua situação fica pior ao descobrir que o valentão estuda na mesma escola, e Dre passa por humilhações e surras diárias. Um dia ele é salvo pelo Sr. Han (Jackie Chan), o zelador do prédio, que se revela um mestre em kung-fu. Algumas cenas e diálogos foram tirados diretamente do “Karate Kid” original, como a cena em que o Sr. Han e Dre vão conversar com o cruel professor de kung-fu do garoto. O Sr. Han consegue uma “trégua” nas surras de Dre, desde que ele participe do torneio de kung-fu que vai ocorrer meses depois.
Sim, kung-fu. “Karate Kid” é apenas o nome da “marca” que vai atrair os fãs dos filmes originais. Jackie Chan, que já está com 56 anos, interpreta o Sr. Han de forma surpreendente. Sempre sério, Chan não se parece em nada com os personagens que costumava interpretar em seus filmes de artes marciais ou em comédias americanas. Há uma bela cena (também baseada em passagem do original), que o Sr. Han conta a Dre sobre a morte precoce da esposa e do filho pequeno. Há também boas passagens de amor adolescente entre Dre e uma garota chinesa e várias sequências turísticas mostrando as paisagens da China. É difícil acreditar que um zelador tivesse acesso à Muralha da China para treinar seu aluno, por exemplo, mas é esteticamente bonito.
A duração, com duas horas e vinte minutos, é excessiva. Produzido por Will Smith e a esposa, a sensação que dá é que nenhuma cena interpretada pelo filho deles foi cortada, e ele está em praticamente todos os planos. E quando o torneio chega, mesmo os que não viram o filme original sabem o que vai acontecer, mas torcemos por Dre da mesma forma.
domingo, 22 de agosto de 2010
Topografia de um Desnudo
Assistir a "Topografia de um Desnudo" é daquelas experiências em que, como espectador e crítico, você imagina o que é que faz um filme ser bom ou não. Ou, antes, o que faz uma série de imagens em movimento se transformar (ou não) em um filme. Será que bastam apenas atores, cenários, um roteiro e uma câmera para fazer cinema?sábado, 21 de agosto de 2010
Almas à venda
Impossível falar de "Almas à venda" sem citar o roteirista e diretor Charlie Kaufman. O filme da diretora Sophie Barthes é uma espécie de colagem dos temas de Kaufman, particularmente dos filmes "Quero ser John Malkovich" e "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças". Isso não significa que seja um filme de segunda categoria, longe disso. O extraordinário Paul Giamatti, famoso por interpretar personagens angustiados com um toque de Woody Allen, encarna um ator de Nova York envolvido em uma produção teatral de "Tio Vânia", de Anton Chekov. O nome de seu personagem? Paul Giamatti, claro. Fazendo uma versão fantasiada e exagerada dele mesmo, Giamatti encontra em um anúncio de revista o que pode ser a solução para seus problemas: uma empresa que alega conseguir tirar a "alma" da pessoa, armazenando-a em um local seguro. A vantagem, segundo a empresa, é que um sujeito "desalmado" pode viver de forma muito mais leve, sem ter problemas de consciência, por exemplo, ou outros dilemas morais.domingo, 15 de agosto de 2010
Insolação
"O Amor não foi feito para sermos felizes, e sim para nos sentirmos vivos". Assim fala Paulo José em um de seus vários monólogos durante "Insolação", filme de Daniela Thomas e Felipe Hirsch. Em cartaz no Topázio Cinemas, em Campinas, o filme é extremamente autoral e se encaixa perfeitamente naquele rótulo de "filme de arte". O roteiro, fragmentado, foi escrito por dois americanos, Will Eno e Sam Lipsyte, a pedido dos diretores, e é baseado na literatura romântica russa.sábado, 14 de agosto de 2010
Os Mercenários
Em uma cena de "Rambo II", de 1985, Sylvester Stallone está em um barco com uma agente vietnamita. Ela lhe pergunta o porque dele ter sido enviado para lá. Ele responde que ele é "expendable" (dispensável, desnecessário). Vinte e cinco anos depois, Stallone está de volta em um filme chamado "The Expendables" (chamado aqui de "Os Mercenários"), que é um curioso exemplo de filme anacrônico, espécie de homenagem aos filmes "macho" dos anos 1980. Stallone recentemente trouxe de volta os personagens que fizeram sua carreira, como Rocky e o próprio Rambo. Desta vez é como se ele tivesse resolvido fazer o filme "macho" por excelência, reunindo em uma só produção praticamente todos os atores de ação de hoje e de ontem. Só faltaram Jean-Claude Van Damme, Steven Seagal e Chuck Norris. Há mais testosterona (embora um tanto envelhecida) na tela de "Os Mercenários" do que em um Maracanã lotado.
