segunda-feira, 29 de abril de 2013

Homem de Ferro 3

As primeiras imagens da campanha publicitária de "Homem de Ferro 3" prometiam algo sombrio para Tony Stark (Robert Downey Jr) e seu alter-ego de titânio. Cenas em câmera lenta mostravam a casa do playboy milionário sendo destruída por mísseis; outras imagens mostravam as armaduras do herói sendo destruídas, tudo indicando um filme mais maduro. Pura ilusão. Para desgosto de alguns (e delícia de milhares) de fãs, "Homem de Ferro 3" é tudo aquilo que se poderia esperar da continuação de uma franquia de sucesso: maior e muito mais barulhento.

O início até tenta criar um clima mais denso na psicologia de Tony Stark. Depois dos eventos vistos em "Os Vingadores", em que ele havia quase morrido ao salvar o planeta de uma invasão alienígena, Stark tem ataques de ansiedade, insônia e falta de foco. Sua namorada, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) foi promovida a presidente das indústrias Stark (além de morar definitivamente com ele). Do passado surge um ambicioso empresário e cientista chamado Aldrich Killian (o sempre cometente Guy Pierce, de "Os Infratores") que, após ter sido humilhado por Stark, se transformou em um homem inescrupuloso. Através de manipulação genética, ele criou uma nova raça de super-soldados que parecem saídos de X-Men. Ao mesmo tempo, um terrorista (muito parecido com Bin Laden) chamado de "Mandarim" (ninguém menos que Sir Ben Kingsley, de "A Ilha do Medo") comete uma série de atentados a bomba. Stark leva para o lado pessoal e desafia o terrorista em rede nacional de televisão, o que causa a já citada cena em que sua casa e suas armaduras são feitas em pedacinhos, mandando Tony de volta à estaca zero.

O roteiro e direção deixaram as mãos competentes de Jon Favreau (que interpreta o guarda-costas Happy Hogan) e passaram para o lendário roteirista Shane Black, criador de mega sucessos dos anos 1980 como a série "Máquina Mortífera". A influência da década de 80 é sentida de diversas formas; a mais irritante se vê na forma do (antigamente) obrigatório coadjuvante mirim que divide a tela com o super-herói em cenas que beiram o ridículo. A suposta seriedade do herói é jogada fora em favor de cenas em que Stark contracena com um garoto que, sem pai, mãe ou família, ajuda o gênio milionário a reconstruir a armadura do Homem de Ferro. Outra influência oitentista se vê no final, passado em um daqueles cenários cheios de containers, cabos e muitas explosões. Stark, que passa grande parte do filme fora da armadura de titânio, tira da cartola dezenas (não é força de expressão) de "Homens de Ferro" que surgem para salvar a pátria. O que havia de verossimilhança (mesmo que de HQ) no primeiro filme da série se transforma naquelas intermináveis sequências em que Stark desafia as leis da física saltando de um guindaste a outro, mergulhando dentro de uma armadura, saindo e caindo dentro de outra. Sim, as cenas de ação são impressionantes e, sem dúvida, os fãs adolescentes vão vibrar em cada segundo de projeção. Para quem (como eu) que não tem familiaridade com os quadrinhos, fica a pergunta: onde estão os outros Vingadores enquanto isso tudo está acontecendo? Por que simplesmente não chamam o Hulk para fazer purê de Guy Pierce?

Para quem gosta de muito barulho e de explosões, "Homem de Ferro 3" é o filme perfeito. Visto no Topázio Cinemas, em Campinas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Oblivion

Terra, 2077. O planeta foi invadido por extraterrestres que, ao destruírem a Lua, causaram uma série de catástrofes naturais que arrasaram com todas as cidades e quase extinguiram a Humanidade. Ainda assim, eles foram derrotados e os humanos sobreviventes estão todos em órbita, em uma nave gigantesca, aguardando o momento de partir para um novo lar em Titã, uma das luas de Saturno. Apenas alguns poucos humanos ainda estão na Terra fazendo trabalho de manutenção nos drones, robôs automáticos que estão à caça dos extraterrestres que permanecem escondidos.

Tom Cruise é Jack Harper, um destes técnicos de manutenção. Ele vive em uma belíssima casa tecnológica que flutua acima das nuvens, acompanhado de Victoria (Andrea Riseborough), sua companheira e encarregada. Faltam apenas duas semanas para que o trabalho termine e eles possam embarcar para Titã, mas as coisas não são tão simples. Jack (que tem o nome gritado uma centena de vezes durante o filme, "Jack!", "Jack!") tem tido uns sonhos estranhos com uma mulher desconhecida, em uma época antes da guerra, em um claro "empréstimo" dos roteiristas da trama de "O Vingador do Futuro" (versões de 1990 e 2012). Para complicar as coisas, um dia cai do céu uma nave; contrariando ordens superiores, Jack vai investigar e resgata uma única sobrevivente, Julia (a modelo Olga Kurylenko), que é exatamente a mulher que tem aparecido em seus sonhos. Jack também descobre que há um grupo de rebeldes humanos na Terra liderados por Beech (Morgan Freeman e sua voz de Deus), que pretendem revelar a verdade sobre a guerra e o que aconteceu com o planeta.

Dirigido por Joseph Kosinski (de "Tron: O Legado"), "Oblivion" tem um visual fantástico, embora nada original, que mostra a cidade de Nova York, sempre ela, praticamente enterrada por toneladas de lama. A trama tem todos os ingredientes para um bom filme de ficção-científica, envolvendo memórias apagadas, preocupações ambientais, rebeldes e um herói que conhece muito pouco sobre ele mesmo. Por que, então, o filme não funciona? Apesar do todo o carisma de Tom Cruise (que simplesmente se recusa a envelhecer), os personagens não empolgam. Há diversas sequências de ação que causam menos entusiasmo do que um jogo de videogame e o roteiro, quando começa a revelar os "segredos" da trama, simplesmente desmorona. 

