terça-feira, 13 de abril de 2021
Sleepers: A Vingança Adormecida (Sleepers, 1996)
Quanto ao filme, ele é bem bom, embora nem tanto quanto eu lembrava. É a história de quatro garotos de 13 anos que fazem uma bobagem (tentam roubar um carrinho de cachorro quente) que quase leva à morte de um homem. Eles são condenados a 18 meses de reclusão em um reformatório barra pesada. Lá eles são constantemente abusados por um cruel guarda, interpretado por Kevin Bacon. Anos depois, nos anos 80, um crime junta os quatro amigos, agora adultos, em um tribunal. Alguns do lado da acusação, outros na defesa, e Jason Patrick no meio de campo. Estou sendo vago para não revelar detalhes.
O que mais me incomodou nesta revisão é a constante narração de Jason Patrick. O roteiro (de Barry Levinson) é adaptado de um livro e dá a impressão que Levinson não deixou nenhuma linha de fora. Não há um momento de silêncio o filme todo, a narração sempre entra para falar, muitas vezes, o óbvio, tipo "dois caras entraram no restaurante", quando estamos VENDO isso acontecer. Há um "esquema" por trás do julgamento que acho meio difícil de acreditar. Já Robert De Niro está bastante bem como um padre que tem que enfrentar uma decisão difícil. Com duas horas e vinte e sete minutos, o filme poderia seria melhor com vinte minutos a menos, fácil. Mas é bom de assistir, o elenco é afinado e muito bem feito. Tá na Netflix (onde um filme de 1996 é quase pré-histórico, rs).
segunda-feira, 5 de abril de 2021
Quando Margot encontra Margot (La belle et la belle, 2018)
sábado, 3 de abril de 2021
Blow the man down (2019)
Blow the man down (2019). Dir: Bridget Savage Cole e Danielle Krudy. Amazon Prime. Há muito dos irmãos Coen ("Fargo" é uma influência óbvia) nesta comédia de humor negro. Passado em uma pequena cidade do gelado estado do Maine, EUA, "Blow the man down" tem de tudo, até cenas musicais. As irmãs Priscilla (Sophie Lowe) e Mary Beth (Morgan Saylor) mal têm tempo de enterrar a mãe, que morreu de uma doença, quando se envolvem em um crime bizarro. Mary Beth sai com um rapaz que tenta se aproveitar dela e acaba morto pela garota. A irmã vem em seu auxílio e elas se livram do corpo (ou assim pensam), mas o crime é só a ponta do iceberg.
O roteiro (das diretoras) explora as atividades "escondidas" da cidade, como um bordel administrado pela formidável Enid (Margo Martindale), que se orgulha de ter conseguido, por anos, manter os homens do porto longe das garotas da cidade. Só que uma de suas "colaboradoras" aparece morta e as mulheres "de bem" da cidade acham que é hora de colocar ordem na casa. Uma delas é a ótima June Squibb (Palmer, Nebraska, As confissões de Schmidt) que, com outras duas amigas, parecem realmente administrar a cidade. Os diálogos são muito bem escritos e há várias sequências irônicas e engraçadas, daquele modo seco que me lembrou os roteiros de Ethan e Joel Coen. De tanto em tanto tempo, um grupo de pescadores interrompe a narrativa e canta uma canção tradicional, rs. Disponível na Amazon Prime.
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Meu Pai (The Father, 2020)
O terror está nos detalhes. Na cor e posição de móveis. No tamanho de quartos, salas. Nos quadros da parede. De quem é este apartamento? Quem é essa pessoa? Quem sou...eu? "Meu pai" é, ao mesmo tempo, lindo e assustador. Ao nos colocar no lugar de um homem que, pouco a pouco, está perdendo a memória, o filme mostra como as aparências enganam e como tudo, no fundo, depende da interpretação que fazemos das coisas.
Anthony (um estupendo Anthony Hopkins) é um senhor que mora sozinho em um apartamento enorme em Londres. Sua filha, Anne (Olivia Colman, sempre certeira) vem visitá-lo todos os dias; ela está brava com ele porque ele não consegue se dar bem com nenhuma cuidadora que ela contrata. Ela também lhe diz que está de mudança para Paris porque ela conheceu um homem, com quem vai se casar. Só que, na cena seguinte, Anthony está conversando com um homem que diz ser marido da filha dele. Paris? Não, eles não vão a Paris. A filha chega das compras e Anthony não a reconhece.