ATENÇÃO, SPOILERS, NÃO LEIA DAQUI PARA FRENTE SE NÃO VIU O FILME.

SPOILERS. ESTEJA AVISADO.

Por que os alienígenas precisariam de auxiliares como Jack e Victória? Por que se dar ao trabalho de criar estas histórias na cabeça deles? Se eles são tão superiores tecnologicamente, como claramente se pode ver, qual a necessidade de ter "técnicos de manutenção" humanos e, pior, cheios de memórias complicadas na cabeça? Por que não clonar um outro humano qualquer, criar milhares de escravos? Por que os alienígenas parecem saber tudo e ver tudo no planeta, em certas partes do filme, e serem completamente cegos em outros momentos? Como é que o personagem de Cruise (ou um de seus clones) estava exatamente no lugar certo na hora que a nave Odisseu caiu no planeta, e como é que ele conseguiu salvar, de todos os humanos presentes, exatamente sua mulher? Por que é que Cruise pode parar os drones com um comando de voz durante praticamente todo o filme, mas quando eles atacam o esconderijo dos rebeldes ele não faz isso? Por que é que os alienígenas iriam querer que ele levasse Julia para a nave mãe, convenientemente abrindo a porta para que ele entrasse com a bomba? O que eles teriam a ganhar ao vê-la?

Estas são apenas algumas das perguntas que podem ser feitas a partir dos absurdos apresentados pelo roteiro. Isso sem falar no final inacreditável, em que o marqueting de Tom Cruise é tão grande que ele pode, ao mesmo tempo, se "sacrificar" pelo planeta e ainda "voltar" para um final feliz (o que fizeram com os outros 50 clones de Jack Harper que, teoricamente, existem espalhados pelo planeta?). Assim, "Oblivion" pode ter visuais espetaculares e uma premissa interessante, mas não consegue responder às próprias perguntas.

sábado, 13 de abril de 2013

Auto Focus (2002)

Como se chama um homem viciado em sexo? "Homem", ora bolas. Mas Bob Crane levava a coisa um pouco a sério demais. Dependente de atenção, sexo e tendo apenas o grande carisma para mantê-lo, Crane aproveitou enquanto pode a fama do seriado "Hogan´s Heroes" (chamado aqui de "Guerra, Sombra e Água Fresca"), antes de se autodestruir. A vida de Crane foi levada ao cinema pelo lendário Paul Schrader, que também teve sua dose de fama e quase autodestruição.

É fácil perceber o que atraiu Schrader ao projeto. Ele foi roteirista de "Taxi Driver" (1976) e "Touro Indomável" (1980), de Martin Scorsese, e escreveu e dirigiu filmes como "Gigolô Americano" (1980) e "Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos". Todos têm em comum um personagem obcecado por atenção e uma vida sexual "complicada", para dizer o mínimo.

Bob Crane (Greg Kinnear, muito bem) era locutor de rádio, exímio baterista e tinha um carisma enorme; por falta de sorte, nunca havia tirado a sorte grande nas telas do cinema, onde queria ser o "novo Jack Lemmon", como diz para seu agente em uma cena. A televisão é a melhor alternativa e ele conseguiu o papel principal em uma comédia controversa chamada "Guerra, Sombra e Água Fresca", que se passava dentro de um campo de prisioneiros nazista. A ideia, a princípio, fez muita gente torcer o nariz, mas a série era realmente engraçada e fazia uma paródia com filmes clássicos de prisioneiros como "Stalag 17" (Billy Wilder, 1953) e "Fugindo do Inferno" (John Sturges, 1963).

A vida de Crane mudou quando conheceu John Carpenter (Willem Dafoe), um técnico que trabalhava para a Sony vendendo rudimentares câmeras de vídeo e frequentador assíduo de casas de strip e swing. Carpenter (que não tem nada a ver com o diretor de cinema John Carpenter) levou Crane para este mundo de sexo fácil, orgias e drogas. O carisma de Crane e o sucesso na televisão atraiam mulheres todas as noites, com quem ele não só transava mas, fascinado com a tecnologia do videotape, gravava para assistir depois. Este comportamento destruiu seu primeiro casamento (aparentemente comportado e católico), seu segundo casamento e, finalmente, com a própria vida. Crane foi encontrado morto, com a cabeça esmagada, em 1978. John Carpenter, seu "melhor amigo", é considerado o maior suspeito, mas nunca foi preso por isso.

O filme de Schrader tem ótima reconstituição de época (as cenas da série são idênticas às originais) e bom elenco, mas não tem a mesma qualidade de trabalhos anteriores do diretor. Há um ar de "telefilme" que permeia toda a produção, apesar da ousadia das diversas cenas de sexo, nudez e violência. Vale como um retrato do submundo de Hollywood no final dos anos 60 e 70. Disponível em DVD.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Anna Karenina

Um clássico russo de Leon Tolstoy, figurinos requintados, recriação de época, muito drama; como fazer para tornar esta história algo mais do que "mais um" filme histórico? A solução encontrada pelo diretor Joe Wright foi bem engenhosa e visualmente interessante. Ele e Keira Knightley já trabalharam juntos antes em adaptações de clássicos da literatura como "Orgulho e Preconceito" (2005) e "Desejo e Reparação"  (2007), mas nenhum destes filmes tinha o requinte empregado na produção do drama de Tolstoy.

Grande parte do filme se passa dentro de um teatro, e o espectador pode ver as mudanças de cenários, iluminação, etc, enquanto os personagens vivem alheios às amarras da sociedade. A metáfora é óbvia, mas não menos interessante: a alta sociedade russa do final do século 19 segue regras de comportamento como atores interpretam um roteiro pré-estabelecido. A bela Anna Karenina (Keira Knightley) sai de São Petesburgo, onde é bem casada e tem um filho de 8 anos, e vai à Moscou tentar convencer a cunhada Dolly (Kelly Macdonald) a perdoar as infidelidades do marido, o Sr. Oblonsky (Matthew Macfadyen, muito divertido). Logo ao chegar a Moscou, no entanto, Anna vai ter a própria fidelidade testada ao conhecer o jovem Conde Vronsky (Aaron Taylor-Johnson, de "Selvagens"); há uma sequência muito bem feita passada em um baile em que Vronsky, que estava prometido para a princesa Kitty (Alicia Vikander, de "O Amante da Rainha"), seduz Karenina e os dois dançam a noite toda, diante dos olhos escandalizados da elite russa. O romance é arrebatador e tão inevitável quanto "errado". Anna é casada com um político importante (Jude Law, bastante sóbrio) que lhe é 20 anos mais velho e avesso a escândalos. Quando Anna confessa o romance ao marido, ele tenta negociar; ela deve terminar tudo, ou então vai perder o lugar na sociedade, cair em desgraça e, ainda por cima, perder o filho. Claro que ela promete, e não cumpre, pagando um preço caro por suas decisões.

Há ainda um outro personagem, Konstantin Levin (Domhnall Gleeson), que representa o lado mais "social" do texto de Tolstoy. Ele é apaixonado pela princesa Kitty mas não consegue viver dentro das regras de Moscou. Ele é dono de uma pequena fazenda no interior, onde arregaça as mangas e trabalha junto dos próprios empregados na colheita. As cenas protagonizadas por Konstantin, seguindo a metáfora visual criada pelo filme, são passadas fora do "teatro", em cenários reais nas paisagens da Rússia. Também as cenas de romance entre Anna e Vronsky são mostradas ao ar livre, como se seu romance estivesse longe do alcance das regras da sociedade. O roteiro foi adaptado pelo conceituado dramaturgo Tom Stoppard (que ganhou o Oscar por "Shakespeare Apaixonado") e "Anna Karenina" tem ótima direção de fotografia (de Seamus McGarvey) e o figurino de Jacqueline Durran foi premiado no último Oscar. Visto no Topázio Cinemas, Campinas.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Roger Ebert (1942-2013)

Não há como este ser um texto "jornalístico", baseado simplesmente em datas, feitos, acontecimentos. Morreu Roger Ebert, possivelmente o crítico de cinema mais famoso de todos os tempos e grande influência no meu modo de ver e escrever sobre filmes.

Comecei a ler as críticas de Roger Ebert através de um CD-ROM (lembram deles) chamado "Cinemania", produzido pela Microsoft e que continha resenhas de centenas de filmes escritas por vários críticos. Lendo os textos, percebi uma afinidade pelo modo de escrever e pelo gosto de Roger Ebert, o crítico do jornal Chicago Sun-Times desde 1967. Ebert ficaria famoso pelo programa de televisão que teve em parceria com Gene Siskel. Os dois criaram o modelo para um modo informal de falar sobre cinema na televisão, eram apenas dois críticos dando cada um sua visão sobre determinado filme e, basicamente, dizendo se recomendavam ou não. Sim, era por vezes simplista, mas fez grande sucesso e tinha o diferencial de não se tratar apenas de filmes blockbusters dos grandes estúdios. Siskel e Ebert também falavam sobre filmes europeus, sobre o início do cinema independente americano, e assim por diante, criando no público o hábito de experimentar filmes novos.

Com a morte de Gene Siskel, em 1999, Ebert teve outros parceiros no programa de televisão, mas se reencontrou em uma nova mídia: a internet. Praticamente todas as suas críticas escritas para o Sun-Times podem ser encontradas em RogerEbert.com, e se tornou um hábito, logo após voltar do cinema ou desligar o DVD, ir checar o que Roger havia achado do filme. Ebert não tinha medo de novas tecnologias e, com mais de 60 anos, era das personalidades mais visitadas no seu site, no twitter, Facebook e em seu blog, em que não falava só sobre cinema. Quando "Cidade de Deus" não foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 2003, eu escrevi um e-mail a Ebert perguntando o que havia acontecido, e ele respondeu em seu site que o processo de votação para esta categoria do Oscar estava ultrapassado. Fontes da Miramax haviam lhe informado que muitos dos votantes da Academia haviam sequer visto o filme até o final.

Roger Ebert descobriu um câncer em 2002, e lutou desde então contra a doença. Perdeu o maxilar e a capacidade de comer alimentos sólidos, assim como a capacidade de falar. Ao invés de desaparecer da mídia, Ebert se tornou mais presente do que nunca na internet. Escrevia centenas de críticas de filmes por ano, além de discutir sobre assuntos diversos como religião, política, racismo e outros temas em seu blog. Seus textos eram extremamente claros e podia-se notar o amor que ele tinha pela palavra escrita, pelo jornalismo à moda antiga, por encontrar a frase certa.

Há apenas dois dias Roger escreveu um post em seu blog em que agradecia a todos pelos 46 anos de carreira e avisava que iria desacelerar um pouco a produção de textos pois novamente lutaria contra o câncer. "Desacelerar", para Ebert, significava continuar a escrever sobre filmes (agora "só os que ele tivesse vontade"), além de supervisionar o Ebertfest, um festival de cinema que ele mantinha há mais de uma década. Hoje, infelizmente, vem a notícia de que Roger Ebert faleceu. Não só o cinema perde um grande crítico, mas o mundo perde um grande escritor, jornalista, ensaísta e, principalmente, cinéfilo.

Até mais, Roger Ebert.

O Amante da Rainha

No final do século 18 fervilhavam pela Europa as idéias iluministas de Rousseau, Voltaire, entre outros, provocando o medo das cortes e esperança entre o povo. A Dinamarca era governada pelo Rei Christian VII (Mikkel Boe Følsgaard), um jovem com inclinações artísticas, mas claramente problemático (ele teria problemas mentais). Chega então da Inglaterra a jovem Caroline Mathilde (Alicia Vikander), que estava prometida em casamento ao rei em um acordo entre a Inglaterra e a Dinamarca. Caroline era talentosa, tocava instrumentos e gostava de literatura, mas teve que se submeter aos maus tratos do rei Christian e às obrigações matrimoniais, como gerar herdeiros.