"Meu Pai" é escrito e dirigido por Florian Zeller, baseado em uma peça escrita por ele. Não sei como era no teatro, mas Zeller faz um trabalho brilhante e bastante cinematográfico ao puxar o tapete debaixo de nossos pés cena após cena. Pequenas mudanças na direção de arte trocam a posição dos móveis e a cor das paredes. Assim como Anthony, ficamos perdidos espacialmente e, através da edição, temporalmente. Algumas cenas se repetem, com pequenas mudanças; a montagem não é linear.Nada disso funcionaria, porém, sem a brilhante interpretação de Anthony Hopkins, que passa toda gama de emoções através do olhar e da linguagem corporal. O elenco ainda conta com Olivia Williams, Rufus Sewell, Imogen Poots e Mark Gatiss em papéis que se alternam, dependendo da cena.
Este não é, porém, um filme "truque" tipo "Memento", de Christopher Nolan, onde o que importa é a forma. "Meu Pai" usa da técnica para criar empatia. É de cortar o coração, e assustador, ver como toda uma vida, memórias e a própria noção de quem você é vão se perdendo no final da jornada. A última imagem é muito triste, e muito bela. Por todo filme, Anthony fica obsecado por encontrar seu relógio de pulso, é como se ele tentasse segurar o Tempo com as mãos. "Meu Pai" recebeu seis indicações ao Oscar; filme, ator (merecidíssimo, para Hopkins), atriz coadjuvante (Colman), roteiro adaptado, edição e direção de arte. Disponível na Apple TV e, para quem quiser se arriscar, em breve nos cinemas.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
Neve Negra
Sete Minutos depois da Meia Noite
domingo, 30 de julho de 2017
Ruína Azul
O filme é estrelado por Macon Blair, um amigo de infância. Nada disso transparece no filme, que é extremamente bem feito e profissional. “Blue Ruin” acabou indo para o Festival de Cannes onde ganhou um prêmio de crítica. O filme acompanha a vida de Dwight (Macon Blair), que no início vive como morador de rua em uma cidade de praia. Ele dorme em um carro todo enferrujado e vive de restos de comida. Um dia ele fica sabendo que o homem que foi condenado por matar seus pais vai ser solto da prisão, em Virgínia. Dwight empacota suas coisas, põe o carro para funcionar, arruma uma arma e volta à sua terra natal para vingar a morte dos pais.
O que se segue é um suspense sangrento, com toques de humor negro que me lembraram dos irmãos Coen, realista e extremamente bem fotografado. Também me pareceu uma crítica à quantidade de armas que o americano comum tem. Quando tudo for “olho por olho, dente por dente”, restarão apenas cegos e banguelas.
João Solimeo
Câmera Escura
quinta-feira, 25 de maio de 2017
STAR WARS - 40 ANOS
Deprimido com o fracasso de "THX 1138", Lucas começou a pensar em uma saga espacial baseada nos seriados de "Flash Gordon" que ele via quando criança. Ao revê-los novamente, já adulto, ele viu o quanto eles eram mal feitos e imaginou como seria um filme de aventura espacial produzido com mais dinheiro e efeitos especiais modernos, e começou a esboçar o que se tornaria "Star Wars".
Enquanto isso ele escreveu e dirigiu um filme que era uma homenagem a seus tempos de adolescência, quando passava noites guiando pelas ruas de Modesto, chamado "American Graffiti" (1973). O elenco tinha Richard Dreyfuss (que faria "Tubarão", "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" e "Além da Eternidade" com Steven Spielberg), Ron Howard (antes de se tornar diretor) e um ator de 30 anos que também era carpinteiro nas horas vagas, Harrison Ford. "American Graffiti" foi um sucesso inesperado de bilheteria e colocou milhões de dólares no bolso de George Lucas, que ainda não tinha 30 anos.