É então que entra em cena o Doutor Johan Struensee (o ótimo Mads Mikkelsen, de "Coco Chanel & Igor Stravinsky"), um médico alemão contratado para tomar conta do rei. A princípio não ficam claros os motivos que levaram Struensee, um homem culto e com ideias iluministas, a aceitar o posto (ele era apenas um oportunista?). Mas a riqueza de seu personagem está nesta ambiguidade. O Rei Christian, que age como uma criança grande, gosta de trocar citações de Shakespeare com o médico, que lhe faz todas as vontades (como levá-lo a bordéis). Com o tempo, porém, Struensee começa a usar de sua influência com o rei para introduzir algumas modificações sociais importantes na Dinamarca, como a liberdade de imprensa, o fim da censura e a implantação de uma campanha de vacinação contra a rubéola. O poder crescente do médico causa a revolta da corte dinamarquesa, que começa a planejar um meio de expulsá-lo do país. Como se não bastassem os problemas políticos, Struensee se apaixona (e é correspondido) pela Rainha Caroline, com quem passa junto quase todas as noites (ela havia proibido o Rei de vê-la desde o nascimento do herdeiro). O caso entre os dois gera uma filha ilegítima, que Christian pensa ser sua filha.

Seguindo o ditado de que "todo poder corrompe", o Doutor Struensee, apesar das boas intenções, se torna cada vez mais poderoso na corte da Dinamarca, tornando-se, na prática, o verdadeiro governante do país. Enquanto isso, o clero e outro herdeiro ao trono começam uma campanha de difamação contra a Rainha e sobre seu caso com o médico alemão. O filme tem direção de Nikolaj Arcel (da versão original de "Os Homens que não Amavam as Mulheres") e tem todos os ingredientes de um bom filme histórico. A trama peca um pouco por sua previsibilidade; afinal, a partir do momento em que a rainha e o médico começam o romance, fica claro que esta história não vai terminar bem. Mikkelsen é um grande ator e tem um grande momento quando, ao final do filme, ele percebe que a situação em que se encontra é pior do que imaginava. Há alguns ecos de "Danton - O Processo da Revolução" (1982), filme de Andrzej Wajda sobre a Revolução Francesa, passado no mesmo período. Visto no Topázio Cinemas, em Campinas.

Câmera Escura

domingo, 31 de março de 2013

Oz: Mágico e Poderoso

Na falta de ideias originais, Hollywood tem apostado não só em continuações, mas em "prequels", aquelas histórias que contam as origens de algum personagem ou mundo conhecido. Desta vez a Disney resolveu contar a história anterior aos eventos do clássico "O Mágico de Oz", musical da MGM lançado em 1939 com Judy Garland e dirigido por Victor Fleming. O filme clássico inovava em um aspecto técnico interessante: as cenas passadas no "mundo real", em Kansas, eram em preto e branco, enquanto que as passadas no mundo mágico de Oz eram coloridas. O truque é repetido nesta nova versão, dirigida por Sam Raimi (da série "Homem Aranha") que também imita todos os maneirismos do diretor Tim Burton, a ponto de usar o compositor Danny Elfman, que fez a trilha de praticamente todos os filmes de Burton (com exceção de "Ed Wood", de 1994). A única coisa que falta para "Oz: Mágico e Poderoso" ser um filme de Tim Burton é Johnny Depp no papel principal.

Oscar (James Franco, canastrão), também conhecido como "Oz", é um ilusionista barato de um circo itinerante em Kansas, EUA, em 1905. Como mágico ele é passável, mas sua principal habilidade é com as mulheres; ele coleciona uma série de corações partidos pelas cidades por onde se apresenta. Até que, em uma tarde de tempestade, ele tem que fugir de um amante enfurecido e embarca em um balão de ar que é tragado pelo mesmo tufão que, em 1939, levará Dorothy para o mundo de Oz. Sam Raimi filma os primeiros quinze minutos em preto e branco e na proporção "quadrada" do cinema antigo. A chegada em Oz transforma a tela em largo "cinemascope" e em um colorido tão impressionante que se consegue imaginar como a chegada da cor ao cinema, há mais ou menos 70 anos, encantou as plateias. A chegada de Oz no mundo que leva seu nome causa comoção aos habitantes. O mágico é recebido pela bela bruxa Theodora (Mila Kunis, de "Ted"), que se apaixona por ele e o leva à Cidade das Esmeraldas. Lá ele conhece a irmã de Theodora, Evanora (Rachel Weizs, de "360"); ela lhe promete o tesouro da cidade e a posição de "Rei", desde que ele destrua a bruxa Glinda (Michelle Williams, de "Sete Dias com Marilyn"). Os efeitos especiais são muito bons e dois personagens "virtuais" chamam a atenção: o macaco Finley e a Boneca de Porcelana. Ela teve as pernas quebradas durante o ataque dos "macacos alados" da Bruxa Má (cuja identidade permanece em segredo por grande parte do filme). Oz, um charlatão, consegue consertar as pernas da boneca usando cola, e sua reputação como mágico cresce a cada truque. Os cenários são apropriadamente exagerados e o efeito 3D é usado da forma de sempre, isto é, várias coisas são jogadas em direção da platéia para ressaltar as três dimensões.

O filme tem um charme "retrô" interessante e belas imagens, mas peca pela longa duração (130 minutos). As interpretações também ficam aquém do esperado (os personagens virtuais interpretam melhor que os de carne e osso em grande parte do filme). A trama ganharia muito se tivesse uns 30 minutos a menos. O final, quando Oz usa de todos os seus truques "baratos" para  tentar derrotar as bruxas más, lembra um pouco as cenas de Meliès em "A Invenção de Hugo Cabret", de Martin Scorsese. "Oz: Mágico e Poderoso" dificilmente vai entrar para a história do cinema como um clássico, mas tem seus bons momentos.


quinta-feira, 28 de março de 2013

Os Croods

O roteiro de "Os Croods" não tem nada de novo. É reciclado de várias tramas já vistas na série "A Era do Gelo", que havia emprestado ideias de "Em Busca do Vale Encantado" (1988), e assim por diante. Ou seja, é uma história passada na pré-história, adaptada e acelerada para os tempos modernos. É o velho mito de querer chegar na "terra prometida", onde tudo vai dar certo e viverão felizes para sempre (ou até a próxima continuação da franquia).

As crianças vão gostar muito, como é o esperado, mas o que torna o filme uma experiência compensadora para os adultos na platéia é o visual espetacular criado pela DreamWorks Animation, que vem desenvolvendo um trabalho de texturas, cores, luzes e sombra extremamente realistas, como em "Como treinar seu dragão" (que tinha um roteiro muito superior), co-dirigido pelo mesmo Chris Sanders de "Os Croods". Os personagens não se parecem com desenhos tridimensionais, mas com seres de carne e osso (mesmo que caricaturizados) que impressionam. Há grande cuidado na criação de texturas, cabelos e pele dos personagens, além de uma câmera que investe em pontos de vista pouco usados em animação.

Questões técnicas à parte, a trama é bastante convencional. Os Croods são uma família como outra qualquer, pai, mãe, avó e filhos, que são os últimos sobreviventes de uma região pré-histórica. Isso se deve aos esforços paranoicos de Grug, o pai que ensina aos filhos que "ter medo é bom", "tudo que é novo é ruim" e, principalmente, "nunca saiam da caverna". Estas regras podem ter mantido a família viva, mas está matando de tédio a filha mais velha, Eep. Ela é a típica adolescente moderna presa no corpo de uma garota pré-histórica, e faz de tudo para desobedecer as regras do pai. Uma noite ela é atraída para fora da caverna por uma luz diferente e conhece Guy, um rapaz que descobriu o segredo do fogo e que conta histórias estranhas sobre o fim do mundo, que estaria próximo. De fato, mudanças geológicas (aceleradas milhares de vezes por questões dramáticas) estão acontecendo no planeta. Um terremoto destrói a caverna dos Croods, obrigando-os a sair para a luz do Sol e seguir Guy em uma jornada em direção do "amanhã", como ele chama. Nada muito novo mas, como disse anteriormente, mostrado com imagens tão sensacionais que o filme nunca se torna entediante. Pode ser um pouco frenético demais em alguns momentos e as piadas "modernas" nem sempre funcionam, mas é uma boa aventura. Em cartaz no Topázio Cinemas, em Campinas.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Guerra dos Mundos, o livro e as diferentes versões

Capa da edição original. fonte: Wikipedia

"The War of the Worlds" (Guerra dos Mundos) é um livro de ficção científica escrito por H.G. Wells em 1898 na Inglaterra. Já havia visto duas adaptações cinematográficas, a ótima de 1953 dirigida por Byron Haskins e produzida por George Pal e a versão que Steven Spielberg fez em 2005 com Tom Cruise, mas nunca havia lido o livro, até agora.  Foi uma experiência muito interessante por dois motivos; um pelo conteúdo, outro pelo meio pelo qual li; foi meu primeiro ebook, lido metade em um e-reader para Windows Phone chamado "Freda" e a segunda metade li do em um "Kobo Glo", o e-reader canadense que a Livraria Cultura trouxe ao Brasil.

O livro é muito interessante, ainda mais quando se pensa na data em que foi escrito. Leva um tempo, com todas aquelas imagens de filmes de ficção-científica americanos dos anos 50 na cabeça, com seus soldados, jipes, tanques de guerra etc, para embarcar no planeta Terra do final do século 19. Quando Wells descreve soldados chegando, temos que imaginá-los vindo a cavalo, pilotando charretes ou puxando grandes canhões. Da mesma forma, a cidade de Londres, descrita por Wells como tendo 6 milhões de habitantes, deve ser imaginada no século 19, sem carros nas ruas etc. A diferença de tecnologia entre os invasores Marcianos e o povo da Terra fica ainda maior quando imaginamos as armas e artefatos humanos há mais de 100 anos. 

"Guerra dos Mundos", filme de 1953
A trama é narrada em primeira pessoa por um escritor que nunca é nomeado e que, por coincidência, sorte ou vontade do autor, é testemunha da maior parte dos eventos desde a descoberta de "jatos de gás" saindo da superfície do planeta Marte (que se encontra na aproximação máxima da Terra) até a queda de "cilindros" nos arredores de Londres, Inglaterra, de onde saem os Marcianos. A descrição das criaturas, a meu ver, não é muito boa, ficando difícil visualizá-los. Wells os descreve como "grandes cabeças, com olhos enormes, uma boca em forma de V e tentáculos". Estas criaturas estranhas se tornam poderosas ao construírem "Tripods" gigantes que andam pela paisagem inglesa destruindo tudo com "raios de calor" e uma fumaça tóxica que mata quem a respira. A versão de Spielberg, apesar de passada na época contemporânea, também equipa os Marcianos com estes veículos, enquanto que na versão dos anos 50 eles usavam naves flutuantes, uma espécie de discos voadores.