Sem precisar se preocupar com dinheiro para sobreviver, Lucas embarcou na árdua jornada de transformar um monte de ideias desconexas e centenas de referências em um roteiro de cinema. Ao contrário da lenda que o próprio Lucas espalharia depois, ele não teve uma inspiração súbita que o fez criar uma grande saga de nove capítulos (ou três trilogias), das quais escolheu filmar primeiro a trilogia do meio. Ele escreveria quatro versões até chegar ao roteiro final, mas o começo era bem diferente do filme que chegou às telas em 1977. As fontes eram diversas; histórias de John Carter, Buck Rogers e Flash Gordon deram ao filme a figura do herói puro e inspirador, a heroína forte e dedicada e um vilão claramente delineado. Contos de fadas e o livro "O Herói de Mil Faces", de Joseph Campbell, serviram para estruturar a trama de acordo com mitos antigos e a Jornada do Herói. Filmes de Akira Kurosawa e Westerns de John Ford ajudaram também na estrutura. Munido da quarta versão do roteiro e auxiliado pelas pinturas do artista Ralph McQuarrie, Lucas conseguiu convencer a 20th Century Fox a produzir o filme.
O elenco era composto, na maioria, por atores desconhecidos ou estreantes. Harrison Ford ganhou o papel de Han Solo por sorte; ele estava instalando uma porta no estúdio em que Lucas estava fazendo testes de elenco e foi convidado a participar. Lucas conseguiu convencer uma verdadeira lenda do cinema britânico, Alec Guinness, a interpretar Obi-Wan Kenobi (claramente inspirado em Gandalf, de "O Senhor dos Anéis"). Guinness receberia 150 mil dólares (o mesmo que George Lucas estava ganhando) mais uma porcentagem da bilheteria, o que lhe renderia um bom dinheiro até o fim da vida.
O filme foi um sucesso e gerou duas sequências diretas, "O Império Contra-Ataca" (1980) e "O Retorno de Jedi" (1983), ainda sob supervisão de Lucas. Já no final do século XX, início do século XXI, Lucas voltou à saga escrevendo e dirigindo as famigeradas "prequels", ou os Episódios I, II e III, que receberam críticas mistas, para dizer o mínimo. Em 2012, os estúdios Disney compraram a "Lucasfilm" por mais de 4 bilhões de dólares e investiram pesado na marca Star Wars, lançando "Star Wars - O Despertar da Força" (2015) e "Rogue One" (2016).
O livro "How Star Wars Conquered the Universe", de Chris Taylor (que serviu de base para este artigo), fala sobre como Star Wars não só se tornou um campeão de bilheteria como se tornou parte da cultura mundial. Mesmo as poucas pessoas que nunca viram o filme já ouviram falar em Darth Vader, Han Solo, Princesa Leia, Luke Skywalker e Yoda. O sucesso do filme mudou a indústria do cinema, salvou a 20th Century Fox da falência e se tornou o modelo do blockbuster moderno. Curioso que o criador disso tudo, no início, queria apenas fazer filmes experimentais e tirar fotografias.
João Solimeo
Câmera Escura
domingo, 23 de abril de 2017
Vida (Life, 2017)
sábado, 8 de abril de 2017
A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017)
sábado, 25 de março de 2017
Fragmentado (2017)
domingo, 12 de março de 2017
Kong: A Ilha da Caveira (2017)
PS: claro que, estilo Marvel, há cenas depois dos créditos, esteja avisado.
sexta-feira, 10 de março de 2017
Silêncio (2017)
sábado, 4 de março de 2017
Logan (2017)
Mangold deixa explícitas suas referências do Western em uma cena em que o professor Xavier e a garota assistem ao clássico "Shane" ("Os Brutos Também Amam", 1953) na TV de um hotel. O tema se desenvolve na sequência que falei no começo deste texto, quando o trio vai parar em uma fazenda. A família que ali vive passa pelas mesmas dificuldades dos colonos do clássico de 1953, um rico dono de terras quer expulsa-los dali. As cenas passadas nesta fazenda dão um respiro bem vindo à correria das sequências anteriores (Patrick Stewart, como o Professor Xavier, está especialmente bem nessas cenas).






