A narração de Wells é bem interessante e o leitor vai reconhecer vários dos "clichês" de filmes de invasão por extraterrestres feitos em Hollywood no próximo século. A lentidão e tranquilidade com que se narra a queda do primeiro cilindro, a curiosidade causada nas pessoas, que vão se aproximando; o cilindro que se abre lentamente, revelando as criaturas que saem de dentro até que o cenário aparentemente pacífico se transforma em um campo de batalha. Os Marcianos de Wells usam um "Raio de Calor" para explodir ou queimar imediatamente pessoas, casas, peças de artilharia, etc. Quando um dos marcianos é derrubado por um canhão, eles passam a usar uma "Fumaça Negra" que, como um líquido, vai se espalhando pelas ruas das cidades e matando a todos por envenenamento. Vale lembrar novamente que estamos em uma época pré Primeira Guerra Mundial, mas algumas das descrições de Londres destruída pelos Marcianos lembram cenas que aconteceriam só meio século depois, quando os nazistas bombardearam a cidade na II Guerra Mundial.

A versão de 2005, de Steven Spielberg
O livro é dividido em duas partes, "A chegada dos Marcianos" e "A Terra sob os Marcianos". Há muito poucos diálogos entre os personagens, sendo que quase toda a trama é narrada pelo escritor segundo os fatos que ele "testemunhou" ou escutou de outras pessoas, como um irmão que mora em Londres. O narrador (e as multidões inglesas) estão em constante movimento, fugindo dos invasores, mas há dois momentos de pausa; um quando o narrador, na companhia de um pároco, fica 15 dias preso em uma casa cercada de Marcianos, quando ele testemunha, horrorizado, que eles se alimentam de sangue humano. A outra pausa é quando ele encontra um soldado que tem planos mirabolantes de comandar a "resistência" dos seres humanos contra os invasores. O militar tem um longo monólogo em que descreve a apatia humana e sobre como muitos seriam "cultivados" pelos Marcianos e usados como comida ou mesmo como bichos de estimação. Wells traça paralelos interessantes entre a superioridade marciana e nós e a relação de poder que existe na Terra entre humanos e animais. Há também uma relação entre a alegoria de Wells e temas como Darwinismo e Colonialismo.

Por fim (SPOILERS?), os Marcianos, aparentemente indestrutíveis, são vítimas das bactérias terrestres, para as quais não são imunes, e acabam morrendo depois de terem destruído grande parte de Londres e, aparentemente, vários outros locais do globo. Vale também lembrar a versão para rádio produzida por ninguém menos que Orson Welles (que tem o nome parecido com o do autor) em 1938, já um garoto prodígio do Teatro e que em breve dirigiria "Cidadão Kane" (1941). A versão de Welles, narrada como se fosse um jornal ao vivo, causou pânico em diversas regiões dos Estados Unidos, pois o público acreditou se tratar de uma invasão real.

terça-feira, 26 de março de 2013

Linha de ação

"Linha de ação" não é um filme fácil de julgar. Certamente não é nenhuma obra-prima e está longe de ser original, mas o elenco é sólido e cheio de estrelas como Russell Crowe ("Intrigas de Estado"), Mark Wahlberg ("O Vencedor") e Catherine Zeta-Jones. O roteiro, para um filme com um título brasileiro genérico como este (na linha de "Conduta de risco", o que isso significa?) é bem mais complicado do que precisaria ser, pecando por excesso. Wahlberg é Billy Taggart, um "tira" de Nova York que mata um suposto estuprador a sangue frio e é levado a julgamento. Uma manobra política o livra da condenação, mas ele fica devendo um favor ao prefeito Nick Hostetler (um Russell Crowe bem exagerado), que a cobra sete anos depois: em plena campanha política, Hostetler contrata Taggart para seguir a primeira dama, que supostamente está tendo um caso.

A tocaia à mulher do prefeito, interpretada por Catherina Zeta-Jones, é feita com todas aquelas cenas que você já viu em dezenas de outros filmes, como um carro seguindo outro pelo trânsito de Nova York, o detetive tirando fotos da "vítima" de longe, etc, mas estas cenas, apesar de previsíveis, são suficientemente bem feitas para manter a atenção. O roteiro até dá ao personagem de Wahlberg uma fiel assistente, como naqueles filmes clássicos de detetives, interpretada pela israelense Alona Tal. Os dois descobrem que a primeira dama, de fato, está vendo outro homem, que é ninguém menos que o coordenador da campanha do adversário de Crowe à prefeitura de Nova York.

O filme é dirigido por Allen Hughes (que fez o interessante "O Livro de Eli" em 2010), e consegue manter a trama interessante até a metade do filme. É no roteiro de Brian Tucker que "Linha de ação" derrapa, principalmente do meio para o final. O que poderia ser um bom thriller policial tenta se tornar um filme político, com subtramas confusas sobre exploração no mercado imobiliário, um assassinato mal explicado e  há até a sugestão de temas como inclusão sexual. Sem falar em outra subtrama desnecessária que envolve a namorada de Wahlberg, uma atriz iniciante chamada Natalie (a caliente Natalie Martinez) que está lançando seu primeiro filme independente, o que provoca uma cena de ciúmes no personagem de Wahlberg.

Apesar de tudo isto e dos vários furos no roteiro, "Linha de Ação" até certo ponto funciona, sendo melhor indicado para uma sessão em casa, no DVD.

terça-feira, 19 de março de 2013

A Busca

Roteiro e direção lutam o tempo todo em "A Busca", estréia na direção do publicitário Luciano Moura, da produtora "O2 Filmes" (de Fernando Meirelles). O roteiro, escrito por Elena Soarez e pelo próprio Moura, tem tendências fantasiosas e até poéticas, dando pouca importância à verossimilhança. Já a direção de Moura, que já dirigiu mais de 500 comerciais, é tecnicamente competente e com um estilo realista. Têm-se, assim, uma fantasia filmada como se fosse um thriller, e o resultado é confuso.

Wagner Moura (carregando o filme nas costas) é Theo, um médico que é bem sucedido mas é a cara do desespero. É completamente apaixonado pela mulher, a também médica Branca (Mariana Lima), que quer o divórcio. "O que eu tenho que fazer?", implora ele, que pagou pela casa, está construindo uma piscina e pretende enviar o filho de 15 anos, Pedro, à Nova Zelândia em um intercâmbio. Sofrimento de classe média alta, com boas interpretações de Moura e Mariana Lima. No meio do fogo serrado, o garoto Pedro (Brás Antunes) mente aos pais dizendo que vai viajar com um amigo no final de semana mas, na verdade, ele decide fugir de casa. É então que o conflito entre roteiro poético e filme de gênero começa; Pedro teria falsificado o RG para adotar um cavalo de um abrigo de animais. O espaço geográfico nunca fica claro (o que é um problema em um road movie), mas presume-se que Pedro partiu das imediações de São Paulo, montado em um cavalo, e o pai (dirigindo um carro da marca que patrocina o filme) vai em seu encalço. De forma bem pouco realista, Theo encontra várias pessoas que, sim, viram passar por ali um rapaz montado em um cavalo negro, e o pobre homem passa o diabo em sua busca pelo filho. Há cenas interessantes, como a passada em uma barca que teria transportado Pedro (e o cavalo) através de um rio. Outras são bastante improváveis, como da vez em que Wagner Moura chega a uma vila com várias casinhas, antenas parabólicas no telhado, e ninguém ali tem um telefone, seja fixo ou celular, a não ser um senhor cardíaco que se recusa a emprestar o aparelho. Ou quando Theo chega a uma rave com centenas de jovens e logo a primeira garota com quem ele conversa, surpresa, não só viu Pedro como sabe onde ele passou a noite.

Tudo isto mostra a inexperiência do diretor, mas as boas interpretações e um final tocante, com participação de Lima Duarte, até compensam os vários tropeços. Há um bom trabalho de som e na qualidade técnica em geral. Só é necessária boa vontade do espectador em abraçar o roteiro capenga. Visto no Kinoplex, em Campinas.

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Quarteto

"O Quarteto" marca a estréia do ator Dustin Hoffman na direção. Aos 75 anos, Hoffman escolheu temas próximos a sua realidade: a arte e a velhice. O filme tem muitas semelhanças com o recente "O Exótico Hotel Marigold", inclusive dividindo uma atriz em comum, Maggie Smith, e trata do tema da terceira idade da mesma forma fantasiosa e edificante. Ou seja, a anos luz do soco no estômago que é "Amor", de Michael Haneke.

A trama se passa na Inglaterra, em uma casa de repouso exclusiva para músicos aposentados. O som de andadores, bengalas, tosse e juntas doloridas se mistura à música constante de quartetos de câmara, solistas, tenores e todo tipo de músicos praticando diariamente. Um diretor tirano (Michael Gambon, ótimo) está ensaiando vários números para um show de gala anual que a casa de repouso apresenta no aniversário de Giuseppe Verdi. A renda do show vai para a manutenção da casa, que corre o risco de fechar. A chegada da diva Jean Horton (Maggie Smith) causa rebuliço; ela havia sido casada com Reggie Paget (Tom Courtenay), que ainda guarda a mágoa de ter sido traído por ela décadas atrás. Já Wilf (Billy Connolly) e Cissy (Pauline Colins) vêm na chegada de Horton a chance deles reunirem o quarteto que fez muito sucesso apresentando o "Rigoletto" de Verdi.

O filme tem boas intenções e é gostoso de se ver, mas não passa de uma série de clichês envolvendo personagens da terceira idade e artistas em decadência. Há o personagem "safado" que ainda só pensa em sexo; há as inevitáveis piadas envolvendo a perda da memória ou outras enfermidades relacionadas à idade; há várias sequências musicais mostrando os diversos grupos se preparando para a apresentação final, e assim por diante. Tudo filmado sob o sol dourado da primavera, como se a Inglaterra fosse sempre um país ensolarado e agradável. Os créditos finais mostram como vários dos figurantes e personagens secundários são músicos e artistas de verdade, em uma montagem de fotos que os mostra no passado e agora. Divertido e inofensivo. Em cartaz no Topázio Cinemas, em Campinas.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Vencedores OSCAR 2013

Em ordem de apresentação:

Ator Coadjuvante:

vencedor: Christoph Waltz ("Django Livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")
Robert De Niro ("O lado bom da vida")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")
Alan Arkin ("Argo")

Curta de animação:

Vencedor: "Paperman"
"Adam and dog"
"Fresh guacamole"
"Head over heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"

Animação
vencedor: "Valente"
"Frankenweenie"
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph"

Fotografia
vencedor: Claudio Miranda ("As Aventuras de Pi")
"Anna Karenina"
"Django livre"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"


Efeitos especiais
vencedor: "As Aventuras de Pi"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"As aventuras de Pi"
"Os vingadores"
"Prometheus"
"Branca de Neve e o caçador"

Figurino
vencedor: "Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"Lincoln"
"Espelho, espelho meu"
"Branca de Neve e o caçador"

Maquiagem
vencedor: "Os Miseráveis"
"Hitchcock"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"

Melhor curta-metragem
vencedor: "Curfew"
"Asad"
"Buzkashi boys"
"Death of a shadow (doos van een schaduw)"
"Henry"

Documentário em curta-metragem
vencedor: "Inocente"
"Kings point"
"Mondays at Racine"
"Open heart"
"Redemption"

Documentário em longa-metragem
vencedor: "Searching for a sugar man"
"5 broken cameras"
"The gatekeepers"
"How to survive a plague"
"The invisible war"

Filme estrangeiro
vencedor: "Amour", de Michael Haneke
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"O amante da rainha" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)

Mixagem de som
vencedor: "Os Miseráveis"
"Argo"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Edição de som
vencedor: "A hora mais escura" e "007 - Operação Skyfall"
"Argo"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"

Atriz coadjuvante
vencedora: Anne Hathaway ("Os Miseráveis")
Sally Field ("Lincoln")
Jacki Weaver ("O lado bom da vida")
Helen Hunt ("As Sessões")
Amy Adams ("O mestre")

Edição
vencedor: "Argo"
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"O lado bom da vida"

Direção de arte/cenários
vencedor: "Lincoln"
"Anna Karenina"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis"
"A vida de Pi"

Trilha sonora original
vencedor: Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Alexandre Desplat ("Argo")
John Williams ("Lincoln")
Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")


Canção original
vencedor: "Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)
"Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)
"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Roteiro adaptado
vencedor: Chris Terrio ("Argo")
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
David Magee ("As aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida")

Roteiro original
vencedor: Quentin Tarantino ("Django Livre")
Michael Haneke ("Amor")
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")
Mark Boal ("A hora mais escura")

Diretor
vencedor: Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Michael Haneke ("Amor")
Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
Steven Spielberg ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida)


Atriz
vencedora: Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Naomi Watts ("O impossível")
Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Emmanuelle Riva ("Amor")
Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

Ator
vencedor: Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Denzel Washington ("O Voo")
Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Joaquin Phoenix ("O mestre")

....e finalmente:

Melhor Filme
vencedor: ARGO
"Indomável sonhadora"
"O lado bom da vida"
"A hora mais escura"
"Lincoln"
"Os Miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Amor"
"Django livre"
"Argo"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

OSCAR 2013: Os Indicados

Já assistiu a todos os filmes indicados ao Oscar? Veja abaixo a lista dos filmes e artistas em competição e clique nos títulos para ler nossa opinião a respeito deles.

Melhor Filme

"Indomável sonhadora"
"O lado bom da vida"
"A hora mais escura"
"Lincoln"
"Os Miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Amor"
"Django livre"
"Argo"


Diretor
Michael Haneke ("Amor")
Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
Ang Lee ("As aventuras de Pi")
Steven Spielberg ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida)

Ator
Daniel Day-Lewis ("Lincoln")
Denzel Washington ("O Voo")
Hugh Jackman ("Os miseráveis")
Bradley Cooper ("O lado bom da vida")
Joaquin Phoenix ("O mestre")


Atriz
Naomi Watts ("O impossível")
Jessica Chastain ("A hora mais escura")
Jennifer Lawrence ("O lado bom da vida")
Emmanuelle Riva ("Amor")
Quvenzhané Wallis ("Indomável sonhadora")

Ator coadjuvante
Christoph Waltz ("Django livre")
Philip Seymour-Hoffman ("O mestre")
Robert De Niro ("O lado bom da vida")
Tommy Lee Jones ("Lincoln")
Alan Arkin ("Argo")


Atriz coadjuvante
Sally Field ("Lincoln")
Anne Hathaway ("Os miseráveis")
Jacki Weaver ("O lado bom da vida")
Helen Hunt ("As Sessões")
Amy Adams ("O mestre")


Roteiro original
Michael Haneke ("Amor")
Quentin Tarantino ("Django livre")
John Gatins ("Voo")
Wes Anderson e Roman Coppola ("Moonrise kingdom")
Mark Boal ("A hora mais escura")

Roteiro adaptado
Chris Terrio ("Argo")
Lucy Alibar e Benh Zeitlin ("Indomável sonhadora")
David Magee ("As aventuras de Pi")
Tony Kushner ("Lincoln")
David O. Russell ("O lado bom da vida")


Filme estrangeiro
"Amor" (Áustria)
"No" (Chile)
"War witch" (Canadá)
"O amante da rainha" (Dinamarca)
"Kon-tiki" (Noruega)


Animação
"Valente"
"Frankenweenie"
"ParaNorman"
"Piratas pirados!"
"Detona Ralph"


Fotografia
"Anna Karenina"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Edição
"Argo"
"A vida de Pi"
"Lincoln"
"A hora mais escura"
"O lado bom da vida"

Trilha sonora original
Dario Marianelli ("Anna Karenina")
Alexandre Desplat ("Argo")
Mychael Danna ("As aventuras de Pi")
John Williams ("Lincoln")
Thomas Newman ("007 – Operação Skyfall")


Documentário em longa-metragem
"5 broken cameras"
"The gatekeepers"
"How to survive a plague"
"The invisible war"
"Searching for a sugar man"

Documentário em curta-metragem
"Inocente"
"Kings point"
"Mondays at Racine"
"Open heart"
"Redemption"


Canção original
"Before my time", de "Chasing ice" – J. Ralph (música e letra)
"Everybody needs a best friend", de "Ted" – Walter Murphy (música) e Seth MacFarlane (letra)
"Pi's lullaby", de "As aventuras de Pi" – Mychael Danna (música) e Bombay Jayashri (letra)
"Skyfall", de "007 - Operação Skyfall" – Adele (música e letra)
"Suddenly", de "Os miseráveis" – Claude-Michel Schönberg (música), Herbert Kretzmer (letra) e Alain Boublil (letra)

Efeitos especiais
"As aventuras de Pi"
"Os vingadores"
"Prometheus"
"Branca de Neve e o caçador"


Edição de som
"Argo"
"Django livre"
"As aventuras de Pi"
"A hora mais escura"
"007 – Operação Skyfall"

Mixagem de som
"Argo"
"Os miseráveis"
"As aventuras de Pi"
"Lincoln"
"007 – Operação Skyfall"

Melhor curta-metragem
"Asad"
"Buzkashi boys"
"Curfew"
"Death of a shadow (doos van een schaduw)"
"Henry"

Curta-metragem de animação
"Adam and dog"
"Fresh guacamole"
"Head over heels"
"Maggie Simpson in 'The Longest Daycare'"
"Paperman"

Figurino
"Anna Karenina"
"Os miseráveis"
"Lincoln"
"Espelho, espelho meu"
"Branca de Neve e o caçador"


Direção de arte/cenários
"Anna Karenina"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"
"Os miseráveis"
"A vida de Pi"
"Lincoln"

Maquiagem
"Hitchcock"
"Os miseráveis"
"O hobbit: Uma jornada inesperada"

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